Vicky Cristina Barcelona


Há quem diga que Woody Allen não é mais o mesmo. O gênio de 73 anos é praticamente o único cineasta a escrever e dirigir um filme por ano – uma média seguida à risca e de forma invejável. Em 2005, ele já havia provado que continuava sagaz e trágico com “Match Point”, e se “Scoop” não demonstrou todas suas qualidades, pelo menos rendeu um filme divertidíssimo, uma comédia muito acima da média. No ano passado tivemos “O Sonho de Cassandra”, um drama policial irônico bem no estilo do diretor, que acabou subestimado pela crítica.

O projeto de 2008 foi “Vicky Cristina Barcelona”, que marca uma nova mudança de ares na carreira de Woody: após filmar três longas na capital inglesa, o diretor transformou a cidade espanhola em um coadjuvante de luxo do seu novo filme. O clima da produção é de total deleite: personagens boêmios, muita tensão sexual, belos diálogos, cenas verdadeiramente engraçadas e tomadas de uma Barcelona deslumbrante.

Logo no início, somos apresentados as duas personagens do título: Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson), duas amigas que pensam completamente diferente quando a questão é “amor”. Enquanto Cristina é uma mulher de se entregar e viver uma paixão, Vicky é mais racional e mantém uma relação estável com seu noivo. As duas partem para uma viagem de férias na Espanha e acabam sendo abaladas pela presença sedutora de um artista (Javier Barden), e posteriormente, de sua esposa desequilibrada (Penélope Cruz).

Como a maioria das obras que integram sua filmografia, “Vicky Cristina Barcelona” aborda temas simples de forma encantadora, valorizando o texto nas tradicionais sutilezas. O elenco afiadíssimo enaltece o resultado frente às câmeras, com destaque para uma Penélope Cruz fenomenal. Vale prestar atenção no desempenho da novata Rebecca Hall, que já recebeu uma indicação ao Globo de Ouro.

Nota: 8,5

1 comentários:

Martini Bianco disse...

Oi Max, adorei este filme, e acho que a tua crítica ta muito bem feita. O melhor na minha opinião, foram as cores, tons laranjas e vermelhos daquela cidade mediterrânica que Allen conseguiu captar de uma maneira muito fiel, até poque é a minha cidade favorita. Em relaçao aos desempenhos, me surpreendeu o oscar para a Penelope Cruz, até porque para mim a Rebecca Hall, foi a grande revelação do filme. Espero que o Woody Allen continue a rodar filmes na Europa, acho que se revitalizou imenso, ao sair da Broadway de NY. Pena ja ter 73 anos, né?

Gostei muito do teu blog, continuações de bom trabalho.
Um abraço, desde Lisboa

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