Garoto Nota 10


Ao assistir “O Último Rei da Escócia” não fiquei apenas encantado com a história verídica e a fantástica performance de Forrest Withaker. O que mais me chamou a atenção foi o ator que encarnava o protagonista da história: um tal de James McAvoy. Nunca tinha sequer ouvido falar nesse nome (depois descobri que já havia assistido alguns filmes em que o cara fez algumas participações).

Na sequência vieram outros trabalhos como “Penélope”, “Desejo e Repação”e “O Procurado”. A partir desse momento não me restaram dúvidas de que McAvoy era realmente um ótimo ator (e que se envolvia em projetos interessantes). Foi com esta expectativa que esperei três anos para presenciar o lançamento de “Garoto Nota 10” em circuito nacional. O filme de 2006 é um comédia estudantil que se passa na década de 80 e conta a história de um nerd que tem “fome” pelo conhecimento. Ele mesmo confessa saber que não é uma pessoa inteligente, e por isso seu caminho para o “hall dos intelectuais” será tortuoso.

A parte inicial evidencia esse sujeito inseguro, que estuda 24 horas por dia para ser aceito na faculdade e cujo sonho é participar do programa televisivo Desafio Universitário. Quando este vira calouro, o filme parece abandonar a figura do CDF e o transforma em um conquistador atrapalhado, que não sabe lidar com duas gostosas correndo atrás dele. As patetices envolvendo o triângulo amoroso seguem até o final. De forma estúpida, o roteiro descarta as origens e os anseios do personagem inicial.

A aparente evolução do protagonista faz com que o filme perca tudo que tinha de bacana, e seu andamento daí para frente é previsível, onde nem mesmo a atuação de McAvoy apresenta algum brilho. Depois de conferir o fraco “Amor e Inocência” e este filme aqui, fico com a impressão de que quando existe um texto bom, o ator esmera-se para corresponder à altura. Caso contrário, o navio naufraga mesmo. “Garoto Nota 10” perdeu sua chance.

Nota: 4,0

Crepúsculo


Baseado no fenômeno de vendas escrito por Stephenie Meyer, esta adaptação para o cinema rende um filme de vampiros tipicamente adolescente. Talvez seja por isso que “Crepúsculo” não chega a se enquadar no gênero de suspense ou terror, na verdade é um romance ou até mesmo um drama. Aqui os vampiros não possuem dentes pontiagudos e nem saem matando humanos inocentes para saciar sua sede de sangue. Aliás, sangue é o que menos se vê na tela.

Esta é a história de Isabela Swan, uma jovem que vai morar com o pai numa cidade onde os dias são basicamente nublados ou chuvosos. Na escola, ela fica fascinada por Edward Cullen, um garoto misterioso que revela ser um vampiro. Isabela não demonstra surpresa com o fato e decide levar o namoro adiante. A família de Robert é vegatariana, ou seja, se alimenta apenas de animais – poupando assim os “pobres” humanos. A presença de Isabela no clã vai despertar os mais primitivos desejos e ainda chamar a atenção do grupo de vampiros do mal.

Pouco focado no quesito ação, as cenas de confronto entre a família do bem contra o grupo do mal não chegam a empolgar. A trama tem seu forte na decoberta de Isabela e no romance que desenvolve com alguém que a qualquer momento pode morder seu pescoço. O casal protagonista deixa um pouco a desejar com interpretações blasé, mas a força dos personagens de Meyer suaviza a perda.

Apesar de faltar a malícia da classe dos sanguessugas, “Crepúsculo” consegue ser entretenimento divertido e passageiro. E não há mal algum nisso.

Nota: 7,5

Ele Não Está Tão A Fim de Você


Ken Kwapis dirigiu “Licença para Casar “ e “Quatro Amigas e Um Jeans Viajante”. Bom, por aí já dá para se ter uma ideia do que vamos assistir em “Ele Não Está Tão a Fim de Você”. A trama açucarada não é nenhuma novidade, mas o que surpreende nesta carismática comédia romântica é o seu tema principal: exatamente o que título diz.

A análise é feita em cima de situações em que as pessoas não estão tão a fim das outras – algo muito comum e pouco explorado pela mídia. Mesmo mantendo um relacionamento ou “ficando” continuamente com alguém pode ser que não se esteja gostando tanto ou tão envolvido a ponto de querer namorar ou casar. Observamos durante o filme diversas situações em que um parceiro ama demais o outro e não é correspondido com a mesma intensidade. É uma barbada se identificar com as pequenas tramas do enredo: você já gostou de alguém que não queria nada com você? E se queria, foi um caso excepcional? Você já esteve na situação oposta? Quando alguém está apaixonado por você e você não quer nada com essa pessoa?

Identificações à parte, o filme é baseado no livro de Greg Behrendt/Liz Tuccillo e passeia pelos diversos capítulos do original. Dá para perceber que o livro deve ser de auto-ajuda, porém o filme não chega a tanto. O charme está em trabalhar um tema tão corriqueiro de forma leve e descontraída – óbvio que descontando o fato de apresentar alguns clichês e de ser uma comédia romântica.

Outro ponto inevitável na discussão é o elenco de estrelas, que inclui Drew Barrymore, Scarlett Johansson, Kevin Connoly, Jennifer Aniston, Ben Affleck e Jennifer Connely. O time representa um colírio para os olhos, mas em qualidade de interpretações não acrescentam muito. As pequenas tramas também impedem atuações de destaque.

“Ele Não Está Tão A Fim de Você” é essencialmente feminino, mas isso não impede que o público masculino também encontre graça no projeto. Dando enfoque maior para as versões segundo as mulheres, o filme também se dispõe a mostrar o lado dos homens e por tudo isso, querendo ou não, você acabará se identificando com algum dos casos e, então a simpatia com a produção vai ser imediata.

Nota: 7,6

Franklyn


São três os personagens de “Franklyn”: Ryan Phillipe interpreta um anti-herói mascarado que vive numa sociedade futurística dominada pela religião; Eva Green é uma estudante obcecada em arriscar a vida em seus projetos de arte para a faculdade e Sam Riley é um jovem que recém foi largado pela noiva e começa a reviver a inocência de seu primeiro amor.

As três figuras só irão conviver no mesmo plano ao final da projeção, quando o sentido de cada história deveria vir à tona. As respostas estão ali, mas ainda assim é meio complicado elaborar a linha do tempo e de suas interferências. Para completar, o fechamento não tem força suficiente para encerrar (e unir) as tramas com “chave de ouro”.

Independente disto, o decorrer do filme é bastante interessante e cada história possui seus pontos altos. A primeira delas é a mais fascinante, principalmente pelo universo gótico de uma direção de arte brilhante que encanta o espectador. Até mesmo as motivações dos personagens são mais justificáveis. Logo em seguida, a trama da estudante suicida também merece atenção – seus vídeos são mórbidos mas incrivelmente belos. Por último e com menor graça é o drama do rejeitado que redescobre uma paixão de criança.

Assim, “Franklyn” é um projeto dividido em partes, facilmente identificáveis. Não rende um filme por completo, porém cada experiência apresenta seu valor. Só assistindo para entender.

Nota: 7,0

Feliz Natal


Que Selton Mello abandonou a televisão para se dedicar ao cinema todo mundo sabe. Para comprovar isto, vale relembrar a sua última aparição no seriado “O Sistema” (2007), e antes disto em “Os Aspones” (2004). Já nas telas da sétima arte o astro não cansa de trabalhar: em 2008 protagonizou o maior sucesso nacional do ano, “Meu Nome Não é Johnny”, e ainda lançou seu primeiro filme como diretor, este “Feliz Natal”.

Apesar das ótimas críticas e diversos prêmios, o que muita gente não sabe é que “Feliz Natal” é uma tremenda bomba. Aquele tipo de filme que só os críticos gostam. Ao tomar conhecimento do projeto, esperava-se algo mais profundo quando a sinopse é de um cara que depois de anos longe de casa visita sua família desajustada em plena noite de Natal. Ou então, supunha-se que seria algo mais complexo/intelectual vindo dos olhares de Selton Mello.

O resultado é o deslumbramento de um diretor estreante, que opta por planos inusitados, próximos demais dos atores, e a presença de uma câmera inquieta, atordoante. A edição picoteada utiliza imagens entrecortadas que incomodam e quebram o ritmo das cenas. Desconsiderando o péssimo trabalho na direção, o roteiro também não ajuda com um texto fraco, grosseiro e sem atrativos. “Feliz Natal” é um teste de paciência, um filme que cura qualquer insônia. E falo isso com enorme pesar, já que admiro por demais o trabalho de Selton.

Nota: 2,0

Gran Torino


Clint Eastwood é um rabugesto veterano da Guerra da Coréia que vive em um bairro dominado por imigrantes asiáticos. Após a morte da esposa, ele passa a alimentar uma revolta contra a própria família, o padre que tenta ajudá-lo e os “bárbaros” que moram nas casas vizinhas.

O astro de 79 anos mostra-se completamente à vontade tanto na frente como atrás das câmeras. A direção precisa dá o tom certo para a narrativa tipicamente masculina e sabe trabalhar pouco a pouco com as rachaduras emotivas. O intransigente personagem de Eastwood acaba salvando sem querer a vida de Thao, um garoto oriental que em outra ocasião tentou roubar seu Gran Torino 1972. Surge entre o velho e o moço uma delicada relação.

O projeto foi injustamente esquecido nas principais premiações, e merecia no mínimo algumas indicações – principalmente para a atuação de Clint e sua obra como um todo. “Gran Torino” satisfaz alguns conflitos da trama com certa rapidez (algo inverossímel) e apresenta um bom número de clichês, mas ainda assim é um belo filme. Certamente está entre os melhores de 2008.

Nota: 8,5

A Verdade e Só a Verdade


Jornalista escreve um artigo para o jornal Sun-Times revelando a identidade de uma agente secreta da CIA e sua mais recente missão na Venezuela. Mesmo sofrendo duras pressões para confessar quem é a sua fonte, ela recusa-se a falar e é presa. O transcorrer do caso é o que acompanhamos nas quase duas horas de “A Verdade e Só a Verdade”, um drama inspirado livremente em uma história real.

O filme suscita muitos questionamentos éticos considerando as atitudes por parte da jornalista, do juri e da CIA. O processo é polêmico por natureza e a produção tenta não julgar as partes envolvidas – por mais que deixe claro ser à favor da mocinha. O pulso firme do diretor Rod Lurie gera um bom andamento para a história mantendo-a sempre interessante. Porém, o brilho é de Kate Benckinsale que na pele da protagonista apresenta uma de suas melhores atuações. “A Verdade e Só a Verdade” não possui intenções de fazer muito alarde entre os lançamentos, mas é uma fita que pode surpreender.

Nota: 7,8

O Efeito da Fúria


O ponto de partida deste drama é um tiroteio dentro de uma lanchonete. Na sequência, acompanhos por meio de histórias paralelas o que mudou na rotina dos sobreviventes ao trágico acontecimento. O estranho é que algumas das histórias não possuem ligações entre si, outras não apresentam o mínimo propósito e as demais nem chegar a ser abaladas pelo incidente na lanchonete. Ao assistir “O Efeito da Fúria”, sente-se que o roteiro procura filosofar sobre a sociedade americana, mas nunca chega a fazê-lo.

Me pergunto qual foi o interesse de tantos atores conhecidos (Kate Beckinsale, Dakota Fanning, Guy Pearce, Jackie Earle Haley e Josh Hutcherson) e mais alguns recentemente oscarizados (Forest Witaker e Jennifer Hudson) por esta produção. Boa parte dos personagens não necessitava de figuras renomadas para interpretá-los, chega a ser um desperdício de talentos - ainda mais em um filme que não leva a lugar nenhum.

Nota: 4,0

Choke


É perceptível o estrago que fizeram no texto corrosivo de Chuck Palahnick nesta adaptação da obra “No Sufoco”. O autor de “Clube da Luta” tem seu livro massacrado por uma falta de cuidados e escolhas criativas muito abaixo do óbvio. A narrativa possibilitava tantas liberdades poéticas que é deplorável constatar o resultado frustrante e enfadonho.

Victor Mancini é viciado em sexo, trabalha em um parque temático vestido de vassalo irlandês e costuma afundar grandes pedaços de comida goela à abaixo em restaurantes para se sentir querido. Este é o personagem central de “Choke”, uma comédia de humor negro que funciona nas páginas de Palahnick, mas nas mãos do ator Sam Rockwell isso não acontece.

O astro de “Confissões de Uma Mente Perigosa” e “Os Vigaristas” tentou despontar em Hollywood mas não conseguiu. Porém quando quer, ele é um bom ator e aqui não parece que Rockwell tenha se esforçado: sua interpretação não é nada empolgante. Angelica Huston, como a mãe do personagem alterna bons momentos com cenas robotizadas. Ao geral, dá raiva de assistir o desastre de um texto genial sendo tão mal aproveitado na tela. Os culpados não são só os atores, mas toda a equipe que não consegue realizar uma cena memorável perante a transposição de uma obra de sequências inesquecíveis.

Incrivelmente, o longa foi premiado no Festival de Sundance com o Prêmio Especial do Júri.

Nota: 4,0

Milk - A Voz da Igualdade


“Milk” dá novo gás para o diretor Gus Van Sant, que deixa um pouco de lado seu experimentalismo de filmes como “Elefante” e “Últimos Dias” para realizar uma produção caprichada e de roteiro no ponto. Sean Penn assume a figura icônica do primeiro político assumidamente homossexual na história dos Estados Unidos. O astro vencedor do Oscar por “Sobre Meninos e Lobos” ganhou seu segundo prêmio da Academia pela ótima interpretação, sem beirar o exagero ou repulsa.

Harvey Milk lutou pelos direitos gays e causou muita polêmica nos anos 70 e nesta cinebiografia sua história é contada com ritmo e envolvendo o espectador na trajetória do personagem. Vale destacar a reconstituição da época, perfeita em figurinos e direção de arte. O elenco coadjuvante merece considerações: Emile Hirsh como assistente de Milk consegue agradar, James Franco cada vez melhor ator merecia mais espaço e Josh Broslin mal aparece e levou uma indicação ao Oscar (!).

Nota: 8,0

Segurando as Pontas


Olha que nem chapado dá para aproveitar a sessão de “Segurando as Pontas”. O filme foi concebido pela turma de Judd Apatow, que antigamente realizou os ótimos “O Virgem de 40 Anos”, “Ligeiramente Grávidos” e “Superbad”. Após a trilogia, o roteirista, produtor e diretor envolveu-se em projetos sofríveis ou no mínimo questionáveis, como “Quase Irmãos”, “Ressaca de Amor”, “Zohan”, “Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor” e esta produção aqui.

Para começar, “Segurando as Pontas” não é terrível. A ousadia em trabalhar a maconha como um de seus principais temas tinha tudo para render uma engraçadíssima comédia. O resultado é morno. No início até empolga, mas logo desanda pela falta de graça. A extensa duração massacra o filme e as cenas de ação próximo ao final já não possuem chance de levantar a moral do projeto.

Na trama, Seth Rogen trabalha fumando maconha e entregando mandatos judiciais. Após presenciar um assassinato, ele procura seu traficante e acabam os dois sendo perseguidos pelos criminosos. James Franco rouba a cena como o eterno chapado Saul Silver, companheiro de fuga. O restante são poucas cenas merecedoras de atenção, muitas beirando o humor pastelão e com personagens caracturais. Desta vez parecia que Judd Apatow iria acertar. Será que ainda vai demorar?

Nota: 5,5

Simplesmente Feliz


Entre as baladas produções que concorriam ao Globo de Ouro em 2009 um singelo filme britânico destacou-se pelas indicações como Melhor Comédia e Melhor Atriz. O filme era “Simplesmente Feliz”, que conta a história de Poppy, uma professora de escola primária apaixonada pela vida e que possui um otimismo invejável. Como diz o título, ela considera-se uma pessoa feliz e satisfeita com o que construiu, porém, esse universo harmônico será sacudido pelas interferências de Scott, seu instrutor de direção, que revela-se um homem perturbado e descrente da filosofia de Poppy.

Sally Hawkins está fantástica como a personagem exagerada e merecidamente venceu como Melhor Atriz (Comédia ou Musical) na premiação. Poppy é a alma do filme, mesmo que algumas vezes tome atitudes infantis e irritantes. Ainda assim, estamos frente a frente a uma criatura encantadora que faz com que esse sentimento se espalhe pelo conjunto do filme. “Simplesmente Feliz” tem a intenção de procurar no espectador o mesmo amor que sua personagem transborda na tela. Todos nós possuímos, só falta deixá-lo ativado por mais tempo.

Nota: 7,8

Os Melhores Filmes de 2008

Estão aqui os 15 melhores filmes lançados no ano passado. Vale esclarecer alguns pontos: a lista está em ordem alfabética e só contém produções cujo lançamento oficial foi em 2008, ou seja, filmes de 2007 que chegaram ao Brasil em 2008 estão de fora. Justamente por isso que excelentes produções como "O Nevoeiro", "Senhores do Crime", "Desejo e Reparação" e "Sweeney Todd" não se encontram na lista. Agora, é só conferir a seleção! Concordar, discordar ou anotar os que ainda faltam assistir! Com vocês, as dicas do que teve de melhor no último ano!

AINDA ORANGOTANGOS







O longa de Gustavo Spolidoro destaca-se perante “Meu Nome Não É Johnny” e “Linha de Passe” - os nacionais mais consagrados do ano - pela filmagem frenética em um único e deslumbrante plano sequência. Atinge o auge pela linguagem experimental em histórias cruzadas que discutem o primitismo beirando a bizarrice.

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS







O avanço de "Batman Begins" para "O Cavaleiro das Trevas" é impressionante. Cristhoper Nolan cria um filme de suspense dentro de uma trama de super-herói. O dono do filme, o Coringa, deita e rola na telona. Heath Ledger está fantástico e sua tese sobre a maldade conduz até o desfecho emocionante.

CLOVERFIELD - MONSTRO







Hollywood finalmente percebeu que em filme de terror/suspense o importante é gerar tensão. Vale mais deixar o monstro no imaginário do espectador do que entregá-lo de mão beijada, sem impacto algum. "Cloverfield" tem tudo que um filme desses pede: sangue, nervosismo, uma criatura cool e um roteiro esperto.

DÚVIDA







Muito mais que um filme sobre pedofilia, “Dúvida” levanta questões referentes ao posicionamento da igreja moderna e ainda faz uma análise sobre como surgem os boatos e as intrigas. A bela fotografia e a majestosa direção com planos por vezes audaciosos contribuem para a elegância visual – nada mais justo para um texto vencedor do prêmio Pulitzer.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA







Fernando Meirelles reproduziu na tela o que muitos consideravam infilmável. O resultado visual, cuja edição, textura, e trilha sonora são impressionantes, soube traduzir a importante análise de Saramago sobre a convivência em sociedade. Com "Ensaio Sobre a Cegueira", o diretor promove um espetáculo para os olhos (e para mente).

FOI APENAS UM SONHO







Sam Mendes retoma a questão familiar que trabalhou de forma sublime em “Beleza Americana” através do casal Frank e April em “Foi Apenas Um Sonho”. A dupla deseja largar sua vida de subúrbio e tentar a sorte em Paris. Atores, direção e tema contundente brilham em um drama íntimo e bem realizado.

FROST/NIXON







Ron Howard foge do padrão de que filme político tem que ser incompreensível e tedioso, e sendo assim, origina um conjunto harmônico de dados históricos e entretenimento. A construção dos fatos é de fácil entendimento e rende muito mais do que a primeira vista aparenta.

MILK - A VOZ DA IGUALDADE







Cinebiografia do primeiro político assumidamente homossexual na história dos Estados Unidos. Sean Penn assume a figura icônica do personagem com verve, enquanto o diretor Gus Van Saint ganha novo gás em sua filmografia com uma produção caprichada e de roteiro no ponto.

O CASAMENTO DE RACHEL







O hábil diretor Jonathan Demme e sua brilhante roteirista, Jenny Lumet, conduzem este drama sem nunca cair no lugar comum. O ambiente acolhedor gera a empatia do público com os persongens e seus problemas. As atuações de Anne Hathway e Rosemarie DeWitt faíscam na tela. “O Casamento de Rachel” é, sobretudo, verdadeiro.

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON







A trajetória de um bebê com a aparência de um idoso que vai rejuvenecendo com o passar dos anos é muito bem desenvolvida e não deixa furos. O filme levanta questionamentos referentes a morte, o amor e o tempo, além de apresentar um talentoso diretor completamente apaixonado pela história.

O LUTADOR







A mistura de realidade e ficção transforma “O Lutador” em um filme comovente, no qual o competente diretor Darren Aronofsky promove a ressureição de um astro. 2009 foi o ano de Mickey Rouke.

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?







O grande vencedor do Oscar é a obra mais comercial da carreira do diretor Danny Boyle (“Trainspotting”, “Exterminio”). Esta fábula moderna indiana conquista ao misturar açúcar com violência de forma tensa e emocionante.

ROCK´N´ROLLA - A GRANDE ROUBADA







A construção de Guy Ritchie permanece a mesma: edição rápida, violência exarcebada e humor mordaz. O cineasta bebeu de várias fontes para construir seu próprio estilo. “Rock´n´Rolla” é um filme para ninguém colocar defeito, um dos melhores exemplares de ação e, consequentemente, o amadurecimento de um diretor. Que venha a continuação!

TROVÃO TROPICAL







Misturando ação com comédia, “Trovão Tropical” resulta em um filme bacana, que brinca com Hollywood e seus estrelismos, mas que além de tudo, faz o público rolar de rir. Até mesmo a história meio furada funciona na tela. E, para variar, o show é de Robert Downey Jr!

VICKY CRISTINA BARCELONA







Como a maioria das obras que integram a filmografia de Woody Allen, “Vicky Cristina Barcelona” aborda temas simples de forma encantadora, valorizando o texto nas tradicionais sutilezas. O filme é um total deleite: personagens boêmios, muita tensão sexual, belos diálogos, cenas verdadeiramente engraçadas e tomadas de uma Barcelona deslumbrante.

Amigos, Amigos, Mulheres à Parte


Depois do completo non sense de “Maldita Sorte” e “Zohan” não dá para se esperar mais nada de uma comédia. Esta em particular não é tão bizarra, mas parte de uma ideia nada normal. Tank (Dane Cook) é contratado por ex-namorados para levar as garotas perdidas em encontros terríveis. Traumatizadas, elas voltam para seus companheiros.

A bobagem finalmente atinge o ponto quando Tank é contratado para recuperar (ou assustar) a garota de seu melhor amigo (Jason Biggs). O problema é que o cretino se apaixona por ela. A história inusitada até diverte, levanta algumas risadas, porém a sensação que fica é de assistir um filme completamente vazio. Nem mesmo os atores se esforçam. É triste.

Nota: 6,0

Passageiros


Quando a história já é batida não dá para abusar da paciência do espectador. “Passageiros” sabe disso e condensa sua existência em 90 minutos. Sábia escolha! A jovem psiquiatra Claire (Anne Hathway) é encarrecada de clinicar cinco sobreviventes de um grave acidente aéreo. O mais enigmático do grupo, Erik (Patrick Wilson), vai levá-la a descobrir a verdade por trás da misteriosa queda do avião, enquanto os demais pacientes começam a desaparecer.

Este intrigante thriller serve para mostrar o quanto a dupla principal é talentosa. Hathway e Wilson impressionam em uma fita simplista, valorizada por atuações dedicadas. Sem atores deste calibre, provavelmente, seria um filme B que passaria despercebido. O final surpreendente funciona e computa maior crédito.

Nota: 7,2

Rock´n´Rolla - A Grande Roubada


Com “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, o diretor Guy Ritchie foi considerado o imitador de Quentin Tarantino que deu certo. As influências incluem edição rápida, violência exarcebada e humor mordaz. Ritchie bebeu de várias fontes para construir seu próprio estilo. Depois de alguns deslizes na carreira (“Destino Insólito” e “Revolver”), ele volta melhor do que nunca.

A ação se concentra em um grupo de mafiosos que é trapaceado por criminosos menos profissionais. Como já é tradicional em seus filmes, o número de tramas e personagens ultrapassa o normal, tornando complicado descrever a trama. O que importa é que Gerard Butler está hilário e Tom Wilkson encarna o chefão de forma impecável.

O roteiro, também assinado por Ritchie, aposta suas melhores sacadas na comédia, mas não deixa de criar cenas de ação fantásticas. O cuidado com o ritmo é imenso, as cenas nunca são desnecessárias e, o melhor é reservado para o final. “Rock´n´Rolla” é um filme para ninguém colocar defeito, é o amadurecimento de um diretor e seu estilo. Que venha a continuação!

Nota: 9

Por Amor


Este filme pode ficar marcado pela estreia de Ashton Kutcher em um papel sério. Seu desempenho difere do jeito bobalhão, estabanado e histérico de seus outros trabalhos. O astro rouba a cena como um personagem mais íntimo e deixa sua parceira de cena para atrás.

Kutcher interpreta Andrew, um jovem tímido que retorna à cidade natal após receber a notícia do assassinato de sua irmã. Inconformado, espera que o suspeito pelo crime receba da justiça a pena que merece. Assim, nos corredores do forum, ele conhece Linda (Michelle Pfeifer), que também perdeu uma pessoa querida. Ela teve seu marido assassinado pelo amigo e acompanha no tribunal o julgamento. Ambos fragilizados encontram forças um no outro para superar suas perdas.

"Por Amor" poderia ser um drama contundente sobre essas feridas que nunca cicatrizam, mas opta pelo óbvio quando introduz um romance que, por mais que faísque na tela, não deveria ser abordado como o prato principal. Os crimes que destroíram a vida dos protagonistas renderiam um projeto melancoólico e mais profundo do que a banalidade comprovada ao final.

Nota: 6,0

A Promoção


O roteirista do ótimo “O Sol de Cada Manhã” ganha a chance de mostrar seu talento também no comando de uma produção. Este longa-metragem conta a história de dois sujeitos que disputam um cargo na gerência da filial de um supermercado. Ambos fazem inúmeros planos caso sejam escolhidos. Ao invés de cair na comédia pastelão, a competição dos funcionários torna-se mais dramática.

Doug Stauber, interpretado por Sean William Scott, quer deixar de cuidar dos insuportáveis problemas do trabalho, como as gangues que geram confusão no estacionamento ou ainda, as fichas de reclamações dos clientes. Ele sonha em mudar-se do minúsculo apartamento para uma casa decente, junto com sua namorada. O mais deprimente é que uma simples promoção, com um salário pouco maior, já representa muito na vida destes dois homens, um pai de família e o outro querendo construir uma.

Sean William Scott é eficiente como protagonista e mostra ser um bom ator dramático. O diretor Steve Conrad, que também assina o roteiro, só poderia entregar uma obra como esta. O filme possui muitas características em comum com “O Sol de Cada Manhã”, apresentando o mesmo clima de filme (semi) independente e ainda, criticando o capitalismo que gera situações como esta.

Nota: 8,0

Marido por Acaso


Emma Lloyd (Uma Thurman) é uma radiasta que dá conselhos amorosos num popular programa feminino. Tudo está indo bem na sua vida: o talk show atinge bons níveis de audiência, ela conseguiu lançar seu primeiro livro de auto-ajuda e, ainda, está prestes a se casar com o bom-partido Richard (Colin Firth). Pouco antes do “grande dia” ela descobre que está casada civilmente com outro homem. Surpresa, Emma procura o estranho para anular a infundada união. Porém, quando conhece o encantador Patrick, ela fica na dúvida com qual dos dois deve subir ao altar.

Naturalmente, o filme é previsível. O trio protagonista segura as pontas, mas não tira a produção do básico. “Marido por Acaso” é ideal para aqueles que não se enjoam de assistir as mesmas comédias românticas.

Nota: 7,0

O Dia Em Que a Terra Parou (2008)


Assim como seu companheiro “Guerra dos Mundos”, esta refilmagem foi massacrada pela crítica especializada, que vem mostrando-se cada vez mais preconceituosa quando o assunto é ficção científica no cinema. A pontuação fica ainda pior ao constatar que o longa é refilmagem de um clássico.

Esta nova versão do filme de 1951 conta praticamente a mesma história: o alienígena Klaatu chega ao nosso planeta para alertar sobre uma crise global. Os humanos enxergam a visita como uma ameaça e preparam-se para o ataque. A cientista Helen Benson ajuda o estrangeiro a completar sua missão.

O extraterrestre que chega à Terra em forma humana tentando se adpatar ao diferente corpo é bem interpretado por Keanu Reeves. As limitações artistícas do ator contribuem para a falta de expressão do personagem. Os efeitos especiais podem receber duras críticas por pecar em raros, mas determinantes momentos. O restante é bem feito, como o clima de tensão e o interesse do espectador que permanecem em igual frequência.

A mensagem do projeto segue em evidência, mostrando-se ainda atual, porém o remake não pode ser comparado ao original. "O Dia Em Que a Terra Parou" (2008) é blockbuster, então não dá para ter grandes expectativas. Se fores assim para o cinema, dificilmente irá se decepcionar.

Obs: Embora tenha sido citada no começo do texto, "Guerra dos Mundos" (2006) é uma adaptação muito superior a esta aqui.

Nota: 7,5