Control


Não resta dúvida de que Ian Curtis foi um sujeito infeliz. Para quem é pouco entendido de música, o cara liderou uma das bandas mais importantes do punk rock, a Joy Division. Casou-se cedo, teve uma filha, trabalhava durante o dia e viajava para fazer shows nos finais de semana. Nada disso lhe trouxe resquício algum de felicidade. Ele se suicidou em 18 de maio de 1980 aos 23 anos.

A curta jornada de Ian nesse mundo foi melancólica ao extremo, pelo menos é isso que Control, sua biografia cinematográfica, demonstra. O novato Sam Riley representa o vocalista problemático com uma fidelidade absurda. Até mesmo o olhar olhar delirante na performance de palco e os trejeitos dançantes são de uma semelhança assustadora.

O universo cinzento de Curtis é retratado pela belíssima fotografia em preto e branco. Um dos maiores acertos da produção! O diretor de videoclipes, Anton Corbijn, estréia atrás das câmeras potencializando os relatos do livro da viúva do cantor e realizando um panorama honesto sobre os principais tormentos de Ian: dividido entre a esposa e a amante, pressionado pela carreira em ascenção e sofrendo de constantes ataques de epilepsia.

Control dá enfoque maior para sua vida emocional do que para a carreira à frente da Joy Division. Ainda assim, o filme aborda sem pressa e atropelamentos as passagens mais importantes da vida do cantor. Ao final, a impressão é de que Ian não fazia tanta questão de ser feliz. Até mesmo com Anika, sua amante, ele não demonstra-se satisfeito. Pois é, o mundo da música não é tão glamuroso assim.

Nota: 7,2

Uma História de Amor


Não é de hoje que Billy Crudup é subestimado. Em 13 anos de carreira dividiu a tela com vários astros e fez pontas em filmes como Sleepers, Todos Dizem Eu Te Amo e Peixe Grande. O maior destaque foi como o guitarrista Russell Hammond em Quase Famosos, que sem dúvida é o seu melhor filme. O motivo dessa falta de reconhecimento talvez seja porque seu nome dificilmente está associado a filmes de qualidade. Fora essas produções citadas, o restante de sua filmografia não empolga.

Dedication ou Uma História de Amor é mais um desses filmes a somar na lista. Contando com o desempenho brilhante do ator, o longa-metragem não foge de ser previsível e monótono. Na trama, Crudup é um escritor de histórias infantis que perde o ilustrador de seus livros, e também, melhor amigo. Em seguida, essa vaga é preenchida por uma nova cartunista. A relação delicada mistura auto-conhecimento e amor.

No papel romântico, Mandy Moore, pela primeira vez, não desafina na atuação. Mas, como o esperado, o personagem de Billy domina a cena. Hiperativo, nervoso e sem medo de falar o que pensa, o tal escritor é uma profusão de sensações simultâneas. A construção por parte do ator responde ao que o roteiro pede e são esses momentos que salvam a produção do total fracasso.

Infelizmente, a interpretação de Crudup é diluida no contexto e assim, permanece deixando o ator osfuscado nas sombras da indústria hollywoodiana. Quem sabe ele aparece com mais impacto na superprodução Watchmen?.

Nota: 4,5

Jogo de Amor em Las Vegas


Alguém duvida da força desse filme em território nacional? As comédias românticas possuem um histórico de sucesso no Brasil e essa aqui deve ser mais uma delas. O principal atrativo é a união de dois astros do humor pastelão: Cameron Diaz (Tudo Para Ficar com Ele) e Ashton Kutcher (Recém-Casados).

Na trama, essa dupla acorda casada após uma noite de loucura em Las Vegas. A decisão pelo divórcio é de ambas as partes. Porém, no dia seguinte ele ganha 3 milhões de dólares no cassino do hotel. Para ficarem com o dinheiro, o juiz determina que deverão manter uma relação estável por seis meses.

Começa então uma briga de marido e mulher. Alguém lembra de “Guerra dos Roses”? Vivendo sob o mesmo teto, cada um vai aprontar para o outro e assim, ver quem desiste primeiro. Todos elementos característicos do gênero estão no conjunto, como a participação dosamigos engraçadinhos dos protagonistas.

Pensando em desistir de comprar o ingresso? Nem pensar. Jogo de Amor em Las Vegas é sim puro clichê: os dois se odeiam no início para no fim se apaixonarem. Mas, não é só isso. O carisma dos atores principais garante a sessão. Pisando em terreno que conhecem muito bem, Diaz e Kutcher encantam a platéia e não tem quem resista ao charme da dupla. Além disso tudo, cenas realmente engraçadas entrelaçam a guerra e a paz.

É um dos poucos filmes em que tanto a comédia quanto o romance funcionam bem. Não é recomendado para quem tem aversão ao gênero, do contrário, é diversão na certa!

Nota: 7,8

Não Quero Ser Grande


Beirando os 30 anos, Jeffrey ainda vive com a mãe (Diane Keaton). Essa mordomia ameaça acabar quando ela se apaixona por um palestrante motivacional (Jeff Daniels) e pretende que ele venha morar na casa.

Não Quero Ser Grande é uma comédia sem graça, sustentada apenas pelos bons atores. John Heder de Napoleon Dynamite permanece com sua galeria de personagens esquisitos, a medida que Diane Keaton repete seu papel de Minha Mãe Quer Que Eu Case. Jeff Daniels e Anna Ferris saem ganhando por fora com personagens coadjuvantes bem mais interessantes.

Coincidência ou não, Mama´s Boy apresenta praticamente a mesma trama de outro recente longa-metragem, Em Pé de Guerra. Na luta, o segundo sai vencendo. Esse aqui é uma perda de tempo. O roteiro sem novidades e entulhado de estereótipos já explorados aos montes no cinema não chegam a conseguir nem um sorriso amarelo.

Faltou comentar: QUE TÍTULO INFELIZ!

Nota: 3,5

Mais do que Você Imagina


Meg Ryan, a rainha das comédias românticas nos anos 80 e 90, não conseguiu fugir do gênero que lhe trouxe fama e reconhecimento. Depois de investidas sem sucesso em dramas, suspenses e aventuras, como Prova de Vida, Em Carne Viva, Contra Tudo e Contra Todas e por fim, Eu e as Mulheres, Meg Ryan retorna ao que é seu ponto forte: as comédias românticas.

Na trama, Meg apaixona-se por um ladrão de relíquias (Banderas) - fato que ela desconhece. O seu filho, um agente federal, tem a missão secreta de espionar o bandido e assim, presencia intimamente a relação de sua mãe com o mau caráter. As situações cômicas partem principalmente desse pressuposto e promovem boas risadas.

O conteúdo pouco inspirado e relativamente superficial é só fachada para uma produção engraçada e de cenas divertidas. De semelhanças com Sr. e Sra. Smith, a produção não é um romance açucarado, e também não investe nas cenas de ação. Afirma-se mesmo na comédia. Apesar de apresentarem atuações básicas, o casal central desenvolve uma química bem ativa. Mais do que Você Imagina é bem tolo, mas isso não impede de ser agradável.

Nota: 7,0

Número 9


Número 9 é aquele tipo de filme que ninguém entende. Entretanto, todos que assistiram não abrem mão de expressar a sua teoria. No final, nenhuma dessas versões responde as infinitas perguntas levantadas. O filme é, na verdade, uma confusão só. Confesso que procurei ajuda na internet, e não encontrei consenso algum sobre o que seria a explicação das várias linhas narrativas do projeto.

O longa-metragem é a segunda experiência de John August na direção. Ele escreveu os ótimos roteiros de Peixe Grande, A Noiva Cadáver e A Fantástica Fábrica de Chocolate. Essa parceria incrível com Tim Burton rendeu essas obras-primas citadas. É uma pena que o roteiro de Número 9 deixe a desejar.

De qualquer maneira, o filme é bastante interessante e prende o espectador do início ao fim. A trama super curiosa é responsável por isso. Porém, suas explicações variam e confundem na elaboração de uma justificativa final. Número 9 parece uma tentativa frustrada de ser um Donnie Darko. Olhando pelo lado bom, o filme pelo menos não tenta imitar o horroroso Número 23.

Faltou comentar que Ryan Reynalds como protagonista de um filme mais sério está bem, o que já é a sua melhor atuação até agora.

Nota: 6,0

Vestida para Casar


Katherine Hegel ficou conhecida através do sucesso Ligeiramente Grávidos. Em Vestida para Casar, ela não tem o ótimo Seth Rogen para ofuscar suas cenas. Nessa comédia romântica, a atriz é o carro chefe do desfile, o que não impede de dividir a tela com outros bons atores, como Edward Burns, James Marsden e Malin Akerman.

No filme, Hegel é uma mulher que já foi dama de honra 27 vezes. Apaixonada por seu chefe, ela acredita que chegou a sua vez de subir no altar. Os planos vão por água abaixo quando sua irmã chega de viagem e “rouba” a sua paixão.

É a clássica fórmula de filme para o público feminino. Final feliz? Óbvio. Até mesmo a seqüência musical não falta! E pode-se dizer que é uma das melhores cenas, ainda porque Bennie and the Jets de Elton John ajuda bastante. O nome da roteirista de O Diabo Veste Prada pode chamar a atenção no cartaz, mas as produções não são nada parecidas. O filme com Meryl Streep é excelente, este é bom.

Pronto, falei. Vestida para Casar é aquele filme bobinho que conquista. É difícil não gostar. Voltamos então para aquela velha história de que cinema é entretenimento, e exatamente por isso que o filme cumpre seu papel.

Nota: 7,4

Rocket Science


Os norte-americanos são obcecados por pessoas esquisitas. Basta assistir os inúmeros longas-metragens produzidos anualmente sobre seres desajustados. Será que todos que vivem no subúrbio são tão estranhos assim? Pois é, volta e meia encontra-se nas premiações filmes como esse, principalmente no Sundance – o festival alternativo mais conhecido. Rocket Science foi um dos vencedores desse festival no ano passado na categoria de melhor direção dramática.

O freak da vez é Hal Hefner, um garoto gago que vez de permanecer excluído em seu casulo decide dar a cara a tapa e participar de um concurso de debates na escola. O filme dialoga sobre o problema de fala e aborda como agir nas situações constrangedoras.

O diretor Jeffrey Blitz também escreveu e produziu o projeto. Ele sofre de gagueira e sua principal fonte para o roteiro foram as experiências de quando era adolescente. A escolha do até então desconhecido Reece Thompson para viver o protagonista não podia ser melhor. O jovem ator interpreta um papel difícil e por meio deste brilha do início ao fim, fixando a atenção para si e tomando conta da tela.

Rocket Science não apresenta muitas novidades. Além da gagueira, é basicamente um filme alternativo comum. Entre seus méritos, um deles é não abusar da esquisitice. Mas, o filme ganha mesmo é em carisma. A sensação que se tem é de que Hal faz amizade com a platéia e, através de belas tomadas, sem negar sua origem cult, o filme despreocupadamente cativa o público-alvo.

Nota: 7,5: Sem previsão de estréia nos cinemas brasileiros.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal


Só foi eu que percebi? Nas primeiras cenas de ação, Harrison Ford faz um esforço tremendo para convencer como um Indiana Jones sessentão. Bem que ele tenta ser ágil, a edição também procura dar aquela mascarada, mas não adianta, a lentidão predomina. E assim começa essa duvidosa experiência do retorno de um dos heróis icônicos do cinema.

O projeto não tem o melhor dos prólogos. A demora para esclarecer a sinopse principal deixa o público um pouco perdido. É com quase uma hora de duração que se tem uma visão geral sobre o que o filme trata. O lance das caveiras de cristal é bastante interessante, porém acaba saindo fora dos trilhos quando revela ser uma história de (pasmem!) alienígenas.

Bom, se você perdoar isso, continuamos nossa avaliação. Depois das cenas inicias em que Ford sai no braço com os bandidos, o personagem aparece raras vezes em perigo. As demais seqüências exigem pouco esforço físico do herói e o roteiro opta por dar espaço ao provável substituto de Harrison Ford: o atual queridinho da América, Shia LeBouf.

É dele a cena de maior adrenalina de toda aventura: seu personagem luta contra Cate Blanchett em cima de um jipe em movimento. Se por um lado LeBouf não compromete, o personagem de John Hurt é tão irritante que dá vontade que no meio daquela Amazônia surja uma Anaconda gigante para devorá-lo de uma vez!

Homenageando os originais, a belíssima fotografia envelhece a película e dá o clima dos filmes clássicos da década de 80. O que a produção não poupa são os efeitos especiais! A profusão digital é tanta que dificilmente você vai lembrar de alguma seqüência de ação do qual não foi preciso o uso de computação gráfica. Por mais bem feitos que sejam, esses artifícios ressaltam a pirotecnia e quebram o mergulho do espectador na magia do cinema. Algumas vezes são realmente incríveis, já outras são bastante artificiais.

Chegando agora ao grande vilão do filme: o roteiro. Não adianta que a maior falha do longa-metragem é a trama absurda e sem pé nem cabeça. O amontoado de recursos para entreter o público chega ao exagero. São formigas carnívoras, tribos escondidas em lugares secretos, travessias em cachoeiras, areias movediças, bombas atômicas (!), naves espaciais e por aí vai.

Se o filme vale o renascimento do herói? Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal não deixa de ser divertido. Faltou mesmo uma boa história. Da próxima vez também seria bom diminuir na dose de sensacionalismo. Já o crédito à Harrison Ford pode ser considerado garantido, porque quando a inconfundível trilha de John Williams ecoa na sala de exibição não tem como imaginar outro em seu lugar.

Nota: 6,8

Em Pé de Guerra


Quando a idéia é fraca, não adianta forçar a barra com uma longa duração. Em Pé de Guerra sabe que não é um Ligeiramente Grávidos e, exatamente por isso, aproveita para condensar o que a trama tem de melhor nos seus 80 minutos.

John Farley (Seann William Scott) é um bem-sucedido escritor de auto-ajuda. Entretanto ele levou um bom tempo para superar os abusos sofridos na época de colégio pelo professor Woodcock (Billy Bob Thornton). Ao visitar sua cidade-natal John descobre que sua mãe (Susan Sarandon) está prestes a se casar com Woodcock.

Tudo bem que a trama é uma bobagem: imediatamente após descobrir o caso da mãe, Farley parte para desmascarar o seu futuro padrasto. Você já deve imaginar as várias gafes pelas quais o personagem irá passar e, óbvio, ele vai se dar mal até conseguir provar que estava certo. Isso só no final.

Construído em cima de clichês, essa comédia só se salva pela presença dos três atores principais. É o tipo de filme para alugar quando não resta opção melhor. De qualquer maneira, dá para assistir sem se sentir ofendido.

Nota: 6,5

Jumper


É triste, mas Jumper morreu na praia. A ficção científica de Doug Liman nunca vai ser um filme memorável. Parece que o diretor deixou a preguiça tomar conta e entregou a obra de qualquer jeito. Cuida só a ótima premissa: jovem consegue se teletransportar para qualquer ponto do planeta. Ele passa a ser perseguido por uma organização secreta destinada a matá-lo.

A direção pura adrenalina empolga no início por conta das belas imagens, ótimos efeitos e um estilo videoclipe, o mesmo que deu certo em A Identidade Bourne e Sr. e Sra. Smith, outros títulos de Liman. Porém, o filme não consegue sustentar esse clima de aventura até o fim. Logo, a trama se perde.

Jumper resulta em um projeto perdido nas intenções. Até mesmo os bons atores são mal aproveitados. Faltou desenvolver o roteiro do segundo para o terceiro ato, percebe-se uma pressa imensa de terminar o projeto. Com menos de duas horas, os créditos sobem e a boa idéia fica pelo caminho.

Nota: 6,0

À Prova de Morte


O projeto Grindhouse da dupla Rodriguez e Tarantino não tinha como ser um sucesso. Os filmes são os menos populares de toda a carreira dos diretores. A homenagem à podreira saiu melhor no sensacional Planeta Terror, mas À Prova de Morte também possui seus atrativos.

O cultuado Quentin Tarantino apresenta seu quinto longa-metragem saboreando o máximo da cultura pop. Os diálogos aparentemente superficiais são recheados de referências ao universo singular do diretor. Outro elemento em cena bastante explorado são as mulheres, cuja sensualidade é vista em vários takes que valorizam as curvas das beldades.

Inevitavelmente, duas cenas destacam-se pela apresentação na tela: o acidente fatal na primeira hora do filme é tão cruel e impactante a ponto de deixar o público chocado. De forma inteligente, a cena repete quatro vezes para mostrar o destino de cada personagem. A segunda sequência memorável é a perseguição de pura adrenalina já perto do final, quando Tarantino reproduz uma cena do filme Vanishing Point.

À Prova de Morte é formado por várias outras cenas deliciosas, principalmente para quem entende de cinema. Os requebrados das atrizes, o culto à bebida, o personagem canastrão de Kurt Russell, a morte violenta de Rose McGowan, a participação especial do próprio diretor e a fotografia de cores vibrantes contribuem para a elobaração de uma película única. O que prejudica a obra é o excesso de diálogos. Apesar de alguns serem verdadeiras pérolas, outros são fúteis e descartáveis. Com um pacote mais enxuto, o produto seria um deleite para os fãs do diretor.

Ainda assim, Tarantino é Tarantino e a sessão de qualquer filme dele é praticamente um orgasmo.

Nota: 8,0

O Homem de Ferro


Quanto mais exploram os personagens da Marvel, mais escassa fica a fonte. Dela já saíram super-heróis como Homem-Aranha, X-Men, Hulk, Quarteto Fantástico e Motoqueiro Fantasma. O Homem de Ferro não é um dos mais populares, mas também não é desconhecido.

Ao iniciar a produção do que seria o primeiro grande filme da Marvel como estúdio independente, surgiu a óbvia questão sobre quem iria vestir a armadura do herói. Provavelmente os fãs não imaginaram Robert Downey Jr nesse papel. A inusitada aposta do estúdio revelou-se uma excelente escolha. O ator agarra com unhas e dentes o personagem e convence como o milionário Tony Stark. Aliás, Downey Jr retornou às produções cinematográficas melhor do que nunca. Depois de antecedentes com drogas, o astro deu a volta por cima e emplacou ótimas produções: Beijos e Tiros e Zodíaco – além dos anteriores Garotos Incríveis e Crimes de Um Detetive.

Os méritos de Homem de Ferro vão igualmente para o diretor Jon Favreau (Zathura). O cineasta dá o tom de realismo imprescindível para o projeto, dosando também a parte trágica da história com as cenas de ação.

O Homem de Ferro é um personagem por demais interessante. Tanto por ser um inventor de engenhocas e um playboy, como também pela sua trajetória de renascimento. Realmente, ninguém melhor para o papel do que Robert Downey Jr.

Não vou discutir a questão se a adaptação é fiel ao original porque nunca fui fã do personagem e não saberia identificar esses detalhes. Quanto ao elenco de apoio, Terrence Howard, Gwyneth Paltrow e Jeff Bridges mostram-se bem na tela, principalmente esse último. O vilão de Bridges é muito bem interpretado, pena que o roteiro não sabe trabalhar corretamente com a figura do Monge de Ferro.

Já que estamos falando do que deu errado, o desfecho da produção é atropelado, destoando do início cuja a narrativa é lenta. Os motivos do vilão tornam-se sem sentido e as cenas de ação com perfeitos efeitos visuais não conseguem o impacto pretendido. Em contrapartida, os segundos finais deixam o público mais que ansioso para a próxima aventura do herói. No total, é mais um ponto positivo para a Marvel. Uma provável série de filmes do Homem de Ferro há por vir.

Nota: 7,5

Maratona do Amor


Comédia romântica inglesa alavancada pela presença de Simon Pegg - a nova fábrica de risos inglesa. O ator descoberto em Todo Mundo Quase Morto, ainda participou de Planeta Terror, Missão Impossível 3, Terra dos Mortos e Chumbo Grosso para conseguir protagonizar este filme em que é o grande astro. A direção ficou a cargo do ex-Friend David Schwimmer.

Pegg interpreta Dennis, um cara gorducho que abandona a noiva grávida no dia do casamento. Cinco anos depois, ele tem certeza que aquela era a mulher da sua vida. Para reconquistá-la, ele quer vencer sua primeira maratona e com isso provar que o novo namorado da amada é o homem errado para ela.

Simpático e divertido, Maratona do Amor é uma comédia leve que agrada o público, mas não o leva à gargalhadas. O humor britânico presente do início ao fim passa por situações constrangedoras, o que é praticamente inevitável. Mesmo sendo um passatempo agradável, essa comédia não traz nada de novo, por isso, segundos depois você já esqueceu que o assistiu.

Nota: 6,8

Coisas que Perdemos Pelo Caminho


Halle Berry e Benicio del Toro estrelam esse longa-metragem que sequer foi lançado no circuito nacional. A produção do ano passado chegou direto em dvd sem causar nenhum barulho. Coisas que Perdemos pelo Caminho é o primeiro filme em solo norte-americano da dinamarquesa Susanne Bier (Brothers e Depois do Casamento).

O drama mostra como Audrey, mãe de dois filhos pequenos que tem o marido assassinado, procura superar a tragédia. Ela passa a dividir a casa com o melhor amigo do falecido e o ajuda no vício com as drogas. A convivência acaba sendo benéfica para ambos na hora em que enfrentam momentos difíceis.

Com essa trama previsível, o único alento é a atuação de Benecio del Toro. O estilo do ator cai como uma luva no personagem desajustado, na medida que ele parece ser exatamente igual na vida real. Já a vencedora do Oscar Halle Berry não compromete. Mesmo beirando o melodrama, a produção segura atenção e mascara suas fragilidades. Não chega a ter o caráter cult ou alternativo que as vezes ameaça tentar. O resultado é morno.

Nota: 7,0

Desejo e Reparação


Depois de adaptar brilhantemente Orgulho e Preconceito, Joe Wright assina a direção deste drama de época impecável. Mais uma vez, Wright transporta para a linguagem cinematográfica uma obra literária, no caso, o romance Reparação, de Ian McEwan.

A musa do diretor, Keira Knightley, retoma a parceria e faz par romântico com James McAvoy (O Último Rei da Escócio). No filme, a relação dos dois é posta em risco quando uma carta é enviada por engano e com ela, uma série de fatos mal explicados terminam contribuindo para que a desgraça do casal.

O novo trabalho do diretor consegue ser superior ao de sua estréia - o que transforma Desejo e Reparação em um dos filmes obrigatórios de 2007. O longa-metragem venceu o Globo de Ouro como Melhor Filme Drama e foi indicado a 7 Oscars.

Fora a badalação em volta do projeto, a produção conduz o espectador pelo universo de McEwan numa mistura de emoções, passando por várias décadas e linhas narrativas. Conta ainda com desempenhos super-competentes da nova geração de atores (Kiera, James McAvoy e da mocinha Saoirse Ronan) e uma fotografia e direção de arte deslumbrantes, ressaltadas cores intensas.

Desejo e Reparação é um passatempo de luxo e o mérito é todo de Joe Wright! Ele consegue construir um filme de época moderno, fazendo com que a trama situada na Inglaterra de 1935 seja atemporal. O tema pesado sobre culpa e arrependimento ganha fácil identificação e aposta em um desfecho coerente ao demonstrar que a redenção nem sempre é possível.

Nota: 9

Capítulo 27


Capítulo 27 é baseado em fatos reais e revela três dias determinantes na vida de Mark Chapman, o homem que assassinou o ícone dos Beatles, John Lennon. Para viver o protagonista, Jared Leto ganhou 32 quilos e adquiriu uma fisionomia idêntica ao do assassino. A dedicação ao papel pode ser identificada nas alterações de estado de espírito, no olhar psicótico e principalmente na voz fina e ameaçadora.

O projeto desde o início foi polêmico, a começar pelo tema. Um site de fãs do cantor tentou impedir o término das filmagens, alegando que a produção procurava amenizar a culpa de Chapman. Agora, após assistir o longa, pode-se dizer que o filme não julga os personagens, apenas faz um relato dos acontecimentos.

Infelizmente a abordagem sobre o criminoso não chega a lugar nenhum. O roteiro poderia ser resumido em uma linha: o cara acreditava estar possuído por Holden Caulfield, personagem de J.D.Sallinger em seu livro O Apanhador No Campo de Centeio. A partir daí, a minúscula trama vai sendo estendida ao máximo. Nada acontece, são diálogos sofríveis, nenhum clímax e para completar, Lindsay Lohan perdida em um papel inútil. Resultado: os 80 minutos parecem 2 horas de enfado.

Nota: 4

Obs: O título do longa faz uma alusão ao livro de J.D. Salinger, que possui 26 capítulos. O vigésimo-sétimo seria a história do atormentado assassino do ex-beatle.

Na Natureza Selvagem


A história real de Chris McCandless é retratada pelo olhar sensível de Sean Penn em Na Natureza Selvagem. O jovem de 23 anos interpretado por Emile Hirsh (ótimo) abandona a família e a sua boa condição social para viver como um andarilho, desprendendo-se do materialismo e com o objetivo de chegar ao Alaska. A viagem de Chris não inclui nada além de sua mochila, e assim ele vai pedindo carona, conseguindo uns bicos de trabalho e conhecendo pessoas pelo caminho.

Essa fantástica aventura serve como um alerta para a nossa sociedade consumista. Claro que Chris entrou de cabeça nessa idéia e passou dos limites. Porém, ele era um cara inteligente e determinado. Tudo o que ele passou certamente foi uma experiência incrível e é isso o que presenciamos durante o filme.

Sean Penn, pela quarta vez assumindo a direção de um longa-metragem, dá ritmo a narrativa que tinha tudo para ser uma monotonia. A direção equilibrada, com uma edição moderna, tanto de estilo como também nas idas e vindas no tempo, deixam o projeto bem redondo. A trilha sonora de extremo bom gosto encaixa-se perfeitamente com o contexto e foi escrita especialmente para o drama pelo vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder. Na Natureza Selvagem é emocionante, intenso, reflexivo e, como cinema, é tão completo como a trajetória de Chris.

Nota: 8

O Sobrevivente


O diretor alemão das obras-primas “Fitzcarraldo” e “O Enigma de Kaspar Hauser”, Werner Herzog, realiza seu primeiro filme hollywoodiano. O Sobrevivente é a história real sobre um piloto de guerra que em seu primeiro vôo cai em Laos durante a Guerra do Vietnã. Ele é capturado pelos inimigos, torturado e enviado para um campo de priosioneiros. Junto com os companheiros de “cela”, ele passa a planejar a sua fuga.

Christian Bale mais uma vez mergulha de cabeça ao interpretar um personagem. A entrega do ator chegou ao limite: ficou exposto à sanguessugas, comeu vermes e perdeu vários quilos. O cineasta não poupou Bale das piores cenas e, assim apresenta uma visão bastante real sobre o fato. As chocantes cenas de violência aumentam a tensão e proporcionam um thriller de guerra visceral.

Ironicamente, as duas horas que relatam meses de sofrimento do protagonista passam num instante e o filme faz seu registro sobre a luta pela sobrevivência com muita habilidade e força.

Nota: 8,0

Medo da Verdade


Ben Affleck não aparece na frente das câmeras em Medo da Verdade. O ator estréia na direção com essa adapatação do romance de Dennis Lehane, o mesmo que escreveu Sobre Meninos e Lobos. O trabalho de Aflleck é de um profissionalismo impecável, muito semelhante a direção segura de Clint Eastwood na outra adpatação do autor.

O protagonista do projeto é o irmão de Ben, o caçula Cassey Affleck, que já havia se destacado em O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford. Aqui, Cassey é um detetive particular que está investigando, junto com sua parceira e amante, o desaparecimento de uma criança.

O jovem ator não decepciona e mostra-se competente para segurar o projeto, mas quem se sobressai é Ed Harris. Com um estilo parecido com o de Viggo Mortensen em Senhores do Crime, o veterano esculpe um personagem singular, favorecido pela interpretação pontual. Outra atuação também vale o destaque: Amy Ryan apesar de aparecer pouco em cena, está realmente excelente como a mãe drogada da menina desaparecida e sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante é mais do que merecida. Para completar o elenco, Morgan Freeman em uma ponta de luxo.

Quanto ao mistério do sumiço da garotinha, o roteiro não perde o fôlego até a última cena quando é revelada a verdade. Consegue ainda aplicar reviravoltas e mudanças de percepção sem ofender o espectador. A trama interessante garante a atenção do público o tempo inteiro e Medo da Verdade revela-se um bom filme policial contemporrêneo.

Nota: 7,4

No Vale das Sombras


Após vencer o Oscar por Crash – No Limite, o diretor Paul Haggis decidiu tocar em um dos pontos fracos dos norte-americanos: a guerra no Iraque. Apesar de ser baseado em fatos reais, o roteiro de sua autoria valoriza os personagens, dando a amplidão adequada para cada um dos envolvidos no desaparecimento de um soldado que recém retornou aos Estados Unidos.

Tommy Lee Jones, indicado ao prêmio da Acadêmia esse ano, realiza um exercício de atuação com profundidade, equilibrando a amargura e a determinação incessante de esclarecer o caso. Dividindo a tela com ele, Charlize Theron surge um pouco apagada, mas ainda assim competente. O elenco de apoio conta com Susan Sarandon, James Franco e Josh Brolin.

O andamento calmo não cansa o espectador, só faz com que a produção adquira a densidade que a trama precisa, uma vez que o realismo e a honestidade são presentes durante toda investigação. A crítica fica por conta de uma cena com a bandeira dos Estados Unidos, onde cabe assistir o filme para descobrir. Bom entretenimento, bem realizado e com conteúdo.


(spoiler) O roteiro acaba indo além de apenas julgar o papel dos EUA na guerra, o projeto mostra como os soldados que voltaram do conflito chegam em seu país. O exército transforma as criaturas em monstros, destruindo seu psicológico através da crueldade e frieza pelo qual passam. Esse é um ponto muito interessante abordado em No Vale das Sombras. As feridas ficam abertas por mais tempo do que se imagina.

Nota: 7,5

Antes Só Do Que Mal Casado


Os diretores de Quem Vai Ficar com Mary? retomam a parceria com Ben Stiler nessa comédiia cujo próposito é apenas render boas risadas. Para variar um pouco, o astro interpreta um coitado azarado que não se dá bem com mulheres após o rompimento com sua noiva. Justamente no dia dos namorados, o cara encontra a garota perfeita e estando apaixonados, casam em seguida. Na lua-de-mel, Stiler descobre que a moça é bem diferente daquilo que ele imaginava.

Até aí, os irmãos Farrelly sabem desenvolver o filme de forma engraçada e com bom humor. Mesmo quando as piadas não tem graça, passam sem comprometer. Porém, na metade da sessão, com o personagem principal ainda na viagem de núpicias, ele acha aquela que seria a garota de seus sonhos. Então, a mulher infernal a qual ele se casou é deixada de lado, e com ela toda diversão. Começa outra parte, um romance bobinho que só é interessante nas cenas com a família da nova garota.

Antes Só Do Que Mal Casado diverte a platéia e esse é o seu objetivo. Quem mais aproveita o projeto é Ben Stiller que comprova seu carisma e talento. Assim, o filme garante algumas risadas e apesar de inconstante, é válido.


Nota: 7,0

O Orfanato


Assim como em A Espinha do Diabo e O Labirinto de Fauno, O Orfanato é uma espécie de conto de fadas para adultos, onde crianças inocentes são protagonistas de uma história de terror. Coincidência ou não, Guillermo del Toro produziu esse último filme e foi diretor dos dois inicialmente citados.

Para não estragar as surpresas, o que dá para saber da história é que Laura, junto com o marido, mudou-se para um casarão onde antigamente funcionava um orfanato - lugar este em que ela passou parte de sua infância, até ser adotada. Na nova casa, o filho do casal faz amigos imaginários, que estranhamente possuem os mesmos nomes dos amigos de Laura da época em que ela era criança e viveu na mansão.

Começa aí esse longa-metragem poderoso, no qual J.A Bayona estréia na direção com uma estrutura narrativa rara. O filme é um suspense à moda antiga, cujo ritmo lento ajuda a envolver o espectador e o deixa cada vez mais angustiado com o enredo.

Parecidíssimo com Os Outros tanto na forma em que é conduzido como também no roteiro centrado em uma figura feminina, a produção certamente vai agradar os fãs de mistério. O Orfanto é um conto macabro de trama inteligente e fascinante. Tomara que ele revitalize o gênero através da valorização das boas histórias de terror, sem apelar para mutilações e sustos fáceis.

Nota: 8,4

Jogos do Poder


Nas mãos de Mike Nichols (Closer), essa produção que poderia ser uma chatice torna-se um longa-metragem bem amarrado e interessante. Tom Hanks é um congressista “boa vida”, que só se mexe para estar acompanhado de mulheres bonitas e de um bom uísque. Junto com sua amante, uma socialite de Houston, e mais um agente da CIA, ele vai contribuir para a queda da União Soviética e o fim da Guerra Fria.

Esse não é um filme de heróis. Até porque a produção não julga os personagens, apenas tenta provar que não é tão difícil mudar o curso da História. O feito das três figuras centrais vai determinar, futuramente, a criação de grupos como o Taliban e Al-Qaeda, gerando o arrasador movimento terrorista.

Inspirado em uma história real, Jogos do Poder é bem contado, prende a atenção e discute fatos políticos que aconteceram e agora parecem esquecidos. É um resgate na história para entender como originou a guerra que hoje é praticada. As boas atuações do invejável elenco só tornam o projeto ainda melhor.

Nota: 8,0

Um Plano Brilhante

Essa produção modesta de suspense traz como atrativo os nomes de Michel Caine e Demi Moore no elenco. No filme, os dois são responsáveis por um engenhoso roubo de diamantes, que pretende não deixar pistas. Será que isso é possível?

A história passada em Londres, na década de 60, inicia quando um zelador e uma executiva injustiçada decidem “fazer a limpa” no cofre da empresa em que trabalham, a London Diamond Corporation. O plano simples reserva surpresas e envolve o público com uma trama curiosa.

O filme se assemelha à produções clássicas do gênero policial, principalmente pela reconstituição da época, que impossibilita o uso da avançada tecnologia atual. O roteiro é livremente inspirado em uma história real. Demi Moore sabe criar uma funcionária amargurada, contida e muito elegante, ao passo que Michael Caine discretamente valoriza seu personagem nos detalhes.

Um Plano Brilhante é entretenimento garantido que não requer reviravoltas e truques para torná-lo melhor.

Nota: 7,8

A Garota Ideal


Uma das melhores surpresas de 2007, Lars and the Real Girl é uma comédia dramática encantadora sobre um cara que se apaixona por uma boneca inflável. Sem cair no riso escrachado, o tema é tratado com seriedade, fortalecido pela atuação sensível do cada vez melhor Ryan Goslin.

O Lars do título não se recuperou de uma forte desilusão na adolescência, e por isso, vive isolado na garagem do irmão mais velho. O absurdo chega ao extremo no momento em que Lars confessa que quando alguém o toca é como sentisse uma dor profunda. A solução para seu caráter antisocial surge na forma de uma “companheira” por encomenda. Deixando de lado apologias sexuais, o filme não julga o protagonista, apenas deixa que ele acredite que Bianca, a boneca, é real.

O texto, indicado ao Oscar desse ano por Melhor Roteiro Original, é de uma vivacidade singular, trabalhando com questões inteligentes possibilitadas pela diferente idéia. A trama assinada por Nancy Oliver, que era do time de Alan Ball em Six Feet Under, cria uma trama de humor negro rica em analogias. O curioso é que a cidade inteira começa a tratar o estranho casal com normalidade.

Criativo e acima de tudo humano, Lars and the Real Girl faz o espectador acreditar nesse amor impossível. Uma fita fora do comum que funciona.


Nota: 8,4

Onde os Fracos Não Tem Vez


Não adianta que o meu gosto não bate com o dos irmãos Coen. Suas obras, na maioria, soam estranhas para mim. Isso aconteceu até mesmo com os cultuados Gosto de Sangue e Fargo. Já outros filmes como Ei, meu irmão, cadê você? e Matadores de Velhinhas não me convenceram do talento da dupla. O Amor Custa Caro é simpático, mas com doses de bizarrice e Barton Fink consegue enlouquecer o espectador. Não que sejam filmes ruins, nenhum deles é, mas após assisti-los não se sabe se o que foi visto é realmente bom.

Novamente, a sensação de desconforto paira ao final do maior sucesso, e provavelmente o melhor filme dos diretores, Onde os Fracos Não tem Vez. A caçada do assassino indestrutível pelo caubói que acha uma maleta de dinheiro é tensa e emocionante. A direção impecável sabe contar a trama pesada com a densidade exata para o contexto, aproveitando para realizar tomadas sem pressa que valorizam as emoções e a interpretação dos atores.


Tão bem construída quanto a premiada personificação de Javier Barden, a atuação de Josh Brolin é de igual impacto, rivalizando com o seu antagonista sem medo. A força desses dois homens na tela é tanta que seguram sufocantemente o longa-metragem até o desfecho. Barden, em uma atuação poderosa, representa o mal enraizado na nossa sociedade. E é essa a idéia principal, tanto do texto original baseado no livro de Comarc McCarthy como do longa-metragem: uma análise sobre a violência contemporânea. Por isso, aquele final em aberto que deixa claro a proposta do projeto.

Foi aí a falha dos Coen, que preocupados demais na recuperação da maleta cheia da grana, esqueceram de desenvolver nas duas horas de filme a crítica social que querem que o espectador engula na última cena. Assim, o público se sente traído com o corte na narrativa linear e o estrago feito na conclusão.

Onde os Fracos Não Tem Vez não quer ser apenas um filme de ação, ele quer que o espectador questione - apesar de não explicar o suficiente e deixar elementos vagos.

Nota: 7,6

Across the Universe

Tudo indica que os musicais voltaram para ficar. Depois da retomada com Moulin Rouge, o gênero ganhou um novo fôlego, e ano passado chegaram três longas imperdíveis que não abrem mão da cantoria: Hairspray, Sweeney Todd e este Across the Universe.

Falando desse último, o projeto é uma grande homenagem aos Beatles, já que todas as músicas interpretadas pelos atores são do grupo de rock britânico. Imagine declararações de amor ao som de Something? Protestos de guerra com Let it Be? Psicodelia com I Am The Walrus? Simplesmente incrível.

Para dar vida a um projeto bem especial, a produção focou a história nos 60 e 70, com a explosão da guerra do Vietnã e a força do movimento hippie, aproveitando também para contextualizar a época em que as canções foram criadas e faziam efeito. Não é por coincidência que que os protagonistas se chamam Jude e Lucy.

Como entretenimento, o filme possui altos e baixos. A diretora Julie Taymor utiliza em várias ocasiões elementos multicoloridos, quase alucinógenos, criando videoclipes de cada canção. Ao ser um furação de imagens, a excitação presente durante toda exibição é extremamente prazerosa.

Uma pena é o índice relevante de sequencias desnecessárias. São cenas sem propósito ou estensas demais, que se tornam cansativas para o público, dando a impressão que foram desculpas só para acrescentar tal música ao filme.

De qualquer maneira, vale deixar de lado esse pequeno incômodo e relaxar junto com Across the Universe. Para compravar como todos se renderam ao encanto do longa, Paul McCartney ao final da sessão declarou: “O que há para não se gostar?”. Se é ele que tá falando, quem sou eu para discordar. Imprescindível.


Nota: 8,0

Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada

Dan Burns é um viúvo com três filhas. Há quatro anos, desde o acontecimento trágico com sua esposa, ele não demonstra interesse por mulheres, até o momento que uma estranha o aborda em uma livraria. Parece paixão à primeira vista. Os dois possuem uma química imediata e prometem manter contato. Quando chega em casa, descobre que a primeira pessoa que despertou o seu interesse depois de todo esse tempo é a namorada de seu irmão.

Assim começa “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada”, a mais recente comédia de Steve Carrell, astro de O Virgem de 40 Anos. O título cômico engana os afobados porque o longa-metragem está mais para comédia dramática do que aquela estilo “pastelão”. São poucos momentos engraçados e quando surgem tornam a sessão bem mais leve.

Ironicamente, a produção transmite uma melancolia incomum para esse tipo de filme, o que deixa ainda mais interessante a maneira como Dan lida com esse primeiro amor após trauma. O cara permanece amargurado, procurando evitar até mesmo que suas filhas se apaixonem. Porém quando Juliette Binoche aparece em sua vida, é como se uma paixão louca nascesse repentinamente e ele não pudesse externá-la.

O projeto não foge da tradicional história do amor proibido e talvez isso transpareça uma sensação de realidade. Bons desempenhos da dupla principal fortalecem o todo e o filme termina como um passatempo bastante agradável.

Nota: 7,5

Nova crítica de Sweeney Todd

Decidi redigir outra crítica para o filme "Sweeney Todd”, já que assisti outra vez o longa-metragem. Na segunda sessão, com o intervalo de 3 dias da primeira, mudei minha opinião. Sabia que no primeiro momento, tinha assistido o projeto em uma situação desconfortável, por isso resolvi testar o filme novamente.

O resultado foi como eu esperava: achei muito melhor. Até porque já estava familiarizado com as músicas (algo que contruibui bastante). Pude apreciar mais as interpretações e a direção de arte. Até saber o final surpreeendente não diminuiu o choque.

Algo que não falei na crítica e vale comentar, foi a péssima escolha do casal jovem da produção. Os dois atores dos quais não sei o nome não apresentam emoção alguma, prejudicando que o público se envolva e torça pelos personagens.

Para ler a crítica reformulada desça a barra de rolagem ou vá no banco de críticas.


OBS: O texto antigo foi apagado.

Garçonete

É um prazer assistir filmes como Garçonete - comédia dramática que foge dos padrões. No filme, Jenna (Keri Russell) é uma garota bonita e inteligente, porém perdeu todo seu ânimo ao viver infurnada em uma lanchonete de beira de estrada e sufocada pela presença do marido Earl, possessivo e dominador. Logo no início do filme, ela descobre que está grávida, e essa criança significa mudança em sua vida: quer largar o marido e abrir seu próprio estabelecimento, onde poderá produzir as suas deliciosas tortas.

Com uma leve raiz nas produções alternativas, o filme não tenta a sorte em uma narrativa simples. O roteiro é mais profundo do que aparenta, sabendo equilibrar ironia e charme. A estréia de Adrienne Shelly na direção é um achado (pena que ela morreu antes da estréia do projeto). Seu texto divertido e esperto dá um dinamismo incomum: Jenna dá nomes bizarros para cada torta que inventa, como: “Eu não quero o bebê do Earl”!

Mais que um passatempo descartável, Garçonete conversa com o espectador sobre a importância do ser humano ter força de vontade e critica o comodismo cada vez mais frequente na sociedade. O longa-metragem, além de hiper simpático, é um programa com um sabor diferente e com uma linda lição ao final. Sem muita atenção, é um filme que pode passar despercebido na hora de escolher entre os inúmeros títulos na prateleira da locadora. Se não criar muita expectativa, vale a pena experimentar.

Nota: 8,2

Um Beijo Roubado

O título original desse longa-metragem é mais coerente do que o lugar-comum Um Beijo Roubado. Para quem não sabe o que é blueberry, a palavra significa mirtilo. Piorou? Mirtilo é uma fruta originária da América do Norte, menor que uma uva e parecida com o acará. No filme, a personagem de Norah Jones saboreia as tortas de mirtilo que ninguém pede no café que Jude Law possui.

Os dois se conhecem por acaso, nesse estabelicimento, quando ela descobre a traição do namorado e precisa de alguém para conversar. Em seguida, empanturrada de torta, ela adormece. No dia seguinte, decide mudar de vida e parte em uma jornada para o interior dos Estados Unidos, fugindo de Nova York. Pelo caminho, ela escreve cartas para o “amigo” do bar e encontra pessoas que também estão perdidas.

Escrito e dirigido pelo chinês do momento, Wong Kar-Wai (Amor à Flor da Pele), o projeto criou uma expectativa imensa tanto pelo nome do diretor quanto pelo elenco. O argumento interessante acaba naufragando em uma trama irregular, que favorece as histórias secundárias e diminui a principal. Falta impacto e sentimento na tela. A tão comentada atuação de Norah Jones deixa a desejar. Sua interpretação sem verve é prejudicada pela personagem de intensidade fraca.

O filme abriu o Festival de Cannes no ano passado e não empolgou. Ao todo, não é uma obra sofrível. A maravilhosa fotografia e o time de apoio com Jude Law, Natalie Portman, Rachel Weiz e David Strathairn ajudam a melhorar o resultado. Porém, ainda assim, Um Beijo Roubado é decepcionante.


Nota: 5,0

O Diário de Uma Babá

Scarlett Johansson não tira folga entre um projeto e outro. Em seis anos, após o seu estrelato em 2003 com Encontros e Desencontros, a atriz não parou um segundo: são doze filmes de lá pra cá, ou seja, dois por ano. Em seu mais recente longa-metragem, ela interpreta uma babá e, como você pode estar pensado, e até um dos personagens diz no filme, “Isso não é meio pornô?”. De imediato pode até parecer: a gatíssima atriz vestida naqueles uniformes justinhos e... pode parando por aí. O Diário de Uma Babá é sessão da tarde, classificação livre. Portanto, nada disso.

No filme, Annie (Johansson) recém se formou em antropologia e decide mudar-se de Nova Jersey para a cidade grande, Nova York. Sem saber o que quer da vida, ela aceita a primeira oportunidade que bate a sua porta, a da de trabalhar como babá do filho pequeno de uma socialite. Claro que a garota se encanta com a criança, porém não será fácil lidar com a megera patroa. Ainda na mistura, soma-se o pai ausente e infiel e um estudante de Direito cheio da grana apaixonado pela protagonista. Annie vai passar por vários dilemas e assim, tentar descobrir quem ela é e o quer fazer da vida.

Bem bonitinho, o filme é a clássica comédia romântica que ainda funciona. Scarlett tem carisma e Laura Linney dá um show como a perua insensível. Vale descartar as metáforas bobas que Annie faz com antropologia. Do resto, se você procura um filme com final feliz, já achou. Tem vezes que o público não está com vontade de assistir um longa pesado e procura uma diversão tranqüila. O Diário de Uma Babá é ideal para esses dias.


Nota: 7,0

Juno


Diablo Cody está em alta após o fenômeno inesperado de Juno (mais ainda com o Oscar de Melhor Roteiro Original). Porém, é inegável que o sucesso do filme deve-se muito ao seu brilhante roteiro. A realidade nunca foi tão bem retratada em uma comédia adolescente, se bem que não é tão adolescente assim.

Juno é uma garota de 16 anos que fica grávida na primeira transa - logo de seu melhor amigo. Sem desespero e choradeira, ela trata de resolver a situação conseguindo um casal para adoção do bebê. É essa a sinopse do projeto. Simples assim, e é exatamente por ser uma história tão batida, que o filme merece o reconhecimento que teve. Cody conseguiu segurar o longa-metragem em um fiapo de trama e dar originalidade a algo tão clichê.

O melhor de Juno são os diálogos, construídos com perfeição para os carismáticos e atípicos personagens. O pai de Juno e sua madrasta tratam com certa naturalidade a situação, enquanto o amigo e pai da criança é um nerd desajustado que não sabe o que fazer após receber a notícia. Até mesmo a protagonista não é certinha e digna de pena. É alguém que parece real, que oscila de personalidade porque ainda não descobriu que tipo de pessoa é.

O painel das relações humanas do filme é riquíssimo. Além de Juno e seu “ficante”, os pais adotivos vividos por Jason Bateman e Jennifer Garner são figuras muito interessantes, tratadas com sensibilidade, e que sabem lidar com seus desejos fugindo do óbvio.

Apesar do tema universal, o diretor Jason Reitman dá um caráter indie e classifica a produção no estilo alternativo. Em qual filme você vê uma grávida chamando seu filho de “coisa” e querendo se livrar dele? São nas sutilezas do texto e nas interpretações fantásticas de todo elenco, principalmente Ellen Page no papel título, que fazem desse filme um passatempo obrigatório.

Nota: 8,5

O Clube de Leitura de Jane Austen


Jane Austen é tão moderna assim? Essa é a primeira pergunta que vem a mente quando se assiste O Clube de Leitura de Jane Austen. O filme procura provar que os livros da autora, lançados em 1800, tratam sobre as mesmas complicações vividas hoje nos relacionamentos amorosos.

A roteirista Robin Swicord estréia na direção em um filme com elenco repleto de atores conhecidos do púbico. São eles: Kathy Baker, Maria Bello, Emily Blunt, Maggie Grace e Kevin Zegers. O centro da história é o tal “clube”, onde cinco mulheres e um homem se reúnem para discutir as obras da clássica escritora. Cada um dos participantes passa a refletir sobre as histórias dos livros e assim, conseguem solucionar problemas através dessas lições.

Para quem não leu nada de Jane Austen provavelmente perderá boa parte dos diálogos. Durante as reuniões, os protagonistas discutem sobre as decisões dos personagens dos livros, o que acaba dificultando um aproveitamento completo para os espectadores alheios ao assunto. Claro que isso não impede a compreensão do importante da trama.

As pequenas histórias individuais dos integrantes do “clube” são prejudicadas pelo grande número de personagens, tornando-as superficiais. Na maioria, são clichês e previsíveis. Esse não é um projeto com muito a acrescentar. Será mais um filme passageiro que amanhã você já esqueceu, o que pode torná-lo especial é se você posteriormente decidir ler um dos livros de Jane Austen. Vontade dá. Já é alguma coisa.

Nota: 6,0

Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet


Chegando à sexta parceria entre Tim Burton e Johnny Depp, Sweeney Todd consagrada a dupla como a união perfeita entre diretor e ator. Adaptação do musical da Broadway, o longa-metragem permanece com as cantorias e não censura a violência. Sangue em espasmos cavalares valorizam a trajetória vingativa do icônico personagem.

Depp é Bejamin Barker, barbeiro injustiçado que perde a mulher e a filha para o inescrupuloso juiz Turpin. Após temporada preso, Barker retorna repleto de ódio como Todd, e ao lado da sra. Lovett investe em um plano de vingança .

Respirando uma atmosfera sombria, o filme, assim como os demais do diretor, não poupa esforços para deslumbrar o público com uma Londres vitoriana decadente. A história clássica da produção encaixa-se magistralmente com o estilo de Burton, e para os que não a conhecem, é difícil desgostar roteiro. Envolvente e excitante, a trama é uma saga sangrenta e bem orquestrada.

O desequilíbrio aparente está ligado às canções, que em alguns momentos atrapalham a narrativa, sendo extrensas ou inoportunas, cortando a emoção das cenas. Do resto, o musical gótico não poderia ser melhor. Johnny Depp é fantástico como o barbeiro demoníaco e Helena Broham Carter consegue se ajustar como a louca sra. Lovett. Já Sacha Baron Coen, mais conhecido como Borat, está divertidíssimo em uma ponta de impacto.

Algumas sequencias são realmente deslumbrantes: os atores respiram os personagens, os cenários são fantásticos e as músicas empolgantes traduzem os sentimentos dos protagonistas sem precisar de coreografias. Sweeney Todd é excelente, se fosse pequenos detalhes, seria mais uma obra-prima do diretor.

Nota: 8,4

Eu e as Mulheres


Em Eu e as Mulheres, não há nada de novo. É a mesmice das comédias românticas encenada mais uma vez. O acúmulo de clichês é interminável, começando pela história batida: jovem roteirista leva fora da namorada e decide visitar sua avó doente em uma cidade do interior. Lá, ele faz amizade com a vizinha da casa da frente e suas duas filhas; e a partir daí mistura amor, compaixão e amizade, sem saber lidar com seus sentimentos e com as mulheres que aparecem em sua vida.

Adam Brody repete o personagem da série The OC, sendo incomodativo com personagem fútil e bobo. Meg Ryan, sem filmar há 3 anos, faz uma ponta forçada e insossa. Quem se salva é a gata Kristen Stewart, que já deve ser alertada por repertir demais o papel de adolescente rebelde.

Com todos esses defeitos, o longa-metragem escorrega feio no roteiro, sendo previsível, babaca e sem atrativos, não agradando nem como comédia romântica nem como drama. O pior é que não chega a ser, no mínimo, simpático. É tédio mesmo.

Nota: 3

Viagem a Darjeeling

Wes Anderson é como um ícone do cinema indie popular. O cara reúne um time de astros para cada um de seus filmes e utiliza a mesma identidade visual em todos eles. Algum problema nisso? Nenhum. É mais um dos motivos para considerá-lo um gênio. Pode ser exagero, mas é fato que não há experiência parecida como a de assistir um de seus projetos.

Dessa vez, o tema é o reencontro de três irmãos - afastados por mais de um ano após a morte do pai. O mais velho decide organizar uma jornada espiritual, tanto para uni-los como também para visitar a mãe que entrou em parafuso e decidiu virar freira na Índia. Por isso, os protagonistas embarcam em uma espécie de Expresso do Oriente, chamado de The Darjelling Limited (título original do longa). Enquanto o trem percorre cidades turísticas, os três homens desajustados irão aprender a conviver novamente juntos.

Pode ir esquecendo as seqüências emocionantes e melosas de reconciliação. Aqui as expectativas são quebradas na cena seguinte e a falta de ritmo não cria nenhum clímax. O cinema do diretor é diferente mesmo e o que há de excêntrico é visto na tela. A exuberância de cores característica de seus trabalhos é reinventada com os tons multicoloridos e vibrantes do exótico país.

Para os espectadores ainda não familiarizados com o ambiente, o indicado é evitar a procura pelo propósito de cada elemento, e sim valorizar o conjunto do passeio. São belas imagens, uma trilha sonora bacana, atores divertidos (destaque para Adrien Brody) e as cenas em slow-motion que intensificam a dramaticidade e a estética. O roteiro não é um dos mais inspirados de Anderson, só que mesmo assim significa um entretenimento acima da média.

Nota: 7,5

O Caçador de Pipas

Adaptação de um fenômeno literário, O Caçador de Pipas mantêm-se fiel à obra original, sem abrir mão de ser falado em uma das línguas do Afeganistão, o dari. Apesar de terem filmado em paisagens desoladas da China, essas locações substituíram primorosamente a capital Cabul, dando uma veracidade impressionante à produção e não evoca o caráter hollywoodiano da qual pertence.

A história inicia no fim dos anos 70, com a relação entre Amir e Hassan, dois amigos que vivem sob o teto do pai do primeiro. Hassan é filho do empregado da casa e também é hazara, etnia considerada inferior no país. Os dois participam dos torneios de pipas, até a chegada do regime Talibã e o fim de toda diversão. A situação muda quando um ato de traição abala a amizade.

O diretor Marc Foster atua com sensibilidade no desenrolar da trama, assim como fez no filme Em Busca da Terra do Nunca. A fidelidade com o livro é grande. Os atores mirins apresentam desempenhos que tornam o longa mais comovente. Um bom filme para quem leu o livro – e melhor ainda para quem não leu.

Nota: 7,8

O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford


O título imenso que de imediato revela o final do projeto representa, na verdade, toda a complexidade da produção. É de conhecimento (quase) geral, que Jesse James foi um dos mais carismáticos bandidos dos Estados Unidos - isso no século 19, quando a personalidade chegou a virar herói dos quadrinhos.

No filme, a figura do assaltante acaba ficando para segundo plano, apagada pela presença infinatamente mais interessante de seu assassino e do que o levou a cometer o crime. O Jesse James de Brad Pitt é bem interpretado: ameaçador quando está no bando e frágil perante a família. Pena que se tem uma visão superficial do protagonista, porque o grande astro é Robert Ford, vivido na tela por Cassey Affleck. O instável personagem domina o filme e deixa o espectador fascinado com sua discutível coragem. O trabalho de Affleck é superior ao do galã e por ironia a Academia e as demais premiações classificaram-no como Ator Coadjuvante.

Não se pode deixar de comentar a exuberante fotografia, onde as cenas são de uma beleza estética deslumbrante. O ponto fraco é a duração: 160 minutos. Mesmo com a trama lenta e demorada, o filme será recompensador para aqueles que chegarem a presenciar o assassinato.

Nota: 7,9

Candy


Dan e Candy estão viciados um no outro, e também, na heróina. Essa é a história de um amor louco, inconsequente e sem limites. Mesmo com muitas razões para repudiá-lo, o casal de junkies totalmente desregrado consegue transmitir empatia em um relato honesto. Heath Ledger e Abbie Cornish mostram desempenhos fortes o suficiente para carregarem o longa-metragem. O que gera desconforto são os clichês e a falta de entusiasmo.

Perdidas no meio do projeto, duas cenas fantásticas: a sensacional abertura do filme quando Dan e Candy entram numa centrífuga humana em um parque de diversões e quando Dan encontra as paredes de sua casa pintadas com um texto de Candy.

O título Candy refere-se tanto ao nome da personagem de Abbie como também faz alusão as drogas (candy = doce). O filme é baseado no romance de Luke Davies, lançado em 1997.


Nota: 6,2