A Caixa


A ficção científica permeia os filmes de Richard Kelly. Em “Donnie Darko” temos a influência de viagens no tempo e em “Southland Tales” quem dita as regras é o apocalipse que se aproxima. No mais recente longa-metragem do diretor, “A Caixa”, não poderia ser diferente. O filme apresenta fortes tendências ao sci-fi, começando com o personagem de James Marsden, que trabalha para a NASA e ajudou a criar uma câmera fotográfica espacial. No decorrer do projeto várias dicas são dadas para unir esses elementos futuristas com a “resolução” do caso.

Baseado no conto “Buttons, Buttons” de Richard Mathenson (que também já deu origem a um episódio do seriado “Além da Imaginação”), o roteiro adaptado pelo próprio diretor gira em torno de um casal do subúrbio que recebe uma caixa misteriosa. Se eles apertarem o botão do objeto, ganharão a quantia de um milhão de dólares, mas ao mesmo tempo serão responsáveis pela morte de uma pessoa que eles não conhecem.

Unindo o suspense psicológico com a ficção científica, “A Caixa” assume um ritmo de urgência e deixa o espectador em estado de alerta. O filme convida a desvendar o que está por trás do objeto enigmático e também propõe debates filosóficos, sugerindo que apertamos botões como esse diariamente, não matando pessoas, mas demonstrando que cada um de nossos atos geram consequências.

O diretor Richard Kelly inicia a narrativa de forma lenta - como em um filme antigo - para aos poucos aumentar a tensão e deixar a nossa curiosidade em um grau bastante elevado. Cameron Diaz e James Marsden contribuem ao projeto porque são bons atores e fazem com que o público se importe com o casal em desvantagem. Frank Langella (“Frost/Nixon”) está realmente ameaçador como o encarregado pela caixa. O rosto deformado do seu personagem foi criado em computador e causa arrepios. Assim como esse, os efeitos especiais da produção são extremamente eficientes e elegantes.

Após duas horas, “A Caixa” termina e muitas perguntas ficarão sem resposta. O mistério é revelado, mas questões importantes para a história são deixadas de lado e podem gerar irritação no público que gosta de tudo bem explicado. Mesmo com essa fragilidade, não se desmerece a façanha de ter assistido a um filme instigante, tenso e, quem diria, atual. “A Caixa” é um filme diferente, como os outros do diretor.

Nota: 8

1 comentários:

chicoteando disse...

Como já havia te dito, achei o episódio de Além da Imaginação melhor trabalhado como história do que o filme.

As produções nem se comparam em termos de execução, logicamente. Mas prefiro que o foco seja na caixa do que nos inúmeros desdobramentos que o filme cria.

Acho melhor ficar no escuro, me perguntando, do que receber inúmeras informações adicionais que explicam pouca coisa. No final das contas, acabei com mais perguntas no filme do que na série.

Com relação a tua crítica, achei bastante interessante o que falaste da proposta filosófica. Realmente, dá pra analisar como uma metáfora para nossas escolhas. Muito bem observado. :)

Parabéns pelo blog. E continua com a periodicidade e divulgação.

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