Austrália


Após a obra-prima “Moulin Rouge”, a expectativa em torno do novo projeto de Baz Luhrmann aumentou e muito. O cineasta esteve envolvido na produção que contaria a história de Alexandre, o Grande mas, perdeu a batalha para o roteiro do drama de Oliver Stone. O projeto decorrente foi escrever e dirigir uma homenagem aos épicos do início do cinema, onde teria como pano de fundo o seu país de origem, a Austrália. Bom, infelizmente a tentativa não foi bem sucedida e o diretor saiu mais estropeado do que nunca.

“Austrália” tinha muito a seu favor: ótimos atores (Nicole Kidman e Hugh Jackman), uma equipe técnica de peso e um diretor cujo currículo é uma excelência. Pode-se apontar como o principal culpado deste imenso naufrágio o roteiro desequilibrado, que não se dá ao trabalho de resolver questões pendentes. O acúmulo de tramas tira a atenção do que primeiramente era o mais importante: aristocrata inglesa tem que assumir os negócios do marido que recém faleceu e, para isso, parte para uma fazenda no norte do país dos cangurus. Desde o princípio ela é ajudada por um boiadeiro, que acaba virando seu aliado na disputa por terra e gado na região. Soma-se ainda a presença de uma criança aborígene que conta a história.

O clima inicial de “Austrália” é de total empolgação. A aventura mistura-se com a comédia rasgada, nas quais as atuações são caricaturais e o que acontece na tela é propositalmente puro clichê. O caldo começa a desandar no momento que essa descontração e histerismo típico do diretor passa a ser levada a sério. A produção opta por estender-se demais em conflitos sem grande importância, como a misticismo, a Segunda Guerra Mundial e as crianças da “geração roubada” – temas mal desenvolvidos pelo roteiro.

O resultado pode ser irregular, mas a aposta em “Austrália” foi bastante alta, mais precisamente de 125 milhões de dólares, que não renderam nas bilheterias nem a metade. Para solucionar boa parte das contradições do longa, o ideal seria manter o timing cômico apresentado no início e deixar a cargo de outros atributos, como o deslumbramento gráfico e os toques inconfundíveis de Luhrmann, a contribuição para elevar o conceito do projeto. Talvez chegasse a ser um filme mais superficial, mas provavelmente, seria bem mais divertido.

Nota: 6,0

Queime Depois de Ler


Após o premiadíssimo “Onde os Fracos Não Tem Vez”, os irmãos Joel e Ethan Coen decidiram apostar em outro gênero que adoram: a comédia. Porém, suas investidas no formato são bastante diferentes do convencial, basta assistir “Fargo”, “Matadores de Velhinhas” e “O Amor Custa Caro”.

Com “Queime Depois de Ler” os irmãos diretores realizam um besteirol atípico, de piadas de canto de boca e trama curiosa. Na galeria de personagens, temos o analista da CIA despedido por alcoolismo, a personal trainer que sonha com cirurgias plásticas, um agente do Tesouro com mania de perseguição, e por aí vai. A situação non sense que se forma é hilária e quem brilha mais são os protagonistas: Brad Pitt é o melhor do projeto, seguido por uma histérica Frances McDormand.

O grande “senão” é que o filme nunca chega a decolar, ameaçando diversas vezes e por fim, não vai a lugar nenhum. Se for para entrar no humor dos Coen, este lançamento se resume a uma produção sofisticada sobre a estupidez humana, com boas atuações e personagens, mas que encontra dificuldade em dialogar com o grande público, principalmente, quando este está acostumado com tudo mais às claras.

Nota: 7,0

O Menino do Pijama Listrado


Por mais que pareça inocente em dados momentos, “O Menino do Pijama Listrado” demonstra em seu desfecho que a mensagem transmitida não tem nada de ingênua. A Segunda Guerra é observada pelo ponto de vista de duas crianças, uma que está dentro de um campo de concentração e outra que é filha de um comandante nazista. Um tema explorado em demasia, mas que ainda assombra o nosso passado.

Tão bom quanto a obra original, o filme é bem conduzido pelo diretor Mark Herman, que toma certas liberdades ao trabalhar o texto de John Boyne. O saldo bastante favorável pode ser creditado a forma modesta empregada que atinge em cheio o receptor. Pode ser considerado o “Caçador de Pipas” do ano.

Nota: 7,6

Bernard e Doris


Doris Duke foi uma influente filantropista, uma alcoólatra irrecuperável e considerada pela imprensa, durante muitos anos, a jovem mais rica do mundo. Na pele de Susan Sarandon, somos apresentados a uma protagonista excêntrica, herdeira da fortuna do pai empresário do ramo do tabaco e, que depois de tomar posse do dinheiro passou a ter plena convicção de que tudo tem seu preço. Essa teoria é posta a prova quando desenvolve uma forte amizade com o mordomo Bernand Lafferty (Ralph Fiennes).

As virtuosas performances de Sarandon e Fiennes elevam o caráter básico da história e são responsáveis pelo principal interesse na obra. Produzido pela HBO, foi indicado ao Globo de Ouro em três categorias: Melhor Filme Feito para a TV, Ator e Atriz em Telefilme. A produção faz questão de esclarecer que boa parte é baseada em fatos verdadeiros, sendo que algumas situações são fictícias.

Nota: 7,0

Dúvida


Muito mais que um filme sobre pedofilia, “Dúvida” levanta questões referentes ao posicionamento da igreja moderna e ainda faz uma análise sobre como surgem os boatos e as intrigas. O longa-metragem é baseado na peça de mesmo nome vencedora do prêmio Pulitzer.

A trama se passa em 1964, em um colégio católico americano quando uma freia acusa um popular padre de abuso infantil. O sucesso do filme deve-se a majestosa direção de John Patrick Shanley, que anteriormente foi responsável por “Joe e o Vulcão”. A contribuição do cineasta no projeto é essencial, dando um ritmo sério e de liberdades exatas para o tema. Os planos algumas vezes audaciosos, a edição seca e a bela fotografia também contribuem para a elegância visual.

Indicada ao Oscar pelo papel da irmã Aloysius, que rege a escola com mão de ferro, Meryl Streep encara mais um personagem icônico. Indescutivelmente, é uma das melhores performances da atriz. “Dúvida” completa seu elenco precioso com Phillip Seymor Hoffman, Amy Adams e Viola Davis – todos excelentes.

Nota: 8,0

Frost/Nixon


Logo após renunciar a presidência dos Estados Unidos, em 1974, Richard Nixon aceitou o convite feito por um apresentador de tv para uma série de entrevistas. A principal intenção do presidente era limpar a imagem negativa que havia deixado com o escândalo de Watergate. O episódio é retratado em “Frost/Nixon”, filme correto e surpreendentemente intrigante.

O diretor Ron Howard foge do padrão de que filme político tem que ser incompreensível e tedioso, e sendo assim, origina um conjunto harmonioso de dados históricos e entretenimento. A construção dos fatos é de fácil entendimento e rende muito mais do que a primeira vista aparenta.

O grande destaque vai para Frank Langella como o político controverso. Apesar de não ser parecido fisicamente com Nixon, o veterano ator demonstra uma entrega intensa a figura do presidente. A disputa fica interessante quando o entrevistador mostra-se bem mais astuto que o planejado.

Nota: 8,0

O Curioso Caso de Benjamin Button


Não há palavra melhor para definir o novo filme de David Fincher que “curioso”. Talvez seja por isso que ela está bem estampada no título da produção! A trajetória de um bebê com a aparência de um idoso que vai rejuvenecendo com o passar dos anos encantou o público e os críticos. Para completar, o filme foi recordista no Oscar 2009 com 13 indicações.

Ao ter como base um conto de poucas páginas de F. Scott Fitzgerald, o roteiro acabou obrigado a estender a narrativa, criando assim novas situações e desenvolvendo melhor a estranha faceta do protagonista. Por mais bizarro que possa parecer, o caso de Benjamin Button é muito bem explicado na tela e não deixa furos. As repostas que podem surgir antes de assistir o projeto são respondidas com êxito e, sem dificuldade, o espectador mergulha no universo singular da produção.

Dessa forma, assistimos a existência de um ser humano de trás para frente, e no caminho, muitos questionamentos são discutidos. O debate primordial é sobre a morte, seu fantasma sempre presente, explícito nos primeiros sinais do envelhecimento até a chegada inevitável. É por isso, que questionamos ser como Button: ao momento que vamos ficando mais jovens, ficamos também mais sábios. Não seria o ideal?

Há muito o que se aproveitar desta análise - também nos quesitos técnicos. David Fincher entrega uma obra mais acessível que seus projetos anteriores, como “Clube da Luta” e “Zodíaco”. A direção impecável mostra um diretor no auge da carreira e apaixonado pelo cinema. A direção de arte é fenomenal, assim como os fantásticos efeitos especiais, verdadeiras pérolas da tecnologia digital. Brad Pitt comprova mais uma vez seu talento e nos brinda com uma atuação fora do sério, principalmente quando encarna um velho de 80 anos.

Incrivelmente, o melhor momento do longa é seu início, quando observamos o nascimento de uma ser repleto de doenças que vai perdendo as rugas e ficando cada vez mais jovem. A parte da juventude não é de toda ruim, porém é mais fraca que as demais. Também não é nada que prejudique o andamento. Além de tudo, o filme é uma grande história de amor, sustentada pelo o que o cinema tem de mais rico. A paixão de Fincher pela obra transcende a tela e o resultado não poderia ser outro.

Nota: 8,5

O Leitor


Stephen Daldry acerta pela terceira vez consecutiva e engata mais uma obra de respeito. O filme recebeu uma série de indicações em festivais e arrecadou alguns prêmios, principalmente para Kate Winslet. O cineasta de “As Horas” conta uma história bastante interessante que mistura um romance “proibido” com questões referentes ao nazismo.

“O Leitor” pode ser dividido em três atos, sendo que o primeiro é, certamente, o melhor deles. O romance entre um jovem de quinze anos e uma mulher beirando os quarenta é tratado de forma sensual e sem preconceitos. A construção das imagens e da narrativa é de uma delicadeza sublime.

O segundo capítulo refere-se a grande revelação do longa, que por mais que tenha entregue o segredo muito longe do final, ainda reluta em deixar um clima de mistério. O último ato acontece na atualidade quando o protagonista é vivido por Ralph Fiennes e relembra sua infância e adolescência.

Não tem como negar que a força motriz do projeto é Kate Winslet, na interpretação de uma mulher amargurada e de atitudes duvidosas. O novato David Kross também surpreende com um carisma no ponto. “O Leitor” como produto é muito bem acabado, e como entretenimento é um filme sofrido.

Nota: 7,5

Quem Quer Ser Um Milionário?


O mais recente longa-metragem do diretor Danny Boyle difere bastante do que ele havia produzido anteriormente. Pode-se dizer que utilizou alguns elementos de “Trainspotting”, como o estilo videoclipe, e a doçura de “Caiu do Céu”, que surge como uma espécie de fábula. E “Quem Quer Ser Um Milionário?” é exatamente isso: uma fábula moderna. Acima de tudo, o filme é um romance avassalador que percorre muitos anos nas vidas dos protagonistas. Jamal é um garoto da periferia que participa de um ‘Jogo do Milhão’ indiano para conseguir o amor de Latika.

O inusitado é perceber que a direção do filme é muito semelhante aos trabalhos do brasileiro Fernando Meirelles. Um bom pedaço do projeto aborda temas do submundo da Indía, no qual a composição de cena é parecida com “Cidade de Deus” e “O Jardineiro Fiel”. Os ângulos tortos, a saturação de cores, os closes nos atores, a trilha sonora marcante e a edição acelerada geram um mosaico convidativo e, por mais que lembre outros filmes, segue tendo personalidade.

Embora previsível, o roteiro conquista o público com o drama da infância e adolescência de Jamal e, em seguida, com sua história de amor. Boyle distancia-se da filmografia alternativa que exaltou em projetos anteriores e cria sua obra mais comercial, misturando açucar com violência. “Quem Quer Ser Um Milionário?” é tenso e emocionante, um trabalho que mexe mais com as emoções e é indicado para os românticos (ou não).

Nota: 8,5

Pagando Bem, Que Mal Tem?


Que decepção, Kevin Smith! O diretor mais nerd de todos os tempos – rótulo que ele próprio se deu - bem que poderia entregar um filme muito melhor. O maior acerto do projeto, sem dúvida, é a brincadeira com “Star Wars”, fora isso as referências a cultura pop mal aparecem. A campanha do longa-metragem investiu em destacar críticas que apontavam o produto como uma máquina de risos. Total enganação!

Vamos ao plot: Zack e Miri são dois amigos que dividem o aluguel e estão endividados até o último fio de cabelo. A solução encontrada para livrarem-se das dívidas é fazer um filme pornô caseiro (!). E, assim, acompanhamos o que deveria ser a divertida saga da dupla na tentativa de filmar o tal vídeo.

Contando com um Seth Rogen em alta e uma bela Elizabeth Banks, o cineasta não aproveita as qualidades da dupla e nem consegue o mínimo: obter uma química verdadeira entre os protagonistas. Boa parte das cenas que deveriam ser engraçadas geram mais constrangimento frente aos fatos do que levam as risadas. Para completar, ao final, a produção do material pornô é deixada de lado e entra no lugar um bobo romance.

Em “Rebobine Por Favor”, o diretor Michel Gondry tinha uma história parecida com e soube criar um ótimo filme. Kevin Smith erra feio e perde a boa idéia que tinha em mãos. A fita não é nada além do que ordinário, sendo assim, lamentável para um filme (e diretor) que tinha tanto a explorar.

Nota: 4,0

Vicky Cristina Barcelona


Há quem diga que Woody Allen não é mais o mesmo. O gênio de 73 anos é praticamente o único cineasta a escrever e dirigir um filme por ano – uma média seguida à risca e de forma invejável. Em 2005, ele já havia provado que continuava sagaz e trágico com “Match Point”, e se “Scoop” não demonstrou todas suas qualidades, pelo menos rendeu um filme divertidíssimo, uma comédia muito acima da média. No ano passado tivemos “O Sonho de Cassandra”, um drama policial irônico bem no estilo do diretor, que acabou subestimado pela crítica.

O projeto de 2008 foi “Vicky Cristina Barcelona”, que marca uma nova mudança de ares na carreira de Woody: após filmar três longas na capital inglesa, o diretor transformou a cidade espanhola em um coadjuvante de luxo do seu novo filme. O clima da produção é de total deleite: personagens boêmios, muita tensão sexual, belos diálogos, cenas verdadeiramente engraçadas e tomadas de uma Barcelona deslumbrante.

Logo no início, somos apresentados as duas personagens do título: Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson), duas amigas que pensam completamente diferente quando a questão é “amor”. Enquanto Cristina é uma mulher de se entregar e viver uma paixão, Vicky é mais racional e mantém uma relação estável com seu noivo. As duas partem para uma viagem de férias na Espanha e acabam sendo abaladas pela presença sedutora de um artista (Javier Barden), e posteriormente, de sua esposa desequilibrada (Penélope Cruz).

Como a maioria das obras que integram sua filmografia, “Vicky Cristina Barcelona” aborda temas simples de forma encantadora, valorizando o texto nas tradicionais sutilezas. O elenco afiadíssimo enaltece o resultado frente às câmeras, com destaque para uma Penélope Cruz fenomenal. Vale prestar atenção no desempenho da novata Rebecca Hall, que já recebeu uma indicação ao Globo de Ouro.

Nota: 8,5

Os Estranhos


Talvez o público adolescente acostumado com a série “Jogos Mortais” não esteja preparado para um filme de suspense como “Os Estranhos”. Classificado como “um terror à moda antiga”, a produção opta por gelar o sangue do espectador com sequências silenciosas e que geram muito mais tensão e medo do que os sustos fáceis.

A premissa é simples: Kristin e James estão passando uma temporada na remota casa de veraneio dos pais dele, no interior dos Estados Unidos. Certa noite, os dois chegam de uma festa na qual acabaram brigando e, logo em seguida, passam a ser aterrorizados por quatro mascarados que estão dispostos a levá-los ao limite do desespero.

A frase “baseado em fatos reais” que aparece logo no início do filme é totalmente ilusória. Basta assistir o filme até o fim e comprovar que era impossível saber exatamente o que aconteceu naquela noite de horror. Desconsiderando isto, o filme mostra-se um bom exemplar do gênero, sufocando o público com os jogos doentios dos psicopatas.

Nota: 7,0

2 Dias em Paris


Em seu segundo longa-metragem, Julie Delpy demonstra que as sombras das produções Antes do Amanhacer e Antes do Pôr-do-Sol ainda a perseguem. Com este drama contemporrâneo, a atriz e diretora alterna discussões banais relativas às bobagens do dia-a-dia com momentos típicos das comédias de erros.

O casal protagonista encontra o timing certo para a relação a dois. Na trama, os dois estão fazendo um tour pela Europa e, antes de retornarem aos Estados Unidos, decidem permanecer dois dias em Paris. É na capital francesa que a família dela vive, assim como seus antigos amores.

Justamente por ter seu nome associado aos filmes anteriormente citados, espera-se que essa produção fosse no mínimo parecida com aqueles que dividia a tela com Ethan Hawke (e esse fosse, teria obtido um resultado muito superior). Os momentos parecidos são os que mais valem a pena. As tramas possuem semelhanças, porém algumas confusões e questionamentos sobre a vida sexual da personagem de Delpy diferem os projetos entre si.

Os dez minutos iniciais ameaçam a apresentação de um filme muito diferente do que se assiste no decorrer da exibição. Tanto a abertura como o encerramento são de uma beleza cinematográfica que já garantem a sessão. Mesmo com momentos inspirados e alguns diálogos realmente bons, o produto é interessante, mas ainda assim razoável.

Nota: 6,0

[REC]


Levou quase uma década para Hollywood começar a explorar o cinema estilo “Bruxa de Blair”. A técnica foi repetida esse ano com bastante êxito em “Cloverfield”, porém um ano antes, o terror espanhol “[REC]” já havia utilizado esse formato para transmitir maior angústia e tensão ao espectador.

O filme concentra sua ação em praticamente um único ambiente: um prédio residencial na cidade de Barcelona, que repentinamente é lacrado pelo governo sem explicação aparente. Dentro do edifício estão os moradores, o corpo de bombeiros que recebeu uma chamada suspeita e uma equipe de reportagem que estava acompanhando o dia-a-dia desses profissionais. O que assistimos na tela são as imagens desse cinegrafista e a narração da repórter que acompanham a proliferação de um vírus mutante surgido no local.

O modesto longa-metragem adquire o tom realista imprescindível para esse tipo de projeto e ainda revela a talentosa Manuela Velasco. Alguns sustos e um final aterrador completam o pacote desse interessante filme de terror. O remake foi encomendado às presas por Hollywood e a versão americana estreou mês passado sob o título de “Quarentena”.


Nota: 7,6

Os Desafinados


A indecisão entre filme de banda e drama romântico arruinou Os Desafinados. O ótimo início prometia uma produção como The Wonders, só que trocando o grupo de rock por um de bossa nova. Ou seja, uma versão bem nacional. A partir do momento que chegam em Nova York e se alojam no apartamento da alternativa Glória, a trajetória da banda perde espaço para um triângulo amoroso chatíssimo.

Rodrigo Santoro é o progonista, mas quem rouba a cena é Selton Mello e Cláudia Abreu. Ambos aproveitam seus personagens e apagam o carisma dos demais músicos. Aliás, o grupo do título não atinge a identificação do público que gostaria – salvo raros momentos. Pode-se acrescentar à lista de escolhas erradas, a dublagem utilizada em várias cenas e a duração excessiva com mais de duas horas. É, o resultado poderia ser outro, porém terminou desafinado mesmo.


Nota: 6,0

Zohan - O Agente Bom de Corte


A nova comédia de Adam Sandler é de um humor tão esdruxulo que chega a ser engraçado. O roteiro assinado pelo astro em parceria com Judd Apatow (Ligeiramente Grávidos, Superbad) prometia o grande retorno de Sandler ao gênero lhe deu fama e reconhecimento. A trama sobre um agente do exército israelense que possui o sonho de ser cabelereiro não apresenta um pingo de normalidade. O show de bizarrices começa na primeira cena com o protagonista pelado, requebrando o quadril e trovando as gostosas da praia, a cena acaba quando um peixe fica preso em suas nádegas.

Bom, para não afugentar a galera do cinema, já vou avisando que Zohan é um filme bastante divertido, rende ótimas risadas e deve ser assistido em DVD entre amigos e com uma cerveja bem gelada. Se o longa mantivesse o mesmo clima da primeira hora de duração poderia ser uma comédia hilária. Pena que a sem gracisse do final faz com que o ritmo desande.


Nota: 7,0

Amor e Inocência


Muito se fala dos romances de Jane Austen (Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade), mas da vida particular da escritora pouco se sabe. Em Amor e Inocência, pode-se descobrir uma jovem destemida, não tão inocente como o título nacional sugere, mas uma romântica consciente de suas escolhas.

Conhecida mundialmente por seus clássicos da literatura, Jane teve uma vida que renderia um livro ou filme, como é esse o caso. E olha que demorou para os produtores de Hollywood se darem conta disso! A queridinha Anne Hathaway encara o desafio de viver a sensível protagonista e James McAvoy fica com o papel do arrogante Tom Lefroy – interesse amoroso de Jane.

Dessa vez, os dois jovens astros, bastante talentosos por sinal, não conseguem o brilho já habitual em cena. Quase que no automático, os atores, assim como o filme, contam a história da escritora. A estrutura que o diretor Julian Jarrold (Kinky Boots – Fábrica de Sonhos) dá para o longa também não contribui para envolver o espectador. Sem grandes atrativos em sua narrativa, a trama só ganha a consistência necessária perto do fim. Uma pena.

Nota: 5,5

Linha de Passe


Walter Salles e Daniela Thomas, em mais uma parceria, realizaram uma obra aparentemente simples com Linha de Passe. Mas, pouca gente sabe que o filme levou cinco anos para ser feito. Todo esse tempo reflete no cuidado com o projeto e a preocupação sem limites com a autenticidade. Ao assistí-lo, é inevitável constatar que a realidade invadiu o filme: quem comanda as cenas são aqueles personagens vivos na tela.

Com tantos filmes abordando o lado negativo da periferia, Salles decidiu apostar em uma história que mostrasse essas pessoas com humanidade. Uma das questões discutidas é a dualidade entre uma família disfuncional, sem a ausência de um pai, com uma cidade gigante e opressora como São Paulo. A mãe (Sandra Corveloni) e seus três filhos sobrevivem o dia-a-dia em um mundo de devoradora desigualdade.

A sensibilidade como o diretor trata seus personagens encanta o mais duro dos corações. Linha de Passe é um trabalho caprichado, bonito de assistir e sentir, portanto, nem um pouco simples. Os atores estreantes em cinema (com exceção de Vinícius de Oliveira) dão um show a parte. Salles aparece mais maduro do que nunca, e esse projeto demonstra toda essa confiança.

Nota: 7,5

Um Crime Americano


O chocante caso da adolescente Sylvia Likens é contado nesse filme igualmente brutal. O diretor Tommy O´Haver não poupa o espectador de presenciar as cenas de humilhação e tortura. Um Crime Americano não é um passatempo como qualquer outro, não chega a ser filme bom de assistir, a experiência é pra lá de indigesta.

Após a sublime interpretação em Juno, Ellen Page dá vida a adolescente de 15 anos que é aprisionada no porão durante várias semanas por Gertrurde Baniszewski. A mulher de 36 anos ficou responsável de cuidar da menina enquanto seus pais viajavam. Como os pais não voltam e o dinheiro pela hospedagem pára de chegar, Sylvia se torna uma válvula de escape da megera.

O mais impressionante é que Gertrude tinha ainda sete filhos e todos eles conviveram normalmente com a situação. Várias crianças da vizinhança chegam a ser coniventes com as condições precárias por qual Sylvia passa, sendo que muitas vezes, ainda ajudam a torturá-la. A única exceção é a irmã de Sylvia que parece ter entrado em estado de pânico e assiste a tudo calada. Apesar de parecer exagerado, a história é baseada em fatos reais.

Um Crime Americano funciona como um relato de um caso brutal e repulsivo, uma denúncia fílmica que veio aparecer mais de 45 anos depois do acontecido. Entre os quesitos técnicos, destaca-se a ótima performance de Catherine Kenner na figura do carrasco. Mesmo sendo um filme correto, o espetáculo não é nada agradável. Justamente por isso, fica difícil apreciá-lo como entretenimento.

Nota: 6,0

Trovão Tropical


Até o momento, Trovão Tropical pode ser classificado como a melhor comédia do ano. O filme dirigido por Ben Stiller é desde o início uma sessão de muitas risadas. Os trailers falsos na abertura colocam o espectador no humor exato da produção, além de resultarem em uma jogada esperta, que dispensa a apresentação dos personagens.

Ben Stiler, Jack Black e Robert Downey Jr interpretam na tela astros de cinema! Só isso já torna o filme muito divertido! Na trama, os três são atores milionários com egos super inchados e que não se acertam de jeito nenhum nas gravações da produção que promete ser ‘o maior filme de guerra de todos os tempos’!

Para tentar controlar sua equipe e evitar o fracasso do seu projeto, o diretor leva os atores para o meio da floresta com a intenção de obter o ar de realidade imprescíndivel para as filmagens. Porém, os perigos se tornam mais reais do que todos imaginam.

Para variar, o show é de Robert Downey Jr! Desde seu retorno em 2005, com Beijos e Tiros, que o ator marca um sucesso atrás do outro e demonstra ser um dos melhores de sua geração! Aqui, o sujeito é o responsável pelas melhores cenas e está impagável como o astro bem conceituado que se submete à tudo pelo personagem.

Quem mal aparece é Jack Black, ofuscado pelos demais protagonistas. O único momento em que faz rir é durante o trailer de “The Fatties”. Uma surpresa é a atuação de Tom Cruise como o dono do estúdio Les Grossman. O ator está irreconhecível sob muita maquiagem e falas grotescas.

Misturando ação com comédia, o filme não foge de sua proposta e, quando as piadas ameaçam acabar para dar espaço à cenas de guerra, chega logo o final. Assim, Trovão Tropical resulta em uma comédia bacana, que brinca com Hollywood e seus estrelismos, mas que além de tudo, faz o público rolar de rir. Até mesmo a história meio furada funciona na tela. O que nós resta é aproveitar a sessão!

Nota: 8,0

O Amor Não Tem Regras


Já é a terceira vez que George Clooney comanda a direção de um longa-metragem: Confissões de Uma Mente Perigosa, de 2002, recebeu boas críticas e reservou lugar no ramo alternativo, Boa Noite e Boa Sorte, de 2005, ganhou vários prêmios e teve indicações ao Oscar, e agora, O Amor Não Tem Regras, de 2007, foi completamente esquecido.

O filme não levou praticamente ninguém aos cinemas norte-americanos e nem chamou a atenção da crítica. Para tentar alavancar o filme no Brasil, a distribuidora optou por um título de comédia romântica – o que certamente deixará os espectadores desavisados bem pouco satisfeitos.

Na verdade, é um filme que se passa na década de 20, sobre esporte, mais especificamente futebol americano. O galã Clooney é Dodge Conolly, um veterano treinador que tenta salvar seu fracassado time ao contratar um jogador promissor. Renné Zellweger interpreta a repórter que deve desmascarar o astro profissional e serve como a ponta do triângulo amoroso.

O terceiro projeto de Clooney na direção é um filme sem personalidade, tipicamente comum e com raros atrativos, entre essa minoria pode-se citar o visual retrô e o humor pastelão simpático. O casal protagonista não consegue a química pretendida, fazendo com que o jogo sujo praticado por ambos soe ainda mais prejudicial para a apreciação da obra. Dessa vez, o esquecimento foi merecido.

Nota: 4,8

Mamma Mia


Entre os clássicos musicais da Broadway está Mamma Mia, um novelão recheado de canções do grupo ABBA. Na onda de transpor para o cinema as peças teatrais da famosa avenida de Nova York, chegou a vez desse espetáculo de visual kitsch e números musicias ainda mais brega, e olha que isso não é uma crítica negativa.

Sem comparar as duas versões, vamos nos concentrar apenas no filme. O roteiro apoia-se na história de uma garota que possui três pais! Isso mesmo, a sua mãe não sabe qual deles foi o responsável por sua gravidez. Inseridas no meio desse fiapo de história as músicas contagiantes do ABBA encontram o lugar certo na trama. Aliás, são esses momentos que dão vida ao projeto.

À frente do elenco, a consagrada Meryl Streep esforça-se para encantar o público – o que nem sempre é garantido. O argumento fraco é um acúmulo de clichês e por isso, totalmente previsível. Boa parte das coreografias são exageradas, requisitando um elenco de apoio que surge do nada e não traz novidades. Muitas danças chegam a ser constrangedoras, sem falar no histerismo das personagens femininas, principalmente Julie Walters. Quem não suporta musicais, deve fugir de "Mamma Mia" e assim evitar que pegue ainda mais nojo! Somente os fãs do gênero sem grandes pretensões consiguirão aproveitar alguns momentos dessa desiquilibrada montagem.


Nota: 6,5

Ensaio Sobre a Cegueira


O que muitos consideraram infilmável, o brasileiro Fernando Meirelles foi lá e fez. A adaptação da premiada obra de José Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira, é o mais recente projeto do brasileiro mais respeitado atualmente no mundo do cinema.

Depois do “revolucionário” Cidade de Deus, o diretor arriscou-se no exterior com O Jardineiro Fiel e teve seu merecido reconhecimento. Agora, com esse novo longa-metragem, temos mais uma produção excelente fazendo parte de sua filmografia. Para encurtar o caso: uma epidemia de cegueira branca deixa toda uma população a beira do primitismo. Entre os afetados, apenas uma mulher consegue enxergar, Julianne Moore é quem guia os desamparados e conduz o filme.

As imagens esbranquiçadas ajudam o espectador a embarcar no contexto da ausência de visão, enquanto isso, a trama contundente do escritor envolve o público e realiza uma importante análise sobre a convivência em sociedade. Assim, já se pode compreender o sucesso do livro ao assistir a versão cinematográfica. Com Ensaio Sobre a Cegueira, Meirelles promove um espetáculo para os olhos (e para mente).


Nota: 8,0

O Sonho de Cassandra


Realmente existe uma certa semelhança entre O Sonho de Cassandra e Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto. Coincidência ou não, os dois abordam como tema central a cobiça e ambição do homem comum, exemplificada através de um crime que procura se justificar no momento em que gera um bem maior. Os dois projetos foram lançados com poucos meses de separação, o primeiro deles foi o filme de Woody Allen.

O veterano diretor retorna à tramas policiais equivalentes a Crimes e Pecados e Match Point. A ironia se faz presente, acampanhada de bons diálogos, tensão contínua e uma evolução que se desenvolve pouco a pouco, sem se apressar para o trágico final. Talvez o defeito do filme seja utilizar um tema tão interessante e não aprofundar o suficiente. A consequência disso foi a realização de um thriller de entretenimento envolvente e curioso. Poderia ser muito mais.

A dupla Ewan McGreggor e Colin Farrel já foi melhor. As escolhas equivocadas dos últimos anos podem ter atrapalhado a auto-estima dos atores, impossibilitando performances semelhantes à de outrora. Farrel, por exemplo, apesar de estar bem em cena repete o mesmo personagem do recente Na Mira do Chefe. Ou o contrário? O personagem de Na Mira do Chefe repete esse aqui? De qualquer maneira, foi preguiça.

Em contrapartida, é inegável a capacidade impressionante de Allen contar, a cada ano, uma nova história fascinante. O periodo de espera por seus filmes é feita com contagem regressiva e o resultado dificilmente revela-se decepcionante. Se O Sonho de Cassandra teve apenas boas críticas foi porque a expectativa que ronda o nome do diretor acaba por produzir uma cobrança muito elevada. Talvez se os críticos assistissem o filme desconhecendo o envolvimento do cineasta teriam aproveitado muito mais.

Nota: 7,9

A Lista - Você Está Livre Hoje?


Por essa ninguém esperava: A Lista é um filmeco de quinta categoria vestido de produção elegante. Hugh Jackman e Ewan McGregor embarcaram nessa roubada com o diretor iniciante Marcel Langenegger. Mas, não vá colocando a culpa no pobre coitado!

Langenegger apresenta um bom trabalho na direção, envolvendo o público com sua história, utilizando belas locações e uma fotografia estilosa. Ewan McGregor também não desmerece o projeto. O ator retorna aos seus papéis de início de carreira quando vivia interpretando sujeitos tímidos ou “gente comum”.

À mando de seu novo “amigo”, Jonathan entra num misterioso clube sexual para homens poderosos e mulheres sem tempo de amar. O deslumbramento é imediato, principalmente, quando conhece em um desses encontros uma jovem que pode ser a mulher de sua vida. Porém, nada é o que parece.

A Lista começa bem interessante e conforme vai avançando perde sua força ao mostrar como é previsível e banal. Um thriller onde o roteiro é o elemento-chave, os demais quesitos por mais que estejam no lugar certo não compensam. Assim como o título original, o desfecho supostamente surpreendente é uma decepção.

Nota: 5,0

Southland Tales - O Fim do Mundo


Richard Kelly, o diretor do imperdível Donnie Darko, realizou uma ficção científica bastante ambiciosa como sua segunda incursão no cinema. O projeto foi esse Southland Tales, que devido o fracasso retumbante acabou sendo adiado por muitos meses e esquecido em dvd.

Segundo o diretor, que também assina o roteiro, a produção é anti-guerra e brinca com a situação de os Estados Unidos estar estragando o planeta. Assistir o filme é uma experiência completamente insana, provavelmente a maior parte das pessoas não conseguirá sobreviver aos 30 minutos iniciais – sendo que o filme tem quase duas horas e meia.

O mais incrível do projeto é o visual futurista misturado com estilo retrô. Super bacana mesmo! Como já foi dito, o filme é muito bizarro, parece que Kelly juntou problemas sociais, questões políticas, cultura pop e astros de Hollywood e colocou tudo num liquidificador. As várias tramas paralelas confundem a platéia que, por mais que se esforce, não conseguirá entender muita coisa.

Ironicamente, a produção acabou ganhando caráter cult e de tão ruim, acabou sendo bom. É difícil assistir como um todo, o melhor mesmo é apreciar cada momento, principalmente aqueles muito inspirados, como a seqüência onde Justin Timberlake canta a música “All These Things I´ve Done”, do The Killers. É sensacional! A melhor cena disparado! Aliás, a trilha sonora é um deleite.

Não tem como negar que esses momentos brilhantes também se misturam com cenas de puro tédio e de uma idiotisse tremenda. Os altos e baixos fazem parte do conjunto, assim como o elenco repleto de rostos conhecidos: Sarah Michelle Gellar, Sean William Scott, Justin Timberlake, Dwayne Johnson, Mandy Moore, Christopher Lambert e Miranda Richardson.

Grande parte do tédio pode ser atribuído o uso insistente de narração e meios de comunicação para contar a história. Volta e meia acontecem interrupções para o despejo de muitas informações da trama. Por mais difícil de assistir, o filme não deixa de ser intrigante e pede uma segunda olhada.

Southland Tales resultou uma produção pretensiosa demais, que não cumpre o prometido e soa bagunçada para o espectador, dando a impressão de que foi um desperdício de tempo! Para aqueles que souberem tirar proveito de alguma coisa, vão se divertir!

Nota: 6,8

Chumbo Grosso


O diretor Edgar Wright juntou vários clichês dos filmes de ação para criar essa comédia inglesa e aproveitar o sucesso de seu projeto anterior, Todo Mundo Quase Morto, que também tirava sarro do cinema, no outro caso, eram os filmes de terror, em especial aqueles de zumbis.

A parceria é a mesma: Simon Pegg e Nick Frost, os protagonistas da primeira sátira, retornam como dois policiais de uma pequena cidade do interior da Inglaterra que acabam tendo que lidar com um assassino misterioso. Os crimes são apenas pretexto para explorar as piadas, que incrivelmente não são tão explícitas e engraçadas quanto o planejado.

Chumbo Grosso foi considerado por muitos críticos como a melhor comédia de 2007. É inegável que o filme seja bem divertido, mas a resolução dos assassinatos é tão ridícula que só pode ser uma pegadinha do roteiro. De tão idiota e revoltante, o único alento é que tenha sido proposital, com a intenção de ridicularizar o gênero.

O plot inicial d a trama é o mais sensacional: policial é transferido pela polícia de Londres para uma pacata vila porque é competente demais e pode fazer com que os outros colegas percam o emprego! A crítica e ironia andam juntas com a paródia, o que dá uma carga mais cult para a produção.

A dupla de Pegg e Frost está melhor do antes e o primeiro apresenta um ótimo desempenho como ator mais sério.

Nota: 6,5

Vida de Casado


Ambientado nos anos 40, este drama tem todo jeito de filme clássico. Além de se passar no pós-2ª Guerra Mundial, o filme apresenta uma narrativa lenta, digna das produções dessa época cujo clima e roteiro eram mais devagar, trabalhando com uma trama simplista e linear.

Vida de Casado é sobre um homem que se apaixona por uma jovem viúva, e sem saber como contar do seu caso para a esposa, decide matar sua companheiro de anos para evitar que ela passe pela humilhação de um divórcio.

O ótimo elenco dá vida aos personagens de forma crível, principalmente o casal Chris Cooper e Patricia Clarkson. O roteiro ultrapassa o óbvio e lembra muito Crimes e Pecados de Woody Allen. Elogio maior que esse? Vida de Casado é um filme adulto, sério e para poucos.

Nota: 7,7

O Procurado


Logo nas primeiras cenas de O Procurado assistimos um cara saltar de um prédio para outro, e durante esse feito, acertar com precisão na cabeça dos bandidos que o perseguem. A conclusão não podia ser outra: estamos frente à frente a um filme de ação totalmente impossível.

Contornando as cenas de ação nada verossímeis, temos um personagem cativante que dá uma guinada incrível em sua vida. Wesley Gibson (James McAvoy) era um funcionário de repartição até o dia em que é recrutado pela sexy Fox (Angelina Jolie) para fazer parte de uma fraternidade de assassinos profissionais.

As narrações de Wesley são afiadas e com muita ironia, mostrando que a ascenção do personagem é o melhor do projeto. A primeira hora de duração aborda um treinamento violento e a transição de um completo fracassado a um habilidoso matador. Como o próprio personagem diz: “Seis semanas atrás eu era exatamente como você…”. Essas pequenas pérolas elevam esse filme de ação para um nível superior de entretenimento.

A traição surge próximo do final quando algumas reviravoltas colocam tudo a perder. O que antes era extremamente impossível passa a ser gritante na tela – isso acontece porque no início a história seduz o espectador, como sofremos um baque com a nova proposta tendemos a ver essas “façanhas” com outros olhos.

O Procurado tinha tudo para ser um excelente produto de ação, surpreendendo a todos como um dos melhores filmes do ano. James McAvoy firma-se como astro e é o elemento chave da produção. Angelina Jolie hipnotiza cada vez que aparece em cena (e só isso). Apesar da enorme derrapada no final, adrenalina excitante é o que não falta e o que fica é o gosto de quero mais (e melhor).

Nota: 7,5

Melhores Filmes de 2008 (até agora)

1º) O NEVOEIRO







Sufocante do início ao fim, O Nevoeiro é um “filme de monstro” que leva o espectador ao ápice do desespero. O responsável pelo feito é o dirtor Frank Darabont, que surpreende ao transformar um simples filme de terror em uma obra-prima do gênero.

2º) SWEENEY TODD







O musical gótico de Tim Burton é uma saga sangrenta e bem orquestrada, não censura a violência e apresenta um visual de encantar os olhos. Em sua sexta parceria com o diretor, Johnny Depp brilha na pele do barbeiro demoníaco e Helena Broham Carter como sua comparsa.

3º) SENHORES DO CRIME







O submundo da máfia russa é explorado por David Cronenberg de forma seca e brutal nesse que é um dos melhores filmes de 2008. Viggo Mortensen incorpora o papel do motorista Nicolai e choca a platéia em uma sequência de luta prá lá de violenta contra dois matadores em uma sauna.

4º) DESEJO E REPARAÇÃO







O drama de Joe Wright não encontra muitas semelhanças com seu longa anterior, Orgulhoso e Preconceito. Nesse aqui, o diretor realiza um filme de época atemporal, demonstrando que a redenção nem sempre é possível. Destaque para as atuações de todo elenco.

5º) O GÂNGSTER







Ridley Scott consegue fazer com que os 150 minutos de O Gângster passem numa rapidez incrível. Sua façanha é manter o espectador envolvido com uma trama típica dos filmes da década de 70, e por incrível que pareça, a trama é inspirada em uma histórial real. Denzel Washington respira o personagem-título e as doses de drama e cenas de ação estão na medida.

6º) CLOVERFIELD







Outro filme de monstro no ranking! Parece que finalmente conseguiram sacar que o importante não é mostrar sangue e sim gerar tensão. Vale mais não entregar a criatura e deixá-la no imaginário do que entregar um monstrengo de mão beijada, sem impacto algum. Cloverfield tem tudo que um filme desses pede: sangue, nervosismo, uma criatura cool e um roteiro esperto.

7º) BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS







O avanço de Batman Begins para O Cavaleiro das Trevas é impressionante. Cristhoper Nolan cria um filme de suspense dentro de uma trama de super-herói. O dono do filme, o Coringa, deita e rola na telona. Heath Ledger está fantástico e sua tese sobre a maldade conduz até o desfecho emocionante.

8º) MEU NOME NÃO È JOHNNY







Ùnico filme nacional do ranking comprova que a safra brasileira de 2008 está fraca. Pelo menos, o filme de Mauro Lima figura na lista, demonstrando o talento da nossa terra em uma produção ágil, com uma boa história e ótimas interpretações (leia-se Selton Mello).

9º) APENAS UMA VEZ







Esse drama independente é uma delícia de assistir. Quase um musical, Apenas Uma Vez fala sobre as escolhas que tomamos na vida de forma poética e verdadeira. As canções tornam a sessão ainda mais encantadora.

10º) O ORFANATO







Mistério à moda antiga! O Orfanato conta sua narrativa bem lentamente e, ainda assim, mantém o público roendo as unhas. De quebra, reserva alguns sustos e revela-se um conto macabro inteligente e fascinante! Por isso, está entre os 10 melhores!

11º) LARS AND THE REAL GIRL







Uma das melhores surpresas do ano! Adorável comédia dramática sobre um cara que se apaixona por uma boneca inflável. No elenco, os ótimos Ryan Goslin e Emile Mortimer. Criativo, bastante humano e fora de comum. Recomendado!

12º) À PROVA DE MORTE







Tarantino e o seu universo da cultura pop: o requebrado femino, o culto à bebida, o personagem canastrão de Kurt Russell, a morte violenta de Rose McGowan, a participação especial do próprio diretor e a fotografia de cores vibrantes. Algo mais? Não, obrigado, já estou bem servido!

13º) OS INDOMÁVEIS







Recriação de um faroeste típico dos áureos tempos do gênero! Os Indomáveis é um drama emocionante sobre um poderoso duelo de personalidades. Russel Crowe e Christian Bale travam esse embate poderoso ao centro de várias cenas de bangue-bangue.

14º) JUNO







Um filme é o seu roteiro. Juno comprova essa teoria com diálogos inteligentes e sarcásticos em uma produção adolescente que merece ser assistida por todos os públicos. O diretor Jason Reitman dá um caráter indie e classifica a produção no estilo alternativo, enquanto Ellen Page entrega sua melhor interpretação.

15º) ACROSS THE UNIVERSE







Filme musical com canções dos Beatles não podia dar outra! Across the Universe garante presença na lista dos melhores de 2008 (até agora). É para assistir e cantar junto! As imagens multicoloridas, quase em formato de videoclipe, excitam o espectador e tornam a exibição extremamente prazerosa.

Charlie - Um Grande Garoto


Sucesso entre o público adolescente, essa comédia conseguiu seu espaço entre os filmes bobocas do gênero e de brinde, agrada todos os públicos. Charlie Bartlett é um adolescente rico e inteligente que decide traficar remédios regulamentados com receitas para se tornar popular na escola. O plano dá certo e uma revolução estudantil se anuncia.

Sem pretenções, o filme diverte como uma qualificada sessão da tarde infanto-juvenil. O elenco de apoio, com Robert Downey Jr. e Hope Davis, dá o aval de credibilidade para o projeto. Aliás, Downey Jr é o ator ideal para alcoólatras, vide seu passado e sua identificação imediata com o vício. Mais uma vez, ele mostra que está no auge da carreira.

Ainda que forçando a barra ao tentar passar uma lição de moral, o longa-metragem consegue tratar os adolescentes de forma mais realista mostrando-os problemáticos, drogados e com desejos sexuais. Mas, ainda assim, não foge de seu caráter infanto-juvenil.

Nota: 7,0

Esquina da Morte


Quem diria que Esquina da Morte, com toda essa cara de “filmeco”, iria surpreender. Não que o longa seja como O Gângster, mas é um filme menor sobre máfia, algo como Os Donos da Noite. Confesso que só levei a fita para casa quando vi os nomes dos atores: James Marsden, Giovanni Ribisi, Piper Perabo e Val Kilmer. Com esse elenco tem como recursar?

Tudo bem que todos já cometeram crimes em suas filmografias, mas vamos dar uma chance né? Afinal, são os quatro reunidos! E assim começa Esquina da Morte: Tommy Santoro se mete em enrascada no exército e para se livrar da pena aceita a proposta de vigiar seu primo Joey, informando seus passos a polícia. Enquanto Tommy estava investindo em sua carreira militar, Joey se tornou um dos chefões do tráfico e está metido até o último fio do cabelo com gangues de mafiosos. O dilema de delatar ou não põe tudo a perder.

James Marsden, que mesmo sendo um ator pelo qual simpatizo, termina não combinando com o porte de mafioso. Ao contrário de Giovanni Ribisi, que entrega mais uma ótima performance como o desequilibrado Joey. Falecido no início do ano, Brad Renfro também aparece em cena em uma de suas últimas atuações e comprova que tinha talento. Se a trama não é tão original, o filme compensa com o seu andamento lento, em uma linguagem simples e eficiente. Além do mais, é inspirada em uma história real.

Nota: 7,0

Santos e Demônios


Robert Downey Jr. voltou com tudo ao “grande” time de astros de Hollywood. Entre as superproduções, como "Zodíaco" e "Homem de Ferro", o ator realiza filmes menores como "Charlie Bartleett" e este aqui, "A Guide to Reconize Your Saints". Nem é preciso dizer que o nome original é sempre melhor que as sofríveis “traduções”.

O diretor estreante Dito Montiel conta sua própria história, baseada em livro de sua autoria, e consegue um debut melhor do que muitos vistos recentemente. Com a força de um ótimo elenco e o incentivo do Sundance, o filme foi alavancado rapidamente ganhando notoriedade e boas críticas.

As atuações dos veteranos Dianne Wiest e Chazz Palminteri (excelente) aumentam a avaliação, enquanto os sempre competentes Robert Downey Jr. e Rosario Dawson completam o quadro de estrelas. Shia LaBeouf aparece em seu primeiro papel de destaque no cinema, anunciando o sucesso que estava por vir. Channing Tatum mostra que pode ser um bom ator e promete se tornar igualmente famoso quanto o companheiro de cena.

O drama é todo ambientado no bairro Queens, em Nova York, contando a infância de um grupo de amigos e da rivalidade que sofrem com as gangues de rua. Os romances adolescentes, as influências da violência e a educação familiar entram na balança. A história de Dito é um bonito conto sobre amadurecimento, da ânsia de sair da realidade oprimida para atingir os sonhos e objetivos traçados.

Dito não quer ficar nesse inferno, mas para isso terá que deixar todos para trás. No final, analisando suas escolhas, ele emociona o público ao constatar que se desfez de todas pessoas que amava, porém nenhuma delas o deixou. Mensagem captada!

Nota: 7,2

Um Jogo de Vida ou Morte


A disputa travada entre Michael Caine e Jude Law em Um Jogo de Vida ao Morte não requer nenhum outro personagem em cena. Durante os 90 minutos, são apenas os dois atores num embate inteligente e de várias surpresas. O filme é refilmagem de Jogo Mortal, de 1972, mas que pode ser encontrado igualmente em VHS como Trama Diabólica.

Os dois astros apresentam as atuações de suas vidas. Conferindo os extras do DVD, é possível observar o carinho da dupla com o projeto, no qual Law também assina como produtor. Ao assistir o longa, fica difícil identificar quem está melhor em cena, ao mesmo tempo que é difícil também identificar qual dos personagens está no comando da situação.

Os diálogos espertos e sacanas só melhoram o conteúdo deste thriller elegante ao extremo, onde o seu principal refinamento são os planos tortos e distantes do diretor Kenneth Branagh e o visual moderno que atribuiu à mansão onde se passa a história. As várias camadas do enredo dividem esse duelo em três atos, que só pecam pelo rápido e superficial desenvolvimento de cada um deles. Por incrível que pareça, o filme para ser melhor, só precisava ser mais longo.

Nota: 7,2

Sem Medo de Morrer


No momento em que o título original do filme começa a fazer sentido para o espectador, percebe-se a gigantesca reviravolta que a trama propõe. A produção passa a ser definida justamente por essa mudança de rumo na vida da professora Diana. O que aparentava ser a vida de uma mulher, já estabelecida com marido e filha, que relembra seu tempo de escola onde dividia bons momentos com sua melhor amiga é transformado e mexido de tal forma que trai o público.

Sendo vendido como drama desde sua abertura até os 10 minutos finais, Sem Medo de Morrer não convece ao se tornar um suspense em seu encerramento. A jogada supostamente surpreendente não é engolida e termina confundindo mais do que justificando. De qualquer maneira, o caminho do espectador até essa brusca mudança não é tão prazeiroso a ponto de favorecer o filme. Tanto o andamento principal como o que é proposto no final não funcionam. Nem mesmo Uma Thurman e Evan Rachel Wood salvam a platéia da frustração.

Nota: 4,5

Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto


Não existe redenção em Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto. Todos personagens pagam seus pecados. Ethan Hawke e Phillip Seymor Hoffman interpretam dois irmãos falidos que desejam dar um golpe nos pais donos de uma joalheria. Como um deles mesmos diz, “nós conhecemos o local, vai ser barbada”. A aparente simplicidade da situação desmorona quando tudo dá errado e uma série de complicações implica nas atitudes furiosas vistas mais para o final.

O veterano Sidney Lumet dirige um filme nervoso, que sufoca os protagonistas e o espectador. A transformação da vida desses irmãos em um verdadeiro caos é o reflexo das consequência de uma sociedade cada vez mais imediatista e dominada pelo capitalismo. O recurso não-linear que observa a versão do golpe por vários personagens dá ainda mais complexidade ao projeto.

Por mais que seja necessário, a utilização desses flashbacks torna-se cansativo e a repetição de algumas cenas quebram o clima Do resto, a complexidade da trama observada em vários detalhes que se fundem nas linhas narrativas elevam a qualidade da produção. Completando, temos as ótimas atuações de Phillip Seymor Hoffman e Ethan Hawke e como brinde, Marisa Tomei mais linda do nunca e em cenas bem à vontade.

Nota: 7,6