Apenas Uma Vez


Essa pérola ficou apagada entre os filmes com mega astros na última cerimônia do Oscar. Não estou cogitando sua premiação nas principais categorias, até porque a produção foi indicada naquela que merecia e foi vitoriosa. A música “Falling Slowly” venceu como Melhor Canção e é tão encantadora quanto o filme.

Apenas Uma Vez é quase um musical. As músicas são apresentadas por inteiro, sendo tocadas e cantadas por mais de 4 minutos sem interrupção. Em uma cena, a atriz Markéta Irglová caminha pela rua cantando sem vergonha nenhuma, exatamente como um filme do gênero. Essa mistura entre filme dramático e musical dá origem a um projeto independente e imperdível.

O que move a trama é a relação, totalmente por acaso, de um músico de rua com uma jovem mãe solteira. A simpática narrativa contém figuras comuns, que lutam para que seus sonhos sobrevivam e, quem sabe um dia, se tornem realidade. Essa banalidade se aproximando cai por terra quando o roteiro discuste sobre as escolhas de seus personagens e de como definimos nossas vidas. O título fala justamente sobre as experiências que optamos seguir ou esquecer pelo caminho. A cena final é tão poética e triste que parte o coração dos que vêem a vida de forma mais romântica.

Nota: 8,0

Os Indomáveis


Quem diria que em plenos anos 2000 o diretor de Garota, Interrompida iria surpreender o mundo com um faroeste digno dos áureos tempos do gênero. Tudo bem o projeto é uma refilmagem de Galente e Sanguinário, de 1957, mas a produção é tão fiel a construção desses clássicos que consegue funcionar hoje como poucos filmes de aventura possuem competência.

Ben Wade, um perigoso líder de gangue (Crowe), é capturado e levado por um grupo a uma cidade distante, onde será embarcado em um trem rumo ao seu enforcamento. O trajeto aparetemente simples revela-se cheio de obstáculos e o cerco vai se fechando até o combate final na estação ferroviária.

Apesar da alegoria de ação, a trama revela-se um drama emocionante em que as figuras tão opostas do mocinho e do bandido misturam-se, e cada um encontra em seu oponente admiração. É impossível desgrudar da tela quando os dois astros dividem a cena em um poderoso duelo de personalidades. O resultado é um filme enérgico intercalado com um bangue-bangue de primeira.

Nota: 8,0

Kung Fu Panda


Promovendo há mais de um ano a animação Kung Fu Panda, a Dreamworks atingiu o seu objetivo nas bilheterias. A produção rendeu mais de 200 milhões de dólares somente em território norte-americano e, claro, caiu no gosto da criançada. Isso mesmo, da criançada, porque o público mais velho, que está voltando a assistir desenhos animados após os filmes nada infantis da Pixar, acaba se decepcionando.

O melhor de Kung Fu Panda é a sua inquestionável qualidade técnica. A animação bebe na fonte do desenho mais clássico, não tão aparentemente computadorizado, onde ganha ares modernos quando utiliza “movimentos de câmera” impressionantes, como nas seqüências de luta extremamente rápidas, e ainda assim, fáceis de acompanhar. Por se passar na China, a cultura oriental é explorada do início ao fim, porém, sempre evidenciando o cuidado com os perfeitos detalhes de recriação - um trabalho deslumbrante.

O único pecado do longa-metragem é ser mais direcionado as crianças – o que pode ser comprovado no roteiro previsível que lembra um conto de fadas. Pecado para nós, adultos, apreciadores de cinema e que estamos mal acostumados com os excelentes filmes do estúdio concorrente. De qualquer forma, Kung Fu Panda é divertido, possui poucas, mas ótimas tiradas e se você mantém aquele espírito de criança, não vai se arrepender.

Nota: 6,5

A Família Savage


Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro, A Família Savage é bastante original porque aborda um tema até então pouco visto no cinemão de Hollywood. Sendo um drama bem intimista, encabeçado por dois ótimos atores (Laura Linney e Phillip Seymor Hoffman), a produção foge do comum ao relatar de forma bastante real a experiência de dois irmãos com o pai sofrendo de demência.

Quando o velho escreve na parede com o seu próprio cocô, percebe-se que a situação é agravante. Wendy Savage (Linney) fica extremamente culpada por deixá-lo em um asilo e torna-se obcecada em procurar casas de reabilitação cada vez melhores. Enquanto isso, seu irmão Jon (Hoffman) quer livrar-se o mais rápido das obrigações com o pai e seguir sua rotina de trabalho e lazer.

O drama cutuca o público ao mostrar que os pais acabam se tornando um fardo no final de suas vidas. O peso de largá-los em uma clínica ou de vê-los em estados deploráveis são questões trabalhadas no roteiro. A Família Savege é um filme triste, bonito e seus maiores simpatizantes devem ser aqueles que estão passando por situações parecidas.

Nota: 7,4

Efeito Dominó


A história real desse impressionante caso de assalto na década de 70 é o conteúdo perfeito para render um filme de ação acima da média, e é exatamente isso que Efeito Dominó consegue.

O grande roubo é planejado por um grupo de ladrões trambiqueiros que pretende saquear o banco Baker Street, em Londres, no final de semana da troca do sistema de alarme. A grande surpresa da trama aparece quando os policias e a mídia descobrem o assalto e acabam acobertando o golpe porque fotos incriminadoras da família real estavam no cofre e ameaçam vir à tona. O episódio também ficou conhecido como “o caso do walk talk”, algo que somente vendo o filme para entender.

A linguagem acelerada cai como uma luva, entrelaçando as muitas tramas paralelas e nunca deixando o interesse do espectador diminuir. O estilão lembra Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, só que mais comercial – o que não impede de ser elegante e muito divertido. A produção é um entretenimento adulto, com o típico charme inglês e tensão no ponto. Efeito Dominó é um dos melhores filmes de assalto a banco já feitos.

Nota: 8,0

Batman - O Cavaleiro das Trevas


O Cavaleiro das Trevas é para Batman Begins(2005) o que Batman – O Retorno(1992) é para Batman (1989). A evolução do primeiro para o segundo filme nas duas séries do herói é impressionante.

Tim Burton dá nova cara para as aventuras do personagem com a inclusão de vilões perfeitos, como a Mulher Gato e o Pingüim, e ainda traz um visual fantástico. Christopher Nolan eleva os filmes baseados em histórias em quadrinhos para produções complexas, no nível de Seven, cuja raiz do mal é um serial killer esperto e implacável.

Se não fosse a presença do Homem Morcego, certamente, O Cavaleiro das Trevas estaria na prateleira como um filme policial bastante realista. A tese defendida pelo Coringa é atual e bem elaborada. O roteiro consegue valorizar os vários personagens, tornando-os úteis para esse quebra-cabeça minuciosamente arquitetado.

Falando no grande astro do projeto, Heath Ledger literalmente na pele do Coringa, toma conta da produção e ofusca o protagonista do título. Sua versão insana de um dos maiores vilões das HQs é brilhantemente interpretada e fortificada pela construção de um personagem rico em conteúdo. Como é de conhecimento geral, Ledger faleceu em janeiro desse ano, no auge de sua carreira, sendo considerado um novo mito do cinema. A mobilização dos fãs do filme e do ator pode garantir uma indicação na próxima festa do Oscar. Bem provável, e merecido.

O outro vilão do projeto, Aaron Eckhart como Duas Caras, mostra-se competente na figura trágica do promotor Harvey Dent. A trama envolvendo seu personagem poderia atrapalhar a história, já que o antagonista do Batman nesse filme é o Coringa. Em vez disso, ele acrescenta densidade importantíssima para a narrativa, comprovando que não importa o número linhas de desenvolvimento em uma produção, porque o que vale mesmo é saber trabalhar com todos esses elementos de forma harmoniosa no roteiro.

Uma diferença visível logo na primeira cena de O Cavaleiro das Trevas, é o início “adrenalinesco”, com aventura de entrada seguindo até o término no mesmo ritmo. Não há cuidado em mostrar um prólogo (vide Batman Begins) e nem o que aconteceu com os personagens do primeiro para o segundo filme, já que isso, na verdade, não precisa. Uma escolha pouco comum e muito bem acertada.

Com mais de duas horas e meia, o espectador não sente o peso da extensa duração. É, no mínimo, inusitado perceber que um dos melhores filmes do ano é uma aventura de super herói. O tom realista do projeto esconde esse personagem cartunesco e procura descartar o que Batman Begins tinha de absurdo, deixando em cena somente fatos que sejam realmente possíveis. O único momento em que a trama destoa da realidade é quando Bruce Wayne utiliza celulares com uma tecnologia avançada para poder enxergar imagens de lugares onde não está. O ato incomoda imensamente porque destoa do andamento excepcional visto até ali.

Quanto ao resto, o filme não poderia ser melhor. Christian Bale e o estelar elenco de apoio, como Gary Oldman, Maggie Gyllenhaal, Morgan Freeman e Michael Caine, sentem-se em casa. Em um nível superior, o diretor orquestra com um domínio invejável essa peça fascinante sobre a maldade humana, comprovando definitivamente que o Homem Morcego não é sinônimo de filme de super herói, é muito mais que isso.

Nota: 8,0

O Nevoeiro


Após ser adiado diversas vezes, O Nevoeiro chega ao Brasil no final de agosto – quase um ano depois de seu lançamento oficial nos Estados Unidos. Tido como mais um filme de terror, o longa-metragem deve acabar tomando o mesmo caminho do primeiro Jogos Mortais, que sofreu imenso atraso, teve mínima divulgação, ganhou poucas cópias no país e conseguiu dentro dessas limitações um ótimo público nas salas de cinema.

Talvez O Nevoeiro não seja tão influente para originar uma série de filmes como o terror pornográfico de 2004, mas sem dúvida, é revolucionário no gênero. São filmes como esse que elevam o conceito de entretenimento do medo a verdadeiras obras-primas.

Em uma cidade do interior dos EUA, um grupo de moradores fica ilhado no supermercado quando um forte nevoeiro trás consigo criaturas sanguinárias. Foi justamente essa história de Stephen King que o diretor Frank Darabont, de Um Sonho de Liberdade e À Espera de Um Milagre, decidiu adaptar após seus sucessos anteriores.

O longa-metragem é um brilhante exercício de como contar uma história. Mesmo com a trama de monstros, são trabalhadas questões relevantes como a luta pela sobrevivência e o fanatismo religioso, este último personificado pela ótima atuação de Márcia Gay Harden. Outro mérito do projeto é o clima sufocante de tensão. O Nevoeiro é, como poucos filmes conseguem, de deixar o espectador roendo as unhas do início ao fim.

As criaturas surgem em forma de insetos, aranhas, monstros voadores e outros repletos de tentáculos. Por vezes os efeitos são perfeitos, já em alguns momentos parecem um pouco computadorizados – ainda assim, não é nada que interfira no andamento do filme. Vale lembrar que existe outra produção com nome parecedo: o terrível A Névoa, de 2005. Não confunda!

Os fãs de suspense e terror podem respirar aliviados! Frank Darabont trouxe um filme que mistura essas características de forma crível e inteligente, fazendo juz ao conto do mestre Stephen King. Feito raro no cinema! A ameaça de lidar com o desconhecido não é só sentida pelas pessoas acuadas no supermercado, o espectador do outro lado da tela sente o mesmo desespero daqueles que estão frente a frente com a morte.

Nota: 9

Fim dos Tempos


O indiano que já dominou as bilheterias do mundo inteiro erra a mão em seu mais novo projeto. Se em Dama da Água, M. Night Shyamalan já não tinha se saído tão bem, em Fim dos Tempos o fracasso só não é retumbante devido ao roteiro. No longa de 2006, a história não convenceu o público e os críticos, porém era amenizada com o estilo elegante e a direção segura do cineasta. Dessa vez, inverte-se a situação: os quesitos técnicos deixam muito a desejar enquanto a trama mostra-se interessante.

Para evitar os tradicionais spoilers que sempre vazam quando o nome do diretor está envolvido, vale a pena apenas saber que uma onda de suicídios inicia na costa leste dos Estados Unidos e espalha-se pelo país. A busca pelas explicações seguram o espectador até o último segundo antes dos créditos finais.

O suspense não é tão chocante quanto é sugerido no trailer, mas as seqüências com mortes causam certo impacto. Aliás, as melhores tomadas são reveladas no trailer do filme, estragando muitas das surpresas. A trilha sonora prejudica demais a ambientação dessas cenas e o clima de tensão que poderia ser sufocante não é levado a clímax nenhum. As músicas insossas parecem que desandaram e não provocam sustos ou nervosismo.

Chama muito a atenção a péssima atuação dos atores, especialmente Zoey Deschanel. Apesar de linda, suas expressões soam forçadas, nem um pouco naturais, até mesmo sua cara de medo é apática. O ótimo Mark Walhberg é o único que se salva, e mesmo assim é uma de suas piores interpretações.

A culpa vai toda para o diretor. O argumento original perde força com o aparente cansaço do “dono” do filme. Classificado por Shymalan, como um “filme B assumido”, Fim dos Tempos possui caráter amador, mas é de seu relaxamento. Para curtir ao máximo, pode-se tentar deixar de lado essa lista de fatores e embarcar na idéia do filme. Sem avaliar o potencial da epidemia realmente acontecer, ainda assim dá para se divertir.


Nota: 7,0

Três Vezes Amor


Ryan Reynalds aos poucos mostra-se mais seguro em suas atuações. Em Três Vezes Amor, ele convence como o pai de Abigail Breslin e ainda apresenta o amadurecimento de seu personagem em vários flahsbacks.

O resumo dessa mistura de drama com comédia romântica é apresentado sobre a perspectativa de Will Hayes, um homem de 30 e poucos anos que está se divorciando da esposa e tem uma filha pequena. Ele relata para a menina suas aventuras amorosas e ela tenta descobrir qual das três mulheres que Will se envolveu é a sua mãe.

Entra em cena a loira, a ruiva e a morena: todas são uma delícia. O time é composto por Elizabeth Banks, Isla Ficher e Rachel Weisz. Rapaz de sorte hein! Quanto ao resto, o filme é até interessante, mas estende-se demais. Sem grandes ousadias, é mais uma dramédia que tenta ser simpática. Dá para assistir, mas não entusiasma.

Nota: 5,8

O Banheiro do Papa


A chegada do Papa João Paulo II promete movimentar a pequena cidade de Melo, no Uruguai. As famílias mais necessitadas enxergam nesse evento o potencial de sair da amargura, e assim, gastam suas economias para montar bancas de comidas para os visitantes. Beto é um deles, mas diferencia-se ao construir um banheiro no quintal de sua casa para atender os turistas.

A esperança de melhorar de vida é elemento fundamental dessa co-produção entre Uruguai e Brasil. As cenas gravadas nos pampas de Bagé não tornam o filme um produto nacional, o projeto é estrangeiro, difundindo a cultura daquele povo sofrido vivendo na fronteira entre os dois países.

Mesmo com dificuldades, o cinema uruguaio vem ganhando destaque, principalmente, após o longa-metragem Whisky. Este aqui é um filme modesto e bastante realista, onde a plasticidade da fotografia cinematográfica não é fortemente explorada porque opta-se por imagens cruas de maior significado.

Baseado em um episódio real, O Banheiro do Papa é dirigido por César Charlone e Enrique Fernández, que souberam valorizar a trama com planos cinematográficos simples e belos. Uma história triste sobre um povo esquecido.

Nota: 7,0

A Ilha da Imaginação


Nim´s Island tem lugar garantido para reprisar várias vezes na tradicional Sessão da Tarde. Com classificação livre, o filme é destinado as crianças. A garotinha Nim (Abigail Breslin, de Pequena Miss Sunshine) mora em uma ilha secreta do Pacífico junto com o seu pai Jack, interpretado por Gerard Butler. Em uma de suas viagens de pesquisa, Jack, um biológo de renome, desaparece e deixa Nim sozinha na ilha. Sua única comunicação é com a autora de seus livros favoritos (Jodie Foster), que decide enfrentar seu medo de sair de casa para ajudar a menina na ilha.

Os elementos fantásticos são predominantes no roteiro: Nim se comunica com os animais e a escritora conversa com o personagem dos livros. O clima de fantasia é constante, como por exemplo, a garota escala um vulcão sem equipamento de segurança. Até mesmo os turistas são representados de forma caricata. É importante que o espectador encare o filme sem esperar que tudo seja verdadeiro e possível.

O título nacional, A Ilha da Imaginação, não encontra sentido já que nada é imaginado. Os ótimos atores tentam dar maior credibilidade ao projeto, mas a história é bem infantil e não há nada de extraórdinário. Senti a necessidade de uma mensagem, algum tema interessante a ser desenvolvido no roteiro. A produção é bem escapista, só contém “aventura” e uma trama simplista. O filme é bonitinho, mas não chega a lugar nenhum. O melhor dele é o simpático lagarto.

Nota: 4,5

Wall-E


Os críticos não pouparam elogios para essa nova animação da Pixar em parceria com a Disney. É praticamente garantido o prêmio na devida categoria no Oscar, sendo até mesmo cogitado para concorrer nas demais. Tanta paixão conferida à Wall-E só pode ser explicada porque esse é o “desenho” mais adulto lançado nos últimos anos.

Má notícia para a criançada! Com poucos diálogos, narrativa lenta com tom poético e ainda trazendo uma crítica à sociedade americana, o filme não será tão apreciado pelos baixinhos. A atenção deles será voltada somente no personagem título, onde suas características prometem encantar o público. O caso de amor do personagem é outro fator que desperta o interesse infantil.

Ao contrário do planejado pelos estúdios, Wall-E revela-se um robô mais que atrapalhado, ele é idiota mesmo. As atitudes e o jeito pateta incomodam, não despertando o carisma irresistível pretendido. O personagem ainda repete milhares de vezes seu nome, ao ponto de tornar a palavra insuportável. Essa repetição constante desse e de outros elementos massacram a inteligência do público.

Um fato curioso é que no início da produção os humanos são apresentados com atores reais e quando chega ao meio do projeto, tornam-se animados. Escolha sem explicação! Como é uma animação, poderia ser inteiramente nesse formato ao invés de trocar no decorrer do filme.

Quando ameaça entregar um final ousado e condizente com o roteiro e lógica universal, o filme não vai fundo na idéia e termina com o clássico final feliz. Claro, não estamos assistindo um filme para adultos! Esse é o seu principal problema. A falta de um público alvo torna-o tão abrangente que não é uma experiência completa nem para as crianças nem para os mais velhos. Wall-E renderia mais como um curta ou média-metragem, dessa vez, direcionado para quem saberia apreciá-lo melhor.

Nota: 6,0

Banquete do Amor


Esquecido entre os grandes lançamentos do cinema, Banquete do Amor passou batido entre o público brasileiro. A falta de barulho em torno da produção é justificada pelo fato de que apesar do elenco conhecido, o filme é totalemente dispensável. O moralismo do projeto impede sua receptividade como um drama adulto sobre relacionamentos humanos.

Na colcha de retalhos, temos o amor na terceira idade, o amor adolescente, o amor proibido, o amor homossexual (dessa vez entre mulheres) e aqueles que ainda não encontraram essa plenitude.

O personagem de Morgan Freeman é o símbolo do moralismo, como se fosse a consciência do filme, dando conselhos aos demais personagens e pregando o bom mocismo. A falta de recursos narrativos investe em elementos bobos como uma vidente e questionamentos religiosos.

O único alívio é a presença soberba de Radha Michell. A atriz não aparecia nos cinemas nacionais desde o problemático Terror em Silent Hill e permanece com sua competência e elengância em cena. O restante do filme é composto de situações piegas e cuja sem gracisse fazem os clichês ficarem ainda mais evidentes. Diálogos lamentáveis são pronunciados aos montes, como esse aqui: “Deus não nos odeia. Se ele odiasse, não teria feito nossos corações tão valentes!” Por favor né!

Nota: 4,0

Na Mira do Chefe

Ao ler qualquer sinopse básica da produção, certamente, você terá algumas de suas surpresas reveladas. Como assim? É com mais de uma hora de duração que a trama principal se torna visível. O título nacional também já denuncia um dos fatos determinantes. Portanto, não vou entregar absolutamente nada sobre a história.

Na Mira do Chefe é uma divertida comédia de humor negro, com ação, drama e jogadas espertas, mas infelizmente, passou batido nos cinemas dos Estados Unidos. O ritmo desacelerado e a utilização de locações inteiramente européias, acabou por descaracterizá-lo como um típico produto norte-americano. Esse estilo incomum garantiu a vaga no Festival de Sundance 2008 e inaugurou a mostra.

Colin Farrell encaixa-se bem como o assassino suicida e facilmente vai do drama à comédia. Com essa versatilidade, relembra que, apesar de alguns deslizes na carreira, é um ótimo ator. Na Mira do Chefe é o segundo longa-metragem do diretor Martin McDonagh, que antes realizou o filme “Six Shotter”, classificado como uma comédia irlandesa sangrenta e de humor negro. Exatamente os mesmos elementos desse novo projeto.

A nota para a produção só não é maior devido a um problema: a motivação do personagem de Ralph Fiennes não é explicada. O motivo é esclarecido em uma cena que ficou de fora do corte final. No spoiler abaixo, conto o que acontece nessa cena.

Fora isso, o filme é um respiro de personalidade dentro da indústria formulaica.

Nota: 7,6

SPOILER >>> A cena cortada é a seguinte: Harry foi abusado quando criança e não foi por um padre, foi pelo próprio pai. Ray acha que o padre era pedófilo mas Ken explica que ele apenas fazia parte de um comitê contra os projetos de construção do Harry.

Bill


Bill está crise de identidade. Aos 40 anos, ele descobre que sua esposa tem um caso com o apresentador do tele-jornal local. A traição desencadeia uma revolta contra si mesmo, uma avaliação de como se tornou um ser patético. A sinopse bem que poderia render uma produção como O Sol de Cada Manhã, mas o resultado está bem longe disso.

A história de superação é tão batida que em nenhum instante chega a empolgar. Bill é estúpido demais e, ao invés de causar identifiacação com o personagem, o público se sente incomodado com sua presença. Mesmo com um bom elenco, não há atuação de destaque. O alívio vem com Lornam Lerman, que interpreta o garoto sob tutela de Bill, ele é o único a movimentar a trama. Quem sabe seu personagem não renderia um filme melhor, já que conhecer Bill é uma chatice.

Nota: 3,0

Um Amigo Meu


Este belo drama de origem alemã ganha apreço do público ao apresentar nenhum tipo de pretensão. Quem o assiste não possui alta expectativa. O único destaque é a presença de Daniel Bruhl, ator conhecido por Adeus Lênin, Edukators e O Violinista que Veio do Mar.

A amizade inesperada entre Karl e Hans motiva essa identificação. Os dois são como água e fogo, e nessa oposição gigante, eles se entendem e criam um laço bastante forte. A trama simplista é digna dos filmes europeus, com ritmo lento e valorização de planos e atuação. Os personagens e suas angústias parecem suficientemente verdadeiros.

Um Amigo Meu não tem um final onde tudo se encaixa. Sua narrativa de tão comum pode não ser levada a sério. Sensível, real, romântico e com boas atuações da dupla de “amigos”, é um filme onde o espectador reflete sobre esse intenso sentimento que une as pessoas. A escolha por se deixar levar é sua.


Nota: 7,5

Control


Não resta dúvida de que Ian Curtis foi um sujeito infeliz. Para quem é pouco entendido de música, o cara liderou uma das bandas mais importantes do punk rock, a Joy Division. Casou-se cedo, teve uma filha, trabalhava durante o dia e viajava para fazer shows nos finais de semana. Nada disso lhe trouxe resquício algum de felicidade. Ele se suicidou em 18 de maio de 1980 aos 23 anos.

A curta jornada de Ian nesse mundo foi melancólica ao extremo, pelo menos é isso que Control, sua biografia cinematográfica, demonstra. O novato Sam Riley representa o vocalista problemático com uma fidelidade absurda. Até mesmo o olhar olhar delirante na performance de palco e os trejeitos dançantes são de uma semelhança assustadora.

O universo cinzento de Curtis é retratado pela belíssima fotografia em preto e branco. Um dos maiores acertos da produção! O diretor de videoclipes, Anton Corbijn, estréia atrás das câmeras potencializando os relatos do livro da viúva do cantor e realizando um panorama honesto sobre os principais tormentos de Ian: dividido entre a esposa e a amante, pressionado pela carreira em ascenção e sofrendo de constantes ataques de epilepsia.

Control dá enfoque maior para sua vida emocional do que para a carreira à frente da Joy Division. Ainda assim, o filme aborda sem pressa e atropelamentos as passagens mais importantes da vida do cantor. Ao final, a impressão é de que Ian não fazia tanta questão de ser feliz. Até mesmo com Anika, sua amante, ele não demonstra-se satisfeito. Pois é, o mundo da música não é tão glamuroso assim.

Nota: 7,2

Uma História de Amor


Não é de hoje que Billy Crudup é subestimado. Em 13 anos de carreira dividiu a tela com vários astros e fez pontas em filmes como Sleepers, Todos Dizem Eu Te Amo e Peixe Grande. O maior destaque foi como o guitarrista Russell Hammond em Quase Famosos, que sem dúvida é o seu melhor filme. O motivo dessa falta de reconhecimento talvez seja porque seu nome dificilmente está associado a filmes de qualidade. Fora essas produções citadas, o restante de sua filmografia não empolga.

Dedication ou Uma História de Amor é mais um desses filmes a somar na lista. Contando com o desempenho brilhante do ator, o longa-metragem não foge de ser previsível e monótono. Na trama, Crudup é um escritor de histórias infantis que perde o ilustrador de seus livros, e também, melhor amigo. Em seguida, essa vaga é preenchida por uma nova cartunista. A relação delicada mistura auto-conhecimento e amor.

No papel romântico, Mandy Moore, pela primeira vez, não desafina na atuação. Mas, como o esperado, o personagem de Billy domina a cena. Hiperativo, nervoso e sem medo de falar o que pensa, o tal escritor é uma profusão de sensações simultâneas. A construção por parte do ator responde ao que o roteiro pede e são esses momentos que salvam a produção do total fracasso.

Infelizmente, a interpretação de Crudup é diluida no contexto e assim, permanece deixando o ator osfuscado nas sombras da indústria hollywoodiana. Quem sabe ele aparece com mais impacto na superprodução Watchmen?.

Nota: 4,5

Jogo de Amor em Las Vegas


Alguém duvida da força desse filme em território nacional? As comédias românticas possuem um histórico de sucesso no Brasil e essa aqui deve ser mais uma delas. O principal atrativo é a união de dois astros do humor pastelão: Cameron Diaz (Tudo Para Ficar com Ele) e Ashton Kutcher (Recém-Casados).

Na trama, essa dupla acorda casada após uma noite de loucura em Las Vegas. A decisão pelo divórcio é de ambas as partes. Porém, no dia seguinte ele ganha 3 milhões de dólares no cassino do hotel. Para ficarem com o dinheiro, o juiz determina que deverão manter uma relação estável por seis meses.

Começa então uma briga de marido e mulher. Alguém lembra de “Guerra dos Roses”? Vivendo sob o mesmo teto, cada um vai aprontar para o outro e assim, ver quem desiste primeiro. Todos elementos característicos do gênero estão no conjunto, como a participação dosamigos engraçadinhos dos protagonistas.

Pensando em desistir de comprar o ingresso? Nem pensar. Jogo de Amor em Las Vegas é sim puro clichê: os dois se odeiam no início para no fim se apaixonarem. Mas, não é só isso. O carisma dos atores principais garante a sessão. Pisando em terreno que conhecem muito bem, Diaz e Kutcher encantam a platéia e não tem quem resista ao charme da dupla. Além disso tudo, cenas realmente engraçadas entrelaçam a guerra e a paz.

É um dos poucos filmes em que tanto a comédia quanto o romance funcionam bem. Não é recomendado para quem tem aversão ao gênero, do contrário, é diversão na certa!

Nota: 7,8

Não Quero Ser Grande


Beirando os 30 anos, Jeffrey ainda vive com a mãe (Diane Keaton). Essa mordomia ameaça acabar quando ela se apaixona por um palestrante motivacional (Jeff Daniels) e pretende que ele venha morar na casa.

Não Quero Ser Grande é uma comédia sem graça, sustentada apenas pelos bons atores. John Heder de Napoleon Dynamite permanece com sua galeria de personagens esquisitos, a medida que Diane Keaton repete seu papel de Minha Mãe Quer Que Eu Case. Jeff Daniels e Anna Ferris saem ganhando por fora com personagens coadjuvantes bem mais interessantes.

Coincidência ou não, Mama´s Boy apresenta praticamente a mesma trama de outro recente longa-metragem, Em Pé de Guerra. Na luta, o segundo sai vencendo. Esse aqui é uma perda de tempo. O roteiro sem novidades e entulhado de estereótipos já explorados aos montes no cinema não chegam a conseguir nem um sorriso amarelo.

Faltou comentar: QUE TÍTULO INFELIZ!

Nota: 3,5

Mais do que Você Imagina


Meg Ryan, a rainha das comédias românticas nos anos 80 e 90, não conseguiu fugir do gênero que lhe trouxe fama e reconhecimento. Depois de investidas sem sucesso em dramas, suspenses e aventuras, como Prova de Vida, Em Carne Viva, Contra Tudo e Contra Todas e por fim, Eu e as Mulheres, Meg Ryan retorna ao que é seu ponto forte: as comédias românticas.

Na trama, Meg apaixona-se por um ladrão de relíquias (Banderas) - fato que ela desconhece. O seu filho, um agente federal, tem a missão secreta de espionar o bandido e assim, presencia intimamente a relação de sua mãe com o mau caráter. As situações cômicas partem principalmente desse pressuposto e promovem boas risadas.

O conteúdo pouco inspirado e relativamente superficial é só fachada para uma produção engraçada e de cenas divertidas. De semelhanças com Sr. e Sra. Smith, a produção não é um romance açucarado, e também não investe nas cenas de ação. Afirma-se mesmo na comédia. Apesar de apresentarem atuações básicas, o casal central desenvolve uma química bem ativa. Mais do que Você Imagina é bem tolo, mas isso não impede de ser agradável.

Nota: 7,0

Número 9


Número 9 é aquele tipo de filme que ninguém entende. Entretanto, todos que assistiram não abrem mão de expressar a sua teoria. No final, nenhuma dessas versões responde as infinitas perguntas levantadas. O filme é, na verdade, uma confusão só. Confesso que procurei ajuda na internet, e não encontrei consenso algum sobre o que seria a explicação das várias linhas narrativas do projeto.

O longa-metragem é a segunda experiência de John August na direção. Ele escreveu os ótimos roteiros de Peixe Grande, A Noiva Cadáver e A Fantástica Fábrica de Chocolate. Essa parceria incrível com Tim Burton rendeu essas obras-primas citadas. É uma pena que o roteiro de Número 9 deixe a desejar.

De qualquer maneira, o filme é bastante interessante e prende o espectador do início ao fim. A trama super curiosa é responsável por isso. Porém, suas explicações variam e confundem na elaboração de uma justificativa final. Número 9 parece uma tentativa frustrada de ser um Donnie Darko. Olhando pelo lado bom, o filme pelo menos não tenta imitar o horroroso Número 23.

Faltou comentar que Ryan Reynalds como protagonista de um filme mais sério está bem, o que já é a sua melhor atuação até agora.

Nota: 6,0

Vestida para Casar


Katherine Hegel ficou conhecida através do sucesso Ligeiramente Grávidos. Em Vestida para Casar, ela não tem o ótimo Seth Rogen para ofuscar suas cenas. Nessa comédia romântica, a atriz é o carro chefe do desfile, o que não impede de dividir a tela com outros bons atores, como Edward Burns, James Marsden e Malin Akerman.

No filme, Hegel é uma mulher que já foi dama de honra 27 vezes. Apaixonada por seu chefe, ela acredita que chegou a sua vez de subir no altar. Os planos vão por água abaixo quando sua irmã chega de viagem e “rouba” a sua paixão.

É a clássica fórmula de filme para o público feminino. Final feliz? Óbvio. Até mesmo a seqüência musical não falta! E pode-se dizer que é uma das melhores cenas, ainda porque Bennie and the Jets de Elton John ajuda bastante. O nome da roteirista de O Diabo Veste Prada pode chamar a atenção no cartaz, mas as produções não são nada parecidas. O filme com Meryl Streep é excelente, este é bom.

Pronto, falei. Vestida para Casar é aquele filme bobinho que conquista. É difícil não gostar. Voltamos então para aquela velha história de que cinema é entretenimento, e exatamente por isso que o filme cumpre seu papel.

Nota: 7,4

Rocket Science


Os norte-americanos são obcecados por pessoas esquisitas. Basta assistir os inúmeros longas-metragens produzidos anualmente sobre seres desajustados. Será que todos que vivem no subúrbio são tão estranhos assim? Pois é, volta e meia encontra-se nas premiações filmes como esse, principalmente no Sundance – o festival alternativo mais conhecido. Rocket Science foi um dos vencedores desse festival no ano passado na categoria de melhor direção dramática.

O freak da vez é Hal Hefner, um garoto gago que vez de permanecer excluído em seu casulo decide dar a cara a tapa e participar de um concurso de debates na escola. O filme dialoga sobre o problema de fala e aborda como agir nas situações constrangedoras.

O diretor Jeffrey Blitz também escreveu e produziu o projeto. Ele sofre de gagueira e sua principal fonte para o roteiro foram as experiências de quando era adolescente. A escolha do até então desconhecido Reece Thompson para viver o protagonista não podia ser melhor. O jovem ator interpreta um papel difícil e por meio deste brilha do início ao fim, fixando a atenção para si e tomando conta da tela.

Rocket Science não apresenta muitas novidades. Além da gagueira, é basicamente um filme alternativo comum. Entre seus méritos, um deles é não abusar da esquisitice. Mas, o filme ganha mesmo é em carisma. A sensação que se tem é de que Hal faz amizade com a platéia e, através de belas tomadas, sem negar sua origem cult, o filme despreocupadamente cativa o público-alvo.

Nota: 7,5: Sem previsão de estréia nos cinemas brasileiros.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal


Só foi eu que percebi? Nas primeiras cenas de ação, Harrison Ford faz um esforço tremendo para convencer como um Indiana Jones sessentão. Bem que ele tenta ser ágil, a edição também procura dar aquela mascarada, mas não adianta, a lentidão predomina. E assim começa essa duvidosa experiência do retorno de um dos heróis icônicos do cinema.

O projeto não tem o melhor dos prólogos. A demora para esclarecer a sinopse principal deixa o público um pouco perdido. É com quase uma hora de duração que se tem uma visão geral sobre o que o filme trata. O lance das caveiras de cristal é bastante interessante, porém acaba saindo fora dos trilhos quando revela ser uma história de (pasmem!) alienígenas.

Bom, se você perdoar isso, continuamos nossa avaliação. Depois das cenas inicias em que Ford sai no braço com os bandidos, o personagem aparece raras vezes em perigo. As demais seqüências exigem pouco esforço físico do herói e o roteiro opta por dar espaço ao provável substituto de Harrison Ford: o atual queridinho da América, Shia LeBouf.

É dele a cena de maior adrenalina de toda aventura: seu personagem luta contra Cate Blanchett em cima de um jipe em movimento. Se por um lado LeBouf não compromete, o personagem de John Hurt é tão irritante que dá vontade que no meio daquela Amazônia surja uma Anaconda gigante para devorá-lo de uma vez!

Homenageando os originais, a belíssima fotografia envelhece a película e dá o clima dos filmes clássicos da década de 80. O que a produção não poupa são os efeitos especiais! A profusão digital é tanta que dificilmente você vai lembrar de alguma seqüência de ação do qual não foi preciso o uso de computação gráfica. Por mais bem feitos que sejam, esses artifícios ressaltam a pirotecnia e quebram o mergulho do espectador na magia do cinema. Algumas vezes são realmente incríveis, já outras são bastante artificiais.

Chegando agora ao grande vilão do filme: o roteiro. Não adianta que a maior falha do longa-metragem é a trama absurda e sem pé nem cabeça. O amontoado de recursos para entreter o público chega ao exagero. São formigas carnívoras, tribos escondidas em lugares secretos, travessias em cachoeiras, areias movediças, bombas atômicas (!), naves espaciais e por aí vai.

Se o filme vale o renascimento do herói? Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal não deixa de ser divertido. Faltou mesmo uma boa história. Da próxima vez também seria bom diminuir na dose de sensacionalismo. Já o crédito à Harrison Ford pode ser considerado garantido, porque quando a inconfundível trilha de John Williams ecoa na sala de exibição não tem como imaginar outro em seu lugar.

Nota: 6,8

Em Pé de Guerra


Quando a idéia é fraca, não adianta forçar a barra com uma longa duração. Em Pé de Guerra sabe que não é um Ligeiramente Grávidos e, exatamente por isso, aproveita para condensar o que a trama tem de melhor nos seus 80 minutos.

John Farley (Seann William Scott) é um bem-sucedido escritor de auto-ajuda. Entretanto ele levou um bom tempo para superar os abusos sofridos na época de colégio pelo professor Woodcock (Billy Bob Thornton). Ao visitar sua cidade-natal John descobre que sua mãe (Susan Sarandon) está prestes a se casar com Woodcock.

Tudo bem que a trama é uma bobagem: imediatamente após descobrir o caso da mãe, Farley parte para desmascarar o seu futuro padrasto. Você já deve imaginar as várias gafes pelas quais o personagem irá passar e, óbvio, ele vai se dar mal até conseguir provar que estava certo. Isso só no final.

Construído em cima de clichês, essa comédia só se salva pela presença dos três atores principais. É o tipo de filme para alugar quando não resta opção melhor. De qualquer maneira, dá para assistir sem se sentir ofendido.

Nota: 6,5

Jumper


É triste, mas Jumper morreu na praia. A ficção científica de Doug Liman nunca vai ser um filme memorável. Parece que o diretor deixou a preguiça tomar conta e entregou a obra de qualquer jeito. Cuida só a ótima premissa: jovem consegue se teletransportar para qualquer ponto do planeta. Ele passa a ser perseguido por uma organização secreta destinada a matá-lo.

A direção pura adrenalina empolga no início por conta das belas imagens, ótimos efeitos e um estilo videoclipe, o mesmo que deu certo em A Identidade Bourne e Sr. e Sra. Smith, outros títulos de Liman. Porém, o filme não consegue sustentar esse clima de aventura até o fim. Logo, a trama se perde.

Jumper resulta em um projeto perdido nas intenções. Até mesmo os bons atores são mal aproveitados. Faltou desenvolver o roteiro do segundo para o terceiro ato, percebe-se uma pressa imensa de terminar o projeto. Com menos de duas horas, os créditos sobem e a boa idéia fica pelo caminho.

Nota: 6,0

À Prova de Morte


O projeto Grindhouse da dupla Rodriguez e Tarantino não tinha como ser um sucesso. Os filmes são os menos populares de toda a carreira dos diretores. A homenagem à podreira saiu melhor no sensacional Planeta Terror, mas À Prova de Morte também possui seus atrativos.

O cultuado Quentin Tarantino apresenta seu quinto longa-metragem saboreando o máximo da cultura pop. Os diálogos aparentemente superficiais são recheados de referências ao universo singular do diretor. Outro elemento em cena bastante explorado são as mulheres, cuja sensualidade é vista em vários takes que valorizam as curvas das beldades.

Inevitavelmente, duas cenas destacam-se pela apresentação na tela: o acidente fatal na primeira hora do filme é tão cruel e impactante a ponto de deixar o público chocado. De forma inteligente, a cena repete quatro vezes para mostrar o destino de cada personagem. A segunda sequência memorável é a perseguição de pura adrenalina já perto do final, quando Tarantino reproduz uma cena do filme Vanishing Point.

À Prova de Morte é formado por várias outras cenas deliciosas, principalmente para quem entende de cinema. Os requebrados das atrizes, o culto à bebida, o personagem canastrão de Kurt Russell, a morte violenta de Rose McGowan, a participação especial do próprio diretor e a fotografia de cores vibrantes contribuem para a elobaração de uma película única. O que prejudica a obra é o excesso de diálogos. Apesar de alguns serem verdadeiras pérolas, outros são fúteis e descartáveis. Com um pacote mais enxuto, o produto seria um deleite para os fãs do diretor.

Ainda assim, Tarantino é Tarantino e a sessão de qualquer filme dele é praticamente um orgasmo.

Nota: 8,0

O Homem de Ferro


Quanto mais exploram os personagens da Marvel, mais escassa fica a fonte. Dela já saíram super-heróis como Homem-Aranha, X-Men, Hulk, Quarteto Fantástico e Motoqueiro Fantasma. O Homem de Ferro não é um dos mais populares, mas também não é desconhecido.

Ao iniciar a produção do que seria o primeiro grande filme da Marvel como estúdio independente, surgiu a óbvia questão sobre quem iria vestir a armadura do herói. Provavelmente os fãs não imaginaram Robert Downey Jr nesse papel. A inusitada aposta do estúdio revelou-se uma excelente escolha. O ator agarra com unhas e dentes o personagem e convence como o milionário Tony Stark. Aliás, Downey Jr retornou às produções cinematográficas melhor do que nunca. Depois de antecedentes com drogas, o astro deu a volta por cima e emplacou ótimas produções: Beijos e Tiros e Zodíaco – além dos anteriores Garotos Incríveis e Crimes de Um Detetive.

Os méritos de Homem de Ferro vão igualmente para o diretor Jon Favreau (Zathura). O cineasta dá o tom de realismo imprescindível para o projeto, dosando também a parte trágica da história com as cenas de ação.

O Homem de Ferro é um personagem por demais interessante. Tanto por ser um inventor de engenhocas e um playboy, como também pela sua trajetória de renascimento. Realmente, ninguém melhor para o papel do que Robert Downey Jr.

Não vou discutir a questão se a adaptação é fiel ao original porque nunca fui fã do personagem e não saberia identificar esses detalhes. Quanto ao elenco de apoio, Terrence Howard, Gwyneth Paltrow e Jeff Bridges mostram-se bem na tela, principalmente esse último. O vilão de Bridges é muito bem interpretado, pena que o roteiro não sabe trabalhar corretamente com a figura do Monge de Ferro.

Já que estamos falando do que deu errado, o desfecho da produção é atropelado, destoando do início cuja a narrativa é lenta. Os motivos do vilão tornam-se sem sentido e as cenas de ação com perfeitos efeitos visuais não conseguem o impacto pretendido. Em contrapartida, os segundos finais deixam o público mais que ansioso para a próxima aventura do herói. No total, é mais um ponto positivo para a Marvel. Uma provável série de filmes do Homem de Ferro há por vir.

Nota: 7,5

Maratona do Amor


Comédia romântica inglesa alavancada pela presença de Simon Pegg - a nova fábrica de risos inglesa. O ator descoberto em Todo Mundo Quase Morto, ainda participou de Planeta Terror, Missão Impossível 3, Terra dos Mortos e Chumbo Grosso para conseguir protagonizar este filme em que é o grande astro. A direção ficou a cargo do ex-Friend David Schwimmer.

Pegg interpreta Dennis, um cara gorducho que abandona a noiva grávida no dia do casamento. Cinco anos depois, ele tem certeza que aquela era a mulher da sua vida. Para reconquistá-la, ele quer vencer sua primeira maratona e com isso provar que o novo namorado da amada é o homem errado para ela.

Simpático e divertido, Maratona do Amor é uma comédia leve que agrada o público, mas não o leva à gargalhadas. O humor britânico presente do início ao fim passa por situações constrangedoras, o que é praticamente inevitável. Mesmo sendo um passatempo agradável, essa comédia não traz nada de novo, por isso, segundos depois você já esqueceu que o assistiu.

Nota: 6,8

Coisas que Perdemos Pelo Caminho


Halle Berry e Benicio del Toro estrelam esse longa-metragem que sequer foi lançado no circuito nacional. A produção do ano passado chegou direto em dvd sem causar nenhum barulho. Coisas que Perdemos pelo Caminho é o primeiro filme em solo norte-americano da dinamarquesa Susanne Bier (Brothers e Depois do Casamento).

O drama mostra como Audrey, mãe de dois filhos pequenos que tem o marido assassinado, procura superar a tragédia. Ela passa a dividir a casa com o melhor amigo do falecido e o ajuda no vício com as drogas. A convivência acaba sendo benéfica para ambos na hora em que enfrentam momentos difíceis.

Com essa trama previsível, o único alento é a atuação de Benecio del Toro. O estilo do ator cai como uma luva no personagem desajustado, na medida que ele parece ser exatamente igual na vida real. Já a vencedora do Oscar Halle Berry não compromete. Mesmo beirando o melodrama, a produção segura atenção e mascara suas fragilidades. Não chega a ter o caráter cult ou alternativo que as vezes ameaça tentar. O resultado é morno.

Nota: 7,0

Desejo e Reparação


Depois de adaptar brilhantemente Orgulho e Preconceito, Joe Wright assina a direção deste drama de época impecável. Mais uma vez, Wright transporta para a linguagem cinematográfica uma obra literária, no caso, o romance Reparação, de Ian McEwan.

A musa do diretor, Keira Knightley, retoma a parceria e faz par romântico com James McAvoy (O Último Rei da Escócio). No filme, a relação dos dois é posta em risco quando uma carta é enviada por engano e com ela, uma série de fatos mal explicados terminam contribuindo para que a desgraça do casal.

O novo trabalho do diretor consegue ser superior ao de sua estréia - o que transforma Desejo e Reparação em um dos filmes obrigatórios de 2007. O longa-metragem venceu o Globo de Ouro como Melhor Filme Drama e foi indicado a 7 Oscars.

Fora a badalação em volta do projeto, a produção conduz o espectador pelo universo de McEwan numa mistura de emoções, passando por várias décadas e linhas narrativas. Conta ainda com desempenhos super-competentes da nova geração de atores (Kiera, James McAvoy e da mocinha Saoirse Ronan) e uma fotografia e direção de arte deslumbrantes, ressaltadas cores intensas.

Desejo e Reparação é um passatempo de luxo e o mérito é todo de Joe Wright! Ele consegue construir um filme de época moderno, fazendo com que a trama situada na Inglaterra de 1935 seja atemporal. O tema pesado sobre culpa e arrependimento ganha fácil identificação e aposta em um desfecho coerente ao demonstrar que a redenção nem sempre é possível.

Nota: 9

Capítulo 27


Capítulo 27 é baseado em fatos reais e revela três dias determinantes na vida de Mark Chapman, o homem que assassinou o ícone dos Beatles, John Lennon. Para viver o protagonista, Jared Leto ganhou 32 quilos e adquiriu uma fisionomia idêntica ao do assassino. A dedicação ao papel pode ser identificada nas alterações de estado de espírito, no olhar psicótico e principalmente na voz fina e ameaçadora.

O projeto desde o início foi polêmico, a começar pelo tema. Um site de fãs do cantor tentou impedir o término das filmagens, alegando que a produção procurava amenizar a culpa de Chapman. Agora, após assistir o longa, pode-se dizer que o filme não julga os personagens, apenas faz um relato dos acontecimentos.

Infelizmente a abordagem sobre o criminoso não chega a lugar nenhum. O roteiro poderia ser resumido em uma linha: o cara acreditava estar possuído por Holden Caulfield, personagem de J.D.Sallinger em seu livro O Apanhador No Campo de Centeio. A partir daí, a minúscula trama vai sendo estendida ao máximo. Nada acontece, são diálogos sofríveis, nenhum clímax e para completar, Lindsay Lohan perdida em um papel inútil. Resultado: os 80 minutos parecem 2 horas de enfado.

Nota: 4

Obs: O título do longa faz uma alusão ao livro de J.D. Salinger, que possui 26 capítulos. O vigésimo-sétimo seria a história do atormentado assassino do ex-beatle.

Na Natureza Selvagem


A história real de Chris McCandless é retratada pelo olhar sensível de Sean Penn em Na Natureza Selvagem. O jovem de 23 anos interpretado por Emile Hirsh (ótimo) abandona a família e a sua boa condição social para viver como um andarilho, desprendendo-se do materialismo e com o objetivo de chegar ao Alaska. A viagem de Chris não inclui nada além de sua mochila, e assim ele vai pedindo carona, conseguindo uns bicos de trabalho e conhecendo pessoas pelo caminho.

Essa fantástica aventura serve como um alerta para a nossa sociedade consumista. Claro que Chris entrou de cabeça nessa idéia e passou dos limites. Porém, ele era um cara inteligente e determinado. Tudo o que ele passou certamente foi uma experiência incrível e é isso o que presenciamos durante o filme.

Sean Penn, pela quarta vez assumindo a direção de um longa-metragem, dá ritmo a narrativa que tinha tudo para ser uma monotonia. A direção equilibrada, com uma edição moderna, tanto de estilo como também nas idas e vindas no tempo, deixam o projeto bem redondo. A trilha sonora de extremo bom gosto encaixa-se perfeitamente com o contexto e foi escrita especialmente para o drama pelo vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder. Na Natureza Selvagem é emocionante, intenso, reflexivo e, como cinema, é tão completo como a trajetória de Chris.

Nota: 8

O Sobrevivente


O diretor alemão das obras-primas “Fitzcarraldo” e “O Enigma de Kaspar Hauser”, Werner Herzog, realiza seu primeiro filme hollywoodiano. O Sobrevivente é a história real sobre um piloto de guerra que em seu primeiro vôo cai em Laos durante a Guerra do Vietnã. Ele é capturado pelos inimigos, torturado e enviado para um campo de priosioneiros. Junto com os companheiros de “cela”, ele passa a planejar a sua fuga.

Christian Bale mais uma vez mergulha de cabeça ao interpretar um personagem. A entrega do ator chegou ao limite: ficou exposto à sanguessugas, comeu vermes e perdeu vários quilos. O cineasta não poupou Bale das piores cenas e, assim apresenta uma visão bastante real sobre o fato. As chocantes cenas de violência aumentam a tensão e proporcionam um thriller de guerra visceral.

Ironicamente, as duas horas que relatam meses de sofrimento do protagonista passam num instante e o filme faz seu registro sobre a luta pela sobrevivência com muita habilidade e força.

Nota: 8,0

Medo da Verdade


Ben Affleck não aparece na frente das câmeras em Medo da Verdade. O ator estréia na direção com essa adapatação do romance de Dennis Lehane, o mesmo que escreveu Sobre Meninos e Lobos. O trabalho de Aflleck é de um profissionalismo impecável, muito semelhante a direção segura de Clint Eastwood na outra adpatação do autor.

O protagonista do projeto é o irmão de Ben, o caçula Cassey Affleck, que já havia se destacado em O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford. Aqui, Cassey é um detetive particular que está investigando, junto com sua parceira e amante, o desaparecimento de uma criança.

O jovem ator não decepciona e mostra-se competente para segurar o projeto, mas quem se sobressai é Ed Harris. Com um estilo parecido com o de Viggo Mortensen em Senhores do Crime, o veterano esculpe um personagem singular, favorecido pela interpretação pontual. Outra atuação também vale o destaque: Amy Ryan apesar de aparecer pouco em cena, está realmente excelente como a mãe drogada da menina desaparecida e sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante é mais do que merecida. Para completar o elenco, Morgan Freeman em uma ponta de luxo.

Quanto ao mistério do sumiço da garotinha, o roteiro não perde o fôlego até a última cena quando é revelada a verdade. Consegue ainda aplicar reviravoltas e mudanças de percepção sem ofender o espectador. A trama interessante garante a atenção do público o tempo inteiro e Medo da Verdade revela-se um bom filme policial contemporrêneo.

Nota: 7,4

No Vale das Sombras


Após vencer o Oscar por Crash – No Limite, o diretor Paul Haggis decidiu tocar em um dos pontos fracos dos norte-americanos: a guerra no Iraque. Apesar de ser baseado em fatos reais, o roteiro de sua autoria valoriza os personagens, dando a amplidão adequada para cada um dos envolvidos no desaparecimento de um soldado que recém retornou aos Estados Unidos.

Tommy Lee Jones, indicado ao prêmio da Acadêmia esse ano, realiza um exercício de atuação com profundidade, equilibrando a amargura e a determinação incessante de esclarecer o caso. Dividindo a tela com ele, Charlize Theron surge um pouco apagada, mas ainda assim competente. O elenco de apoio conta com Susan Sarandon, James Franco e Josh Brolin.

O andamento calmo não cansa o espectador, só faz com que a produção adquira a densidade que a trama precisa, uma vez que o realismo e a honestidade são presentes durante toda investigação. A crítica fica por conta de uma cena com a bandeira dos Estados Unidos, onde cabe assistir o filme para descobrir. Bom entretenimento, bem realizado e com conteúdo.


(spoiler) O roteiro acaba indo além de apenas julgar o papel dos EUA na guerra, o projeto mostra como os soldados que voltaram do conflito chegam em seu país. O exército transforma as criaturas em monstros, destruindo seu psicológico através da crueldade e frieza pelo qual passam. Esse é um ponto muito interessante abordado em No Vale das Sombras. As feridas ficam abertas por mais tempo do que se imagina.

Nota: 7,5

Antes Só Do Que Mal Casado


Os diretores de Quem Vai Ficar com Mary? retomam a parceria com Ben Stiler nessa comédiia cujo próposito é apenas render boas risadas. Para variar um pouco, o astro interpreta um coitado azarado que não se dá bem com mulheres após o rompimento com sua noiva. Justamente no dia dos namorados, o cara encontra a garota perfeita e estando apaixonados, casam em seguida. Na lua-de-mel, Stiler descobre que a moça é bem diferente daquilo que ele imaginava.

Até aí, os irmãos Farrelly sabem desenvolver o filme de forma engraçada e com bom humor. Mesmo quando as piadas não tem graça, passam sem comprometer. Porém, na metade da sessão, com o personagem principal ainda na viagem de núpicias, ele acha aquela que seria a garota de seus sonhos. Então, a mulher infernal a qual ele se casou é deixada de lado, e com ela toda diversão. Começa outra parte, um romance bobinho que só é interessante nas cenas com a família da nova garota.

Antes Só Do Que Mal Casado diverte a platéia e esse é o seu objetivo. Quem mais aproveita o projeto é Ben Stiller que comprova seu carisma e talento. Assim, o filme garante algumas risadas e apesar de inconstante, é válido.


Nota: 7,0

O Orfanato


Assim como em A Espinha do Diabo e O Labirinto de Fauno, O Orfanato é uma espécie de conto de fadas para adultos, onde crianças inocentes são protagonistas de uma história de terror. Coincidência ou não, Guillermo del Toro produziu esse último filme e foi diretor dos dois inicialmente citados.

Para não estragar as surpresas, o que dá para saber da história é que Laura, junto com o marido, mudou-se para um casarão onde antigamente funcionava um orfanato - lugar este em que ela passou parte de sua infância, até ser adotada. Na nova casa, o filho do casal faz amigos imaginários, que estranhamente possuem os mesmos nomes dos amigos de Laura da época em que ela era criança e viveu na mansão.

Começa aí esse longa-metragem poderoso, no qual J.A Bayona estréia na direção com uma estrutura narrativa rara. O filme é um suspense à moda antiga, cujo ritmo lento ajuda a envolver o espectador e o deixa cada vez mais angustiado com o enredo.

Parecidíssimo com Os Outros tanto na forma em que é conduzido como também no roteiro centrado em uma figura feminina, a produção certamente vai agradar os fãs de mistério. O Orfanto é um conto macabro de trama inteligente e fascinante. Tomara que ele revitalize o gênero através da valorização das boas histórias de terror, sem apelar para mutilações e sustos fáceis.

Nota: 8,4

Jogos do Poder


Nas mãos de Mike Nichols (Closer), essa produção que poderia ser uma chatice torna-se um longa-metragem bem amarrado e interessante. Tom Hanks é um congressista “boa vida”, que só se mexe para estar acompanhado de mulheres bonitas e de um bom uísque. Junto com sua amante, uma socialite de Houston, e mais um agente da CIA, ele vai contribuir para a queda da União Soviética e o fim da Guerra Fria.

Esse não é um filme de heróis. Até porque a produção não julga os personagens, apenas tenta provar que não é tão difícil mudar o curso da História. O feito das três figuras centrais vai determinar, futuramente, a criação de grupos como o Taliban e Al-Qaeda, gerando o arrasador movimento terrorista.

Inspirado em uma história real, Jogos do Poder é bem contado, prende a atenção e discute fatos políticos que aconteceram e agora parecem esquecidos. É um resgate na história para entender como originou a guerra que hoje é praticada. As boas atuações do invejável elenco só tornam o projeto ainda melhor.

Nota: 8,0

Um Plano Brilhante

Essa produção modesta de suspense traz como atrativo os nomes de Michel Caine e Demi Moore no elenco. No filme, os dois são responsáveis por um engenhoso roubo de diamantes, que pretende não deixar pistas. Será que isso é possível?

A história passada em Londres, na década de 60, inicia quando um zelador e uma executiva injustiçada decidem “fazer a limpa” no cofre da empresa em que trabalham, a London Diamond Corporation. O plano simples reserva surpresas e envolve o público com uma trama curiosa.

O filme se assemelha à produções clássicas do gênero policial, principalmente pela reconstituição da época, que impossibilita o uso da avançada tecnologia atual. O roteiro é livremente inspirado em uma história real. Demi Moore sabe criar uma funcionária amargurada, contida e muito elegante, ao passo que Michael Caine discretamente valoriza seu personagem nos detalhes.

Um Plano Brilhante é entretenimento garantido que não requer reviravoltas e truques para torná-lo melhor.

Nota: 7,8