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Crítica: The discovery


E se fosse provado que existe vida após a morte? Seria um novo plano de existência, uma nova chance, um recomeço… Em "The Discovery", produção original Netflix, a resposta vem através de uma abordagem pessimista. O cientista Thomas Harbor identifica que, após o óbito, ondas cerebrais deixam o corpo humano. Mesmo sem saber para onde vão, a notícia acarreta uma onda assustadora de suicídios em todo planeta.

O filme não faz mistério quanto à tal descoberta e inicia com uma entrevista de Harbor (Robert Redford) para a televisão. Ele é contestado porque levou seis meses para se pronunciar sobre o caso, levando os índices de mortes a ultrapassarem um milhão. O desfecho do bate-papo é chocante, o que faz o cientista voltar à sua reclusão.

A trama, então, passa a acompanhar o neurologista Will (Jason Segel) que está indo até uma ilha visitar seu pai. Antes de chegar na mansão onde encontra-se Harbor e seu laboratório de testes, o filho se depara com Isla (Rooney Mara), uma mulher que possui um passado trágico. Os dois desenvolvem uma conexão imediata.

Cada um dos três personagens apresenta diferentes traumas e motivações. Alguns destes são interessantes para a trama, outros nem tanto. O mais intrigante na história é “a descoberta” e suas consequências, incluindo também a possibilidade de desenvolver um modo de acabar com os suicídios.

Portanto, há muito para ser abordado em pouco mais de 90 minutos, o que provoca um certo atropelo no terceiro ato. Por conta disso, acaba prejudicado por uma reviravolta sem muitas explicações. Essas características destoam perante a narrativa prévia, construída de forma lenta e com cara de drama indie misturado com ficção científica, na linha de "O Lagosta".

De qualquer forma, "The Discovery" instiga pelas perguntas que provoca, mesmo não respondendo a maior parte delas. Revela-se uma jornada melancólica, criativa e curiosa, fortalecida pelos diálogos precisos, por boas atuações de todo elenco e, principalmente, pelos dilemas proporcionados a partir do delicado tema ao qual é corajoso em se aventurar. Um filme que vale ser descoberto pelo espectador!

Nota: 8,0



Crítica: Guardiões da Galáxia - Volume 2



Desde o subtítulo que remete às fitas cassetes até a sequência de abertura ao ritmo de um rock dos anos 1980, na qual Baby Groot ensaia seus passos de dança enquanto os heróis enfrentam um monstro gigantesco, a cultura pop dita as regras em "Guardiões da Galáxia - Volume 2". Não faltam referências - e também diversão - na continuação para o sucesso de 2014.

Os acontecimentos do primeiro filme serviram para reunir o improvável grupo formado por Peter Quill, Gamora, Drax, Rocky e Groot. Agora, eles precisarão enfrentar novos desafios, como a perseguição da alta sacerdotisa Ayesha ou ainda desvendar os mistérios que envolvem o verdadeiro pai do Senhor das Estrelas.

A nova aventura aposta na união da turma, desenvolvendo dramas pessoais tanto do protagonista quanto dos demais personagens, vide a relação conflituosa entre Gamora e sua irmã Nebulosa, o envolvimento despretensioso entre Drax e a alienígena Manty, a preocupação dos guardiões com o pequeno Groot e as decisões determinantes de Yondu - que ganha merecido destaque na trama.

Desta forma, o roteiro valoriza suas criações com a proeza de acertar nos momentos de alívio cômico e, também, nos mais emotivos. Difícil não se emocionar quando toca "Father and son", do Cat Stevens... Tudo isso sem deixar o caráter cool da produção, com trilha sonora relevante para a história, figurinos vintage/futuristas e cenas de visual deslumbrante, como a visita a um planeta pouco desbravado ou o balé proferido por uma flecha assassina.

O ponto fraco do projeto talvez sejam as motivações pouco satisfatórias oferecidas para as ações do pai de Quill, interpretado por Kurt Russel. Do restante, mesmo sendo completamente nonsense (absurdo), "Guardiões da Galáxia 2" é mais verdadeiro que todos os demais filmes da Marvel. Combina interessantes conflitos familiares com adrenalina, estilo e muito carisma. Falando em carisma, o símbolo da palavra poderia Baby Groot. Fica impossível resistir à adorável arvorezinha durante toda projeção. É, sem dúvidas, a grande estrela do longa. 

Nota: 8,7


Crítica: Blue Jay


Jim e Amanda se reencontram no supermercado. O primeiro contato, depois de muitos anos, é constrangedor. "Já perguntei 'como você está?'"?, fala ele. "Já", responde ela. A dificuldade em travar uma conversa é latente, mas logo percebe-se que existe uma extrema afinidade entre os dois. Algo adormecido, que vem à tona durante a jornada de 24 horas apresentada em "Blue Jay", uma produção original do Netflix.

Na linha de "Antes do amanhecer" e "Before we go", o longa-metragem acompanha o encontro dos dois personagens ao longo de 80 minutos, sustentado praticamente em diálogos. Jim e Amanda deixam o supermercado para beber em uma cafeteria, depois sentam a beira de um lago, fazem compras em uma loja de conveniências, jantam e dançam na casa dele e, por fim, caminham pelas ruas da pequena cidade na Califórnia que dá nome ao projeto.

Todas essas passagens ocorrem na presença de uma fotografia em preto e branco, o que reforça a melancolia da trama. Jim e Amanda eram aquele casal perfeito dos tempos de colégio, mas precisaram se separar. O que a vida lhes ofereceu na sequência não foi bem o que esperavam. Agora, ambos acreditam que deveriam estar completamente realizados, felizes. Infelizmente, não é esta a realidade.

O olhar sensível do novato diretor Alex Lehmann apresenta gradativamente os machucados e as desilusões de cada um. O filme, em sua essência, é sobre escolhas, perdas, relacionamentos, o que deixamos no caminho, a procura pela felicidade. É sobre o curso avassalador da vida, o lado melancólico da existência.

Toda essa cumplicidade dos personagens funciona tão bem graças à dupla Mark Duplass e Sarah Paulson, completamente entregues ao projeto. O próprio ator assina o roteiro, que, segundo ele, estava delimitado em cenas, mas valeu-se de bastante improviso durante os diálogos. Talvez esteja aí o segredo para tamanha sintonia e veracidade presentes em "Blue Jay": deixar que a experiência real tome frente.

Nota: 8

Crítica: Cidades de Papel



Não adianta esperar que "Cidades de Papel" repita o mesmo sucesso de "A Culpa é das Estrelas", ambos adaptações de livros do escritor sensação John Green. O mais recente adota um tom leve, com bom humor e mistério, enquanto a produção lançada ano passado - e campeã de bilheteria no Brasil - tem seu mérito na forte carga dramática. Ou seja, na capacidade de levar 99,9% dos espectadores às lágrimas.

Com menos choro, "Cidades de Papel" apresenta uma história sensível sobre adolescência, primeiro amor, desilusão e amadurecimento. Nessa ordem mesmo. Um filme que dialoga, principalmente, com os “young adults” (jovens adultos), na faixa entre 14 e 29 anos. Talvez esteja aí seu ponto fraco: um público de identificação específico. Um apelo não tão popular como o do casal Hazel e Gus.

A trama gira em torno de Quentin, um jovem que está se formando no colégio e possui como meta cursar faculdade, casar e ter filhos. Tudo está esquematizado para conquistar até os 30 anos. Ele sabe que seu plano é um pouco entediante, mas, ainda assim, está satisfeito, pois gosta de viver uma rotina. Até porque é somente isso que conhece: ir à escola e curtir com os amigos Ben e Radar, dois nerds.

Sua perspectiva muda quando, certa noite, a bela vizinha Margo Spiegelman invade seu quarto. Quentin é apaixonado por ela desde a infância. Eles cresceram juntos, viraram melhores amigos, mas acabaram se afastando durante o colégio. Atualmente são estranhos um para o outro. Apesar disso, o rapaz ainda nutre uma paixão platônica pela moça.

Quando Margo invade seu quarto e convida-o para executar um plano de vingança ele prontamente aceita. Torna-se o motorista de fuga para as travessuras dela contra o seu ex-namorado. As poucas horas com Margo tiram Quentin da inércia e o deixam à flor da pele, como ele mesmo diz: “Agora sinto o coração batendo no meu peito”. E ela responde: “É assim que deveria se sentir sua vida inteira”.

A jovem sacode o mundo de Quentin. Margo é adrenalina, emoção e imprevisibilidade. Ela questiona o futuro medíocre planejado pelo rapaz e apresenta sua inquietude quanto ao sonho americano, a vida cotidiana e a falsidade disso tudo. Abismado, ele encanta-se ainda mais pela garota, por essa vida sem regras, por suas aventuras épicas e, claro, pelo olhar magnético que o atinge.

Após os momentos compartilhados, Margo desaparece. Inicia, então, a busca de Quentin pela verdade, seguindo pistas deixadas pela própria jovem. Mesmo distante, Margo fará que ele saia de sua zona de conforto. Quentin deixará de tomar decisões seguras e irá matar aula, comparecer a festas da escola e embarcar em uma viagem de carro cruzando vários estados do país. Tudo pela primeira vez. Como o próprio cartaz do filme anuncia, é preciso se perder para se encontrar.

O rapaz, obcecado por Margo, fica cego pela luz que ela emite. Porém, em sua jornada, ele irá perceber que o amor é uma idealização, na qual se cria uma pessoa que na verdade não existe. O filme desmitifica o mito de Margo para Quentin e o mostra qual é o verdadeiro milagre de sua vida.

O diretor Jake Schreier, do fraco "Franck e o Robô", comanda essa aventura romântica com leveza, sem esquecer a profundidade por trás da história. "Cidades de Papel", em um olhar pouco inspirado, pode soar simplista, mas possui mais camadas do que aparenta. Relaciona-se fácil com outras produções nesse mesmo estilo, como "As vantagens de ser Invisível" e "500 Dias com Ela", sendo inclusive mais acessível.

O roteiro, assinado por Scott Neustadter e Michael H. Weber, os mesmos de "A culpa é das Estrelas", valoriza a trama de John Green e acrescenta, inclusive, novas cenas para a história. Enfatiza com ternura a passagem da adolescência para o mundo adulto, o amadurecimento. Para isso, utiliza o carisma dos protagonistas, Natt Wolf e Cara Delevigne, novatos no cinema.

"Cidades de Papel" prova que John Green não é apenas modismo ou marketing literário. Suas narrativas possuem conteúdo e identificação com o público-alvo, principalmente por abordar assuntos difíceis, como doença ou desilusão amorosa, de forma natural e transformadora. Já pode-se esperar para 2016, "Deixe a Neve Cair", com estreia marcada para 9 de dezembro, e no ano seguinte, "Quem é Você, Alasca?".

Nota: 8,2

Crítica: O Jogo da Imitação



Um segredo de guerra guardado ao longo de 50 anos pelo governo britânico é levado para as telas do cinema em "O jogo da Imitação", indicado a oito Oscars, incluindo melhor filme. A produção inglesa acompanha os feitos de um personagem histórico praticamente desconhecido, porém responsável por uma das mais significativas criações humanas. Injustiçado em vida, somente agora ele recebe um reconhecimento a altura.

O longa-metragem de Morten Tyldum conta a história verídica de Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um criptoanalista prodígio que, junto de uma equipe de matemáticos, é encarregado de desvendar códigos nazistas emitidos pela máquina Enigma, responsável por despistar os demais países envolvidos na Segunda Guerra Mundial.

Dotado de uma complexa personalidade, Turing apresenta-se como uma pessoa fria e arrogante, incapaz de desenvolver qualquer simpatia, principalmente por parte de seus colegas. O relacionamento entre eles melhora quando entra em cena a jovem Joan Clarke (Keira Knightley), que torna-se uma amiga e passa a ajudá-lo na interação com os demais.

Com um clima amistoso, o trabalho ultra secreto protagonizado por Turing progride - na criação do que seria o primeiro computador - e resulta no fim da guerra, com a Inglaterra interceptando as mensagens da Alemanha. Mesmo tendo realizado um feito notório, o projeto é considerado confidencial e por décadas permaneceu como um segredo de estado, uma vez que no futuro tais códigos desvendados poderiam ser novamente utilizados como vantagem durante o conflito.

Apesar da sinopse confusa, "O jogo da Imitação" é extremamente didático - o que até fez o filme receber críticas negativas quanto ao seu formato de "isca para as premiações", semelhante ao consagrado "Uma Mente Brilhante", que também traz um gênio incompreendido. Apesar das queixas, a estrutura narrativa convencional não compromete o resultado impactante.

O londrino Cumberbatch (da série "Sherlock") surpreende como o matemático de poucas emoções, que, no decorrer do roteiro, apresenta cada vez mais nuances em sua personalidade. A abordagem de Turing revela-se extremamente humana, potencializada principalmente por sua orientação sexual, que na época era considerada crime. Aliás, esse detalhe é de sumária importância para a história.

Sua petulância e egoísmo mostram-se como defesas, barreiras de proteção, para desconfianças ou atos de discriminação. O filme mostra a origem dos traumas do menino prodígio através de flashbacks. Assim, o homem que precisa desvendar constantemente diferentes códigos, sendo um deles o mais importante da história da humanidade, necessita esconder um segredo que pode colocar sua vida em risco.

De forma tensa, "O jogo da Imitação" oferece o registro digno para um fascinante capítulo da Segunda Guerra Mundial, com uma abordagem superior a "Enigma" (2001), que também utilizou como pano de fundo os mesmos acontecimentos. A recente produção assume o viés biográfico e louva, merecidamente, tanto o caráter pacifista de Turning como seu título de pai da computação moderna. Um triunfo. 

Nota: 8,6


Crítica: Whiplash - Em Busca da Perfeição




Ao lado de "Selma", "O Jogo da Imitação" e "Sniper Americano", "Whiplash - Em Busca da Perfeição" faz parte da extensa turma que deve sair de mãos abanando do Oscar 2015. Na verdade, o filme possui apenas uma chance. É na categoria de Ator Coadjuvante, que tem J.K.Simmons como favorito ao prêmio. O veterano, na verdade, é o protagonista do projeto, ao lado do jovem revelação Miles Teller.

"Whiplash" foi escrito e dirigido por Damien Chazelle, de 29 anos, a partir de um curta-metragem de mesmo nome lançado em 2013. O rapaz já possía no currículo o longa-metragem musical "Guy and Madeline on a Park Bench". Se nessa primeira experiência o jazz era uma força motora, em seu mais recente longa-metragem ele é o nirvana para o jovem promissor Andrew Neyman.

O aspirante a baterista profissional chama a atenção do consagrado professor Terence Fletcher e entra para a orquestra principal da melhor escola de música dos Estados Unidos. Nas mãos do mestre, o aluno irá sofrer pressões psicológicas e físicas, precisando doar, literalmente, o seu sangue para provar que é o melhor.

J. K. Simmons está arrebatador no papel do impiedoso professor. O maestro transforma a vida dos estudantes em um verdadeiro pesadelo, exigindo dedicação ao máximo e incentivando a competição entre eles. Seu método de ensino é como um jogo de humilhação que ou empurra o aluno a superar-se ou o leva a uma profunda depressão.

Após sucessivas tiranias sofridas, inverte-se o jogo no tabuleiro e "Whiplash" fica ainda mais interessante. Abre para uma discussão sobre quais são os limites para estimular o talento de um aluno. Fletcher pede nada menos do que a perfeição e Neyman embarca nessa obsessão doentia, chegando aos extremos. Seria essa mesmo a linha a ser seguida para atingir a plenitude?

"Whiplash", assim como "Birdman", traça um panorama sobre a paranoia da sociedade contemporânea em ser bem sucedido profissionalmente. Um clima de tensão e debate ao som de jazz, de uma edição classuda e frenética como as baquetas do jovem baterista. A indicação como um dos melhores do ano é mais do que merecida.

Nota: 8

Crítica: Garota Exemplar


David Fincher, definitivamente, é um mestre do suspense. Desde o início de sua carreira, com o desastroso “Alien 3”, ele já provocava tensão no espectador. Se no filme do alienígena boa parte do seu material gravado foi descartado pelo estúdio, em “Seven - Os Sete Pecados Capitais” ele atingiu a consagração como um dos diretores mais promissores dos anos 90. Cumpriu sua promessa.

Lançou “Vidas em Jogo” e “O Quarto do Pânico”, dois longas-metragens de roer as unhas. Com “Zodíaco”, mais uma vez, abordou o universo de um serial killer. Após essa experiência, seu nome foi o mais indicado para adaptar o bestseller “Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres”, sobre a investigação de um crime sem solução há mais de 40 anos.

Se o suspense permeou os principais filmes de sua carreira (até o “Clube da Luta” possui uma dose de mistério e tensão), o novo projeto do diretor só poderia ser um caprichado quebra-cabeças. Em “Garota Exemplar”, Fincher adapta mais uma obra literária para o cinema e utiliza a atmosfera sufocante para contar a história do marido (Ben Aflleck) que chega em casa e descobre que sua esposa desapareceu.

A partir dessa premissa, a trama envereda por várias searas do relacionamento do casal: as constantes brigas, a complicada situação financeira, o ex-namorado obsessivo dela e a jovem amante dele. Ou seja, a vida perfeita de Nick e Amy é pura fachada. O casamento em frangalhos torna-se o foco dessa primeira parte, que aos poucos apresenta como principal suspeito do crime o próprio marido.

Porém, na metade de “Garota Exemplar”, rompe-se com essa estrutura narrativa e ocorre o grande turning point do projeto. Surpreendente e talvez um pouco mirabolante. A partir desse momento, o filme dedica-se a cuidar da reviravolta e de suas consequências. Fincher, como bom arquiteto do suspense, empenha-se em convencer a plateia da sua proposta. E o roteiro a leva além dos limites imagináveis.

É esse pulso firme do cineasta, com uma direção segura e classuda, que torna o projeto sólido, mantido pela tensão e curiosidade latente. Exatamente a mesma receita de suas produções anteriores, aprimorada ainda mais no primeiro capítulo da série “Millennium”. Uma fórmula infalível até mesmo para a extensa duração de 150 minutos, que em nenhum momento apresenta sinais de cansaço.

Somado a essa aula de como conduzir uma narrativa policial, Fincher recebe em troca atuações a altura. Ben Affleck, competente como de costume, provoca dúvidas quanto a sua personalidade, sem cair numa caricatura. Enquanto isso, Rosamund Pike, escolha irrevogável do diretor, surpreende com delicadeza e força assustadora para uma figura instável. O time de apoio, como a irmã de Nick (Carrie Coon), o advogado (Tyler Perry) a policial responsável pela investigação (Kim Dickens) e os pais de Amy (David Clennon e Lisa Banes), oferece ainda mais auteticidade para esse universo tipicamente americano.

Por todos estes méritos, Garota exemplar é um engenhoso suspense que, ao lado de produções como “Os suspeitos (Prisioners)”, apresenta-se como o melhor do gênero atualmente. Suas chances ao Oscar são altas, principalmente em direção, elenco e roteiro. Como resposta, o público compareceu aos cinemas e tornou o filme a maior bilheteria do cineasta nos Estados Unidos, superando “O Curioso Caso de Benjamin Button”, um dos raros dramas de sua carreira. 

Nota: 8

Crítica: É o Fim


James Franco resolve dar uma festa na sua mansão e convida uma série de atores e cantores do momento, entre eles Seth Rogen, Jonah Hill, Jay Baruchel, Danny McBride e Craig Robinson. No meio da bebedeira e muita loucura, crateras profundas brotam do chão e luzes azuis sugam as pessoas em direção ao céu. Essa é grande ideia de “É o Fim”, filme que coloca jovens atores da comédia americana interpretando a si mesmos durante o apocalipse.

Escrito pelos roteiristas de “Superbad” e “Segurando as Pontas”, o projeto é um deboche quanto aos selos que caracterizam as celebridades. Os seis amigos, todos integrantes do time de Judd Apatow (“O Virgem de 40 Anos”, “Ligeiramente Grávidos”) praticam autoreferências o tempo todo, com piadas internas que se tornam eficazes quando se conhece os atores e seus filmes.

O grupo aproveita o fim do mundo para refletir sobre a vida e rir de si mesmo. Falam do fracasso de Seth como “O Besouro Verde”, o peso da indicação ao Oscar de Hill para “Moneyball”, os questionamentos sobre a sexualidade de Franco, o fato de Baruchel não ser famoso e outros absurdos que provocam as mais altas risadas.

Recheado de participações especiais, “É o Fim” concentra na balada apocalíptica personalidades como Jason Lee, Jason Segel, Paul Rudd e Christopher Mintz-Plasse, além de pontas hilárias de Rihanna, Emily Watson, Michael Cera e até uma boy band que é melhor não revelar. Todos entram no clima da brincadeira nonsense e divertem-se em papéis inesperados, vide Channing Tatum.

O filme é baseado no curta-metragem “Jay and Jay Versus the Apocalypse”, de 2007, produzido pelos dois atores. Com maior orçamento, o longa promove o juízo final com direito a monstros, possessão, sustos e muita violência, numa curiosa mistura de fim do mundo com piadas impagáveis. Definitivamente, é a melhor comédia do ano.

“É o Fim” encontra seu público naquele mesmo espectador que favoritou o alucinógeno “Segurando as Pontas”. É indicado para “dudes”, adolescentes do sexo masculino que vão curtir o humor politicamente incorreto e sem limites. Então, se você é um deles, prepare a cerveja e aperte o play.

Nota: 8

Crítica: As Palavras


"As Palavras" é aquele filme que não vai se tornar um sucesso de bilheteria, não virará cult e nem ao menos será reconhecido como um belo drama existencial. É o exemplar que estreia em poucos cinemas e passa batido entre as cópias na locadora. Pouca gente assiste e dá valor. Mas, a produção escrita e dirigida pela dupla Brian Klugman e Lee Sternthal possui uma das melhores histórias de 2012 e, na mão de um diretor de renome, poderia ser um blockbuster devorador de muitos prêmios.

A trama é dividida em três capítulos. Inicia com o escritor Clay Hammond (Dennis Quaid) realizando uma sessão de leitura de seu novo livro. Ele narra ao público os acontecimentos de Rory Jansen (Bradley Cooper), um jovem ambicioso que deseja assinar contrato com uma editora para lançar seus romances. Certo dia, ele encontra um manuscrito antigo e resolve mandar para um editor, como se a obra fosse sua. O texto é publicado e não demora para se tornar um sucesso. Porém, o verdadeiro autor (Jeremy Irons) surge para atormentar o tal “ladrão de palavras”.

A partir deste momento, o projeto muda o rumo e passa a revelar os fatos que motivaram o relato contido nas páginas do agora bestseller. Aborda, assim, as escolhas feitas na vida e o preço que se paga por elas. Registra momentos que transformam para sempre as pessoas. Escolhas que permanecem conosco. Irreversíveis. O filme entrega sua intensa carga dramática através de belos diálogos: “O que aconteceu com ele?”, pergunta um dos personagens, e o outro responde, tristemente, “A vida”, com um peso que dói na alma. 

Passagens de uma sensibilidade extrema marcam o dinamismo entre realidade e ficção. Em determinado instante, o escritor misterioso despeja: “Você roubou a vida de um homem e achou que não haveria um preço a pagar? A alegria e a dor deram origem àquelas palavras. Roubando as palavras, você leva a dor”. E desta figura amargurada, judiada pela vida, numa versão masculina da Ms. Dinsmoor, de "Grandes Esperanças", surge a força do sofrimento contido no filme. 

A estrutura multifacetada consegue atingir um de seus maiores desafios ao conciliar de forma coesa as três narrativas. De quebra, o elenco entrelaça os personagens com atuações competentes. Jeremy Irons (magnífico) e Quaid entregam atuações vigorosas como há tempos não apresentavam nas telas. Durante os flashbacks, Ben Barnes surpreende como um “personagem do passado”. E Cooper, antes do desempenho em O lado bom da vida, mostra seus primeiros passados como ator sério.

Por todas essas razões, "As Palavras" oferece uma grande história. Seu roteiro é tão literário que chega a ser possível imaginar a estrutura de uma versão impressa. Carece apenas de um aprimoramento, uma lapidada, retirando cenas que deixam a trama mastigada para o espectador, pois a sugestão é sempre mais elegante que a revelação explícita. Outro fator inconveniente é que, em certas ocasiões, o longa-metragem parece um filme feito para a televisão, conforme o baixo investimento no projeto. 

Ainda assim, pequenos deslizes não tiram o mérito de uma brilhante construção filosófica. Nas mãos de Almodóvar, Scorsese, Stephen Daldry ou outro diretor com experiência e notoriedade, "As Palavras" teria uma invejável carreira em festivais e premiações. Infelizmente, fica restrito a poucos que, ao acaso, o descobrem. E, para esses sortudos, a seguinte frase, proferida pelo sábio personagem de Irons, provavelmente ficará marcada na memória: “Nós todos fazemos escolhas na vida. O difícil é conviver com elas”.

Nota: 8,7

A Entidade



“Eu tenho um ótimo pressentimento sobre isso”, fala o escritor Ellison Oswalt (Ethan Hawke) para esposa, quando muda-se de cidade para escrever sobre um crime hediondo que ocorreu novo endereço. Ao começar a investigação sobre o caso, ele nem imagina os eventos trágicos que o esperam. A incursão de Ellison a um território aterrorizante de mortes brutais e sustos incessantes é a equação de sucesso de “A Entidade”, um dos melhores filmes de terror dos últimos anos.  

Na verdade, o escritor não contou para família que a nova moradia deles foi palco dos assassinatos que pretende averiguar. A intenção de Ellison é aprofundar-se no acontecimento chocante e, através do relato escrito, resgatar a fama obtida apenas em seu primeiro livro. A investigação ganha, aos poucos, contornos cada vez mais sinistros, conforme seu envolvimento com os incidentes do passado. 

A tensão na tela é mantida alta desde o início, a partir do momento em que o protagonista encontra no sotão da casa uma caixa com filmes antigos em super 8, cujos títulos são “Passeio de família”, “Churrasco de 1973” e outros registros aparentemente inocentes. Porém, cada um dos vídeos apresenta uma situação cotidiana que termina em chacina.  

Ao logo do filme, o nervosismo só aumenta. Cenas perturbadoras se multiplicam cada vez que chega a noite e o mal desperta na casa. E os sustos não são poucos. Fazem o espectador pular da cadeira várias vezes. A revelação do mistério não é novidade, mas também não compromete. Ao menos, o “responsável” pelos crimes é realmente apavorante, assim como suas aparições. 

“A Entidade” é um filme de terror sério, de ritmo lento e intrigante. E estas podem ser consideradas suas principais virtudes. Sem um assassino que mata jovens um a um ou persegue incessantemente o mocinho, este exemplar prefere ir a fundo no cerne da trama: a investigação criminal realizada pelo protagonista. O diretor Scott Derrickson (“O Exorcismo de Emily Rose”) conduz com mão firme a narrativa e Ethan Hawke comprova como pode ser consistente na pele de qualquer personagem, inclusive no campo do horror.


Na falta de bons exemplares do gênero, “A Entidade” destaca-se na safra 2012 como um projeto eficiente, recheado de suspense e com muita tensão. Mesmo com um título ruim em português, o filme merece ser descoberto pelos adoradores do medo. “A Entidade” é tudo que se espera de boa produção de terror: é asustador, pesado, hipnótico, angustiante e perturbador. Prepara-se para não dormir tranquilo algumas noites. 

Nota: 8,1

Crítica: Ted


Um urso boca-suja desbancou concorrentes de peso e garantiu vaga no ranking das maiores bilheterias do ano. “Ted” é o sucesso surpresa de 2012, com mais de 470 milhões de dólares arrecadados pelo mundo, tornando-se a comédia número 1 entre aquelas com classificação R (proibida para menores de 18 anos). O segredo do filme está nos diálogos espertos preenchidos por um humor sarcástico e infame, na maior parte das vezes proferido por um fofo bichinho de pelúcia.

Na produção da Universal Pictures, Mark Wahlberg interpreta John, um adulto infantilizado, que ainda não encontrou seu lugar no mundo. Quando criança, ele ganhou um urso de presente e pediu a uma estrela cadente que Ted fosse seu amigo. A partir disso, o brinquedo ganha vida e transforma-se em celebridade. Trinta anos depois, John trabalha como balconista em uma loja de aluguel de carros e Ted, sem a fama do passado, virou um vagabundo profissional. O impasse surge no momento em que Lori (Mila Kunis), a namorada de John, pede que o urso saia de casa para ter sua independência.

A comédia marca a estreia de Seth MacFarlane no cinema, o criador da série televisiva “Family guy”. O diretor e roteirista, que costuma atacar a moral e o conservadorismo americano, recebeu críticas fervorosas por incentivar as drogas e a vida fácil, sem estudo ou emprego, como foi o caso polêmico do deputado Protógenes Queiroz que se pronunciou revoltado no Twitter. O feito só incentivou a repercussão do filme e o aumento de sua arrecadação no Brasil.

Tanto alvoroço se justifica porque Ted é um urso que aparece cercado de prostitutas, fumando maconha, bebendo cerveja, falando inúmeros palavrões, dirigindo carro usando celular, apalpando seios de uma mulher e simulando sexo com um picolé e uma máquina registradora, além de disparar comentários preconceituosos. Curiosamente, esse conjunto de piadas ácidas funciona tão bem que as gargalhadas são involuntárias. E afeição com uma critura adorável e grotesca torna-se imediata.

“Ted” é um filme ousado, que segue à risca a cartilha das piadas policamente incorretas e aproveita-se de referências da cultura pop (Susan Boyle, Flash Gordon, Superman, Katy Perry e outros) para tirar muito sarro. A história de amizade com doses de humor negro e pastelão virou sensação nos cinemas e sua continuação está aprovada. Extremamente engraçado, o filme pode ser considerado, junto a “American Pie - O reencontro”, uma das melhores comédias do ano.

Nota: 8,1

Crítica: Até a Eternidade


Os maiores atores franceses da atualidade estão reunidos na produção “Até a Eternidade”, de Guillaume Canet, sobre um grupo de amigos que passam as férias em uma casa da praia. Marion Cotillard, François Cluzet, Gilles Lellouche e o vencedor do Oscar por “O Artista”, Jean Dujardin, integram o excepcional elenco. A produção de 2010 foi um dos principais sucessos de bilheteria dos últimos anos na França, com arrecadação de 44 milhões de dólares, e, após dois anos de atraso, finalmente chega ao circuito brasileiro. Um filme envolvente que trata de forma sincera e verdadeira diferentes assuntos, como relacionamento, homossexualidade, casamento, morte e, claro, amizade.

Na trama, um grupo de adultos formado por homens e mulheres entre 30 e 50 anos encontra-se anualmente na casa de veraneio do anfitrião Max (Cluzet). O encontro é um ritual para esses companheiros de longa data. Porém, desta vez, a viagem tem um gosto amargo: um dos companheiros, Ludo (Dujardin), sofre um acidente de moto e vai para o hospital em estado grave. Mesmo com a fatalidade, o grupo decide manter a reunião de férias sem a presença do amigo. Entre almoços, passeios de barco, partidas de futebol, jantares e conversas íntimas, segredos e mentiras que contam entre si acabarão sendo revelados. E, num último estágio, a indiferença ou a impotência quanto ao ocorrido com Ludo será colocada à prova.

O maior mérito de “Até a Eternidade” é a sólida construção de personagens, que faz as duas horas e meia de duração passarem sem que se perceba. São figuras bem definidas, com personalidades desenvolvidas com precisão a ponto de o espectador esperar a exata reação de cada um deles perante os fatos. Essa característica deve ser atribuída a Canet, que, além da direção, assina o roteiro. Talvez seja por isso que a personagem feminina de maior destaque ficou a cargo de sua esposa, Marion Cotillard – sempre competente em cena.

Inevitavelmente, o filme é comparado ao clássico “O Reencontro”, longa-metragem de 1983 que reúne um grupo de amigos no funeral de um deles. O título concentra grandes astros americanos: Kevin Kline, Glen Close, Tom Berenger, William Hurt e Jeff Goldbum. Canet assume sua inspiração no passado e sai vitorioso por conseguir criar um projeto próprio. Atualiza os conflitos para os dias de hoje, como quando introduz a história de Vicent (Benoît Magimel), casado e pai de dois filhos, que passa a sentir atração pelo amigo Max. Aliás, esta é uma das mais emocionantes narrativas que integram o filme.

A trilha sonora de “Até a Eternidade” merece um destaque em especial - semelhança que também divide com “O Reencontro”. Uma seleção de sucessos de Janis Joplin, David Bowie, The Isley Brothers, The Band, Damien Rice, Ben Harper e Jet embala as cenas dos amigos franceses. E nesse decorrer de situações casuais, a produção faz rir e chorar com a mesma intensidade. Apesar de se basear em alguns clichês e ter um jeitão de novela, consegue capturar o espectador desde a primeira cena, com um belo plano sequência. Ao final, é difícil se despedir do convívio com personagens que se tornam tão familiares.

Nota: 8

Crítica: Moonrise Kingdom


O novo filme de Wes Anderson segue a mesma e deliciosa cartilha utilizada em "Os Excêntricos Tenembaums", "A Vida Marinha com Steve Zissou", "Viagem a Darjeeling" e "O Fantástico Sr. Raposo". Os quatro são considerados “filmes de diretor”, em que o cineasta imprime uma marca própria e inconfundível. Na elaboração de seus projetos, Anderson costuma utilizar como figuras centrais pessoas esquisitas, desajustados sociais, fracassados. Para constituir esse universo geralmente melancólico, introduz uma fotografia que abusa da paleta de cores e aposta em trilha sonora composta por faixas dos anos 1960 e 1970. O cinema de Anderson permanece peculiar em "Moonrise Kingdom", produção em tom de fábula infantil sobre o primeiro amor.

A história se passa em 1965, em uma ilha da costa da Nova Inglaterra, onde dois jovens de 12 anos, Sam (Jared Gilman) e Suzy (Kara Hayward), se apaixonam. O casal decide fugir. Enquanto se aventuram vivendo na floresta, autoridades locais tentam localizar as crianças que sumiram. O filme consegue ir além da destemida fuga dos enamorados e apresenta surpresas para o seu segundo ato. Grande elenco integra o projeto: Bill Muray e Frances McDormand interpretam os pais de Suzy, Bruce Willis é o xerife que comanda as buscas, Edward Norton atua como o chefe do grupo de escoteiros e Tilda Swinton assume como a assistente social. Ainda tem participações especiais de Harvey Keitel e Jason Schwartzman.

Apesar de tantos astros na produção, os protagonistas são os estreantes Gilman e Hayward, totalmente encantadores como o jovem casal. Eles são os responsáveis por apresentar uma visão inocente e pura sobre o amor. Através desse delicado universo, o diretor proporciona um retrato sobre o período entre a infância e a adolescência, utilizando como metáfora o fato de estarem isolados em uma ilha. E, em cada frame, imprime sua plasticidade sedutora e particular, transformando o filme em uma peça gráfica de um charme estético irresistível.

"Moonrise Kingdom" é uma história de amor infantil que vai do triste ao engraçado, da aventura ao drama, do romântico ao esquisito. Entre seus acertos, cabe destacar a aposta em uma fórmula mais doce do que o habitual gosto pelo azedo do diretor. Com uma carreira de sucesso, de inúmeros elogios por onde é exibido, o filme apresenta-se como um forte concorrente ao Oscar 2013. Sem dúvidas, é uma obra de arte apaixonante, que resgata um espírito de aventura juvenil e a poesia do primeiro amor. Deve se tornar o principal projeto de Anderson a ser lembrado no futuro.

Nota: 8,4

Crítica: American Pie - O Reencontro




Um grupo de amigos dispostos a tudo para perder a virgindade antes do baile de formatura marcou o retorno das comédias adolescentes picantes para as novas gerações. "American Pie - A Primeira Vez é Inesquecível" foi um tremendo sucesso em 1999 e rendeu duas sequências com o elenco original e quatro títulos lançados diretamente em vídeo. Treze anos depois do primeiro filme, Jim e sua turma voltam para conferir um nostálgico e hilário capítulo final à série com "American Pie - O Reencontro".

Os icônicos personagens precisam encaram a vida adulta nesta nova produção. Jim e Michelle estão casados e têm um filho de dois anos, o que faz com que se afastem sexualmente. Kevin também é casado e interpreta o marido exemplar. Oz virou apresentador de um programa esportivo na televisão e namora uma modelo. Finch mantém contato apenas pelo Facebook, postando fotos em diversos países do mundo. Todos eles, incluindo o incorrigível Stiffler, irão se encontrar para a festa de reunião da turma de 1999.

Apesar do humor escrachado, vulgar e grosseiro que não poderia faltar, o projeto apresenta maturidade ao mostrar que os tempos mudaram. Na casa dos trinta anos, todos agora possuem responsabilidades, seja com a esposa, com o filho, com o trabalho ou com as demais escolhas que foram feitas nesse caminho. O filme faz questão de revisitar amores antigos e boas lembranças que a turma viveu. Existe uma busca pela satisfação e felicidade em cada um deles, aspirações urgentes que os jovens tanto almejam atualmente.

A aura que cerca o projeto é de nostalgia ao observar um autêntico reencontro - porque, além de reunir personagens, é a união de atores que tiveram suas carreiras lançadas pelo sucesso do original. E, para o público, que se divertiu com essa turma durante a adolescência, revê-los é um terno prazer. A identificação vem ainda de qualquer pessoa que integrou um forte grupo de amigos durante a escola.

O novo "American Pie" é um filme de grupo. Com um roteiro muito bem executado, promove o retorno de todos os personagens da série, mantendo-se fiel às suas características e conferindo a devida importância a cada um deles na conclusão. Incluindo nesse conjunto, os característicos (e constrangedores) diálogos entre Jim e seu pai - aliás, o veterano é responsável por cenas impagáveis nessa produção.

Quem, para variar, rouba a cena é Sean William Scott como Stiffler. Ele é o único que não mudou: continua festeiro, sacana e conquistador. Stiffler não se enquadra nessa nova realidade e não consegue lidar bem com as dificuldades da vida, permanecendo um adolescente. O interessante é que o roteiro valoriza sua figura e o coloca como a essência de que todos perderam, de quem eles eram anteriormente.

"American Pie - O Reencontro" consegue trazer de volta toda loucura da juventude e proporcionar muitas gargalhadas. Um resultado admirável para o oitavo filme de uma série de comédia. É ao mesmo tempo perceber e não perceber que o tempo passou. É reencontrar uma turma que fez parte da nossa vida, tanto na tela como nas memórias pessoais. É rever um divertido passado que deixamos para trás.

Nota: 8,4

Para Roma, Com Amor


Nos últimos anos, o diretor Woody Allen realizou um roteiro turístico por cidades da Europa. Em 2005, saiu da sua habitual Nova York, retratada em inúmeros filmes da carreira, e filmou “Match Point” em Londres. Na sequência, a metrópole inglesa serviu de locação para “Scoop - O Grande Furo” (2006), “O Sonho de Cassandra” (2007) e “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos” (2010). A Espanha também recebeu sua ilustre visita em “Vicky Cristina Barcelona” (2008), assim como a França com “Meia-noite em Paris” (2011). Agora, este ano, é a vez da capital da Itália ser retratada com todo seu charme pelo olhar inconfundível do cineasta na encantadora comédia “Para Roma, Com Amor”.

O flerte de Allen com a cidade é delicioso de assistir. Assim como nos filmes antecessores, a vontade é de comprar uma passagem de avião e embarcar para o país imediatamente. A trilha sonora, composta por clássicos como “Amada Mia, Amore Mio” e “Nel Blu Dipinto di Blu (Volare)”, somada às belas imagens de cada recanto de Roma conferem a ambientação perfeita para os romances que se desenham na tela. Pequenos fragmentos de visitantes e moradores da cidade compõem o roteiro do longa-metragem.

Como diz o personagem que abre o filme: “Em Roma tudo é uma história”. Na produção de Allen, são precisamente quatro tramas: trabalhador (Roberto Benigni) vira celebridade da noite para o dia, arquiteto (Alec Baldwin) volta ao passado e confronta suas escolhas, jovem casal acaba se desencontrando em plena lua de mel e aposentado diretor de ópera (o próprio Allen) descobre um novo talento artístico.

A melhor história é de Baldwin, que revive momentos da juventude como estudante na Itália. Através da figura de Jesse Eisenberg, ele conhece a envolvente aspirante a atriz Monica (Ellen Page). A narrativa por si só, com um certo aprofundamento, já renderia um filme inteiro. Bastava injetar mais doses dos inteligentes diálogos para se ter um conto apaixonante e melancólico,  característico do veterano diretor.

No emaranhado de histórias interessantes, “Para Roma, Com Amor” apresenta uma narrativa que quebra o ritmo e difere do tom adotado pelo projeto. É a de Roberto Benigni, que poderia ser excluída sem comprometer o resultado. Sua crítica à fama possui uma conclusão pouco inspirada que termina por não cumprir o objetivo. Ao menos serve para rever o comediante Benigni em ação. Nesse mesmo sentido, o retorno de Allen como ator é muito bem-vindo - desde “Scoop” que não aparecia frente às câmeras. Ele vem acompanhado de Judy Davis, parceira de loga data que volta em forma de deleite para quem acompanhou a carreira dos dois.   

A viagem do cineasta à Itália inevitavelmente sofrerá comparações com o maravilhoso “Meia-noite em Paris”. Um confronto desleal, já que “Para Roma, Com amor” é um filme menor do diretor. Suas histórias são divertidas e de um humor delicioso, mas, no geral, não possuem uma mensagem definida. Resultam apenas em agradáveis análises sobre o comportamento humano, combinadas de forma tão interessante que conquistam a simpatia e provocam muitos risos. “Para Roma, Com Amor” pode não estar entre os melhores filmes de Woody Allen, mas será a melhor escolha entre as produções em cartaz atualmente.

Nota: 8

Uma Semana


Chegam momentos na vida em que é preciso repensar sobre o caminho que trilhamos até aquele instante. Para Ben Tyler, protagonista de "Uma semana", esse confronto aparece após descobrir que sofre de um câncer terminal. A situação fará com que ele parta em uma viagem de autodescobrimento pelas estradas do Canadá. Uma semana é uma pequena joia entre as produções independentes, valorizada principalmente por apresentar uma das mensagens mais verdadeiras sobre o que realmente vale a pena na vida.

A história é sobre Ben (Joshua Jackson), um jovem professor de Ensino Fundamental que está noivo de Samantha (Liane Balaban). Ele vive uma rotina de acomodação, um dia depois do outro, sem previsão de mudanças. Insatisfeito com essa realidade, Ben só encontra motivação para realizar seus desejos quando recebe a notícia que possui no máximo dois anos de vida. Compra uma motocicleta e parte sem destino para inúmeras cidades do país, a fim de viver uma aventura. Uma história que, segundo ele, “valha uma vida”.

O filme é inteiramente narrado pelo ator Campbell Scott, que permeia a narrativa com belas e inspiradores frases sobre o sentido da vida. Ben, ao se afastar do trabalho e da família, começa a colocar em jogo o que construiu durante esse tempo, principalmente seu relacionamento com Samantha. A forma como a produção discute o amor é ao mesmo tempo melancólica e bonita. Enquanto isso, em sua jornada, o protagonista encontra diversas pessoas que o ajudarão nesse processo de tentar se encontrar.

Ben arrisca e vai em busca do que lhe faz feliz. Acompanhar essa trajetória faz com que o espectador também pense sobre a sua própria caminhada. Em certo trecho, o narrador diz: “O que você faria se soubesse que tem apenas mais um dia, uma semana ou um mês de vida? A que bote salva-vidas você se agarraria? Para qual pessoas declararia seu amor? Qual desejo realizaria?”. Questões que, mesmo sem ter a urgência de um prazo como Ben, acabam encontrando identificação geral.

Uma semana é um road movie que encanta por encontrar beleza na simplicidade. É honesto, poético e real. Conta ainda com boas atuações de Jackson e Balaban; além de conferir destaque para a trilha sonora carregada de emoção e formada apenas por bandas canadanses. O filme, lançado em 2008, não recebeu merecida atenção em seu lançamento e acabou restrito aos países da América do Norte, sem distribuição mundial. Se surgir a oportunidade, não deixe de assistir.

Nota: 8

Branca de Neve e o Caçador


“Branca de Neve e o Caçador” é tudo que “Alice no país das maravilhas”, de Tim Burton, não conseguiu ser: uma releitura envolvente e interessante sobre um conto infantil. E este recente lançamento tem vantagens, como o tom sombrio, as imagens deslumbrantes (sem ser carnavalescas) e o clima épico do início ao fim. Porém, para curtir essa aventura, é preciso desprender-se do texto original e embarcar em adaptação livre sobre a fábula dos irmãos Grimm.

A Branca de Neve veste armadura e lidera uma batalha, os anões ganham mais um companheiro e totalizam oito, a Floresta Negra é uma armadilha mutante e um trasgo (monstro parecido com um troll) aparecem na mistura proporcionada pelo filme. Tantos elementos novos surgem nesta versão, mas, por incrível que pareça, não a tornam forçada. O roteiro realiza milagre ao transformar o pequeno conto em uma história medieval de grandes porporções dramáticas.

Na trama, Banca de Neve (Kristen Stewart) completa 18 anos e se torna uma ameaça para sua madrasta, a rainha Ravenna (Charlize Theron), que até então era a mais bela de todas. Antes que o plano malígno da rainha se concretize, Branca foge do castelo em direção a Floresta Negra. Ravenna envia um caçador (Chris Hemsworth) para capturar e matar a jovem. O tom da narratica não é infantil. O clima soturno e a maldade da vilã mostram que o filme está bem longe de outra versão lançada este ano, Espelho, espelho meu.

Uma jogada interesse do roteiro é não comparar a beleza de Charlize Theron com a de Kristen Stewart. O roteiro apresenta Branca de Neve tão poderosa quanto a rainha porque possui duas virtudes: pureza e inocência. O que fica em desnível é a entrega de Theron a hipnotizante rainha com a apatia de Stuart como a heroína da produção. A mesma sem gracisse de Bella Swan na saga Crepúsculo persiste na atuação da atriz. O destaque vai também para Hemsworth, que consegue criar um personagem interessante, além de força e músculos.

Como é grandioso em tudo, o filme investe em inúmeras cenas de luta e batalha, deixando a história sempre movimentada. As imagens belíssimas de cada frame são tão impactantes visualmente que indicações ao Oscar já estão praticamente garantidas. A direção de arte e o figurino não são carregados, alegóricos, como o carnaval de “Alice no país das maravilhas”. O clima é obscuro, sujo e de elementos lúgrubres, como corvos, castelos imponentes e magia das trevas.

O diretor estreante Rupert Sanders, originário do mercado publicitário, acerta a mão com sua aventura épica e proporciona diversão para toda família. O blockbuster cumpre ser um bom passatempo pipoca e firma-se como a melhor adaptação adulta de um conto infantil para telonas. A resposta da crítica, público e bilheteria foi tão positiva que uma continuação está em negociação e uma franquia se projeta para os próximos anos. Tudo muito bonito, desde que a rainha má esteja presente.

Nota: 8

Jogos Vorazes


Nova franquia cinematográfica adolescente, “Jogos Vorazes” voa mais longe que seus antecessores “Percy Jackson”, “Crepúsculo” e, inclusive, “Harry Potter” porque foca no lado humano dos personagens e não nas peculiaridades de um universo fantástico. Dessa forma, suas chances em atingir o grande público, que desconhece a origem literária, são maiores. Somado a isso, a história extremamente atual captura o espectador em um mix de ação, violência, romance, política e ficção científica que provoca uma tensão progressiva incapaz de desgrudar um segundo do que está acontecendo no jogo de vida ou morte.

Baseado em uma trilogia escrita por Suzanne Collins, a trama se passa em um futuro distante, na nação de Panem, após a destruição da América do Norte. Anualmente, o governo autoritário sorteia dois jovens entre 12 e 18 anos de cada distrito (a comunidade é dividida em 12 deles, sendo o primeiro o mais rico e o último o mais pobre) para participar de um reality show transmitido ao vivo. Os 24 selecionados são treinados para matar uns aos outros até sobrar apenas um vencedor.

A história é centrada na adolescente Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), de 16 anos, que vive com a mãe e a irmã menor no distrito 12. No dia da colheita, sua irmã é selecionada para os tais Jogos Vorazes e Katniss se candidata para ir no lugar. Com ela, também do seu distrito, é escolhido o filho do padeiro, Peeta Mellark. Os dois passam a ser treinados por um ganhador do jogo, Haymitch Abernathy (Woody Harrelson). A partir desse instante, a 74ª edição do reality show inicia e a luta pela sobrevivência toma conta da tela.

Mesmo antes dos jogadores entrarem na "arena", a tensão é sufocante. O caminho de Katniss ao violento programa televisivo transcorre sem pressa - e esta revela ser a melhor parte da produção. Quando os jogos iniciam, percebe-se como o reality show é envolvente e fascinante, levando toda população de Panem a assisti-lo. Por se tratar de uma aventura juvenil, o filme não investe em cenas sangrentas. Portanto, apesar de ser um jogo de morte, são poucas vezes que o público pode ficar impressionado.

O triângulo amoroso formado por Katniss, Peeta e Gale (Liam Hemsworth), o namorado dela que ficou fora do jogo, em nenhum momento aproxima-se do que ocorre em Crepúsculo, por exemplo. O amor e as suas dúvidas não são o mais importante na história. Toda narrativa é em função da sobrevivência. E sua heroína não poderia ter sido melhor. Jennifer Lawrence é o símbolo da saga, com jeito de durona, hábil no arco e flecha, impetuosa em suas decisões e inocentemente sensual. Escolha perfeita para protagonista.

“Jogos Vorazes” pode não parecer original. Disputas transmitidas ao vivo já apareceram no livro “1984”, no programa “Big Brother Brasil” e nos filmes “Fahrenheit 451”, “Cubo” e “O Sobrevivente”. O êxito dessa nova versão é promover uma mistura de gêneros (ficção científica, ação, romance) com pano de fundo de crítica social em um ambiente juvenil. Realmente pode não ser original, mas a fórmula funcionou muito bem. O filme é entretenimento de muita adrenalina para qualquer público.

Nota: 8

Shame


São poucos os filmes que conseguem retratar tão bem um período ou uma época. "Shame" é um filme que aborda sem pudores algumas feridas da sociedade moderna, como a solidão, o individualismo, a busca pelo prazer e os vícios que chegam a provocar vergonha. O diretor e artista plástico Steve McQueen coloca seu ator fetiche, Michael Fassbender, com o qual já havia trabalhado em "Hunger", em um jogo de sexo e sofrimento ao extremo.

Brandon é um executivo de 30 anos que mora sozinho em Nova York e cultiva uma vida secreta. Ele é viciado em sexo. Passa suas horas vagas - e até mesmo no trabalho - em busca de satisfazer sua compulsão. Por ser bonito e bem sucedido, consegue sexo fácil. Ao invés de mostrar essas aventuras eróticas como algo excitante, o filme apresenta como verdadeiramente são: uma doença.

A rotina de Brandon será transformada quando sua irmã Sissy (Carey Mulligan) decide morar com ele. Essa invasão em um terrotório anteriormente sob seu total controle provocará dois sentimentos contraditórios em Brandon: a intenção de levar uma vida normal, com um relacionamento saudável, e também a vontade de expulsar Sissy e seguir com seu ciclo masoquista.

Lidar com essa obsessão vai acabar levando Brandon ao fundo do poço, em uma procura por sexo cada vez mais degradante. Por vezes, ele tenta uma atitude "normal", como ter um encontro que não seja com uma prostituta ou que termine na cama. Ele sai para jantar com uma colega de trabalho, mas sua condição o impede de realizar tudo conforme os padrões aceitáveis pela sociedade. Não adianta, ele é diferente. Um homem atormentado por demônios que o impedem do convívio social. Nas cenas de sexo quase explícito, é possível observar Brandon em um misto de prazer e sofrimento.

Fassbender desnuda-se, literalmente, para encarar o complexo personagem. Seu desempenho não foi lembrado entre as categorias do Oscar, mas George Clooney fez questão de destacar o "grande" talento do ator durante a cerimônia do Globo de Ouro. Fassbender realizou cenas sem apelação de nudez frontal e de sexo não censurado. Uma atuação viceral que merecia maior reconhecimento.

"Shame" não chega a ser pornográfico, já que suas cenas provocantes são de completa importância para a história. Mesmo com sequências tidas como "quentes", o diretor McQueen realiza um filme de natureza fria e ao mesmo tempo estiloso. Uma fotografia elegante pontua as cenas com tons de azul e branco, comprovando a falta de emoções na vida de Brandon. A trilha sonora empregada nos momentos certos transmite a tensão e o desespero desse personagem que vive sempre no limite. Até mesmo o uso de poucos diálogos contribui para que quando estes apareçam sejam altamente valorizados, principalmente em interessantes conversas entre Brandon e Sissy.

Assim como em "Psicopata Americano", quando este retratou o vazio da geração yuppie dos anos 80, "Shame" consegue definir outra espécie de vazio nos anos 2000. É o peso de um cotidiano sem amor e sem encantos que assola os dias atuais. O sexo, também presente, é visto como algo mecânico. E, mesmo com uma diferente realidade, Nova York permanece como o mesmo pano de fundo, um símbolo da solidão, intensicado de forma brilhante pela canção "New York, New York", em interpretação carregada de emoção pela irmã do protagonista. "Shame" mostra como essa realidade pode ser um martírio.

Nota: 8,4

Uma Vida Melhor



Vida de imigrante nos Estados Unidos já foi abordada por inúmeros filmes. O que “Uma Vida Melhor” propõe é um olhar sincero sobre essas pessoas que apostam todas suas fichas em uma chance que pode ou não dar certo. Damien Bichir é a alma do projeto como o pai mexicano que busca oportunidades para seu filho adolescente no país vizinho.

A produção de Chris Weitz (de "O Grande Garoto", "Bússola de Ouro", "Lua Nova") é sobre um homem latino de 40 e poucos anos que trabalha como jardineiro nas casas dos ricos de Los Angeles. Ganhando uma mixaria por inúmeras horas de trabalho, ele leva os dias desgastado pela dura rotina. Tudo isso para oferecer condições de que seu filho (José Julián) consiga ir ao colégio e obtenha melhores perspectivas de futuro. Sua possibilidade de mudar de vida vem com a compra de uma caminhonete, transformando-o em um profissional autônomo.

"Uma Vida Melhor" pode ser dividido em dois momentos: o drama inicial sobre o imigrante no país estrangeiro, explorando contrastes sociais e como a terra dos sonhos pode ser cruel, e o thriller que aproxima pai e filho na tentativa de recuperar algo roubado, com cenas de ação alternadas com ternura. Essa mudança na narrativa vem na hora exata. Quando espera-se que o filme se arraste pelos clichês do gênero, injeta-se um gás que o mantém interesse até o final.

A concepção do projeto é simples, mas ganha o espectador com o retrato sensível sobre a figura desse intruso em um lugar que não lhe pertence, potencializado com a relação construída entre os personagens de Bichir e Julián. São momentos delicados como o de uma música conhecida pelos dois ou quando conversam em tom de despedida, já perto do final, que comprovam a sintonia em cena, além de uma emoção genuína.

O principal responsável por essa carga emotiva é Damien Bichir, ator mexicano pouco conhecido que anteriormente só havia obtido destaque na série de televisão “Weeds” e como Fidel Castro nos filmes “Che” e “Che: A Guerrilha”. Sua indicação ao Oscar surpreendeu a todos, tirando a vaga dos cotados Ryan Gosling (“Drive”), Leonardo DiCaprio (“J. Edgar”) e Michael Fassbender (“Shame”). A representação de Bichir é tão poderosa que através de apenas um olhar ele transmite todo desespero de um homem em seu limite. É o papel de sua vida e certamente uma das melhores atuações de 2011.

Nota: 8