quinta-feira, 19 de novembro de 2009

(500) Dias com Ela


“Esta é uma história ‘garoto encontra uma garota’”. As primeiras oito palavras do narrador tentam definir o filme. O que poderia, no entanto, ser uma comédia romântica comum não atinge esse nível de obviedade porque subverte os clichês do gênero. “500 Dias com Ela” aproxima-se dos dramas realistas de Woody Allen somados ao universo pop do autor inglês Nick Hornby.

O garoto é Tom, um redator de cartões comemorativos, que se apaixona a primeira vista pela nova secretária do chefe, Summer. A moça é tudo o que ele sempre sonhou: bonita, inteligente e, ainda por cima, gosta das mesmas músicas, livros e filmes que ele. A garota Summer é uma mulher independente, livre de escolhas e com pensamentos tipicamente masculinos. Não acredita no amor, julga-o um “conto de fadas” e, por isso, possui uma facilidade tremenda em cortar as pessoas de sua vida – assim como corta seus cabelos que tanto adora.

Essa diferença de personalidade faz com que ele idealize um romance mais profundo do que a relação que está se desenvolvendo. Os 500 dias de Tom, iluminados pela presença de Summer, são contados fora de cronologia, intercalando os perfeitos e conturbados momentos do casal. Esse dinamismo torna-se essencial para o ritmo da trama, mantendo um clima agradável, que caso fosse relatado na ordem dos fatos jamais existiria.

A passagem do tempo é realizada através de uma animação introdutória, na qual os dias felizes do casal são apresentados com um céu limpo, as árvores floridas e um sol intenso. É verão para Tom! Quando o relacionamento está ruindo, vemos um dia cinzento e a falta de folhas nas árvores. Assim, já sabemos de antemão o que o personagem está sentindo e quais cenas virão a seguir. Os encontros do rapaz apaixonado com a cética garota fará com que os dois reflitam sobre o devastador sentimento do amor, colocando em xeque se é o destino que conspira ou se são as coincidências que norteiam as suas vidas.

O tema relativamente denso para um filme “adolescente” rende comparações à Woody Allen e sua visão menos poética do universo. Semelhanças com os filmes do diretor, como “Crimes e Pecados”, “Match Point” e especialmente “Igual a Tudo na Vida”, que coloca dois jovens conversando sobre o relacionamento, são muito claras. Em certo momento, a tela se divide em “realidade” e “expectativa” mostrando que nem sempre o que desejamos realmente acontece. Homenagem captada.

A menção à Nick Hornby é justificada pela presença de inúmeras referências a cultura pop, em diálogos sobre Beatles, The Smiths, Sex Pistols, o seriado televisivo “Night Rider”, o filme “A Primeira Noite de Um Homem”, Bruce Springsteen, entre tantos outros. Talvez sejam esses gostos similares que tenham aproximado o casal, porém isso definitivamente não é tudo em um relacionamento. Como diz um dos personagens para Tom: “não é só porque ela curte as mesmas bizarrices que tu que ela é a mulher da tua vida”.

Também não seria possível um filme tão completo se não fosse a presença do ótimo Joseph Gordon-Levitt e da encantadora Zooey Deschanel. A sintonia perfeita entre o casal ganha o público no primeiro instante em que é demonstrada em cena. Joseph já havia provado que pode carregar um filme nas costas com “O Vigia” e o brilhante “Mistérios da Carne”; já Zooey, que sempre demonstrou ter mais dotes físicos do que artísticos – vide a péssima atuação em “Fim dos Tempos” – tem em Summer o papel de sua carreira.

Como acréscimo nessa fantástica composição, tem-se ainda uma trilha sonora em conexão quase sobrenatural com a história. As faixas são de extrema importância para a construção das cenas e, em sua maioria, reverenciam artistas indie como Regina Spektor, Doves, Feist, Smiths e She & Him – excelente banda de Zooey Deschanel (se você nunca ouviu falar, baixe o cd imediatamente).

O responsável pela originalidade do produto é o diretor estreante Marc Webb, que tem no seu currículo uma série de videoclipes. A bagagem do cineasta é reproduzida na consecutiva utilização de mini-cenas que compõem o painel dos vários dias ao lado da amada. Após o sucesso do filme, o nome de Webb está em alta e uma nova adaptação do musical “Jesus Cristo Superstar” ganhou o seu comando.

Para o público que aguardou tanto por esse filme, “500 Dias com Ela” supera as expectativas e faz o retrato dessa nova geração “cult” na busca pelo amor. Mas não adianta tentar se enganar ao esperar pelo convencional. As intenções do filme estão explícitas nos primeiros minutos. Pode ser que Summer não tenha sido a mulher que Tom tanto procurou, mas os dias em sua companhia certamente foram inesquecíveis –assim como serão as quase duas horas dedicadas pelo espectador com o filme.

Nota: 9,5

sábado, 10 de outubro de 2009

Estômago


“Estômago” pode até sugerir, mas não é uma comédia romântica sobre culinária e afins. A produção nacional dirigida por Marcos Jorge está mais para um suspense dramático com clima bem pesado.

Raimundo Nonato (João Miguel) é um nordestino que chega na cidade grande sem ter o que comer e onde dormir. Consegue emprego em um boteco fritando pastéis e coxinhas de galinha. O sucesso de suas coxinhas faz o movimento do bar aumentar, e logo ele é chamado para trabalhar como chef de um restaurante italiano. Nessa transição, conhece a prostituta Iria (Fabíula Nascimento) e imediatamente se apaixona.

O desenrolar do roteiro transforma “Estômago” em um filme original, único no cinema brasileiro, permeado por um humor negro chocante e com um resultado que retrata o Brasil sem piedade. Curiosamente, a gastronomia, ao invés de despertar paixões nos personagens, é tratada como sinônimo de poder.

O diretor Marcos Jorge e sua equipe criam um filme requintado e essencialmente brasileiro, valorizado também pelas fortes referências ao cinema de Fellini. Engrossando o caldo, João Miguel cria um personagem tão real que é difícil dissociar o ator de sua representação. Na mesma linha, Fabíula Nascimento rouba todas as cenas em que aparece, transformando sua puta em um ser fascinante.

Assistir ao filme é como degustar um prato caprichado e saboroso, feito com tudo que há de melhor, mas que vai se tornando indigesto depois das primeiras garfadas. Portanto, já aviso, acompanhar a tortuosa saga de Raimundo Nonato não é para quem tem estômago fraco.

Nota: 7,5

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas


O propósito do seriado televisivo “Os Normais” era apresentar situações comuns do dia-a-dia que levassem as pessoas à loucura. O texto inteligente e afiado de Fernanda Young e Alexandre Machado dificilmente decepcionava e a dupla Luis Fernando Guimarrães e Fernanda Torres interpretaram os personagens de suas vidas: Rui e Vani, um casal neurótico e completamente maluco que não tinha como não cair no gosto do público.

Três temporadas depois e um filme no currículo, eis que chega um novo longa-metragem: “Os Normais 2”. Após o estrondoso sucesso da primeira incursão no cinema, a expectativa com essa seqüência era das mais altas. Inicialmente o filme ficou conhecido pela subtítulo “Ménage a trois”, e bem que poderia seguir com ele, já que a produção gira em torno da aventura do casal em busca de uma terceira para pessoa para fazer sexo.

A sensação é de que “Os Normais 2” é um episódio estendido. Seus míseros 75 minutos logo terminam e a superficialidade da trama fica evidente, ressaltando a fraca história que não merecia ser levada às telas. Também não existe uma linguagem cinematográfica eficiente, é muito semelhante à da série. Os atores principais e nem mesmo os coadjuvantes demonstram empolgação com o projeto. Apesar de toda essa carência, Rui e Vani seguem sendo personagens muito queridos do público e somente pelo retorno deles que a sessão tem seu valor.

Nota; 5,0

Era Uma Vez...


Os contos de fantasia teimam em começar com o tradicional “Era Uma Vez…”. Essa escolha tem o intuito salientar o conteúdo lúdico da história, fruto da imaginação do autor e de sua liberdade poética. A mesma expressão é utilizada como título para o novo filme de Breno Silveira (diretor de “Dois Filhos de Francisco”) justamente para demarcar que o romance do pobretão D com a patricinha Nina é um conto de fadas repetido e previsível.

Ele mora na favela do Cantagalo e trabalha diariamente em um quiosque na praia do Rio de Janeiro. De seu recanto, observa a bela Nina entrar e sair do prédio da frente, até o dia em que a salva de um assalto. A aproximação deles é inevitável e logo os dois se apaixonam, porém a relação não demora para ser abalada pelas gritantes diferenças sociais e o mascarado preconceito.

Quem já não ouviu essa história? Realmente, “Era Uma Vez…” é um filme do qual todos sabem o que vai acontecer na tela, só que ainda assim, a história acaba surpreendendo o público e revelando ser uma das melhores produções nacionais dos últimos anos. O feito está relacionado com a atualização da trama, romantizada em seus núcleos para sensibilizar o espectador, injetando gás para temas tão discutidos e desgastados no dia-a-dia, como a violência no morro, o caos urbano e a falsa moralidade.

Também não se deve tirar o mérito do entrosamento perfeito entre os atores Thiago Martins e Vítria Frate, que dão sustentação vital ao romance desafiador e quase impossível de um garoto pobre com uma menina rica. Os dois juntos emocionam e levam às mais intençãs emoções, sendo ainda mais tocante que o filme anterior do diretor.

Breno Silveira demonstra em seu segundo longa-metragem que tem domínio completo pela sua obra, criando um estilo evidente e próprio de humanização dos personagens. “Era Uma Vez….” pode ser considerado uma espécie de Romeu e Julieta à brasileira, com doses cavalares de realidade e amor. A intensidade do projeto leva o público ao total comprometimento com a trama, fazendo-o sair da sessão inchado de tanto derramar lágrimas. E talvez essa troca de sensações e cumplicidades faça com que algumas percepções de mundo sejam transformadas. Por isso, e por tudo mais que você só irá descobrir ao assistir o filme, é que “Era Uma Vez…” não pode ficar nem mais um segundo parado na estante da locadora.

Nota: 9

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Duplicidade


Julia Roberts e Clive Owen voltam a contracenar juntos quatro anos depois do excelente “Closer – Perto Demais” e a sintonia permanece intacta. Neste thriller sobre agentes duplos que planejam passar a perna em todo mundo, não existe mocinhos nem bandidos. O importante é se dar bem e, para transmitir esse clima de trapaça e jogo de interesses, o diretor Tony Gilroy imprime seu estilo elegante ao dividir a tela em várias cenas, transmitindo dinamismo para a trama.

O grande mote do roteiro é brincar com a duplicidade dos agentes e abordar a relação de eterna desconfiança entre eles. Embora apaixonados, o casal não consegue por um único instante relaxar e, assim, seguem maquinando estratégias para o funcionamento perfeito do plano - sempre com um pé atrás quanto a fidelidade de seu parceiro.

O filme foi considerado bastante complicado, conforme sua narrativa não linear e a linguagem específica a respeito dos trâmites entre os serviços secretos. “Duplicidade” exige mesmo a atenção do espectador (nada fora do normal), e termina por revelar-se um entretenimento esperto e charmoso, assim como seus protagonistas. Destaque também para a interessante trilha sonora de James Newton Howard com muitos batuques e swing.

Nota: 8

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Shortbus


“Hedwig – Rock, Amor e Traição” foi um marco na carreira de John Cameron Mitchell, tanto como diretor quanto ator. A produção hiper cultuada é uma falsa biografia sobre um popstar do glamrock e conta com deliciosas músicas próprias. Depois de ser catapultado para o sucesso, o astro repentino levou cinco anos para lançar este “Shorbus”, um filme sem pudores sobre a vida sexual de um grupo de jovens.

Para realizar o projeto, o diretor buscou suporte nas relações sexuais para falar sobre aceitação pessoal – em todos os sentidos. A polêmica dessa vez foi com o conjunto de cenas de sexo explícito hetero e homossexual. Embora nada gratuitas, as sequencias não impedem a imediata repulsa dos espectadores mais puritanos.

“Shortbus” é um filme pesado e muito longe de um cinema adolescente pipoca. As cenas são perfeitas de forma independente, quando somadas ao contexto podem não justificar a sua importância. Por isso, a fita não deve ser avaliada como um roteiro linear, a graça está nas sensações que transmite, nos temas que aborda e na experiência total proporcionada. É um grande exercício de linguagem cinematográfica sobre a sexualidade sem ser de mau gosto ou grosseiro.

Nota: 7,7

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Arraste-me para o Inferno


Antes de comandar a franquia “Homem Aranha”, o diretor Sam Raimi ficou conhecido por um de seus primeiros filmes, uma produção de horror chamada “Evil Dead” que ganhou continuação e se tornou cultuada com o passar dos anos. Agora, famoso e com três blockbusters no currículo, ele decidiu relembrar o período em que trabalhou com o gênero prestando uma esperta homenagem aos clássicos do terror.

Na interessante trama, atendente de um banco é amaldiçoada após negar empréstimo para uma senhora. Sentindo-se humilhada, a velha invoca o demônio chamado Lâmia, que durante três dias diverte-se torturando sua vítima para depois levar a alma da pessoa diretamente para o inferno. O roteiro de Raimi e seu irmão Ivan faz uma salada com os mais conhecidos clichês: demônios, videntes, sacrifícios de animais, pragas, pesadelos, espíritos, larvas, vômitos e muito mais.


A proposta é ser trash, com direito a cenas muito escrachadas e até cômicas, mas o que dá maior força ao projeto é a forma como a história é levada a sério, envolvendo o público e tornando-o cúmplice dos absurdos. A homenagem pode ser conferida já nos créditos iniciais, quando o título salta na tela - bem como os primeiros longas de horror.


O filme de orçamento modesto para padrões hollywoodianos foi bastante elogiado pela crítica e bem recebido pelo público. Mais um ponto para Sam Raimi. Se dá sustos? Sim, alguns bons sustos estão no conjunto.

Nota: 8


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Inimigos Públicos


Era de John Dillenger o primeiro lugar na lista dos mais procurados pela polícia dos Estados Unidos em 1930. O ladrão de bancos conseguia realizar cada operação em menos de dois minutos e, por estes incríveis roubos despertou uma aura de fascinação ao seu redor. Contrariando a entusiástica população, o detetive Charles Makley trabalhava obsessivamente para capturá-lo.

O thriller lotado de sequências de tiroteios não nega que é dirigido por Michael Mann. Sua concepção de cenas de ação segue com o inconfundível formato: câmera nervosa + barulheira de pistolas e/ou metralhadoras + som ambiente sem trilha sonora. A extrema valorização dessas tomadas tirou o foco da construção do personagem icônico e deixou o retrato de Dillenger enfraquecido.

Com muitos tiros e poucas falas, Johnny Deep alia o lado durão do personagem com sua face mais sensível e romântica, personificada pela bela Marion Cottilard. Embora a trama histórica não seja bem desenvolvida, o filme rende um entretenimento de boas atuações, ótimas cenas de ação e muito jazz.

Nota: 8,0

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O Visitante


“O Visitante” é mais um filme sobre imigrantes clandestinos que disputou algumas categorias no Oscar 2009 e figurou na lista de indicações com Richard Jenkins ao prêmio de Melhor Ator. A estatueta acabou nas mãos de Sean Penn por “Milk” – por sinal, mais merecido.

O filme escrito e dirigido por Thomas McCartney é sobre um professor universitário que retorna a Nova York para apresentar um artigo científico em um congresso e decide passar esses dias no apartamento do qual dono. Chegando lá, descobre que está sendo habitado ilegalmente por um casal de imigrantes da Síria e do Senegal. Sua primeira atitude é esperar que os “invasores” deixem o local – e eles o fazem. Mas, o professor fica mobilizado com a situação do casal e dá abrigo para ambos.

A convivência com os dois (e futuramente com a mãe de um deles) fará o protagonista rever a forma patética como estava levando sua vida, anulada por uma rotina tediosa e sem objetivos. Essa nova relação se torna benéfica tanto para “o visitante” do título como também para os mais recentes amigos. O “twist” do roteiro acontece quando a polícia descobre a ilegalidade dos imigrantes.

Além da atuação bastante elogiada de Jenkins, o desconhecido Haaz Sleiman mostra-se muito competente e carismático na pele do músico sírio Tarek. Tristemente belo e nada clichê, “O Visitante” é um drama envolvente e terno sobre a vontade de viver (embora que em uma injusta realidade).

Nota: 8

domingo, 23 de agosto de 2009

A Mulher Invisível


Um dos filmes mais lucrativos do cinema nacional em 2009 foi “A Mulher Invisível”, do diretor Cláudio Torres. Nele, Selton Mello vive um cara extremamente romântico que de tanto mimar acaba sufocando suas namoradas. Após sofrer diversas desilusões amorosas, ele passa a acreditar que a vizinha gostosona (Luana Piovanni) está a fim dele. O grande senão é que ele não sabe que a sua nova amada é fruto de sua imaginação.

O principal objetivo de um filme como esse é levar o público as risadas – proporcionando também entretenimento de qualidade. “A Mulher Invisível” pode até gerar alguma graça com suas situações cômicas, mas apresenta no desenvolver vários obstáculos. O primeiro, certamente, é a atuação forçadíssima de Selton Mello – um dos melhores atores brasileiros que dessa vez exagera nos trejeitos do personagem e faz uma voz fina (irritante e inverossímel) que mal dá para entender.

Ainda no conjunto de defeitos, temos o ritmo quebrado da produção, que intercala a levemente interessante trama da mulher invisível com a história chata da outra vizinha (a morena). O filme extende-se demais justamente por isso e, sem a menor necessidade. Com 75 minutos, poderia ser mais objetivo, concentraria melhor seus momentos engraçados e terminaria como um entretenimento bobo, porém funcional. No final, quem sai ganhando mesmo é Luana, que brilha em todas as cenas (até mesmo como atriz).

Nota: 4,5

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Os Informantes


Os livros de Bret Easton Ellis apresentam como temas centrais drogas, sexo, violência, rock e muita grana. Adaptação de um livro de contos do autor, “Os Informantes” aborda justamente esses tópicos para retratar o hedonismo dos anos 80 em Hollywood, que até hoje ainda vigora mas de forma disfarçada. Esse culto ao lazer é destrinchado pelas diversas narrativas, demonstrando que essa vida deslumbrada leva a auto-destruição.

O pacote inclui uma equipe de atores totalmente empenhados em convencer na pele de seus personagens e muitos realizam uma de suas melhores interpretações. Os novatos Jon Foster e Amber Heard representam perfeitamente os jovens perdidos na cidade do pecado – o que pode ser analisado em diferentes esferas.

Ao compará-la com o livro, a versão cinematográfica ganha pontos por conseguir unir as histórias e transformá-las em uma única. Os encaixes desse quebra-cabeça proporcionam uma adaptação justa – embora que não consiga transpor toda a acidez da escrita de Ellis, que só será inteiramente compreendida ao ter o livro em mãos. O longa-metragem cria desfechos novos para alguns personagens e torna o filme mais completo, deixando às claras a discussão sobre aproveitar o brilho efêmero desta vida de luxo ou reduzir-se a mediocridade e pequenez dos demais. O lance é a futilidade de quem está no topo, que só vai perceber o que está realmente fazendo quando as luzes que ofuscam a sua visão forem embora, deixando a realidade exposta.

“Os Informantes” é um filme para poucos – assim como os livros do autor – e a crítica a esse mundo vazio fica para quem conseguir captar a essência por trás das tortuosas tramas. Se você acabar odiando a produção, pelo menos terá assistido Amber em cenas deliciosas na qual comprova toda sua estúpida beleza e só por isso o filme já terá valido a pena.

Nota: 8,5

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sunshine Cleaning


Os produtores de “Pequena Miss Sunshine” chegam com uma nova comédia dramática, só que desta vez é sobre duas irmãs “fracassadas” que resolvem ter um negócio próprio para subir na vida. A empresa até que se torna bem lucrativa, porém é algo fora do comum e nada agradável. Elas trabalham com o serviço de remoção de indícios após as cenas de crime, ou seja, limpam todo o sangue e derivados dos locais.

A personagem de Amy Adams não quer mais trabalhar como faxineira em casas de pessoas bem sucedidas que foram suas colegas no tempo de escola. Quando decide mudar de situação econômica, ela dá a cara para bater e chama sua irmã na realização da primeira limpeza. Essa purificação reverte-se também na alma dos personagens, que aos poucos vão ganhando mais confiança e passam a se livrar de pesos que os prendem ao passado.

“Sunshine Cleaning” é um filme modesto, que ganha a simpatia do público logo nos créditos iniciais quando exprime toda a angústia vivida pelas duas irmãs - em poucos segundos já conhecemos quem são aquelas pessoas. O trio Adams, Emily Blunt e Alan Arkin ajudam (e muito) para a consistência desses seres transgressores, que representam a vida ordinária a qual os norte-americanos não querem levar de jeito nenhum.

Os míseros 80 minutos de duração tornam-se o maior empecilho do projeto, já que poderiam ter abordado mais assuntos e com maior profundidade do que encerrar de forma abrupta. Como curiosidade, o filme ainda demonstra a facilidade de subir na vida na “América”, bastante diferente do que acontece no terceiro mundo onde o fator pobreza possui uma conotação totalmente díspar.

Nota: 7,4

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Rio Congelado


O filme da estreante Courtney Hunt não é apenas sobre duas mulheres que se unem para introduzir imigrantes ilegais a partir da fronteira canadense. “Rio Congelado” aborda, principalmente, os motivos pelos quais estas personagens são levadas a esse tipo de atitude. No foco central temos Ray Eddie, uma mãe que vive em um trailer com os dois filhos e foi abandona pelo marido. A situação financeira chega a um nível insustentável e a chance de mudar de vida, comprando uma casa nova e pré-moldada, é mais tentadora que os argumentos contra a prática do crime. Assim, ela e uma contrabandista realizam o esquema ilegal através de uma reserva indígena Mohawk, tida como território neutro.

Melissa Leo transborda sensibilidade e emoção como uma mulher judiada pela vida e que não consegue um futuro melhor para sua família. Mais do que merecido, a atriz foi lembrada (ao menos em indicações) em diversas premiações do ano passado. Também tremendamente elogiada foi a diretora e roteirista Hunt, que dá um enfoque humano – e tenso - para a história, privilegiando essencialmente suas crias.

Nota: 7,8

domingo, 16 de agosto de 2009

Amantes


Faz quatro meses que Leonard voltou a morar com os pais. Apesar de ter mais de trinta anos, estes ainda o tratam como criança - isso porque ele recentemente foi abandonado por sua noiva, tentou se suicidar duas vezes e ainda descobriu que possui transtorno bi-polar, precisando de medicação constante. Durante o processo de recuperação ele conhece a filha do sócio de seu pai, Sandra, que revela estar interessada em um futuro amoroso com Leonard. Ao mesmo tempo, ele também passa a se relacionar com a vizinha do andar de cima, Michelle, e imediatamente se apaixona por ela. Sem poder firmar essa paixão, já que ela está envolvida com um homem casado, ele começa a namorar Sandra.

“Amantes” dialoga com o público sobre essas barreiras que impossibilitam o teste da felicidade idealizada, frustrando ou levando a atitudes extremas. A dor do personagem de Joaquim Phoenix contagia de forma crescente e a medida que seu personagem “sangra” na tela é possível sentir com maior intensidade as suas angústias. O clima pesado presente desde o início anuncia um final trágico, como em “Match Point” – aliás, ambos apresentam diversas semelhanças – mas é não bem o que acontece. O desfecho realista conclui a obra com maestria, provando ser uma história de amor adulta e que provavelmente deixará um gosto bastante amargo no espectador.

Nota: 8,0

sábado, 15 de agosto de 2009

Observe and Report


No cartaz original do filme está escrito: “Right now, the world needs a hero (agora mesmo, o mundo precisa de um herói)”. É chocante constatar que o suposto herói proposto é Ronnie Barnhardt, um segurança de shopping completamente maluco – digno de cadeia. O cara é um ser desprezível: racista ao extremo, utiliza drogas em pleno trabalho, bate em crianças e toma as atitudes mais estúpidas. A frase do pôster pode estar brincando com a situação, sendo até mesmo irônica, mas a narrativa abraça essa figura e enaltece o personagem revoltante.

O ponto de partida é bastante interessante e seu desenvolvimento inicial comprova isso. O dia-a-dia mesquinho de Ronnie muda quando um pervertido passa a atacar no shopping expondo para os clientes suas partes íntimas. O segurança enxerga nessa ação a chance de mostrar que é capaz de prender um criminoso, conquistar o amor da sua vida, a atendente na de uma loja feminina, e ainda ingressar na polícia. Seus sonhos encontram um obstáculo na figura do detetive Harrison que assume o caso e tira Ronnie da jogada.

O filme começa divertido, por vezes, soando grosseiro – mas algo ainda esperado numa comédia. Porém, aos poucos as situações tornam-se cada vez mais ofensivas, de um humor negro desconfortável e o personagem que deveria gerar no mínimo um pouco de simpatia torna-se detestável. A salvação do projeto são os bons atores: Seth Rogen é convincente até demais no papel principal e Anna Faris e Ray Liotta são ótimos coadjuvantes.

Ao término do filme é normal questionar o estado mental de uma criatura que escreve um roteiro desses, que só pode ser alguém doente da cabeça. Mesmo assim, apesar das brincadeiras de mau gosto, “Observe and Report” tem seus momentos engraçados.

Nota: 5,0

terça-feira, 11 de agosto de 2009

The Young Victoria


De forma rápida e objetiva esta cinebiografia sobre a Rainha Vitória origina uma espécie de esboço sobre uma das figuras mais importantes que governaram a Inglaterra. Com baixa duração, o filme transcorre pela vida da personagem com certo pique e retrata melhor o seu lado humano, desnundado o ícone real ao mostrá-la como uma jovem influenciada por vários conselheiros. Apesar dessa questionável característica, a rainha é determinada, rebelde e preocupada com o seu povo.

Felizmente, “The Young Victoria” não é um filme essencialmente político. O casal Emily Blunt e Rupert Friend encontra química como protagonista da trama e o seu romance toma conta da tela. Também é interessante o jeito que apresentam a importância do Príncipe Albert na histórial – altamente relevante. Vale muito a pena assistir o filme para conhecer a história da Rainha Victória, e o melhor é que não causa bocejos em nenhum instante.

Nota: 7,9

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

What Goes Up


Repórter obcecado por heróis locais viaja para cidade do interior em busca de mais um desses casos. Ao invés de investigar o episódio que lhe foi destinado, fica fascinado pela história de um professor suicida que deixou um grupo de alunos inconformados. Aos poucos o repórter se envolve com os estudantes e passa a servir como um nada convencional modelo para os jovens.

“What Goes Up” possui aquele estilo de filme alternativo típico dos Estados Unidos – explicando melhor, possui como característica principal uma galeria de personagens que são por natureza bizarros (comprovando isso temos como destaque a dupla de “gêmeas” que só realiza ações estranhas). O projeto ainda apresenta um Steve Coogan extremamente confiante à frente do elenco e a bela e simpática Hillary Duff em um papel mais sério e dramático. Desprezando a curiosidade inicial com o longa, temos por fim um filme chato, que engatinha durante duas horas para não significar muita coisa. Que azar!

Nota: 4,9

domingo, 9 de agosto de 2009

Adventureland


Após “Superbad”, o mega hit do verão norte-americano em 2008, o diretor Greg Motolla lança com altas expectativas sua mais nova comédia. “Adventureland” foi vendido como um mais um exemplar do riso – algo semelhante ao filme anterior de Motolla. O que vemos aqui é um drama simpático sobre inseguranças e relacionamentos na adolescência.

James recém se formou no colégio e seu plano imediato é cursar jornalismo em uma faculdade de Nova York. Logo de cara recebe a notícia que seu pai foi rebaixado de cargo na empresa, e a situação financeira não está das melhores. Para ajudar nas despesas e realizar seu sonho, ele decide procurar um emprego temporário durante o verão. Acaba sendo admitido apenas no parque de diversões como instrutor de jogos. Dessa forma ele conhece boa parte dos personagens do filme: seu interesse amoroso, a garoto gostosona, o mal-caráter, o amigo nerd, o proprietário psicopata e outras figuras estereotipadas.

As aventuras amorosas de James integram o principal direcionamento da produção, deixando de lado a “clássica” comédia. Essa escolha não repercute de forma negativa, até pelo contrário. Raramente se assiste um drama honesto (e descontraído) sobre adolescentes dentro da indústria hollywoodiana. “Adventureland” poderia ter alçado voos maiores em sua narrativa, explorando melhor o ótimo cenário do parque de diversões para introduzir elementos diferentes na estrutura. Já que não o faz, torna-se um filme agradável, porém inofensivo.

Nota: 7,0

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Nossa Vida Não Cabe Num Opala


Decididamente não entendo como produzem filmes como este aqui. “Nossa Vida Não Cabe Num Opala” me chamou a atenção inicialmente pelo curioso título e pelo cartaz em forma de animação. Ao assistí-lo constatei estar frente a frente a um dos piores filmes nacionais dos últimos anos.

O longa-metragem inicia com a morte do patriarca de uma família humilde, que deixa desemparados quatro filhos. Estas criaturas são deprimentes, consideradas vítimas da sociedade por um roteiro grosseiro que não encontra justificavas para as cenas grotestas que revela. A crítica social que julga fazer não chega a ter força suficiente, e convenhamos, poderia ser realizada de outras formas muito mais eficazes.

Me admira bons atores como Leonardo Medeiros, Maria Luisa Mendonça e Marília Pera estarem envolvidos nesta produção – também fiquei surpreso ao descobrir que é baseado em uma peça teatral. Tenho convicção que o público não possui intenções de assistir um espetáculo como este, já que em nenhum momento chega a ser um entretenimento de qualidade. A nota que consta ao final desta crítica só vai para os créditos iniciais e alguns momentos interessantes nas interpretações, como a figura do fantasma do pai dos quatro irmãos.

Nota: 2,0

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Tinha Que Ser Você


O encontro de dois atores prestigiados, Emma Thompson e Dustin Hoffman, são o principal atrativo deste delicado filme adulto. De um lado temos Kate, uma desiludida quarentona que só pensa no seu trabalho e nos cuidados com a mãe. No outra ponta, Harvey é também quarentão e viaja de Nova York para Londres somente para prestigiar o casamento da filha. Ele é um sujeito amargurado, que sofre pela influência cada vez mais intensa do novo marido da ex-esposa, agindo agora como se fosse o verdadeiro pai de sua filha. A situação piora quando recebe a notícia de que não precisa voltar tão cedo para os Estados Unidos porque seu emprego foi pelos ares. Esses dois seres insatisfeitos se conhecem por acaso em um dia comum na cidade grande e a oportunidade de mudança mexe com o cotidiano habitual que antes compartilhavam.

“Tinha Que Ser Você” leva tempo para desenvolver seus personagens e quando os coloca cara a cara transforma-se em uma espécie de “Antes do Amanhecer” em que os dois conversam como velhos conhecidos sobre diversos temas. A dupla não só encontra afinidade, como também serve de ajuda um para o outro. A chance do título original acaba servindo não só para Harvey como também para Kate, e juntos eles ganham um novo incentivo para suas vidas desistimulantes.

O romance adulto é um tema que vem sendo explorado com certa frequencia no cinema atual e encontrando bom público para o mesmo. Este exemplar é bastante simplista, sem diferenciais perante as demais histórias já vistas. O que o qualifica são pequenos tons na narrativa que elevam o tradicional enfoque e, somado a isso estão as impecáveis atuações dos protagonistas.

Nota: 7,0

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Eu Te Amo, Cara


Às vésperas de seu casamento, Peter Klaven percebe que não possui amigos homens para convidar como padrinho. Inicia então uma busca por um cara que seja verdadeiramente seu amigo, nem que para isso tenha que desenvolver uma amizade às pressas. Após algumas investidas mal sucedidas ele bate um papo sem pretensão alguma com o excêntrico Sydney Fife. Surge entre ambos uma amizade honesta que colocará Peter em algumas enrascadas.

O roteiro de Larry Levin e do diretor John Hamburg deixa escapar a grande oportunidade de explorar o universo da amizade masculina e desvia o curso para situações sem a menor graça, apoiando-se em cenas escatológicas e de pouca empatia. A premissa de alto potencial revela-se um texto raso e típico das demais comédias americanas.

Ao menos, espera-se mais de Paul Rudd que andava destacando-se em projetos anteriores, como o divertidíssimo “Modelos Nada Corretos (ou “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”). Jason Segel, do seriado “How I Met Your Mother”, apresenta o mesmo personagem de estilo desleixado e repugnante já visto em filmes como “Ressaca de Amor”. A combinação de todos elementos de “Eu Te Amo, Cara” não formam uma junção digna de divertimento. O filme possui raros momentos interessantes, mas não justificam o valor total do ingresso.

Nota: 5,0

terça-feira, 4 de agosto de 2009

17 Outra Vez


A velha história de um adulto voltar a ser adolescente já foi vista em inúmeras produções, mas parece que a indústria cinematográfica hollywoodiana não cansa de repetir fórmulas do passado. Mike O´Donnell, aos seus 30 e poucos anos, ganha a chance de voltar a sua época de glória no colégio. Ao invés de usufruir dos benefícios da juventude e reescrever sua vida de forma totalmente diferente, ele opta por aproximar-se dos filhos e da ex-mulher.

Apesar de não ser desta produtora, “17 Outra Vez” é um típico filme da Disney. Justamente por ter esta atmosfera de fábula que ninguém percebe a gigantesca mudança do personagem. Ou seja, os filhos não chegam a perceber que o novo garoto é idêntico ao pai deles quando jovem ou que este é conhecedor de todos os detalhes da família. Aliás, Mike na versão colegial dá furos demais dando sermões ridículos em adolescentes ou agindo como se fosse mesmo o pai de seus filhos.

Se não levarmos em consideração essas características inconvenientes e alguns personagens extremamente estúpidos, como o amigo Ned e a diretora da escola, podemos assistir um divertido filme. O clima de Sessão da Tarde é óbvio, então desconte também a trama previsível. Caso você não assista agora nos cinemas e nem depois em DVD, não se preocupe: o filme repetirá incansavelmente nas tardes da Globo.

Nota: 7,0

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O Solista


Em menos de cinco anos, o diretor Joe Wright se tornou referência de bom cinema. O principal motivo foi a bela adaptação do clássico de Jane Austen “Orgulho e Preconceito”, em 2005, e logo após, o também de época “Desejo e Reparação”. Se alguém esperava que Wright ficaria preso entre os clássicos romances de outrora, se enganou feio. O filme seguinte, lançado este ano, foi “O Solista”, uma história verídica atual sobre a relação de um jornalista com sua fonte.

Na trama, Steve Lopez possui uma coluna própria no LA Times e precisa entreter seu leitor com novidades a cada semana. Buscando inspirações, ele depara-se com Nathaniel Ayers, um violinista que estudou na famosa escola de música Jillard School e agora está vivendo nas ruas de Los Angeles. O que seria apenas uma nova pauta para Lopez transforma-se em uma parceria muito além dos limites profissionais.

A amizade entre os dois é natural e a forma como a relação é desenvolvida não cai em artifícios baratos. O envolvimento do jornalista procurando ajudar Nathaniel é emocionante. Em certo diálogo, o personagem de Robert Downey Jr diz que nunca chegou a amar algo na mesma intensidade como Nathaniel ama a música. Ele completa afirmando que está muito satisfeito em fazer algo útil na sua vida. A ex-esposa de Lopez rebate dizendo que este é um momento de graça e é preciso dar valor para estas passagens. A troca mútua entre o jornalista e o músico transforma ambos e gera lentamente mudanças em suas atitudes.

“O Solista” não é um filme basicamente sobre superação como muitos outros. Ao todo é uma história sobre aprendizado e amizade. O inusitado é que o personagem mais interessante acaba sendo o próprio jornalista ao tornar seu conflito mais real e digno de questionamentos. O músico cheio de problemas fica para o segundo plano porque sua figura tornou-se clichê através de diversos filmes que utilizaram de personagens semelhantes. Ainda assim, o duelo de atuações é intenso. O trabalho de Robert Downey Jr destaca-se ao comprovar mais uma vez que está em sua melhor fase na carreira, superando o belo desempenho do colega Jammie Foxx.

O filme aparentemente pode parecer chato, mas “O Solista” após seus segundos iniciais não decepciona o público. Talvez uma de suas melhores qualidades seja a forma humana como lida com os personagens e situações, resolvendo seus impasses do mesmo jeito que acontece na vida real. Chegamos a esperar cenas básicas de filmes nesse estilo, mas elas nunca ocorrem. “O Solista” é um projeto cuidadoso, bonito e nada artificial. Esta é a sua glória.

Nota: 8,5

domingo, 2 de agosto de 2009

Sete Vidas


Sabe aquele filme que não se entende o que está acontecendo durante todo o tempo e nos cinco minutos finais o segredo é revelado e tudo deve fazer sentido? Você já deve ter assistido vários nesse estilo, e “Sete Vidas” é mais deles. Seu grande mérito é despertar a curiosidade no espectador para que ele permaneça até o último segundo grudado na trama. Falando nela, Will Smith interpreta um agente da Receita Federal que após um trauma recente decide ajudar pessoas desconhecidas. “Sete Vidas” é feito para emocionar, mas a sua resolução força um pouco a barra. Ainda assim, é um bom passatempo. Ah, e só para constar, Will Smith se amargurou tanto para o papel que não atinge o carisma esperado.


Nota: 7,5

sábado, 1 de agosto de 2009

A Troca


A luta de uma mãe para encontrar seu filho desaparecido é o cerne deste drama noir dirigido por Clint Eastwood. Christine Collins é uma personagem forte, incansável em sua busca e que enfrentará a polícia de Los Angeles para obter qualquer pista sobre o seu menino Walter. A história de “A Troca” é baseada em fatos reais, mas se não fosse a mão segura do diretor poderíamos assistir um novelão chatíssimo.

Eastwood dá charme para a produção e nos apresenta um filme contemplativo sobre um escândalo do início do século XX. O brucutu dos filmes de ação mostra que é muito sensível e aborda o caso de Christine com todos os cuidados necessários. Angelina Jolie completa com uma atuação irretocável.

Nota: 7,8

terça-feira, 14 de julho de 2009

Noivas em Guerra


Emma e Liev cresceram juntas como melhores amigas e desde pequenas sonham em realizar seus respectivos casamentos no mês de junho no luxuoso Hotel Plaza. Por ironia do destino, as duas são pedidas em casamento na mesma semana. A confusão inicia quando a secretária da planejadora de casamentos confunde as datas e marca as duas festas para o mesmo dia. Sem querer desistir e perder a chance de concretizar o sonho de casar no badalado salão, as “amigas” passam a competir pela melhor cerimônia numa guerra em que a baixaria não possui limites.

Transvestida de comédia, “Noivas em Guerra” tenta despertar as risadas no público através das sacanagens que uma apronta para a outra. Essa jogada não é bem sucedida porque em cada ação maldosa das jovens permanece um sentimento de arrependimento e a sensação de desconforto ao constatar que a amizade está sendo destruída. Justamente por isso que quando este sentimento é resgatado no final existe nele uma veracidade importante.

Este é um filme exclusivamente feminino, desde o tema casamento até as cenas de despedida de solteiro em clube das mulheres e brigas pelo melhor sabor de bolo. Qual homem possui paciência para discussões como estas? O único fator que talvez chame a atenção da platéia masculina são as presenças (histéricas) de Kate Hudson e Anne Hathway. O diretor Gary Winick sabe que sua história é extremamente superficial e para amenizar o enfraquecido conteúdo procura dar maior destaque para a poderosa amizade das garotas. Ele também acerta ao promover agilidade e certa graça para a óbvia narrativa, finalizando seu projeto com menos de uma hora e meia. “Noivas em Guerra” não é inteiramente sofrível, longe disso, é apenas banal.

Nota: 6,0

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Garoto Nota 10


Ao assistir “O Último Rei da Escócia” não fiquei apenas encantado com a história verídica e a fantástica performance de Forrest Withaker. O que mais me chamou a atenção foi o ator que encarnava o protagonista da história: um tal de James McAvoy. Nunca tinha sequer ouvido falar nesse nome (depois descobri que já havia assistido alguns filmes em que o cara fez algumas participações).

Na sequência vieram outros trabalhos como “Penélope”, “Desejo e Repação”e “O Procurado”. A partir desse momento não me restaram dúvidas de que McAvoy era realmente um ótimo ator (e que se envolvia em projetos interessantes). Foi com esta expectativa que esperei três anos para presenciar o lançamento de “Garoto Nota 10” em circuito nacional. O filme de 2006 é um comédia estudantil que se passa na década de 80 e conta a história de um nerd que tem “fome” pelo conhecimento. Ele mesmo confessa saber que não é uma pessoa inteligente, e por isso seu caminho para o “hall dos intelectuais” será tortuoso.

A parte inicial evidencia esse sujeito inseguro, que estuda 24 horas por dia para ser aceito na faculdade e cujo sonho é participar do programa televisivo Desafio Universitário. Quando este vira calouro, o filme parece abandonar a figura do CDF e o transforma em um conquistador atrapalhado, que não sabe lidar com duas gostosas correndo atrás dele. As patetices envolvendo o triângulo amoroso seguem até o final. De forma estúpida, o roteiro descarta as origens e os anseios do personagem inicial.

A aparente evolução do protagonista faz com que o filme perca tudo que tinha de bacana, e seu andamento daí para frente é previsível, onde nem mesmo a atuação de McAvoy apresenta algum brilho. Depois de conferir o fraco “Amor e Inocência” e este filme aqui, fico com a impressão de que quando existe um texto bom, o ator esmera-se para corresponder à altura. Caso contrário, o navio naufraga mesmo. “Garoto Nota 10” perdeu sua chance.

Nota: 4,0

terça-feira, 16 de junho de 2009

Crepúsculo


Baseado no fenômeno de vendas escrito por Stephenie Meyer, esta adaptação para o cinema rende um filme de vampiros tipicamente adolescente. Talvez seja por isso que “Crepúsculo” não chega a se enquadar no gênero de suspense ou terror, na verdade é um romance ou até mesmo um drama. Aqui os vampiros não possuem dentes pontiagudos e nem saem matando humanos inocentes para saciar sua sede de sangue. Aliás, sangue é o que menos se vê na tela.

Esta é a história de Isabela Swan, uma jovem que vai morar com o pai numa cidade onde os dias são basicamente nublados ou chuvosos. Na escola, ela fica fascinada por Edward Cullen, um garoto misterioso que revela ser um vampiro. Isabela não demonstra surpresa com o fato e decide levar o namoro adiante. A família de Robert é vegatariana, ou seja, se alimenta apenas de animais – poupando assim os “pobres” humanos. A presença de Isabela no clã vai despertar os mais primitivos desejos e ainda chamar a atenção do grupo de vampiros do mal.

Pouco focado no quesito ação, as cenas de confronto entre a família do bem contra o grupo do mal não chegam a empolgar. A trama tem seu forte na decoberta de Isabela e no romance que desenvolve com alguém que a qualquer momento pode morder seu pescoço. O casal protagonista deixa um pouco a desejar com interpretações blasé, mas a força dos personagens de Meyer suaviza a perda.

Apesar de faltar a malícia da classe dos sanguessugas, “Crepúsculo” consegue ser entretenimento divertido e passageiro. E não há mal algum nisso.

Nota: 7,5

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ele Não Está Tão A Fim de Você


Ken Kwapis dirigiu “Licença para Casar “ e “Quatro Amigas e Um Jeans Viajante”. Bom, por aí já dá para se ter uma ideia do que vamos assistir em “Ele Não Está Tão a Fim de Você”. A trama açucarada não é nenhuma novidade, mas o que surpreende nesta carismática comédia romântica é o seu tema principal: exatamente o que título diz.

A análise é feita em cima de situações em que as pessoas não estão tão a fim das outras – algo muito comum e pouco explorado pela mídia. Mesmo mantendo um relacionamento ou “ficando” continuamente com alguém pode ser que não se esteja gostando tanto ou tão envolvido a ponto de querer namorar ou casar. Observamos durante o filme diversas situações em que um parceiro ama demais o outro e não é correspondido com a mesma intensidade. É uma barbada se identificar com as pequenas tramas do enredo: você já gostou de alguém que não queria nada com você? E se queria, foi um caso excepcional? Você já esteve na situação oposta? Quando alguém está apaixonado por você e você não quer nada com essa pessoa?

Identificações à parte, o filme é baseado no livro de Greg Behrendt/Liz Tuccillo e passeia pelos diversos capítulos do original. Dá para perceber que o livro deve ser de auto-ajuda, porém o filme não chega a tanto. O charme está em trabalhar um tema tão corriqueiro de forma leve e descontraída – óbvio que descontando o fato de apresentar alguns clichês e de ser uma comédia romântica.

Outro ponto inevitável na discussão é o elenco de estrelas, que inclui Drew Barrymore, Scarlett Johansson, Kevin Connoly, Jennifer Aniston, Ben Affleck e Jennifer Connely. O time representa um colírio para os olhos, mas em qualidade de interpretações não acrescentam muito. As pequenas tramas também impedem atuações de destaque.

“Ele Não Está Tão A Fim de Você” é essencialmente feminino, mas isso não impede que o público masculino também encontre graça no projeto. Dando enfoque maior para as versões segundo as mulheres, o filme também se dispõe a mostrar o lado dos homens e por tudo isso, querendo ou não, você acabará se identificando com algum dos casos e, então a simpatia com a produção vai ser imediata.

Nota: 7,6

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Franklyn


São três os personagens de “Franklyn”: Ryan Phillipe interpreta um anti-herói mascarado que vive numa sociedade futurística dominada pela religião; Eva Green é uma estudante obcecada em arriscar a vida em seus projetos de arte para a faculdade e Sam Riley é um jovem que recém foi largado pela noiva e começa a reviver a inocência de seu primeiro amor.

As três figuras só irão conviver no mesmo plano ao final da projeção, quando o sentido de cada história deveria vir à tona. As respostas estão ali, mas ainda assim é meio complicado elaborar a linha do tempo e de suas interferências. Para completar, o fechamento não tem força suficiente para encerrar (e unir) as tramas com “chave de ouro”.

Independente disto, o decorrer do filme é bastante interessante e cada história possui seus pontos altos. A primeira delas é a mais fascinante, principalmente pelo universo gótico de uma direção de arte brilhante que encanta o espectador. Até mesmo as motivações dos personagens são mais justificáveis. Logo em seguida, a trama da estudante suicida também merece atenção – seus vídeos são mórbidos mas incrivelmente belos. Por último e com menor graça é o drama do rejeitado que redescobre uma paixão de criança.

Assim, “Franklyn” é um projeto dividido em partes, facilmente identificáveis. Não rende um filme por completo, porém cada experiência apresenta seu valor. Só assistindo para entender.

Nota: 7,0

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Feliz Natal


Que Selton Mello abandonou a televisão para se dedicar ao cinema todo mundo sabe. Para comprovar isto, vale relembrar a sua última aparição no seriado “O Sistema” (2007), e antes disto em “Os Aspones” (2004). Já nas telas da sétima arte o astro não cansa de trabalhar: em 2008 protagonizou o maior sucesso nacional do ano, “Meu Nome Não é Johnny”, e ainda lançou seu primeiro filme como diretor, este “Feliz Natal”.

Apesar das ótimas críticas e diversos prêmios, o que muita gente não sabe é que “Feliz Natal” é uma tremenda bomba. Aquele tipo de filme que só os críticos gostam. Ao tomar conhecimento do projeto, esperava-se algo mais profundo quando a sinopse é de um cara que depois de anos longe de casa visita sua família desajustada em plena noite de Natal. Ou então, supunha-se que seria algo mais complexo/intelectual vindo dos olhares de Selton Mello.

O resultado é o deslumbramento de um diretor estreante, que opta por planos inusitados, próximos demais dos atores, e a presença de uma câmera inquieta, atordoante. A edição picoteada utiliza imagens entrecortadas que incomodam e quebram o ritmo das cenas. Desconsiderando o péssimo trabalho na direção, o roteiro também não ajuda com um texto fraco, grosseiro e sem atrativos. “Feliz Natal” é um teste de paciência, um filme que cura qualquer insônia. E falo isso com enorme pesar, já que admiro por demais o trabalho de Selton.

Nota: 2,0

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Gran Torino


Clint Eastwood é um rabugesto veterano da Guerra da Coréia que vive em um bairro dominado por imigrantes asiáticos. Após a morte da esposa, ele passa a alimentar uma revolta contra a própria família, o padre que tenta ajudá-lo e os “bárbaros” que moram nas casas vizinhas.

O astro de 79 anos mostra-se completamente à vontade tanto na frente como atrás das câmeras. A direção precisa dá o tom certo para a narrativa tipicamente masculina e sabe trabalhar pouco a pouco com as rachaduras emotivas. O intransigente personagem de Eastwood acaba salvando sem querer a vida de Thao, um garoto oriental que em outra ocasião tentou roubar seu Gran Torino 1972. Surge entre o velho e o moço uma delicada relação.

O projeto foi injustamente esquecido nas principais premiações, e merecia no mínimo algumas indicações – principalmente para a atuação de Clint e sua obra como um todo. “Gran Torino” satisfaz alguns conflitos da trama com certa rapidez (algo inverossímel) e apresenta um bom número de clichês, mas ainda assim é um belo filme. Certamente está entre os melhores de 2008.

Nota: 8,5

domingo, 12 de abril de 2009

Nada Mais Que a Verdade


Jornalista escreve um artigo para o jornal Sun-Times revelando a identidade de uma agente secreta da CIA e sua mais recente missão na Venezuela. Mesmo sofrendo duras pressões para confessar quem é a sua fonte, ela recusa-se a falar e é presa. O transcorrer do caso é o que acompanhamos nas quase duas horas de “Nada Mais que a Verdade”, um drama inspirado livremente em uma história real.

O filme suscita muitos questionamentos éticos considerando as atitudes por parte da jornalista, do juri e da CIA. O processo é polêmico por natureza e a produção tenta não julgar as partes envolvidas – por mais que deixe claro ser à favor da mocinha. O pulso firme do diretor Rod Lurie gera um bom andamento para a história mantendo-a sempre interessante. Porém, o brilho é de Kate Benckinsale que na pele da protagonista apresenta uma de suas melhores atuações. “Nada Mais Que a Verdade” não possui intenções de fazer muito alarde entre os lançamentos, mas é uma fita que pode surpreender.

Nota: 7,8

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Winged Creatures


O ponto de partida deste drama é um tiroteio dentro de uma lanchonete. Na sequência, acompanhos por meio de histórias paralelas o que mudou na rotina dos sobreviventes ao trágico acontecimento. O estranho é que algumas das histórias não possuem ligações entre si, outras não apresentam o mínimo propósito e as demais nem chegar a ser abaladas pelo incidente na lanchonete. Ao assistir “Winged Creatures”, sente-se que o roteiro procura filosofar sobre a sociedade americana, mas nunca chega a fazê-lo.

Me pergunto qual foi o interesse de tantos atores conhecidos (Kate Beckinsale, Dakota Fanning, Guy Pearce, Jackie Earle Haley e Josh Hutcherson) e mais alguns recentemente oscarizados (Forest Witaker e Jennifer Hudson) por esta produção. Boa parte dos personagens não necessitava de figuras renomadas para interpretá-los, chega a ser um desperdício de talentos - ainda mais em um filme que não leva a lugar nenhum.

Nota: 4,0

terça-feira, 7 de abril de 2009

Choke


É perceptível o estrago que fizeram no texto corrosivo de Chuck Palahnick nesta adaptação da obra “No Sufoco”. O autor de “Clube da Luta” tem seu livro massacrado por uma falta de cuidados e escolhas criativas muito abaixo do óbvio. A narrativa possibilitava tantas liberdades poéticas que é deplorável constatar o resultado frustrante e enfadonho.

Victor Mancini é viciado em sexo, trabalha em um parque temático vestido de vassalo irlandês e costuma afundar grandes pedaços de comida goela à abaixo em restaurantes para se sentir querido. Este é o personagem central de “Choke”, uma comédia de humor negro que funciona nas páginas de Palahnick, mas nas mãos do ator Sam Rockwell isso não acontece.

O astro de “Confissões de Uma Mente Perigosa” e “Os Vigaristas” tentou despontar em Hollywood mas não conseguiu. Porém quando quer, ele é um bom ator e aqui não parece que Rockwell tenha se esforçado: sua interpretação não é nada empolgante. Angelica Huston, como a mãe do personagem alterna bons momentos com cenas robotizadas. Ao geral, dá raiva de assistir o desastre de um texto genial sendo tão mal aproveitado na tela. Os culpados não são só os atores, mas toda a equipe que não consegue realizar uma cena memorável perante a transposição de uma obra de sequências inesquecíveis.

Incrivelmente, o longa foi premiado no Festival de Sundance com o Prêmio Especial do Júri.

Nota: 4,0

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Milk - A Voz da Igualdade


“Milk” dá novo gás para o diretor Gus Van Sant, que deixa um pouco de lado seu experimentalismo de filmes como “Elefante” e “Últimos Dias” para realizar uma produção caprichada e de roteiro no ponto. Sean Penn assume a figura icônica do primeiro político assumidamente homossexual na história dos Estados Unidos. O astro vencedor do Oscar por “Sobre Meninos e Lobos” ganhou seu segundo prêmio da Academia pela ótima interpretação, sem beirar o exagero ou repulsa.

Harvey Milk lutou pelos direitos gays e causou muita polêmica nos anos 70 e nesta cinebiografia sua história é contada com ritmo e envolvendo o espectador na trajetória do personagem. Vale destacar a reconstituição da época, perfeita em figurinos e direção de arte. O elenco coadjuvante merece considerações: Emile Hirsh como assistente de Milk consegue agradar, James Franco cada vez melhor ator merecia mais espaço e Josh Broslin mal aparece e levou uma indicação ao Oscar (!).

Nota: 8,0

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Segurando as Pontas


Olha que nem chapado dá para aproveitar a sessão de “Segurando as Pontas”. O filme foi concebido pela turma de Judd Apatow, que antigamente realizou os ótimos “O Virgem de 40 Anos”, “Ligeiramente Grávidos” e “Superbad”. Após a trilogia, o roteirista, produtor e diretor envolveu-se em projetos sofríveis ou no mínimo questionáveis, como “Quase Irmãos”, “Ressaca de Amor”, “Zohan”, “Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor” e esta produção aqui.

Para começar, “Segurando as Pontas” não é terrível. A ousadia em trabalhar a maconha como um de seus principais temas tinha tudo para render uma engraçadíssima comédia. O resultado é morno. No início até empolga, mas logo desanda pela falta de graça. A extensa duração massacra o filme e as cenas de ação próximo ao final já não possuem chance de levantar a moral do projeto.

Na trama, Seth Rogen trabalha fumando maconha e entregando mandatos judiciais. Após presenciar um assassinato, ele procura seu traficante e acabam os dois sendo perseguidos pelos criminosos. James Franco rouba a cena como o eterno chapado Saul Silver, companheiro de fuga. O restante são poucas cenas merecedoras de atenção, muitas beirando o humor pastelão e com personagens caracturais. Desta vez parecia que Judd Apatow iria acertar. Será que ainda vai demorar?

Nota: 5,5

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Simplesmente Feliz


Entre as baladas produções que concorriam ao Globo de Ouro em 2009 um singelo filme britânico destacou-se pelas indicações como Melhor Comédia e Melhor Atriz. O filme era “Simplesmente Feliz”, que conta a história de Poppy, uma professora de escola primária apaixonada pela vida e que possui um otimismo invejável. Como diz o título, ela considera-se uma pessoa feliz e satisfeita com o que construiu, porém, esse universo harmônico será sacudido pelas interferências de Scott, seu instrutor de direção, que revela-se um homem perturbado e descrente da filosofia de Poppy.

Sally Hawkins está fantástica como a personagem exagerada e merecidamente venceu como Melhor Atriz (Comédia ou Musical) na premiação. Poppy é a alma do filme, mesmo que algumas vezes tome atitudes infantis e irritantes. Ainda assim, estamos frente a frente a uma criatura encantadora que faz com que esse sentimento se espalhe pelo conjunto do filme. “Simplesmente Feliz” tem a intenção de procurar no espectador o mesmo amor que sua personagem transborda na tela. Todos nós possuímos, só falta deixá-lo ativado por mais tempo.

Nota: 7,8 ______________________________ DOWNLOAD DO FILME

segunda-feira, 30 de março de 2009

Os Melhores Filmes de 2008

Estão aqui os 15 melhores filmes lançados no ano passado. Vale esclarecer alguns pontos: a lista está em ordem alfabética e só contém produções cujo lançamento oficial foi em 2008, ou seja, filmes de 2007 que chegaram ao Brasil em 2008 estão de fora. Justamente por isso que excelentes produções como "O Nevoeiro", "Senhores do Crime", "Desejo e Reparação" e "Sweeney Todd" não se encontram na lista. Agora, é só conferir a seleção! Concordar, discordar ou anotar os que ainda faltam assistir! Com vocês, as dicas do que teve de melhor no último ano!

AINDA ORANGOTANGOS







O longa de Gustavo Spolidoro destaca-se perante “Meu Nome Não É Johnny” e “Linha de Passe” - os nacionais mais consagrados do ano - pela filmagem frenética em um único e deslumbrante plano sequência. Atinge o auge pela linguagem experimental em histórias cruzadas que discutem o primitismo beirando a bizarrice.

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS







O avanço de "Batman Begins" para "O Cavaleiro das Trevas" é impressionante. Cristhoper Nolan cria um filme de suspense dentro de uma trama de super-herói. O dono do filme, o Coringa, deita e rola na telona. Heath Ledger está fantástico e sua tese sobre a maldade conduz até o desfecho emocionante.

CLOVERFIELD - MONSTRO







Hollywood finalmente percebeu que em filme de terror/suspense o importante é gerar tensão. Vale mais deixar o monstro no imaginário do espectador do que entregá-lo de mão beijada, sem impacto algum. "Cloverfield" tem tudo que um filme desses pede: sangue, nervosismo, uma criatura cool e um roteiro esperto.

DÚVIDA







Muito mais que um filme sobre pedofilia, “Dúvida” levanta questões referentes ao posicionamento da igreja moderna e ainda faz uma análise sobre como surgem os boatos e as intrigas. A bela fotografia e a majestosa direção com planos por vezes audaciosos contribuem para a elegância visual – nada mais justo para um texto vencedor do prêmio Pulitzer.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA







Fernando Meirelles reproduziu na tela o que muitos consideravam infilmável. O resultado visual, cuja edição, textura, e trilha sonora são impressionantes, soube traduzir a importante análise de Saramago sobre a convivência em sociedade. Com "Ensaio Sobre a Cegueira", o diretor promove um espetáculo para os olhos (e para mente).

FOI APENAS UM SONHO







Sam Mendes retoma a questão familiar que trabalhou de forma sublime em “Beleza Americana” através do casal Frank e April em “Foi Apenas Um Sonho”. A dupla deseja largar sua vida de subúrbio e tentar a sorte em Paris. Atores, direção e tema contundente brilham em um drama íntimo e bem realizado.

FROST/NIXON







Ron Howard foge do padrão de que filme político tem que ser incompreensível e tedioso, e sendo assim, origina um conjunto harmônico de dados históricos e entretenimento. A construção dos fatos é de fácil entendimento e rende muito mais do que a primeira vista aparenta.

MILK - A VOZ DA IGUALDADE







Cinebiografia do primeiro político assumidamente homossexual na história dos Estados Unidos. Sean Penn assume a figura icônica do personagem com verve, enquanto o diretor Gus Van Saint ganha novo gás em sua filmografia com uma produção caprichada e de roteiro no ponto.

O CASAMENTO DE RACHEL







O hábil diretor Jonathan Demme e sua brilhante roteirista, Jenny Lumet, conduzem este drama sem nunca cair no lugar comum. O ambiente acolhedor gera a empatia do público com os persongens e seus problemas. As atuações de Anne Hathway e Rosemarie DeWitt faíscam na tela. “O Casamento de Rachel” é, sobretudo, verdadeiro.

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON







A trajetória de um bebê com a aparência de um idoso que vai rejuvenecendo com o passar dos anos é muito bem desenvolvida e não deixa furos. O filme levanta questionamentos referentes a morte, o amor e o tempo, além de apresentar um talentoso diretor completamente apaixonado pela história.

O LUTADOR







A mistura de realidade e ficção transforma “O Lutador” em um filme comovente, no qual o competente diretor Darren Aronofsky promove a ressureição de um astro. 2009 foi o ano de Mickey Rouke.

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?







O grande vencedor do Oscar é a obra mais comercial da carreira do diretor Danny Boyle (“Trainspotting”, “Exterminio”). Esta fábula moderna indiana conquista ao misturar açúcar com violência de forma tensa e emocionante.

ROCK´N´ROLLA - A GRANDE ROUBADA







A construção de Guy Ritchie permanece a mesma: edição rápida, violência exarcebada e humor mordaz. O cineasta bebeu de várias fontes para construir seu próprio estilo. “Rock´n´Rolla” é um filme para ninguém colocar defeito, um dos melhores exemplares de ação e, consequentemente, o amadurecimento de um diretor. Que venha a continuação!

TROVÃO TROPICAL







Misturando ação com comédia, “Trovão Tropical” resulta em um filme bacana, que brinca com Hollywood e seus estrelismos, mas que além de tudo, faz o público rolar de rir. Até mesmo a história meio furada funciona na tela. E, para variar, o show é de Robert Downey Jr!

VICKY CRISTINA BARCELONA







Como a maioria das obras que integram a filmografia de Woody Allen, “Vicky Cristina Barcelona” aborda temas simples de forma encantadora, valorizando o texto nas tradicionais sutilezas. O filme é um total deleite: personagens boêmios, muita tensão sexual, belos diálogos, cenas verdadeiramente engraçadas e tomadas de uma Barcelona deslumbrante.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Amigos, Amigos, Mulheres à Parte


Depois do completo non sense de “Maldita Sorte” e “Zohan” não dá para se esperar mais nada de uma comédia. Esta em particular não é tão bizarra, mas parte de uma ideia nada normal. Tank (Dane Cook) é contratado por ex-namorados para levar as garotas perdidas em encontros terríveis. Traumatizadas, elas voltam para seus companheiros.

A bobagem finalmente atinge o ponto quando Tank é contratado para recuperar (ou assustar) a garota de seu melhor amigo (Jason Biggs). O problema é que o cretino se apaixona por ela. A história inusitada até diverte, levanta algumas risadas, porém a sensação que fica é de assistir um filme completamente vazio. Nem mesmo os atores se esforçam. É triste.

Nota: 6,0

terça-feira, 24 de março de 2009

Passageiros


Quando a história já é batida não dá para abusar da paciência do espectador. “Passageiros” sabe disso e condensa sua existência em 90 minutos. Sábia escolha! A jovem psiquiatra Claire (Anne Hathway) é encarrecada de clinicar cinco sobreviventes de um grave acidente aéreo. O mais enigmático do grupo, Erik (Patrick Wilson), vai levá-la a descobrir a verdade por trás da misteriosa queda do avião, enquanto os demais pacientes começam a desaparecer.

Este intrigante thriller serve para mostrar o quanto a dupla principal é talentosa. Hathway e Wilson impressionam em uma fita simplista, valorizada por atuações dedicadas. Sem atores deste calibre, provavelmente, seria um filme B que passaria despercebido. O final surpreendente funciona e computa maior crédito.

Nota: 7,2

terça-feira, 17 de março de 2009

Rock´n´Rolla - A Grande Roubada


Com “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, o diretor Guy Ritchie foi considerado o imitador de Quentin Tarantino que deu certo. As influências incluem edição rápida, violência exarcebada e humor mordaz. Ritchie bebeu de várias fontes para construir seu próprio estilo. Depois de alguns deslizes na carreira (“Destino Insólito” e “Revolver”), ele volta melhor do que nunca.

A ação se concentra em um grupo de mafiosos que é trapaceado por criminosos menos profissionais. Como já é tradicional em seus filmes, o número de tramas e personagens ultrapassa o normal, tornando complicado descrever a trama. O que importa é que Gerard Butler está hilário e Tom Wilkson encarna o chefão de forma impecável.

O roteiro, também assinado por Ritchie, aposta suas melhores sacadas na comédia, mas não deixa de criar cenas de ação fantásticas. O cuidado com o ritmo é imenso, as cenas nunca são desnecessárias e, o melhor é reservado para o final. “Rock´n´Rolla” é um filme para ninguém colocar defeito, é o amadurecimento de um diretor e seu estilo. Que venha a continuação!

Nota: 9

segunda-feira, 16 de março de 2009

Por Amor (Personal Effects)


Este filme pode ficar marcado pela estreia de Ashton Kutcher em um papel sério. Seu desempenho difere do jeito bobalhão, estabanado e histérico de seus outros trabalhos. O astro rouba a cena como um personagem mais íntimo e deixa sua parceira de cena para atrás.

Kutcher interpreta Andrew, um jovem tímido que retorna à cidade natal após receber a notícia do assassinato de sua irmã. Inconformado, espera que o suspeito pelo crime receba da justiça a pena que merece. Assim, nos corredores do forum, ele conhece Linda (Michelle Pfeifer), que também perdeu uma pessoa querida. Ela teve seu marido assassinado pelo amigo e acompanha no tribunal o julgamento. Ambos fragilizados encontram forças um no outro para superar suas perdas.

"Personal Effects" poderia ser um drama contundente sobre essas feridas que nunca cicatrizam, mas opta pelo óbvio quando introduz um romance que, por mais que faísque na tela, não deveria ser abordado como o prato principal. Os crimes que destroíram a vida dos protagonistas renderiam um projeto melancoólico e mais profundo do que a banalidade comprovada ao final.

Nota: 6,0

quinta-feira, 12 de março de 2009

A Promoção (The Promotion)


O roteirista do ótimo “O Sol de Cada Manhã” ganha a chance de mostrar seu talento também no comando de uma produção. Este longa-metragem conta a história de dois sujeitos que disputam um cargo na gerência da filial de um supermercado. Ambos fazem inúmeros planos caso sejam escolhidos. Ao invés de cair na comédia pastelão, a competição dos funcionários torna-se mais dramática.

Doug Stauber, interpretado por Sean William Scott, quer deixar de cuidar dos insuportáveis problemas do trabalho, como as gangues que geram confusão no estacionamento ou ainda, as fichas de reclamações dos clientes. Ele sonha em mudar-se do minúsculo apartamento para uma casa decente, junto com sua namorada. O mais deprimente é que uma simples promoção, com um salário pouco maior, já representa muito na vida destes dois homens, um pai de família e o outro querendo construir uma.

Sean William Scott é eficiente como protagonista e mostra ser um bom ator dramático. O diretor Steve Conrad, que também assina o roteiro, só poderia entregar uma obra como esta. O filme possui muitas características em comum com “O Sol de Cada Manhã”, apresentando o mesmo clima de filme (semi) independente e ainda, criticando o capitalismo que gera situações como esta.

Nota: 8,0

quarta-feira, 11 de março de 2009

Marido por Acaso


Emma Lloyd (Uma Thurman) é uma radiasta que dá conselhos amorosos num popular programa feminino. Tudo está indo bem na sua vida: o talk show atinge bons níveis de audiência, ela conseguiu lançar seu primeiro livro de auto-ajuda e, ainda, está prestes a se casar com o bom-partido Richard (Colin Firth). Pouco antes do “grande dia” ela descobre que está casada civilmente com outro homem. Surpresa, Emma procura o estranho para anular a infundada união. Porém, quando conhece o encantador Patrick, ela fica na dúvida com qual dos dois deve subir ao altar.

Naturalmente, o filme é previsível. O trio protagonista segura as pontas, mas não tira a produção do básico. “Marido por Acaso” é ideal para aqueles que não se enjoam de assistir as mesmas comédias românticas.

Nota: 7,0

terça-feira, 10 de março de 2009

O Dia Em Que a Terra Parou (2008)


Assim como seu companheiro “Guerra dos Mundos”, esta refilmagem foi massacrada pela crítica especializada, que vem mostrando-se cada vez mais preconceituosa quando o assunto é ficção científica no cinema. A pontuação fica ainda pior ao constatar que o longa é refilmagem de um clássico.

Esta nova versão do filme de 1951 conta praticamente a mesma história: o alienígena Klaatu chega ao nosso planeta para alertar sobre uma crise global. Os humanos enxergam a visita como uma ameaça e preparam-se para o ataque. A cientista Helen Benson ajuda o estrangeiro a completar sua missão.

O extraterrestre que chega à Terra em forma humana tentando se adpatar ao diferente corpo é bem interpretado por Keanu Reeves. As limitações artistícas do ator contribuem para a falta de expressão do personagem. Os efeitos especiais podem receber duras críticas por pecar em raros, mas determinantes momentos. O restante é bem feito, como o clima de tensão e o interesse do espectador que permanecem em igual frequência.

A mensagem do projeto segue em evidência, mostrando-se ainda atual, porém o remake não pode ser comparado ao original. "O Dia Em Que a Terra Parou" (2008) é blockbuster, então não dá para ter grandes expectativas. Se fores assim para o cinema, dificilmente irá se decepcionar.

Obs: Embora tenha sido citada no começo do texto, "Guerra dos Mundos" (2006) é uma adaptação muito superior a esta aqui.

Nota: 7,5

segunda-feira, 9 de março de 2009

Marley e Eu


Marley é mesmo o pior cão do mundo. Ele rasga o sofá, come tudo que vê pela frente, não pára de latir, se joga na piscina cada vez que tem a oportunidade, dorme em cima da cama … enfim, suas travessuras não possuem limites. A história do mascote é verdadeira e, como todos já deveriam saber, o filme é baseado no livro do jornalista John Grogan.

A vida ao lado de Marley é um pesadelo tão grande que o casal adotivo (Owen Wilson e Jennifer Aniston) chega a cogitar livrar-se do infernal cachorro de uma vez por todas. Claro que isso não acontece. Ao mesmo tempo que Marley gera terror por onde passa, ele é um animal adorável. Essa dualidade permeia todo roteiro e torna-se mais interessante quando o dono aproveita as peripécias do bichano para sua coluna no jornal de Michigan.

A trama bastante simples aposta na identificação das pessoas com o cachorro, já que é difícil encontrar quem não teve um ou desgosta deles. Então, o público é conduzido, aos poucos, para o trágico final e certamente será levado pelas emoções. “Marley e eu” é um filme correto e respeita a fórmula básica – apesar de ousar em uma sequência acelerada, que é cópia descarada de “Regras da Atração”. No mais, é um bom filme.

Nota: 7,2

quinta-feira, 5 de março de 2009

What Just Happened


Eu que pergunto! O que está acontecendo??? Robert DeNiro mais uma vez se mete em roubada. E se não bastasse, levou com ele um super time de estrelas: Sean Penn, Catherine Kenner, John Turturro, Robin Wright Penn, Kristin Stewart e Bruce Willis. Porém, quem sai pior da experiência é o astro principal.

Baseado no livro de Art Linvin, a produção narra as peripécias reais de um produtor de cinema em Hollywood. DeNiro interpreta o charmoso protagonista e, incrivelmente, é um de seus melhores papéis nos últimos anos. O entrave do projeto é a chatisse do roteiro, que não faz a crítica que tanto alarde e muito menos diverte.

A consequência é um entretenimento praticamente vazio – triste para o diretor de pérolas como “Bugsy”, “Rain Men” e “Mera Coincidência”. Ainda mais prejudicado é o ator que encabeça o longa, já que aos poucos vai perdendoa confiança do público ao demonstrar ser péssimo em escolher novos projetos.

Nota: 5,0

quarta-feira, 4 de março de 2009

Modelos Nada Corretos


O modelo de comédia norte-americana parece que não muda. Todo ano estréiam dezenas de exemplares do gênero no mesmo formato, com piadas grosseiras e programadas, de tom humilhante ou de personagens bizarros. O mesmo acontece com esta aqui, só que temos alguns diferenciais.

A dupla Sean William Scott e Paul Rudd está numa ótima sintonia e suas tentativas de fazer rir são bem sucedidas. Os dois são vendedores de uma marca de energético e trabalham percorrendo escolas para apresentar o produto e fazer campanha contra o consumo prejudicial de álcool. Enquanto um se fantasia de minotouro, o símbolo da bebida, o outro ensina a gurizada. A reviravolta surge quando estragam o caminhão da empresa e, para não serem presos, são condenados a cumprir 150 horas de serviço comunitário como mentores de jovens. Cada um fica responsável por uma criança.

É um alívio assistir uma comédia que consegue prender o público e proporcionar um bom divertimento. A última safra (“Quase Irmãos”, “Ressaca de Amor”, “Pagando Bem, Que Mal Tem”, “O Guru do Amor”) deixou muito a desejar. “Modelos Nada Corretos” é aquela típica comédia que você já viu, sabe de cor o que vai acontecer, mas que ainda assim diverte. Além disso, no fundo, é um filme com coração, bonitinho mesmo.

Nota: 7,8

segunda-feira, 2 de março de 2009

O Casamento de Rachel


Após os sucessos “O Silêncio dos Inocentes” e “Filadélfia”, o diretor Jonathan Demme passou uma boa fase de sua vida dedicando-se aos documentários. O retorno mais expressivo ao campo da ficção veio com este belo filme independente, no qual ele prova que não adianta tentar ser alternativo demais quando a base do roteiro são os relacionamentos e sentimentos amorosos. Filmes como “A Lula e a Baleia” ou “Margot e o Casamento” trabalham com temas do cotidiano, mas pecam quando criam diálogos e situações fora do comum, deixando o contato com o público em segundo plano.

Na trama, Kim (Anne Hathway) é liberada da reabilitação durante o final de semana para participar do casamento da irmã. Depois de permanecer um ano internada, essa é sua primeira chance de encarar a família novamente. Os conflitos não demoram a surgir, mas o hábil diretor e sua brilhante roteirista, Jenny Lumet, conduzem este drama sem nunca cair no lugar comum.

O ambiente do filme é totalmente acolhedor, gerando a empatia do público com os persongens e seus problemas. A gravação realizada em câmera de mão dá maior veracidade aos acontecimentos, enquanto as atuações de Hathway e Rosemarie DeWitt faíscam na tela. “O Casamento de Rachel” é, sobretudo, verdadeiro.

Nota: 9

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Falsa Loura


A crítica superestimou esta grande porcaria e é muito difícil entender o porquê de tantos elogios rasgados ao cinema de Carlos Reichenbach. Depois do tenebroso “Garotas do ABC”, o diretor serve-se mais uma vez de um grupo de operárias de uma metalúrgica para discutir o cotiadiano destas mulheres cheias de sonhos e ilusões.

Percebe-se que o “clube da Luluzinha” se sacrifica durante o dia trabalhando pesado na fábrica, mas por mais que deixem toda vaidade na hora de vestir o macacão do uniforme, elas não dispensam de sair à noite todas emperequetadas. Silmara é uma delas, e acredita que sua “loirice” ajuda a seduzir os rapazes. Aos poucos, ela vai sendo usada e abusada pelos homens – uma “falsa loira” como diz o título.

O filme não consegue trabalhar nenhum dos temas que se propõe: o dia-a-dia na fábrica de mulheres comuns, trabalhadoras e jovens ou então a história de Silmara. O que fica em evidência é o amadorismo da produção, como as atuações sofríveis. Pra se ter uma noção, Maurício Mattar, Suzana Alves, a Tiazinha do extinto Programa H, e Léo Aquila, o transformista da Rede TV, são alguns dos atores do longa. Já perto do final, a trama recebe uma reviravolta surpreendente e acha que o espectador vai engolir a tentativa de ser “cult”. Tá de palhaçada!

O melhor do projeto é Rosane Mulholland (do interessante “A Concepção”). A atriz que interpreta a Silmara dá um show perante um filme perdido de intenções.

Nota: 4,0