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Tão Forte e Tão Perto


A indicação de “Tão Forte e Tão Perto” como Melhor Filme no Oscar só pode ser resultado do amor da Academia pelo diretor Stephen Daldry. Todos os seus filmes (“Billy Elliot”, “As Horas” e “O Leitor”) foram indicados na categoria. Todos merecidamente, é claro. Com exceção deste último. “Tão Forte e Tão Perto” é de longe o pior filme do cineasta, não tanto pela direção pouco inspirada desta vez, mas principalmente por um roteiro absurdamente irregular.

O filme conta a história de um garoto de 11 anos, Oskar (Thomas Horn, precisando de umas aulas de atuação), que perde o pai no atentado de 11 de setembro. Sua única motivação é uma misteriosa chave encontrada nos pertences do falecido. O menino é o protagonista do filme, está em cena praticamente 90% do tempo. Porém, seu personagem é irritante. Tem atitudes infantis demais, não possui carisma e por muitos momentos esquece da sua síndrome de Asperger e pega tranquilamente um metrô ou passa por uma porta eletrônica sem problemas . Fora que para um rapaz tímido e com problemas de comunicação, ele não cala a boca um segundo.

As visitas de Oskar aos possíveis detentores da fechadura aberta pela chave são passadas na tela sem emoção alguma. São pouco aproveitadas pela história. Ao invés de fazer uma visão geral sobre o sofrimento do mundo, como chega a insinuar em um diálogo da mãe (Sandra Bullock, tentando ser atriz séria) no final, o roteiro opta por explorar mensagens em uma secretária eletrônica ou o fato do vizinho poder ser avó do garoto. Ambas situações sem tanto propósito com a trama. Até mesmo o fato da morte do pai ocorrer durante um ataque terrorista não apresenta um motivo significativo ou que contribua ao contexto narrativo.

Assim, inconstante e sem uma linha condutora forte, o novo filme de Stephen Daldry naufraga em intenções. Por ser adaptação de um livro, talvez o original consiga nas páginas suprir o que na tela ficou tão irregular. Mesmo com pequenas (e inspiradas) participações de Viola Davis e Max Von Sydon, o filme não decola. Ganha certo fôlego somente nos 10 minutos finais. “Tão Forte e Tão Perto” soa como uma tentativa infeliz de levar o público às lágrimas.

Nota: 4

Lembranças


O burburinho em volta de “Lembranças” deve-se apenas pela presença de Robert Patinsson. Se não fosse por ele, essa produção batida estaria sendo lançada e esquecida nas prateleiras da locadora.

O jovem astro realmente atua nesse filme – ao contrário da saga “Crepúsculo” - e até manda bem no papel de um adolescente atormentado que perdeu o irmão e passou a culpar o pai pelo ocorrido. Através de uma aposta, ele conhece uma garota igualmente revoltada que também sofreu uma perda familiar: a mãe foi assassinada na sua frente quando era menor.

O drama romântico investe na química do casal, que ao menos funciona, mas deixa de lado o aperfeiçoamento do roteiro. A relação entre os personagens é tão enrolada que pouco se desenvolve. Alguns diálogos são vergonhosos, como aquele presenciado no primeiro jantar da dupla. O clímax do filme é de uma obviedade incrível, podendo ser previsto no momento que se descobre que a garota é filha do policial – não teve spoiler. Fora o encerramento, que os roteiristas introduzem um fato histórico perdido e sem contexto algum apostando que os espectadores iriam achar original. Bem longe disso.

“Lembranças” acaba se importando mais com as fãs do galã vampiro, ao tentar provocar as lágrimas das “crepusculetes” com um final supostamente surpreendente e termina perdendo o foco. Com a direção voltada para questões menos relevantes, a trama não chega a ganhar a profundidade pretendida, e deixa o resultado não mais que insosso.

Nota: 4

Por Uma Vida Melhor


Sam Mendes quer ser um cineasta plural. Ele já passeou pelos gêneros do drama (“Beleza Americana”, “Foi Apenas Um Sonho”), guerra (“Soldado Anônimo”) e noir (“Estrada Para a Perdição”). Agora chegou a vez de realizar um filme menor, com roupagem indie e proposta de cinema independente.

“Por Uma Vida Melhor” conta a história de um casal de trinta e poucos anos que está esperando um filho. Como os dois não possuem empregos fixos, decidem realizar uma viagem pelos Estados Unidos na busca do melhor lugar para construir uma família. Em uma espécie de “road movie”, a dupla passa de cidade em cidade visitando amigos e conhecidos.

O filme retrata uma geração de jovens com mais de trinta anos que se encontra sem formação acadêmica, sem emprego decente, sem perspectiva de um futuro melhor. São adultos perdidos que acabam acumulando obrigações sem ao menos saberem cuidar de si próprios. Esse casal que precisa de ajuda vai encontrar na jornada pessoas ainda mais problemáticas e bizarras que eles. Os personagens secundários falam tanto absurdos – e são tão caricaturais – que chegamos a achar que a sanidade está nos protagonistas.

Sam Mendes, que é um diretor renomado por seus filmes maduros, pisa na bola com essa produção simplória e sem graça. Não há como comparar os demais longas-metragens do cineasta com este último exemplar. Peca até mesmo nos principais quesitos: roteiro, atuações e direção. Mendes introduziu na sua brilhante filmografia um deslize imenso chamado “Por Uma Vida Melhor”. Cabe agora recompensar em um novo projeto.

Nota: 4

Vício Frenético


Após ter praticamente destruído sua carreira com os projetos mais recentes (“Presságio”, “O Vidente”, “Perigo em Bangkok”, “O Sacrifício”, “Motoqueiro Fantasma”), o astro Nicolas Cage teve a chance de sair por cima com a refilmagem de um filme policial dos anos 90 que recebeu uma modernização pelo diretor Werner Herzog.

“Vício Frenético” inicia com o caso de uma família de angolanos assassinada em um bairro “barra pesada” de Nova Orleans. Tudo indica que o motivo esteja relacionado ao tráfico de drogas. Lentamente, a investigação é deixada de lado e quem ganha destaque são os conflitos do personagem de Cage.

O tira extremamente violento e drogado deveria ser um papel desafiador para o veterano ator, provocando sua capacidade inquestionável vista em filmes como “Despedida em Lãs Vegas” e “O Sol de Cada Manhã”. Cage realmente parece estar se esforçando em cena, mas o seu empenho apenas resulta em uma atuação razoável. Dificultando ainda mais, sua companheira na tela, Eva Mendes - além de atuar sempre o mesmo personagem (a gostosona) – faz o par romântico do protagonista deixando explícito que lhe faltam muitas aulas de interpretação.

A direção “quadrada” do diretor não investe em ousadias e o roteiro banal também não contribui. Dificilmente vai ser com esse filme que o astro receberá seu prestígio de volta.

Nota: 4,5

A Trilha


A busca por um desfecho surpreendente acaba sendo responsável por roteiros que traem seus elementos fundamentais e terminam gerando algumas aberrações cinematográficas. No caso de “A Trilha”, o filme não chega ao ponto de ser um espetáculo bizarro, mas está longe de ser decente.

Aparentemente é um filme comum: casal de turistas aproveita sua lua de mel em Honolulu justamente no período que uma onda de crimes anda acontecendo na região. O jogo inverte próximo do final com uma tradicional reviravolta. O que deveria “pegar” o espectador de surpresa realmente o faz, porque não dá para acreditar no rumo que a história toma.

O diretor David Twohy investe em belas imagens do Hawaii (ponto positivo) e cria cenas de ação que não funcionam ao realizá-las com cortes rápidos e divisão da tela em vários quadros (ponto negativo). O elenco levemente conhecido (Milla Jovovich e Timothy Olympat) embarca na “aventura” com gosto. O desperdício é assistir o ótimo Steve Zahn envolvido na produção.

Nota: 4

Atividade Paranormal


A tentativa é repetir o que aconteceu dez anos atrás, quando um filme modesto chamado “Bruxa de Blair” pegou todos de surpresa aparentando ser real. Depois da “pegadinha” de 1999, ninguém mais cai em lances como esse - ainda por cima quando é distribuído pela Paramont Pictures.

“Atividade Paranormal” mostra a rotina de um casal que tem um espírito do mal vivendo em sua casa. O lance dos sustos é através de sombras, barulhos estranhos, pegadas, luzes que acendem e apagam. Fica até difícil imaginar onde foram gastos os 15 mil dólares de produção. Em cena, só temos o casal protagonista e duas aparições de um especialista em entidades e os “efeitos”, como fazer uma porta abrir ou se fechar sozinha, não chegam a custar um centavo.

O “buzz” deve-se aos fãs que assistiram o longa-metragem em festivais independentes e divulgaram nas redes sociais. A campanha de promoção foi justamente através do hotsite onde era possível solicitar a exibição do filme na sua cidade. O trailer sugestivo mostrando os sustos da platéia no cinema e os argumentos críticos estampados no cartaz anunciavam um dos filmes mais apavorantes da década. Uma bela jogada de marketing. Aguçar a curiosidade do público sempre dá certo: a bilheteria nos Estados Unidos foi assustadoramente alta.

Pensando no espectador, somente aqueles que nunca assistiram um bom filme do gênero vão se empolgar com o falso documentário. Além de uma produção caseira, com imagem tremidas, é preciso acompanhar a rotina de um casal chato, que ainda por cima é interpretado por fraquíssimas atuações. “Atividade Paranormal” é uma cópia fajuta de “Bruxa de Blair” que não ganha em "cenas de ação”, clima tenso ou final chocante. Praticamente nada acontece no filme; então ao invés de não assistir sozinho (como o pôster oficial indica), o melhor é não assistir mesmo.

Nota: 4

A Mulher Invisível


Um dos filmes mais lucrativos do cinema nacional em 2009 foi “A Mulher Invisível”, do diretor Cláudio Torres. Nele, Selton Mello vive um cara extremamente romântico que de tanto mimar acaba sufocando suas namoradas. Após sofrer diversas desilusões amorosas, ele passa a acreditar que a vizinha gostosona (Luana Piovanni) está a fim dele. O grande senão é que ele não sabe que a sua nova amada é fruto de sua imaginação.

O principal objetivo de um filme como esse é levar o público as risadas – proporcionando também entretenimento de qualidade. “A Mulher Invisível” pode até gerar alguma graça com suas situações cômicas, mas apresenta no desenvolver vários obstáculos. O primeiro, certamente, é a atuação forçadíssima de Selton Mello – um dos melhores atores brasileiros que dessa vez exagera nos trejeitos do personagem e faz uma voz fina (irritante e inverossímel) que mal dá para entender.

Ainda no conjunto de defeitos, temos o ritmo quebrado da produção, que intercala a levemente interessante trama da mulher invisível com a história chata da outra vizinha (a morena). O filme extende-se demais justamente por isso e, sem a menor necessidade. Com 75 minutos, poderia ser mais objetivo, concentraria melhor seus momentos engraçados e terminaria como um entretenimento bobo, porém funcional. No final, quem sai ganhando mesmo é Luana, que brilha em todas as cenas (até mesmo como atriz).

Nota: 4,5

What Goes Up


Repórter obcecado por heróis locais viaja para cidade do interior em busca de mais um desses casos. Ao invés de investigar o episódio que lhe foi destinado, fica fascinado pela história de um professor suicida que deixou um grupo de alunos inconformados. Aos poucos o repórter se envolve com os estudantes e passa a servir como um nada convencional modelo para os jovens.

“What Goes Up” possui aquele estilo de filme alternativo típico dos Estados Unidos – explicando melhor, possui como característica principal uma galeria de personagens que são por natureza bizarros (comprovando isso temos como destaque a dupla de “gêmeas” que só realiza ações estranhas). O projeto ainda apresenta um Steve Coogan extremamente confiante à frente do elenco e a bela e simpática Hillary Duff em um papel mais sério e dramático. Desprezando a curiosidade inicial com o longa, temos por fim um filme chato, que engatinha durante duas horas para não significar muita coisa. Que azar!

Nota: 4,9

Garoto Nota 10


Ao assistir “O Último Rei da Escócia” não fiquei apenas encantado com a história verídica e a fantástica performance de Forrest Withaker. O que mais me chamou a atenção foi o ator que encarnava o protagonista da história: um tal de James McAvoy. Nunca tinha sequer ouvido falar nesse nome (depois descobri que já havia assistido alguns filmes em que o cara fez algumas participações).

Na sequência vieram outros trabalhos como “Penélope”, “Desejo e Repação”e “O Procurado”. A partir desse momento não me restaram dúvidas de que McAvoy era realmente um ótimo ator (e que se envolvia em projetos interessantes). Foi com esta expectativa que esperei três anos para presenciar o lançamento de “Garoto Nota 10” em circuito nacional. O filme de 2006 é um comédia estudantil que se passa na década de 80 e conta a história de um nerd que tem “fome” pelo conhecimento. Ele mesmo confessa saber que não é uma pessoa inteligente, e por isso seu caminho para o “hall dos intelectuais” será tortuoso.

A parte inicial evidencia esse sujeito inseguro, que estuda 24 horas por dia para ser aceito na faculdade e cujo sonho é participar do programa televisivo Desafio Universitário. Quando este vira calouro, o filme parece abandonar a figura do CDF e o transforma em um conquistador atrapalhado, que não sabe lidar com duas gostosas correndo atrás dele. As patetices envolvendo o triângulo amoroso seguem até o final. De forma estúpida, o roteiro descarta as origens e os anseios do personagem inicial.

A aparente evolução do protagonista faz com que o filme perca tudo que tinha de bacana, e seu andamento daí para frente é previsível, onde nem mesmo a atuação de McAvoy apresenta algum brilho. Depois de conferir o fraco “Amor e Inocência” e este filme aqui, fico com a impressão de que quando existe um texto bom, o ator esmera-se para corresponder à altura. Caso contrário, o navio naufraga mesmo. “Garoto Nota 10” perdeu sua chance.

Nota: 4,0

O Efeito da Fúria


O ponto de partida deste drama é um tiroteio dentro de uma lanchonete. Na sequência, acompanhos por meio de histórias paralelas o que mudou na rotina dos sobreviventes ao trágico acontecimento. O estranho é que algumas das histórias não possuem ligações entre si, outras não apresentam o mínimo propósito e as demais nem chegar a ser abaladas pelo incidente na lanchonete. Ao assistir “O Efeito da Fúria”, sente-se que o roteiro procura filosofar sobre a sociedade americana, mas nunca chega a fazê-lo.

Me pergunto qual foi o interesse de tantos atores conhecidos (Kate Beckinsale, Dakota Fanning, Guy Pearce, Jackie Earle Haley e Josh Hutcherson) e mais alguns recentemente oscarizados (Forest Witaker e Jennifer Hudson) por esta produção. Boa parte dos personagens não necessitava de figuras renomadas para interpretá-los, chega a ser um desperdício de talentos - ainda mais em um filme que não leva a lugar nenhum.

Nota: 4,0

Choke


É perceptível o estrago que fizeram no texto corrosivo de Chuck Palahnick nesta adaptação da obra “No Sufoco”. O autor de “Clube da Luta” tem seu livro massacrado por uma falta de cuidados e escolhas criativas muito abaixo do óbvio. A narrativa possibilitava tantas liberdades poéticas que é deplorável constatar o resultado frustrante e enfadonho.

Victor Mancini é viciado em sexo, trabalha em um parque temático vestido de vassalo irlandês e costuma afundar grandes pedaços de comida goela à abaixo em restaurantes para se sentir querido. Este é o personagem central de “Choke”, uma comédia de humor negro que funciona nas páginas de Palahnick, mas nas mãos do ator Sam Rockwell isso não acontece.

O astro de “Confissões de Uma Mente Perigosa” e “Os Vigaristas” tentou despontar em Hollywood mas não conseguiu. Porém quando quer, ele é um bom ator e aqui não parece que Rockwell tenha se esforçado: sua interpretação não é nada empolgante. Angelica Huston, como a mãe do personagem alterna bons momentos com cenas robotizadas. Ao geral, dá raiva de assistir o desastre de um texto genial sendo tão mal aproveitado na tela. Os culpados não são só os atores, mas toda a equipe que não consegue realizar uma cena memorável perante a transposição de uma obra de sequências inesquecíveis.

Incrivelmente, o longa foi premiado no Festival de Sundance com o Prêmio Especial do Júri.

Nota: 4,0

Falsa Loura


A crítica superestimou esta grande porcaria e é muito difícil entender o porquê de tantos elogios rasgados ao cinema de Carlos Reichenbach. Depois do tenebroso “Garotas do ABC”, o diretor serve-se mais uma vez de um grupo de operárias de uma metalúrgica para discutir o cotiadiano destas mulheres cheias de sonhos e ilusões.

Percebe-se que o “clube da Luluzinha” se sacrifica durante o dia trabalhando pesado na fábrica, mas por mais que deixem toda vaidade na hora de vestir o macacão do uniforme, elas não dispensam de sair à noite todas emperequetadas. Silmara é uma delas, e acredita que sua “loirice” ajuda a seduzir os rapazes. Aos poucos, ela vai sendo usada e abusada pelos homens – uma “falsa loira” como diz o título.

O filme não consegue trabalhar nenhum dos temas que se propõe: o dia-a-dia na fábrica de mulheres comuns, trabalhadoras e jovens ou então a história de Silmara. O que fica em evidência é o amadorismo da produção, como as atuações sofríveis. Pra se ter uma noção, Maurício Mattar, Suzana Alves, a Tiazinha do extinto Programa H, e Léo Aquila, o transformista da Rede TV, são alguns dos atores do longa. Já perto do final, a trama recebe uma reviravolta surpreendente e acha que o espectador vai engolir a tentativa de ser “cult”. Tá de palhaçada!

O melhor do projeto é Rosane Mulholland (do interessante “A Concepção”). A atriz que interpreta a Silmara dá um show perante um filme perdido de intenções.

Nota: 4,0

Pagando Bem, Que Mal Tem?


Que decepção, Kevin Smith! O diretor mais nerd de todos os tempos – rótulo que ele próprio se deu - bem que poderia entregar um filme muito melhor. O maior acerto do projeto, sem dúvida, é a brincadeira com “Star Wars”, fora isso as referências a cultura pop mal aparecem. A campanha do longa-metragem investiu em destacar críticas que apontavam o produto como uma máquina de risos. Total enganação!

Vamos ao plot: Zack e Miri são dois amigos que dividem o aluguel e estão endividados até o último fio de cabelo. A solução encontrada para livrarem-se das dívidas é fazer um filme pornô caseiro (!). E, assim, acompanhamos o que deveria ser a divertida saga da dupla na tentativa de filmar o tal vídeo.

Contando com um Seth Rogen em alta e uma bela Elizabeth Banks, o cineasta não aproveita as qualidades da dupla e nem consegue o mínimo: obter uma química verdadeira entre os protagonistas. Boa parte das cenas que deveriam ser engraçadas geram mais constrangimento frente aos fatos do que levam as risadas. Para completar, ao final, a produção do material pornô é deixada de lado e entra no lugar um bobo romance.

Em “Rebobine Por Favor”, o diretor Michel Gondry tinha uma história parecida com e soube criar um ótimo filme. Kevin Smith erra feio e perde a boa idéia que tinha em mãos. A fita não é nada além do que ordinário, sendo assim, lamentável para um filme (e diretor) que tinha tanto a explorar.

Nota: 4,0

O Amor Não Tem Regras


Já é a terceira vez que George Clooney comanda a direção de um longa-metragem: Confissões de Uma Mente Perigosa, de 2002, recebeu boas críticas e reservou lugar no ramo alternativo, Boa Noite e Boa Sorte, de 2005, ganhou vários prêmios e teve indicações ao Oscar, e agora, O Amor Não Tem Regras, de 2007, foi completamente esquecido.

O filme não levou praticamente ninguém aos cinemas norte-americanos e nem chamou a atenção da crítica. Para tentar alavancar o filme no Brasil, a distribuidora optou por um título de comédia romântica – o que certamente deixará os espectadores desavisados bem pouco satisfeitos.

Na verdade, é um filme que se passa na década de 20, sobre esporte, mais especificamente futebol americano. O galã Clooney é Dodge Conolly, um veterano treinador que tenta salvar seu fracassado time ao contratar um jogador promissor. Renné Zellweger interpreta a repórter que deve desmascarar o astro profissional e serve como a ponta do triângulo amoroso.

O terceiro projeto de Clooney na direção é um filme sem personalidade, tipicamente comum e com raros atrativos, entre essa minoria pode-se citar o visual retrô e o humor pastelão simpático. O casal protagonista não consegue a química pretendida, fazendo com que o jogo sujo praticado por ambos soe ainda mais prejudicial para a apreciação da obra. Dessa vez, o esquecimento foi merecido.

Nota: 4,8

Sem Medo de Morrer


No momento em que o título original do filme começa a fazer sentido para o espectador, percebe-se a gigantesca reviravolta que a trama propõe. A produção passa a ser definida justamente por essa mudança de rumo na vida da professora Diana. O que aparentava ser a vida de uma mulher, já estabelecida com marido e filha, que relembra seu tempo de escola onde dividia bons momentos com sua melhor amiga é transformado e mexido de tal forma que trai o público.

Sendo vendido como drama desde sua abertura até os 10 minutos finais, Sem Medo de Morrer não convece ao se tornar um suspense em seu encerramento. A jogada supostamente surpreendente não é engolida e termina confundindo mais do que justificando. De qualquer maneira, o caminho do espectador até essa brusca mudança não é tão prazeiroso a ponto de favorecer o filme. Tanto o andamento principal como o que é proposto no final não funcionam. Nem mesmo Uma Thurman e Evan Rachel Wood salvam a platéia da frustração.

Nota: 4,5

A Ilha da Imaginação


Nim´s Island tem lugar garantido para reprisar várias vezes na tradicional Sessão da Tarde. Com classificação livre, o filme é destinado as crianças. A garotinha Nim (Abigail Breslin, de Pequena Miss Sunshine) mora em uma ilha secreta do Pacífico junto com o seu pai Jack, interpretado por Gerard Butler. Em uma de suas viagens de pesquisa, Jack, um biológo de renome, desaparece e deixa Nim sozinha na ilha. Sua única comunicação é com a autora de seus livros favoritos (Jodie Foster), que decide enfrentar seu medo de sair de casa para ajudar a menina na ilha.

Os elementos fantásticos são predominantes no roteiro: Nim se comunica com os animais e a escritora conversa com o personagem dos livros. O clima de fantasia é constante, como por exemplo, a garota escala um vulcão sem equipamento de segurança. Até mesmo os turistas são representados de forma caricata. É importante que o espectador encare o filme sem esperar que tudo seja verdadeiro e possível.

O título nacional, A Ilha da Imaginação, não encontra sentido já que nada é imaginado. Os ótimos atores tentam dar maior credibilidade ao projeto, mas a história é bem infantil e não há nada de extraórdinário. Senti a necessidade de uma mensagem, algum tema interessante a ser desenvolvido no roteiro. A produção é bem escapista, só contém “aventura” e uma trama simplista. O filme é bonitinho, mas não chega a lugar nenhum. O melhor dele é o simpático lagarto.

Nota: 4,5

Banquete do Amor


Esquecido entre os grandes lançamentos do cinema, Banquete do Amor passou batido entre o público brasileiro. A falta de barulho em torno da produção é justificada pelo fato de que apesar do elenco conhecido, o filme é totalemente dispensável. O moralismo do projeto impede sua receptividade como um drama adulto sobre relacionamentos humanos.

Na colcha de retalhos, temos o amor na terceira idade, o amor adolescente, o amor proibido, o amor homossexual (dessa vez entre mulheres) e aqueles que ainda não encontraram essa plenitude.

O personagem de Morgan Freeman é o símbolo do moralismo, como se fosse a consciência do filme, dando conselhos aos demais personagens e pregando o bom mocismo. A falta de recursos narrativos investe em elementos bobos como uma vidente e questionamentos religiosos.

O único alívio é a presença soberba de Radha Michell. A atriz não aparecia nos cinemas nacionais desde o problemático Terror em Silent Hill e permanece com sua competência e elengância em cena. O restante do filme é composto de situações piegas e cuja sem gracisse fazem os clichês ficarem ainda mais evidentes. Diálogos lamentáveis são pronunciados aos montes, como esse aqui: “Deus não nos odeia. Se ele odiasse, não teria feito nossos corações tão valentes!” Por favor né!

Nota: 4,0

Uma História de Amor


Não é de hoje que Billy Crudup é subestimado. Em 13 anos de carreira dividiu a tela com vários astros e fez pontas em filmes como Sleepers, Todos Dizem Eu Te Amo e Peixe Grande. O maior destaque foi como o guitarrista Russell Hammond em Quase Famosos, que sem dúvida é o seu melhor filme. O motivo dessa falta de reconhecimento talvez seja porque seu nome dificilmente está associado a filmes de qualidade. Fora essas produções citadas, o restante de sua filmografia não empolga.

Dedication ou Uma História de Amor é mais um desses filmes a somar na lista. Contando com o desempenho brilhante do ator, o longa-metragem não foge de ser previsível e monótono. Na trama, Crudup é um escritor de histórias infantis que perde o ilustrador de seus livros, e também, melhor amigo. Em seguida, essa vaga é preenchida por uma nova cartunista. A relação delicada mistura auto-conhecimento e amor.

No papel romântico, Mandy Moore, pela primeira vez, não desafina na atuação. Mas, como o esperado, o personagem de Billy domina a cena. Hiperativo, nervoso e sem medo de falar o que pensa, o tal escritor é uma profusão de sensações simultâneas. A construção por parte do ator responde ao que o roteiro pede e são esses momentos que salvam a produção do total fracasso.

Infelizmente, a interpretação de Crudup é diluida no contexto e assim, permanece deixando o ator osfuscado nas sombras da indústria hollywoodiana. Quem sabe ele aparece com mais impacto na superprodução Watchmen?.

Nota: 4,5

Capítulo 27


Capítulo 27 é baseado em fatos reais e revela três dias determinantes na vida de Mark Chapman, o homem que assassinou o ícone dos Beatles, John Lennon. Para viver o protagonista, Jared Leto ganhou 32 quilos e adquiriu uma fisionomia idêntica ao do assassino. A dedicação ao papel pode ser identificada nas alterações de estado de espírito, no olhar psicótico e principalmente na voz fina e ameaçadora.

O projeto desde o início foi polêmico, a começar pelo tema. Um site de fãs do cantor tentou impedir o término das filmagens, alegando que a produção procurava amenizar a culpa de Chapman. Agora, após assistir o longa, pode-se dizer que o filme não julga os personagens, apenas faz um relato dos acontecimentos.

Infelizmente a abordagem sobre o criminoso não chega a lugar nenhum. O roteiro poderia ser resumido em uma linha: o cara acreditava estar possuído por Holden Caulfield, personagem de J.D.Sallinger em seu livro O Apanhador No Campo de Centeio. A partir daí, a minúscula trama vai sendo estendida ao máximo. Nada acontece, são diálogos sofríveis, nenhum clímax e para completar, Lindsay Lohan perdida em um papel inútil. Resultado: os 80 minutos parecem 2 horas de enfado.

Nota: 4

Obs: O título do longa faz uma alusão ao livro de J.D. Salinger, que possui 26 capítulos. O vigésimo-sétimo seria a história do atormentado assassino do ex-beatle.