Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Garoto Nota 10


Ao assistir “O Último Rei da Escócia” não fiquei apenas encantado com a história verídica e a fantástica performance de Forrest Withaker. O que mais me chamou a atenção foi o ator que encarnava o protagonista da história: um tal de James McAvoy. Nunca tinha sequer ouvido falar nesse nome (depois descobri que já havia assistido alguns filmes em que o cara fez algumas participações).

Na sequência vieram outros trabalhos como “Penélope”, “Desejo e Repação”e “O Procurado”. A partir desse momento não me restaram dúvidas de que McAvoy era realmente um ótimo ator (e que se envolvia em projetos interessantes). Foi com esta expectativa que esperei três anos para presenciar o lançamento de “Garoto Nota 10” em circuito nacional. O filme de 2006 é um comédia estudantil que se passa na década de 80 e conta a história de um nerd que tem “fome” pelo conhecimento. Ele mesmo confessa saber que não é uma pessoa inteligente, e por isso seu caminho para o “hall dos intelectuais” será tortuoso.

A parte inicial evidencia esse sujeito inseguro, que estuda 24 horas por dia para ser aceito na faculdade e cujo sonho é participar do programa televisivo Desafio Universitário. Quando este vira calouro, o filme parece abandonar a figura do CDF e o transforma em um conquistador atrapalhado, que não sabe lidar com duas gostosas correndo atrás dele. As patetices envolvendo o triângulo amoroso seguem até o final. De forma estúpida, o roteiro descarta as origens e os anseios do personagem inicial.

A aparente evolução do protagonista faz com que o filme perca tudo que tinha de bacana, e seu andamento daí para frente é previsível, onde nem mesmo a atuação de McAvoy apresenta algum brilho. Depois de conferir o fraco “Amor e Inocência” e este filme aqui, fico com a impressão de que quando existe um texto bom, o ator esmera-se para corresponder à altura. Caso contrário, o navio naufraga mesmo. “Garoto Nota 10” perdeu sua chance.

Nota: 4,0

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Crepúsculo


Baseado no fenômeno de vendas escrito por Stephenie Meyer, esta adaptação para o cinema rende um filme de vampiros tipicamente adolescente. Talvez seja por isso que “Crepúsculo” não chega a se enquadar no gênero de suspense ou terror, na verdade é um romance ou até mesmo um drama. Aqui os vampiros não possuem dentes pontiagudos e nem saem matando humanos inocentes para saciar sua sede de sangue. Aliás, sangue é o que menos se vê na tela.

Esta é a história de Isabela Swan, uma jovem que vai morar com o pai numa cidade onde os dias são basicamente nublados ou chuvosos. Na escola, ela fica fascinada por Edward Cullen, um garoto misterioso que revela ser um vampiro. Isabela não demonstra surpresa com o fato e decide levar o namoro adiante. A família de Robert é vegatariana, ou seja, se alimenta apenas de animais – poupando assim os “pobres” humanos. A presença de Isabela no clã vai despertar os mais primitivos desejos e ainda chamar a atenção do grupo de vampiros do mal.

Pouco focado no quesito ação, as cenas de confronto entre a família do bem contra o grupo do mal não chegam a empolgar. A trama tem seu forte na decoberta de Isabela e no romance que desenvolve com alguém que a qualquer momento pode morder seu pescoço. O casal protagonista deixa um pouco a desejar com interpretações blasé, mas a força dos personagens de Meyer suaviza a perda.

Apesar de faltar a malícia da classe dos sanguessugas, “Crepúsculo” consegue ser entretenimento divertido e passageiro. E não há mal algum nisso.

Nota: 7,5

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Ele Não Está Tão A Fim de Você


Ken Kwapis dirigiu “Licença para Casar “ e “Quatro Amigas e Um Jeans Viajante”. Bom, por aí já dá para se ter uma ideia do que vamos assistir em “Ele Não Está Tão a Fim de Você”. A trama açucarada não é nenhuma novidade, mas o que surpreende nesta carismática comédia romântica é o seu tema principal: exatamente o que título diz.

A análise é feita em cima de situações em que as pessoas não estão tão a fim das outras – algo muito comum e pouco explorado pela mídia. Mesmo mantendo um relacionamento ou “ficando” continuamente com alguém pode ser que não se esteja gostando tanto ou tão envolvido a ponto de querer namorar ou casar. Observamos durante o filme diversas situações em que um parceiro ama demais o outro e não é correspondido com a mesma intensidade. É uma barbada se identificar com as pequenas tramas do enredo: você já gostou de alguém que não queria nada com você? E se queria, foi um caso excepcional? Você já esteve na situação oposta? Quando alguém está apaixonado por você e você não quer nada com essa pessoa?

Identificações à parte, o filme é baseado no livro de Greg Behrendt/Liz Tuccillo e passeia pelos diversos capítulos do original. Dá para perceber que o livro deve ser de auto-ajuda, porém o filme não chega a tanto. O charme está em trabalhar um tema tão corriqueiro de forma leve e descontraída – óbvio que descontando o fato de apresentar alguns clichês e de ser uma comédia romântica.

Outro ponto inevitável na discussão é o elenco de estrelas, que inclui Drew Barrymore, Scarlett Johansson, Kevin Connoly, Jennifer Aniston, Ben Affleck e Jennifer Connely. O time representa um colírio para os olhos, mas em qualidade de interpretações não acrescentam muito. As pequenas tramas também impedem atuações de destaque.

“Ele Não Está Tão A Fim de Você” é essencialmente feminino, mas isso não impede que o público masculino também encontre graça no projeto. Dando enfoque maior para as versões segundo as mulheres, o filme também se dispõe a mostrar o lado dos homens e por tudo isso, querendo ou não, você acabará se identificando com algum dos casos e, então a simpatia com a produção vai ser imediata.

Nota: 7,6

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Franklyn


São três os personagens de “Franklyn”: Ryan Phillipe interpreta um anti-herói mascarado que vive numa sociedade futurística dominada pela religião; Eva Green é uma estudante obcecada em arriscar a vida em seus projetos de arte para a faculdade e Sam Riley é um jovem que recém foi largado pela noiva e começa a reviver a inocência de seu primeiro amor.

As três figuras só irão conviver no mesmo plano ao final da projeção, quando o sentido de cada história deveria vir à tona. As respostas estão ali, mas ainda assim é meio complicado elaborar a linha do tempo e de suas interferências. Para completar, o fechamento não tem força suficiente para encerrar (e unir) as tramas com “chave de ouro”.

Independente disto, o decorrer do filme é bastante interessante e cada história possui seus pontos altos. A primeira delas é a mais fascinante, principalmente pelo universo gótico de uma direção de arte brilhante que encanta o espectador. Até mesmo as motivações dos personagens são mais justificáveis. Logo em seguida, a trama da estudante suicida também merece atenção – seus vídeos são mórbidos mas incrivelmente belos. Por último e com menor graça é o drama do rejeitado que redescobre uma paixão de criança.

Assim, “Franklyn” é um projeto dividido em partes, facilmente identificáveis. Não rende um filme por completo, porém cada experiência apresenta seu valor. Só assistindo para entender.

Nota: 7,0

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Feliz Natal


Que Selton Mello abandonou a televisão para se dedicar ao cinema todo mundo sabe. Para comprovar isto, vale relembrar a sua última aparição no seriado “O Sistema” (2007), e antes disto em “Os Aspones” (2004). Já nas telas da sétima arte o astro não cansa de trabalhar: em 2008 protagonizou o maior sucesso nacional do ano, “Meu Nome Não é Johnny”, e ainda lançou seu primeiro filme como diretor, este “Feliz Natal”.

Apesar das ótimas críticas e diversos prêmios, o que muita gente não sabe é que “Feliz Natal” é uma tremenda bomba. Aquele tipo de filme que só os críticos gostam. Ao tomar conhecimento do projeto, esperava-se algo mais profundo quando a sinopse é de um cara que depois de anos longe de casa visita sua família desajustada em plena noite de Natal. Ou então, supunha-se que seria algo mais complexo/intelectual vindo dos olhares de Selton Mello.

O resultado é o deslumbramento de um diretor estreante, que opta por planos inusitados, próximos demais dos atores, e a presença de uma câmera inquieta, atordoante. A edição picoteada utiliza imagens entrecortadas que incomodam e quebram o ritmo das cenas. Desconsiderando o péssimo trabalho na direção, o roteiro também não ajuda com um texto fraco, grosseiro e sem atrativos. “Feliz Natal” é um teste de paciência, um filme que cura qualquer insônia. E falo isso com enorme pesar, já que admiro por demais o trabalho de Selton.

Nota: 2,0

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Gran Torino


Clint Eastwood é um rabugesto veterano da Guerra da Coréia que vive em um bairro dominado por imigrantes asiáticos. Após a morte da esposa, ele passa a alimentar uma revolta contra a própria família, o padre que tenta ajudá-lo e os “bárbaros” que moram nas casas vizinhas.

O astro de 79 anos mostra-se completamente à vontade tanto na frente como atrás das câmeras. A direção precisa dá o tom certo para a narrativa tipicamente masculina e sabe trabalhar pouco a pouco com as rachaduras emotivas. O intransigente personagem de Eastwood acaba salvando sem querer a vida de Thao, um garoto oriental que em outra ocasião tentou roubar seu Gran Torino 1972. Surge entre o velho e o moço uma delicada relação.

O projeto foi injustamente esquecido nas principais premiações, e merecia no mínimo algumas indicações – principalmente para a atuação de Clint e sua obra como um todo. “Gran Torino” satisfaz alguns conflitos da trama com certa rapidez (algo inverossímel) e apresenta um bom número de clichês, mas ainda assim é um belo filme. Certamente está entre os melhores de 2008.

Nota: 8,5

Domingo, 12 de Abril de 2009

Nada Mais Que a Verdade


Jornalista escreve um artigo para o jornal Sun-Times revelando a identidade de uma agente secreta da CIA e sua mais recente missão na Venezuela. Mesmo sofrendo duras pressões para confessar quem é a sua fonte, ela recusa-se a falar e é presa. O transcorrer do caso é o que acompanhamos nas quase duas horas de “Nada Mais que a Verdade”, um drama inspirado livremente em uma história real.

O filme suscita muitos questionamentos éticos considerando as atitudes por parte da jornalista, do juri e da CIA. O processo é polêmico por natureza e a produção tenta não julgar as partes envolvidas – por mais que deixe claro ser à favor da mocinha. O pulso firme do diretor Rod Lurie gera um bom andamento para a história mantendo-a sempre interessante. Porém, o brilho é de Kate Benckinsale que na pele da protagonista apresenta uma de suas melhores atuações. “Nada Mais Que a Verdade” não possui intenções de fazer muito alarde entre os lançamentos, mas é uma fita que pode surpreender.

Nota: 7,8

Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Winged Creatures


O ponto de partida deste drama é um tiroteio dentro de uma lanchonete. Na sequência, acompanhos por meio de histórias paralelas o que mudou na rotina dos sobreviventes ao trágico acontecimento. O estranho é que algumas das histórias não possuem ligações entre si, outras não apresentam o mínimo propósito e as demais nem chegar a ser abaladas pelo incidente na lanchonete. Ao assistir “Winged Creatures”, sente-se que o roteiro procura filosofar sobre a sociedade americana, mas nunca chega a fazê-lo.

Me pergunto qual foi o interesse de tantos atores conhecidos (Kate Beckinsale, Dakota Fanning, Guy Pearce, Jackie Earle Haley e Josh Hutcherson) e mais alguns recentemente oscarizados (Forest Witaker e Jennifer Hudson) por esta produção. Boa parte dos personagens não necessitava de figuras renomadas para interpretá-los, chega a ser um desperdício de talentos - ainda mais em um filme que não leva a lugar nenhum.

Nota: 4,0

Terça-feira, 7 de Abril de 2009

Choke


É perceptível o estrago que fizeram no texto corrosivo de Chuck Palahnick nesta adaptação da obra “No Sufoco”. O autor de “Clube da Luta” tem seu livro massacrado por uma falta de cuidados e escolhas criativas muito abaixo do óbvio. A narrativa possibilitava tantas liberdades poéticas que é deplorável constatar o resultado frustrante e enfadonho.

Victor Mancini é viciado em sexo, trabalha em um parque temático vestido de vassalo irlandês e costuma afundar grandes pedaços de comida goela à abaixo em restaurantes para se sentir querido. Este é o personagem central de “Choke”, uma comédia de humor negro que funciona nas páginas de Palahnick, mas nas mãos do ator Sam Rockwell isso não acontece.

O astro de “Confissões de Uma Mente Perigosa” e “Os Vigaristas” tentou despontar em Hollywood mas não conseguiu. Porém quando quer, ele é um bom ator e aqui não parece que Rockwell tenha se esforçado: sua interpretação não é nada empolgante. Angelica Huston, como a mãe do personagem alterna bons momentos com cenas robotizadas. Ao geral, dá raiva de assistir o desastre de um texto genial sendo tão mal aproveitado na tela. Os culpados não são só os atores, mas toda a equipe que não consegue realizar uma cena memorável perante a transposição de uma obra de sequências inesquecíveis.

Incrivelmente, o longa foi premiado no Festival de Sundance com o Prêmio Especial do Júri.

Nota: 4,0

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Milk - A Voz da Igualdade


“Milk” dá novo gás para o diretor Gus Van Sant, que deixa um pouco de lado seu experimentalismo de filmes como “Elefante” e “Últimos Dias” para realizar uma produção caprichada e de roteiro no ponto. Sean Penn assume a figura icônica do primeiro político assumidamente homossexual na história dos Estados Unidos. O astro vencedor do Oscar por “Sobre Meninos e Lobos” ganhou seu segundo prêmio da Academia pela ótima interpretação, sem beirar o exagero ou repulsa.

Harvey Milk lutou pelos direitos gays e causou muita polêmica nos anos 70 e nesta cinebiografia sua história é contada com ritmo e envolvendo o espectador na trajetória do personagem. Vale destacar a reconstituição da época, perfeita em figurinos e direção de arte. O elenco coadjuvante merece considerações: Emile Hirsh como assistente de Milk consegue agradar, James Franco cada vez melhor ator merecia mais espaço e Josh Broslin mal aparece e levou uma indicação ao Oscar (!).

Nota: 8,0

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Segurando as Pontas


Olha que nem chapado dá para aproveitar a sessão de “Segurando as Pontas”. O filme foi concebido pela turma de Judd Apatow, que antigamente realizou os ótimos “O Virgem de 40 Anos”, “Ligeiramente Grávidos” e “Superbad”. Após a trilogia, o roteirista, produtor e diretor envolveu-se em projetos sofríveis ou no mínimo questionáveis, como “Quase Irmãos”, “Ressaca de Amor”, “Zohan”, “Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor” e esta produção aqui.

Para começar, “Segurando as Pontas” não é terrível. A ousadia em trabalhar a maconha como um de seus principais temas tinha tudo para render uma engraçadíssima comédia. O resultado é morno. No início até empolga, mas logo desanda pela falta de graça. A extensa duração massacra o filme e as cenas de ação próximo ao final já não possuem chance de levantar a moral do projeto.

Na trama, Seth Rogen trabalha fumando maconha e entregando mandatos judiciais. Após presenciar um assassinato, ele procura seu traficante e acabam os dois sendo perseguidos pelos criminosos. James Franco rouba a cena como o eterno chapado Saul Silver, companheiro de fuga. O restante são poucas cenas merecedoras de atenção, muitas beirando o humor pastelão e com personagens caracturais. Desta vez parecia que Judd Apatow iria acertar. Será que ainda vai demorar?

Nota: 5,5

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Simplesmente Feliz


Entre as baladas produções que concorriam ao Globo de Ouro em 2009 um singelo filme britânico destacou-se pelas indicações como Melhor Comédia e Melhor Atriz. O filme era “Simplesmente Feliz”, que conta a história de Poppy, uma professora de escola primária apaixonada pela vida e que possui um otimismo invejável. Como diz o título, ela considera-se uma pessoa feliz e satisfeita com o que construiu, porém, esse universo harmônico será sacudido pelas interferências de Scott, seu instrutor de direção, que revela-se um homem perturbado e descrente da filosofia de Poppy.

Sally Hawkins está fantástica como a personagem exagerada e merecidamente venceu como Melhor Atriz (Comédia ou Musical) na premiação. Poppy é a alma do filme, mesmo que algumas vezes tome atitudes infantis e irritantes. Ainda assim, estamos frente a frente a uma criatura encantadora que faz com que esse sentimento se espalhe pelo conjunto do filme. “Simplesmente Feliz” tem a intenção de procurar no espectador o mesmo amor que sua personagem transborda na tela. Todos nós possuímos, só falta deixá-lo ativado por mais tempo.

Nota: 7,8 ______________________________ DOWNLOAD DO FILME

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Os Melhores Filmes de 2008

Estão aqui os 15 melhores filmes lançados no ano passado. Vale esclarecer alguns pontos: a lista está em ordem alfabética e só contém produções cujo lançamento oficial foi em 2008, ou seja, filmes de 2007 que chegaram ao Brasil em 2008 estão de fora. Justamente por isso que excelentes produções como "O Nevoeiro", "Senhores do Crime", "Desejo e Reparação" e "Sweeney Todd" não se encontram na lista. Agora, é só conferir a seleção! Concordar, discordar ou anotar os que ainda faltam assistir! Com vocês, as dicas do que teve de melhor no último ano!

AINDA ORANGOTANGOS







O longa de Gustavo Spolidoro destaca-se perante “Meu Nome Não É Johnny” e “Linha de Passe” - os nacionais mais consagrados do ano - pela filmagem frenética em um único e deslumbrante plano sequência. Atinge o auge pela linguagem experimental em histórias cruzadas que discutem o primitismo beirando a bizarrice.

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS







O avanço de "Batman Begins" para "O Cavaleiro das Trevas" é impressionante. Cristhoper Nolan cria um filme de suspense dentro de uma trama de super-herói. O dono do filme, o Coringa, deita e rola na telona. Heath Ledger está fantástico e sua tese sobre a maldade conduz até o desfecho emocionante.

CLOVERFIELD - MONSTRO







Hollywood finalmente percebeu que em filme de terror/suspense o importante é gerar tensão. Vale mais deixar o monstro no imaginário do espectador do que entregá-lo de mão beijada, sem impacto algum. "Cloverfield" tem tudo que um filme desses pede: sangue, nervosismo, uma criatura cool e um roteiro esperto.

DÚVIDA







Muito mais que um filme sobre pedofilia, “Dúvida” levanta questões referentes ao posicionamento da igreja moderna e ainda faz uma análise sobre como surgem os boatos e as intrigas. A bela fotografia e a majestosa direção com planos por vezes audaciosos contribuem para a elegância visual – nada mais justo para um texto vencedor do prêmio Pulitzer.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA







Fernando Meirelles reproduziu na tela o que muitos consideravam infilmável. O resultado visual, cuja edição, textura, e trilha sonora são impressionantes, soube traduzir a importante análise de Saramago sobre a convivência em sociedade. Com "Ensaio Sobre a Cegueira", o diretor promove um espetáculo para os olhos (e para mente).

FOI APENAS UM SONHO







Sam Mendes retoma a questão familiar que trabalhou de forma sublime em “Beleza Americana” através do casal Frank e April em “Foi Apenas Um Sonho”. A dupla deseja largar sua vida de subúrbio e tentar a sorte em Paris. Atores, direção e tema contundente brilham em um drama íntimo e bem realizado.

FROST/NIXON







Ron Howard foge do padrão de que filme político tem que ser incompreensível e tedioso, e sendo assim, origina um conjunto harmônico de dados históricos e entretenimento. A construção dos fatos é de fácil entendimento e rende muito mais do que a primeira vista aparenta.

MILK - A VOZ DA IGUALDADE







Cinebiografia do primeiro político assumidamente homossexual na história dos Estados Unidos. Sean Penn assume a figura icônica do personagem com verve, enquanto o diretor Gus Van Saint ganha novo gás em sua filmografia com uma produção caprichada e de roteiro no ponto.

O CASAMENTO DE RACHEL







O hábil diretor Jonathan Demme e sua brilhante roteirista, Jenny Lumet, conduzem este drama sem nunca cair no lugar comum. O ambiente acolhedor gera a empatia do público com os persongens e seus problemas. As atuações de Anne Hathway e Rosemarie DeWitt faíscam na tela. “O Casamento de Rachel” é, sobretudo, verdadeiro.

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON







A trajetória de um bebê com a aparência de um idoso que vai rejuvenecendo com o passar dos anos é muito bem desenvolvida e não deixa furos. O filme levanta questionamentos referentes a morte, o amor e o tempo, além de apresentar um talentoso diretor completamente apaixonado pela história.

O LUTADOR







A mistura de realidade e ficção transforma “O Lutador” em um filme comovente, no qual o competente diretor Darren Aronofsky promove a ressureição de um astro. 2009 foi o ano de Mickey Rouke.

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?







O grande vencedor do Oscar é a obra mais comercial da carreira do diretor Danny Boyle (“Trainspotting”, “Exterminio”). Esta fábula moderna indiana conquista ao misturar açúcar com violência de forma tensa e emocionante.

ROCK´N´ROLLA - A GRANDE ROUBADA







A construção de Guy Ritchie permanece a mesma: edição rápida, violência exarcebada e humor mordaz. O cineasta bebeu de várias fontes para construir seu próprio estilo. “Rock´n´Rolla” é um filme para ninguém colocar defeito, um dos melhores exemplares de ação e, consequentemente, o amadurecimento de um diretor. Que venha a continuação!

TROVÃO TROPICAL







Misturando ação com comédia, “Trovão Tropical” resulta em um filme bacana, que brinca com Hollywood e seus estrelismos, mas que além de tudo, faz o público rolar de rir. Até mesmo a história meio furada funciona na tela. E, para variar, o show é de Robert Downey Jr!

VICKY CRISTINA BARCELONA







Como a maioria das obras que integram a filmografia de Woody Allen, “Vicky Cristina Barcelona” aborda temas simples de forma encantadora, valorizando o texto nas tradicionais sutilezas. O filme é um total deleite: personagens boêmios, muita tensão sexual, belos diálogos, cenas verdadeiramente engraçadas e tomadas de uma Barcelona deslumbrante.

Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Amigos, Amigos, Mulheres à Parte


Depois do completo non sense de “Maldita Sorte” e “Zohan” não dá para se esperar mais nada de uma comédia. Esta em particular não é tão bizarra, mas parte de uma ideia nada normal. Tank (Dane Cook) é contratado por ex-namorados para levar as garotas perdidas em encontros terríveis. Traumatizadas, elas voltam para seus companheiros.

A bobagem finalmente atinge o ponto quando Tank é contratado para recuperar (ou assustar) a garota de seu melhor amigo (Jason Biggs). O problema é que o cretino se apaixona por ela. A história inusitada até diverte, levanta algumas risadas, porém a sensação que fica é de assistir um filme completamente vazio. Nem mesmo os atores se esforçam. É triste.

Nota: 6,0

Terça-feira, 24 de Março de 2009

Passageiros


Quando a história já é batida não dá para abusar da paciência do espectador. “Passageiros” sabe disso e condensa sua existência em 90 minutos. Sábia escolha! A jovem psiquiatra Claire (Anne Hathway) é encarrecada de clinicar cinco sobreviventes de um grave acidente aéreo. O mais enigmático do grupo, Erik (Patrick Wilson), vai levá-la a descobrir a verdade por trás da misteriosa queda do avião, enquanto os demais pacientes começam a desaparecer.

Este intrigante thriller serve para mostrar o quanto a dupla principal é talentosa. Hathway e Wilson impressionam em uma fita simplista, valorizada por atuações dedicadas. Sem atores deste calibre, provavelmente, seria um filme B que passaria despercebido. O final surpreendente funciona e computa maior crédito.

Nota: 7,2

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Estômago


Os elementos gastronômicos e o amarelo vibrante do cartaz multicolorido engam o espectador desavizado (como eu). “Estômago” não é um filme de gastronomia, muito menos uma comédia romântica, está mais perto de um suspense dramático com clima bem pesado.

Raimundo Nonato (João Miguel) é um nordestino que chega na cidade grande sem ter o que comer e onde dormir. Consegue um emprego em um boteco fritando pastéis e coxinhas de galinha. O sucesso de suas coxinhas faz com que o movimento do bar aumente, e logo é chamado para trabalhar em um restaurante italiano pouco mais sofisticado. Nessa transição ele conhece a prostituta Iria (Fabíula Nascimento) e imediatamente se apaixona.

À primeira vista, a sinopse possui os elementos característicos de um filme que utiliza a culinária como elemento sedutor para despertar paixões nos personagens. Ao comprovar na tela a história de Nonato estes componentes ganham outros tons. Curiosamente, aqui, a gastronomia é sinônimo de poder. Sabemos que o protagonista foi parar na cadeia e ao longo da projeção a trama de seu periodo antes do cárcere é mostrada lado a lado com sua estadia na prisão. Nos dois momentos, os personagens falam (e gritam) tantos palavrões que chega a agredir o público – por mais que o roteirista tente justificar que a linguagem das ruas e dos presos é desta forma.

A saga de Raimundo Nonato é torturosa, provocada inicialmente pelo emprego miserável e depois, pela prostituta hipnótica. Sua realização pessoal é na cozinha, como mostra na cena em que monta sua primeira massa de pastel. Não há como negar que o trabalho do diretor Marcos Jorge e sua equipe é requintado, recebendo uma forte influência do cinema de Fellini, mas sem deixar de ser essencialmente brasileiro. É impossível dissociar João Miguel de Nonato, seu personagem é tão intenso que o ator só pode agir da mesma forma na vida real. Enquanto isso, Fabíula Nascimento rouba todas as cenas em que aparece e sua puta é fascinante. Essa atriz ainda vai dar muito o que falar!

As ótimas ideias da trama transformam “Estômago” em um filme original, único no cinema brasileiro, permeado por um humor negro chocante e com um resultado que retrata o Brasil sem piedade. Por isso, ao final, a sensação não é nem um pouco agradável. É como um prato caprichado, feito com tudo que há de melhor, extremamente saboroso mas, que depois de comer percebemos que a refeição foi indigesta. O filme de Marcos Jorge é um soco no estômago.

Nota: 7,5

Terça-feira, 17 de Março de 2009

Rock´n´Rolla - A Grande Roubada


Com “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, o diretor Guy Ritchie foi considerado o imitador de Quentin Tarantino que deu certo. As influências incluem edição rápida, violência exarcebada e humor mordaz. Ritchie bebeu de várias fontes para construir seu próprio estilo. Depois de alguns deslizes na carreira (“Destino Insólito” e “Revolver”), ele volta melhor do que nunca.

A ação se concentra em um grupo de mafiosos que é trapaceado por criminosos menos profissionais. Como já é tradicional em seus filmes, o número de tramas e personagens ultrapassa o normal, tornando complicado descrever a trama. O que importa é que Gerard Butler está hilário e Tom Wilkson encarna o chefão de forma impecável.

O roteiro, também assinado por Ritchie, aposta suas melhores sacadas na comédia, mas não deixa de criar cenas de ação fantásticas. O cuidado com o ritmo é imenso, as cenas nunca são desnecessárias e, o melhor é reservado para o final. “Rock´n´Rolla” é um filme para ninguém colocar defeito, é o amadurecimento de um diretor e seu estilo. Que venha a continuação!

Nota: 9

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Por Amor (Personal Effects)


Este filme pode ficar marcado pela estreia de Ashton Kutcher em um papel sério. Seu desempenho difere do jeito bobalhão, estabanado e histérico de seus outros trabalhos. O astro rouba a cena como um personagem mais íntimo e deixa sua parceira de cena para atrás.

Kutcher interpreta Andrew, um jovem tímido que retorna à cidade natal após receber a notícia do assassinato de sua irmã. Inconformado, espera que o suspeito pelo crime receba da justiça a pena que merece. Assim, nos corredores do forum, ele conhece Linda (Michelle Pfeifer), que também perdeu uma pessoa querida. Ela teve seu marido assassinado pelo amigo e acompanha no tribunal o julgamento. Ambos fragilizados encontram forças um no outro para superar suas perdas.

"Personal Effects" poderia ser um drama contundente sobre essas feridas que nunca cicatrizam, mas opta pelo óbvio quando introduz um romance que, por mais que faísque na tela, não deveria ser abordado como o prato principal. Os crimes que destroíram a vida dos protagonistas renderiam um projeto melancoólico e mais profundo do que a banalidade comprovada ao final.

Nota: 6,0

Quinta-feira, 12 de Março de 2009

A Promoção (The Promotion)


O roteirista do ótimo “O Sol de Cada Manhã” ganha a chance de mostrar seu talento também no comando de uma produção. Este longa-metragem conta a história de dois sujeitos que disputam um cargo na gerência da filial de um supermercado. Ambos fazem inúmeros planos caso sejam escolhidos. Ao invés de cair na comédia pastelão, a competição dos funcionários torna-se mais dramática.

Doug Stauber, interpretado por Sean William Scott, quer deixar de cuidar dos insuportáveis problemas do trabalho, como as gangues que geram confusão no estacionamento ou ainda, as fichas de reclamações dos clientes. Ele sonha em mudar-se do minúsculo apartamento para uma casa decente, junto com sua namorada. O mais deprimente é que uma simples promoção, com um salário pouco maior, já representa muito na vida destes dois homens, um pai de família e o outro querendo construir uma.

Sean William Scott é eficiente como protagonista e mostra ser um bom ator dramático. O diretor Steve Conrad, que também assina o roteiro, só poderia entregar uma obra como esta. O filme possui muitas características em comum com “O Sol de Cada Manhã”, apresentando o mesmo clima de filme (semi) independente e ainda, criticando o capitalismo que gera situações como esta.

Nota: 8,0

Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Marido por Acaso


Emma Lloyd (Uma Thurman) é uma radiasta que dá conselhos amorosos num popular programa feminino. Tudo está indo bem na sua vida: o talk show atinge bons níveis de audiência, ela conseguiu lançar seu primeiro livro de auto-ajuda e, ainda, está prestes a se casar com o bom-partido Richard (Colin Firth). Pouco antes do “grande dia” ela descobre que está casada civilmente com outro homem. Surpresa, Emma procura o estranho para anular a infundada união. Porém, quando conhece o encantador Patrick, ela fica na dúvida com qual dos dois deve subir ao altar.

Naturalmente, o filme é previsível. O trio protagonista segura as pontas, mas não tira a produção do básico. “Marido por Acaso” é ideal para aqueles que não se enjoam de assistir as mesmas comédias românticas.

Nota: 7,0

Terça-feira, 10 de Março de 2009

O Dia Em Que a Terra Parou (2008)


Assim como seu companheiro “Guerra dos Mundos”, esta refilmagem foi massacrada pela crítica especializada, que vem mostrando-se cada vez mais preconceituosa quando o assunto é ficção científica no cinema. A pontuação fica ainda pior ao constatar que o longa é refilmagem de um clássico.

Esta nova versão do filme de 1951 conta praticamente a mesma história: o alienígena Klaatu chega ao nosso planeta para alertar sobre uma crise global. Os humanos enxergam a visita como uma ameaça e preparam-se para o ataque. A cientista Helen Benson ajuda o estrangeiro a completar sua missão.

O extraterrestre que chega à Terra em forma humana tentando se adpatar ao diferente corpo é bem interpretado por Keanu Reeves. As limitações artistícas do ator contribuem para a falta de expressão do personagem. Os efeitos especiais podem receber duras críticas por pecar em raros, mas determinantes momentos. O restante é bem feito, como o clima de tensão e o interesse do espectador que permanecem em igual frequência.

A mensagem do projeto segue em evidência, mostrando-se ainda atual, porém o remake não pode ser comparado ao original. "O Dia Em Que a Terra Parou" (2008) é blockbuster, então não dá para ter grandes expectativas. Se fores assim para o cinema, dificilmente irá se decepcionar.

Obs: Embora tenha sido citada no começo do texto, "Guerra dos Mundos" (2006) é uma adaptação muito superior a esta aqui.

Nota: 7,5

Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Marley e Eu


Marley é mesmo o pior cão do mundo. Ele rasga o sofá, come tudo que vê pela frente, não pára de latir, se joga na piscina cada vez que tem a oportunidade, dorme em cima da cama … enfim, suas travessuras não possuem limites. A história do mascote é verdadeira e, como todos já deveriam saber, o filme é baseado no livro do jornalista John Grogan.

A vida ao lado de Marley é um pesadelo tão grande que o casal adotivo (Owen Wilson e Jennifer Aniston) chega a cogitar livrar-se do infernal cachorro de uma vez por todas. Claro que isso não acontece. Ao mesmo tempo que Marley gera terror por onde passa, ele é um animal adorável. Essa dualidade permeia todo roteiro e torna-se mais interessante quando o dono aproveita as peripécias do bichano para sua coluna no jornal de Michigan.

A trama bastante simples aposta na identificação das pessoas com o cachorro, já que é difícil encontrar quem não teve um ou desgosta deles. Então, o público é conduzido, aos poucos, para o trágico final e certamente será levado pelas emoções. “Marley e eu” é um filme correto e respeita a fórmula básica – apesar de ousar em uma sequência acelerada, que é cópia descarada de “Regras da Atração”. No mais, é um bom filme.

Nota: 7,2

Quinta-feira, 5 de Março de 2009

What Just Happened


Eu que pergunto! O que está acontecendo??? Robert DeNiro mais uma vez se mete em roubada. E se não bastasse, levou com ele um super time de estrelas: Sean Penn, Catherine Kenner, John Turturro, Robin Wright Penn, Kristin Stewart e Bruce Willis. Porém, quem sai pior da experiência é o astro principal.

Baseado no livro de Art Linvin, a produção narra as peripécias reais de um produtor de cinema em Hollywood. DeNiro interpreta o charmoso protagonista e, incrivelmente, é um de seus melhores papéis nos últimos anos. O entrave do projeto é a chatisse do roteiro, que não faz a crítica que tanto alarde e muito menos diverte.

A consequência é um entretenimento praticamente vazio – triste para o diretor de pérolas como “Bugsy”, “Rain Men” e “Mera Coincidência”. Ainda mais prejudicado é o ator que encabeça o longa, já que aos poucos vai perdendoa confiança do público ao demonstrar ser péssimo em escolher novos projetos.

Nota: 5,0

Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Modelos Nada Corretos


O modelo de comédia norte-americana parece que não muda. Todo ano estréiam dezenas de exemplares do gênero no mesmo formato, com piadas grosseiras e programadas, de tom humilhante ou de personagens bizarros. O mesmo acontece com esta aqui, só que temos alguns diferenciais.

A dupla Sean William Scott e Paul Rudd está numa ótima sintonia e suas tentativas de fazer rir são bem sucedidas. Os dois são vendedores de uma marca de energético e trabalham percorrendo escolas para apresentar o produto e fazer campanha contra o consumo prejudicial de álcool. Enquanto um se fantasia de minotouro, o símbolo da bebida, o outro ensina a gurizada. A reviravolta surge quando estragam o caminhão da empresa e, para não serem presos, são condenados a cumprir 150 horas de serviço comunitário como mentores de jovens. Cada um fica responsável por uma criança.

É um alívio assistir uma comédia que consegue prender o público e proporcionar um bom divertimento. A última safra (“Quase Irmãos”, “Ressaca de Amor”, “Pagando Bem, Que Mal Tem”, “O Guru do Amor”) deixou muito a desejar. “Modelos Nada Corretos” é aquela típica comédia que você já viu, sabe de cor o que vai acontecer, mas que ainda assim diverte. Além disso, no fundo, é um filme com coração, bonitinho mesmo.

Nota: 7,8

Segunda-feira, 2 de Março de 2009

O Casamento de Rachel


Após os sucessos “O Silêncio dos Inocentes” e “Filadélfia”, o diretor Jonathan Demme passou uma boa fase de sua vida dedicando-se aos documentários. O retorno mais expressivo ao campo da ficção veio com este belo filme independente, no qual ele prova que não adianta tentar ser alternativo demais quando a base do roteiro são os relacionamentos e sentimentos amorosos. Filmes como “A Lula e a Baleia” ou “Margot e o Casamento” trabalham com temas do cotidiano, mas pecam quando criam diálogos e situações fora do comum, deixando o contato com o público em segundo plano.

Na trama, Kim (Anne Hathway) é liberada da reabilitação durante o final de semana para participar do casamento da irmã. Depois de permanecer um ano internada, essa é sua primeira chance de encarar a família novamente. Os conflitos não demoram a surgir, mas o hábil diretor e sua brilhante roteirista, Jenny Lumet, conduzem este drama sem nunca cair no lugar comum.

O ambiente do filme é totalmente acolhedor, gerando a empatia do público com os persongens e seus problemas. A gravação realizada em câmera de mão dá maior veracidade aos acontecimentos, enquanto as atuações de Hathway e Rosemarie DeWitt faíscam na tela. “O Casamento de Rachel” é, sobretudo, verdadeiro.

Nota: 9

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Falsa Loura


A crítica superestimou esta grande porcaria e é muito difícil entender o porquê de tantos elogios rasgados ao cinema de Carlos Reichenbach. Depois do tenebroso “Garotas do ABC”, o diretor serve-se mais uma vez de um grupo de operárias de uma metalúrgica para discutir o cotiadiano destas mulheres cheias de sonhos e ilusões.

Percebe-se que o “clube da Luluzinha” se sacrifica durante o dia trabalhando pesado na fábrica, mas por mais que deixem toda vaidade na hora de vestir o macacão do uniforme, elas não dispensam de sair à noite todas emperequetadas. Silmara é uma delas, e acredita que sua “loirice” ajuda a seduzir os rapazes. Aos poucos, ela vai sendo usada e abusada pelos homens – uma “falsa loira” como diz o título.

O filme não consegue trabalhar nenhum dos temas que se propõe: o dia-a-dia na fábrica de mulheres comuns, trabalhadoras e jovens ou então a história de Silmara. O que fica em evidência é o amadorismo da produção, como as atuações sofríveis. Pra se ter uma noção, Maurício Mattar, Suzana Alves, a Tiazinha do extinto Programa H, e Léo Aquila, o transformista da Rede TV, são alguns dos atores do longa. Já perto do final, a trama recebe uma reviravolta surpreendente e acha que o espectador vai engolir a tentativa de ser “cult”. Tá de palhaçada!

O melhor do projeto é Rosane Mulholland (do interessante “A Concepção”). A atriz que interpreta a Silmara dá um show perante um filme perdido de intenções.

Nota: 4,0

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

A Duquesa


Eis aqui um legítimo filme de época! “A Duquesa” não se passa durante guerra alguma, nem tão pouco contém duelos ou a morte de um personagem importante para a trama. A calmaria do roteiro serve para ir a fundo nos costumes do periodo e, consequentemente, nas normas da sociedade conservadora. O papel da mulher no âmbito social é um de seus principais temas, e para isso, utiliza a figura verídica da Duquesa para abordar o assunto.

A bela e remediada Georgiana casa-se com o rico Duque de Devonshire (Ralph Fiennes), um dos homens mais importantes da Inglaterra. Mais do que natural seria a esposa dar um herdeiro homem para o poderoso marido, mas não é o que acontece com Georgiana. Ela acaba tendo somente meninas e o duque termina procurando alento em outros lugares.

A protagonista é uma mulher esperta e que não se conforma com o machismo vigente, diferente das submissas esposas. Uma curiosidade é que a verdadeira duquesa era parente direto da Princesa Diana e as duas possuem muitos pontos em comum. O carisma da atriz Kiera Knightley também ajuda na comparação.

De 2005 pra cá, Kiera lançou quatro filmes que se passam entre os séculos 16 e 18, são eles: “Orgulho e Preconceito”, “Desejo e Reparação”, “Paixão Proibida” e este aqui – sem contar os capítulos da saga “Piratas do Caribe”. Parece que a atriz nasceu para interpretar mulheres que viveram neste periodo, já que suas melhores interpretações foram nos filmes recém citados. Neste último, ela também se sai bem e ajuda a mostrar como a personagem era muito à frente de seu tempo.


Nota: 7,4

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

O Escafandro e a Borboleta


Jean-Dominique Bauby, apelidado de Jean-Do, foi editor da revista Elle e transitava pelo badalado mundo das celebridades francesas. Repentinamente, aos 43 anos, sofreu um derrame que o deixou em coma durante três semanas. Ao despertar, descobriu-se incapaz de mexer qualquer parte do corpo – exceto o olho esquerdo. Na tentativa de comunicar-se com os médicos e familiares mais próximos, ele pisca uma vez para significar “sim” e duas vezes para “não”.

O diretor Julian Schnabel retrata em “O Escafandro e a Borboleta” o processo de adaptação de um homem ativo e saudável a um estado de vida vegetativo e sem muitas perspectivas de melhora. Em uma das passagens do longa, o protagonista afirma em narração que além do olho, duas coisas não estão paralisadas: a sua imaginação e a sua memória. Embora esteja preso nessas limitadas condições, o cérebro funciona perfeitamente e não pára um segundo de maquinar.

Até os quarenta minutos iniciais o espectador enxerga somente através dos olhos do protagonista e a experiência é reproduzida de forma perfeita, trazendo o apreciador da película para o interior do personagem. Também presente no roteiro estão metáforas para exemplificar a situação dramática de Jean-Do, como quando o compara com uma borboleta presa nas garras de uma planta carnívora, ou ainda, quando faz o paralelo sutil entre o desmoronamento de falésias com o desmoronamento de sua vida.

O homem por trás do projeto, Julian Schnabel, foi premiado em Cannes como Melhor Diretor e o seu trabalho é realmente um primor. A obra é tão fantástica que supera com larga margem outra produção cuja temática é semelhante e além de tudo faturou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, “Mar Adentro”.

Em “O Escafandro e a Borboleta”, a irretocável edição alia-se com imagens explêndidas, principalmente quando os devaneios de Jean-Do são externados visualmente, como em sonhos ou lembranças – esta aí a imaginação e a memória novamente. Porém, tudo não faria sentido se não estivesse um brilhante ator no comando desta difícil transposição para as telas. Mathieu Amalric divide os méritos do projeto. É difícil mensurar o envolvimento e a dedicação com esta peça por parte de toda equipe, mas é fácil afirmar que o resultado obtido é um verdadeiro encanto, do início ao fim.

Nota: 9

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Austrália


Após a obra-prima “Moulin Rouge”, a expectativa em torno do novo projeto de Baz Luhrmann aumentou e muito. O cineasta esteve envolvido na produção que contaria a história de Alexandre, o Grande mas, perdeu a batalha para o roteiro do épico de Oliver Stone. O projeto decorrente foi escrever e dirigir uma homenagem aos épicos do início do cinema, onde teria como pano de fundo o seu país de origem, a Austrália. Bom, infelizmente a tentativa não foi bem sucedida e o diretor saiu mais estropeado do que nunca.

“Austrália” tinha muito a seu favor: ótimos atores (Nicole Kidman e Hugh Jackman), uma equipe técnica de peso e um diretor cujo currículo é uma excelência. Pode-se apontar como o principal culpado deste imenso naufrágio o roteiro desequilibrado, que não se dá ao trabalho de resolver questões pendentes. O acúmulo de tramas tira a atenção do que primeiramente era o mais importante: aristocrata inglesa tem que assumir os negócios do marido que recém faleceu e, para isso, parte para uma fazendo no norte do país dos cangurus. Desde o princípio ela é ajudada por um boiadeiro, que acaba virando um aliado na disputa por terra e gado na região. Soma-se ainda a presença de uma criança aborígene que conta a história.

O clima inicial de “Austrália” é de total empolgação. A aventura mistura-se com a comédia rasgada, nas quais as atuações são caricaturais e o que acontece na tela é propositalmente puro clichê. O caldo começa a desandar no momento que essa descontração e histerismo típico do diretor passa a ser levado a sério. A produção opta por estender demais em conflitos sem grande importância, como a misticismo, a Segunda Guerra Mundial e as crianças da “geração roubada” – temas mal trabalhados e desenvolvidos pelo roteiro.

O resultado pode ser irregular, mas a aposta em “Austrália” foi bastante alta, mais precisamente de 125 milhões de dólares, que não renderam nas bilheterias nem a metade. O jeito de solucionar boa parte das contradições do longa seria manter o timing cômico apresentado no início, porque assim, outros atributos, como o deslumbramento gráfico e os toques inconfundíveis de Luhrmann iriam contribuir para elevar o conceito do projeto. Talvez chegasse a ser um filme mais superficial, mas provavelmente, seria bem mais divertido.

Nota: 6,0

Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Queime Depois de Ler


Após o premiadíssimo “Onde os Fracos Não Tem Vez”, os irmãos Joel e Ethan Coen decidiram apostar em outro gênero que adoram: a comédia. Porém, suas investidas no formato são bastante diferentes do convencial, basta assistir “Fargo”, “Matadores de Velhinhas” e “O Amor Custa Caro”.

Com “Queime Depois de Ler” os irmãos diretores realizam um besteirol atípico, de piadas de canto de boca e trama curiosa. Na galeria de personagens, temos o analista da CIA despedido por alcoolismo, a personal trainer que sonha com cirurgias plásticas, um agente do Tesouro com mania de perseguição, e por aí vai. A situação non sense que se forma é hilária e quem brilha mais são os protagonistas: Brad Pitt é o melhor do projeto, seguido por uma histérica Frances McDormand.

O grande “senão” é que o filme nunca chega a decolar, ameaçando diversas vezes e por fim, não vai a lugar nenhum. Se for para entrar no humor dos Coen, este lançamento se resume a uma produção sofisticada sobre a estupidez humana, com boas atuações e personagens, mas que encontra dificuldade em dialogar com o grande público, principalmente, quando este está acostumado com tudo mais às claras.

Nota: 7,0

Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

O Menino do Pijama Listrado


Por mais que pareça inocente em dados momentos, “O Menino do Pijama Listrado” demonstra em seu desfecho que a mensagem transmitida não tem nada de ingênua. A Segunda Guerra é observada pelo ponto de vista de duas crianças, uma que está dentro de um campo de concentração e outra que é filha de um comandante nazista. Um tema explorado em demasia, mas que ainda assombra o nosso passado.

Tão bom quanto a obra original, o filme é bem conduzido pelo diretor Mark Herman, que toma certas liberdades ao trabalhar o texto de John Boyne. O saldo bastante favorável pode ser creditado a forma modesta empregada que atinge em cheio o receptor. Posso me arriscar em dizer, mas acredito que seja “O Caçador de Pipas” do ano.

Nota: 7,6

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Bernard e Doris


Doris Duke foi uma influente filantropista, uma alcoólatra irrecuperável e considerada pela imprensa, durante muitos anos, a jovem mais rica do mundo. Na pele de Susan Sarandon, somos apresentados a uma protagonista excêntrica, herdeira da fortuna do pai empresário do ramo do tabaco e, que depois de tomar posse do dinheiro passou a ter plena convicção de que tudo tem seu preço. Essa teoria é posta a prova quando desenvolve uma forte amizade com o mordomo Bernand Lafferty (Ralph Fiennes).

As virtuosas performances de Sarandon e Fiennes elevam o caráter básico da história e são responsáveis pelo principal interesse na obra. Produzido pela HBO, foi indicado ao Globo de Ouro em três categorias: Melhor Filme Feito para a TV, Ator e Atriz em Telefilme. A produção faz questão de esclarecer que boa parte é baseada em fatos verdadeiros, sendo que algumas situações são fictícias.

Nota: 7,0

Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Dúvida


Muito mais que um filme sobre pedofilia, “Dúvida” levanta questões referentes ao posicionamento da igreja moderna e ainda faz uma análise sobre como surgem os boatos e as intrigas. O longa-metragem é baseado na peça de mesmo nome vencedora do prêmio Pulitzer.

A trama se passa em 1964, em um colégio católico americano quando uma freia acusa um popular padre de abuso infantil. O sucesso do filme deve-se a majestosa direção de John Patrick Shanley, que anteriormente foi responsável por “Joe e o Vulcão”. A contribuição do cineasta no projeto é essencial, dando um ritmo sério e de liberdades exatas para o tema. Os planos algumas vezes audaciosos, a edição seca e a bela fotografia também contribuem para a elegância visual.

Indicada ao Oscar pelo papel da irmã Aloysius, que rege a escola com mão de ferro, Meryl Streep encara mais um personagem icônico. Indescutivelmente, é uma das melhores performances da atriz. “Dúvida” completa seu elenco precioso com Phillip Seymor Hoffman, Amy Adams e Viola Davis – todos excelentes.

Nota: 8,0

Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

Frost/Nixon


Logo após renunciar a presidência dos Estados Unidos, em 1974, Richard Nixon aceitou o convite feito por um apresentador de tv para uma série de entrevistas. A principal intenção do presidente era limpar a imagem negativa que havia deixado com o escândalo de Watergate. O episódio é retratado em “Frost/Nixon”, filme correto e surpreendentemente intrigante.

O diretor Ron Howard foge do padrão de que filme político tem que ser incompreensível e tedioso, e sendo assim, origina um conjunto harmonioso de dados históricos e entretenimento. A construção dos fatos é de fácil entendimento e rende muito mais do que a primeira vista aparenta.

O grande destaque vai para Frank Langella como o político controverso. Apesar de não ser parecido fisicamente com Nixon, o veterano ator demonstra uma entrega intensa a figura do presidente. A disputa fica interessante quando o entrevistador mostra-se bem mais astuto que o planejado.

Nota: 8,0

Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button


Não há palavra melhor para definir o novo filme de David Fincher que “curioso”. Talvez seja por isso que ela está bem estampada no título da produção! A trajetória de um bebê com a aparência de um idoso que vai rejuvenecendo com o passar dos anos encantou o público e os críticos. Para completar, o filme foi recordista no Oscar 2009 com 13 indicações.

Ao ter como base um conto de poucas páginas de F. Scott Fitzgerald, o roteiro acabou obrigado a estender a narrativa, criando assim novas situações e desenvolvendo melhor a estranha faceta do protagonista. Por mais bizarro que possa parecer, o caso de Benjamin Button é muito bem explicado na tela e não deixa furos. As repostas que podem surgir antes de assistir o projeto são respondidas com êxito e, sem dificuldade, o espectador mergulha no universo singular da produção.

Dessa forma, assistimos a existência de um ser humano de trás para frente, e no caminho, muitos questionamentos são discutidos. O debate primordial é sobre a morte, seu fantasma sempre presente, explícito nos primeiros sinais do envelhecimento até a chegada inevitável. É por isso, que questionamos ser como Button: ao momento que vamos ficando mais jovens, ficamos também mais sábios. Não seria o ideal?

Há muito o que se aproveitar desta análise - também nos quesitos técnicos. David Fincher entrega uma obra mais acessível que seus projetos anteriores, como “Clube da Luta” e “Zodíaco”. A direção impecável mostra um diretor no auge da carreira e apaixonado pelo cinema. A direção de arte é fenomenal, assim como os fantásticos efeitos especiais, verdadeiras pérolas da tecnologia digital. Brad Pitt comprova mais uma vez seu talento e nos brinda com uma atuação fora do sério, principalmente quando encarna um velho de 80 anos.

Incrivelmente, o melhor momento do longa é seu início, quando observamos o nascimento de uma ser repleto de doenças que vai perdendo as rugas e ficando cada vez mais jovem. A parte da juventude não é de toda ruim, porém é mais fraca que as demais. Também não é nada que prejudique o andamento. Além de tudo, o filme é uma grande história de amor, sustentada pelo o que o cinema tem de mais rico. A paixão de Fincher pela obra transcende a tela e o resultado não poderia ser outro.

Nota: 8,5

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

O Leitor


Stephen Daldry acerta pela terceira vez consecutiva e engata mais uma obra de respeito. O filme recebeu uma série de indicações em festivais e arrecadou alguns prêmios, principalmente para Kate Winslet. O cineasta de “As Horas” conta uma história bastante interessante que mistura um romance “proibido” com questões referentes ao nazismo.

“O Leitor” pode ser dividido em três atos, sendo que o primeiro é, certamente, o melhor deles. O romance entre um jovem de quinze anos e uma mulher beirando os quarenta é tratado de forma sensual e sem preconceitos. A construção das imagens e da narrativa é de uma delicadeza sublime.

O segundo capítulo refere-se a grande revelação do longa, que por mais que tenha entregue o segredo muito longe do final, ainda reluta em deixar um clima de mistério. O último ato acontece na atualidade quando o protagonista é vivido por Ralph Fiennes e relembra sua infância e adolescência.

Não tem como negar que a força motriz do projeto é Kate Winslet, na interpretação de uma mulher amargurada e de atitudes duvidosas. O novato David Kross também surpreende com um carisma no ponto. “O Leitor” como produto é muito bem acabado, e como entretenimento é um filme sofrido.

Nota: 7,5

Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Quem Quer Ser Um Milionário?


O mais recente longa-metragem do diretor Danny Boyle difere bastante do que ele havia produzido anteriormente. Pode-se dizer que utilizou alguns elementos de “Trainspotting”, como o estilo videoclipe, e a doçura de “Caiu do Céu”, que surge como uma espécie de fábula. E “Quem Quer Ser Um Milionário?” é exatamente isso: uma fábula moderna. Acima de tudo, o filme é um romance avassalador que percorre muitos anos nas vidas dos protagonistas. Jamal é um garoto da periferia que participa de um ‘Jogo do Milhão’ indiano para conseguir o amor de Latika.

O inusitado é perceber que a direção do filme é muito semelhante aos trabalhos do brasileiro Fernando Meirelles. Um bom pedaço do projeto aborda temas do submundo da Indía, no qual a composição de cena é parecida com “Cidade de Deus” e “O Jardineiro Fiel”. Os ângulos tortos, a saturação de cores, os closes nos atores, a trilha sonora marcante e a edição acelerada geram um mosaico convidativo e, por mais que lembre outros filmes, segue tendo personalidade.

Embora previsível, o roteiro conquista o público com o drama da infância e adolescência de Jamal e, em seguida, com sua história de amor. Boyle distancia-se da filmografia alternativa que exaltou em projetos anteriores e cria sua obra mais comercial, misturando açucar com violência. “Quem Quer Ser Um Milionário?” é tenso e emocionante, um trabalho que mexe mais com as emoções e é indicado para os românticos (ou não).

Nota: 8,5

Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

Pagando Bem, Que Mal Tem?


Que decepção, Kevin Smith! O diretor mais nerd de todos os tempos – rótulo que ele próprio se deu - bem que poderia entregar um filme muito melhor. O maior acerto do projeto, sem dúvida, é a brincadeira com “Star Wars”, fora isso as referências a cultura pop mal aparecem. A campanha do longa-metragem investiu em destacar críticas que apontavam o produto como uma máquina de risos. Total enganação!

Vamos ao plot: Zack e Miri são dois amigos que dividem o aluguel e estão endividados até o último fio de cabelo. A solução encontrada para livrarem-se das dívidas é fazer um filme pornô caseiro (!). E, assim, acompanhamos o que deveria ser a divertida saga da dupla na tentativa de filmar o tal vídeo.

Contando com um Seth Rogen em alta e uma bela Elizabeth Banks, o cineasta não aproveita as qualidades da dupla e nem consegue o mínimo: obter uma química verdadeira entre os protagonistas. Boa parte das cenas que deveriam ser engraçadas geram mais constrangimento frente aos fatos do que levam as risadas. Para completar, ao final, a produção do material pornô é deixada de lado e entra no lugar um bobo romance.

Em “Rebobine Por Favor”, o diretor Michel Gondry tinha uma história parecida com e soube criar um ótimo filme. Kevin Smith erra feio e perde a boa idéia que tinha em mãos. A fita não é nada além do que ordinário, sendo assim, lamentável para um filme (e diretor) que tinha tanto a explorar.

Nota: 4,0

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Vicky Cristina Barcelona


Há quem diga que Woody Allen não é mais o mesmo. O gênio de 73 anos é praticamente o único cineasta a escrever e dirigir um filme por ano – uma média seguida à risca e de forma invejável. Em 2005, ele já havia provado que continuava sagaz e trágico com “Match Point”, e se “Scoop” não demonstrou todas suas qualidades, pelo menos rendeu um filme divertidíssimo, uma comédia muito acima da média. No ano passado tivemos “O Sonho de Cassandra”, um drama policial irônico bem no estilo do diretor, que acabou subestimado pela crítica.

O projeto de 2008 foi “Vicky Cristina Barcelona”, que marca uma nova mudança de ares na carreira de Woody: após filmar três longas na capital inglesa, o diretor transformou a cidade espanhola em um coadjuvante de luxo do seu novo filme. O clima da produção é de total deleite: personagens boêmios, muita tensão sexual, belos diálogos, cenas verdadeiramente engraçadas e tomadas de uma Barcelona deslumbrante.

Logo no início, somos apresentados as duas personagens do título: Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson), duas amigas que pensam completamente diferente quando a questão é “amor”. Enquanto Cristina é uma mulher de se entregar e viver uma paixão, Vicky é mais racional e mantém uma relação estável com seu noivo. As duas partem para uma viagem de férias na Espanha e acabam sendo abaladas pela presença sedutora de um artista (Javier Barden), e posteriormente, de sua esposa desequilibrada (Penélope Cruz).

Como a maioria das obras que integram sua filmografia, “Vicky Cristina Barcelona” aborda temas simples de forma encantadora, valorizando o texto nas tradicionais sutilezas. O elenco afiadíssimo enaltece o resultado frente às câmeras, com destaque para uma Penélope Cruz fenomenal. Vale prestar atenção no desempenho da novata Rebecca Hall, que já recebeu uma indicação ao Globo de Ouro.

Nota: 8,5

Domingo, 11 de Janeiro de 2009

Os Estranhos


Talvez o público adolescente acostumado com a série “Jogos Mortais” não esteja preparado para um filme de suspense como “Os Estranhos”. Classificado como “um terror à moda antiga”, a produção opta por gelar o sangue do espectador com sequências silenciosas e que geram muito mais tensão e medo do que os sustos fáceis.

A premissa é simples: Kristin e James estão passando uma temporada na remota casa de veraneio dos pais dele, no interior dos Estados Unidos. Certa noite, os dois chegam de uma festa na qual acabaram brigando e, logo em seguida, passam a ser aterrorizados por quatro mascarados que estão dispostos a levá-los ao limite do desespero.

A frase “baseado em fatos reais” que aparece logo no início do filme é totalmente ilusória. Basta assistir o filme até o fim e comprovar que era impossível saber exatamente o que aconteceu naquela noite de horror. Desconsiderando isto, o filme mostra-se um bom exemplar do gênero, sufocando o público com os jogos doentios dos psicopatas.

Nota: 7,0

Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

2 Dias em Paris


Em seu segundo longa-metragem, Julie Delpy demonstra que as sombras das produções Antes do Amanhacer e Antes do Pôr-do-Sol ainda a perseguem. Com este drama contemporrâneo, a atriz e diretora alterna discussões banais relativas às bobagens do dia-a-dia com momentos típicos das comédias de erros.

O casal protagonista encontra o timing certo para a relação a dois. Na trama, os dois estão fazendo um tour pela Europa e, antes de retornarem aos Estados Unidos, decidem permanecer dois dias em Paris. É na capital francesa que a família dela vive, assim como seus antigos amores.

Justamente por ter seu nome associado aos filmes anteriormente citados, espera-se que essa produção fosse no mínimo parecida com aqueles que dividia a tela com Ethan Hawke (e esse fosse, teria obtido um resultado muito superior). Os momentos parecidos são os que mais valem a pena. As tramas possuem semelhanças, porém algumas confusões e questionamentos sobre a vida sexual da personagem de Delpy diferem os projetos entre si.

Os dez minutos iniciais ameaçam a apresentação de um filme muito diferente do que se assiste no decorrer da exibição. Tanto a abertura como o encerramento são de uma beleza cinematográfica que já garantem a sessão. Mesmo com momentos inspirados e alguns diálogos realmente bons, o produto é interessante, mas ainda assim razoável.

Nota: 6,0

Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

[REC]


Levou quase uma década para Hollywood começar a explorar o cinema estilo “Bruxa de Blair”. A técnica foi repetida esse ano com bastante êxito em “Cloverfield”, porém um ano antes, o terror espanhol “[REC]” já havia utilizado esse formato para transmitir maior angústia e tensão ao espectador.

O filme concentra sua ação em praticamente um único ambiente: um prédio residencial na cidade de Barcelona, que repentinamente é lacrado pelo governo sem explicação aparente. Dentro do edifício estão os moradores, o corpo de bombeiros que recebeu uma chamada suspeita e uma equipe de reportagem que estava acompanhando o dia-a-dia desses profissionais. O que assistimos na tela são as imagens desse cinegrafista e a narração da repórter que acompanham a proliferação de um vírus mutante surgido no local.

O modesto longa-metragem adquire o tom realista imprescindível para esse tipo de projeto e ainda revela a talentosa Manuela Velasco. Alguns sustos e um final aterrador completam o pacote desse interessante filme de terror. O remake foi encomendado às presas por Hollywood e a versão americana estreou mês passado sob o título de “Quarentena”.


Nota: 7,6

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Os Desafinados


A indecisão entre filme de banda e drama romântico arruinou Os Desafinados. O ótimo início prometia uma produção como The Wonders, só que trocando o grupo de rock por um de bossa nova. Ou seja, uma versão bem nacional. A partir do momento que chegam em Nova York e se alojam no apartamento da alternativa Glória, a trajetória da banda perde espaço para um triângulo amoroso chatíssimo.

Rodrigo Santoro é o progonista, mas quem rouba a cena é Selton Mello e Cláudia Abreu. Ambos aproveitam seus personagens e apagam o carisma dos demais músicos. Aliás, o grupo do título não atinge a identificação do público que gostaria – salvo raros momentos. Pode-se acrescentar à lista de escolhas erradas, a dublagem utilizada em várias cenas e a duração excessiva com mais de duas horas. É, o resultado poderia ser outro, porém terminou desafinado mesmo.


Nota: 6,0

Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Zohan - O Agente Bom de Corte


A nova comédia de Adam Sandler é de um humor tão esdruxulo que chega a ser engraçado. O roteiro assinado pelo astro em parceria com Judd Apatow (Ligeiramente Grávidos, Superbad) prometia o grande retorno de Sandler ao gênero lhe deu fama e reconhecimento. A trama sobre um agente do exército israelense que possui o sonho de ser cabelereiro não apresenta um pingo de normalidade. O show de bizarrices começa na primeira cena com o protagonista pelado, requebrando o quadril e trovando as gostosas da praia, a cena acaba quando um peixe fica preso em suas nádegas.

Bom, para não afugentar a galera do cinema, já vou avisando que Zohan é um filme bastante divertido, rende ótimas risadas e deve ser assistido em DVD entre amigos e com uma cerveja bem gelada. Se o longa mantivesse o mesmo clima da primeira hora de duração poderia ser uma comédia hilária. Pena que a sem gracisse do final faz com que o ritmo desande.


Nota: 7,0

Domingo, 19 de Outubro de 2008

Amor e Inocência


Muito se fala dos romances de Jane Austen (Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade), mas da vida particular da escritora pouco se sabe. Em Amor e Inocência, pode-se descobrir uma jovem destemida, não tão inocente como o título nacional sugere, mas uma romântica consciente de suas escolhas.

Conhecida mundialmente por seus clássicos da literatura, Jane teve uma vida que renderia um livro ou filme, como é esse o caso. E olha que demorou para os produtores de Hollywood se darem conta disso! A queridinha Anne Hathaway encara o desafio de viver a sensível protagonista e James McAvoy fica com o papel do arrogante Tom Lefroy – interesse amoroso de Jane.

Dessa vez, os dois jovens astros, bastante talentosos por sinal, não conseguem o brilho já habitual em cena. Quase que no automático, os atores, assim como o filme, contam a história da escritora. A estrutura que o diretor Julian Jarrold (Kinky Boots – Fábrica de Sonhos) dá para o longa também não contribui para envolver o espectador. Sem grandes atrativos em sua narrativa, a trama só ganha a consistência necessária perto do fim. Uma pena.

Nota: 5,5

Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Linha de Passe


Walter Salles e Daniela Thomas, em mais uma parceria, realizaram uma obra aparentemente simples com Linha de Passe. Mas, pouca gente sabe que o filme levou cinco anos para ser feito. Todo esse tempo reflete no cuidado com o projeto e a preocupação sem limites com a autenticidade. Ao assistí-lo, é inevitável constatar que a realidade invadiu o filme: quem comanda as cenas são aqueles personagens vivos na tela.

Com tantos filmes abordando o lado negativo da periferia, Salles decidiu apostar em uma história que mostrasse essas pessoas com humanidade. Uma das questões discutidas é a dualidade entre uma família disfuncional, sem a ausência de um pai, com uma cidade gigante e opressora como São Paulo. A mãe (Sandra Corveloni) e seus três filhos sobrevivem o dia-a-dia em um mundo de devoradora desigualdade.

A sensibilidade como o diretor trata seus personagens encanta o mais duro dos corações. Linha de Passe é um trabalho caprichado, bonito de assistir e sentir, portanto, nem um pouco simples. Os atores estreantes em cinema (com exceção de Vinícius de Oliveira) dão um show a parte. Salles aparece mais maduro do que nunca, e esse projeto demonstra toda essa confiança.

Nota: 7,5

Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Um Crime Americano


O chocante caso da adolescente Sylvia Likens é contado nesse filme igualmente brutal. O diretor Tommy O´Haver não poupa o espectador de presenciar as cenas de humilhação e tortura. Um Crime Americano não é um passatempo como qualquer outro, não chega a ser filme bom de assistir, a experiência é pra lá de indigesta.

Após a sublime interpretação em Juno, Ellen Page dá vida a adolescente de 15 anos que é aprisionada no porão durante várias semanas por Gertrurde Baniszewski. A mulher de 36 anos ficou responsável de cuidar da menina enquanto seus pais viajavam. Como os pais não voltam e o dinheiro pela hospedagem pára de chegar, Sylvia se torna uma válvula de escape da megera.

O mais impressionante é que Gertrude tinha ainda sete filhos e todos eles conviveram normalmente com a situação. Várias crianças da vizinhança chegam a ser coniventes com as condições precárias por qual Sylvia passa, sendo que muitas vezes, ainda ajudam a torturá-la. A única exceção é a irmã de Sylvia que parece ter entrado em estado de pânico e assiste a tudo calada. Apesar de parecer exagerado, a história é baseada em fatos reais.

Um Crime Americano funciona como um relato de um caso brutal e repulsivo, uma denúncia fílmica que veio aparecer mais de 45 anos depois do acontecido. Entre os quesitos técnicos, destaca-se a ótima performance de Catherine Kenner na figura do carrasco. Mesmo sendo um filme correto, o espetáculo não é nada agradável. Justamente por isso, fica difícil apreciá-lo como entretenimento.

Nota: 6,0

Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

Trovão Tropical


Até o momento, Trovão Tropical pode ser classificado como a melhor comédia do ano. O filme dirigido por Ben Stiller é desde o início uma sessão de muitas risadas. Os trailers falsos na abertura colocam o espectador no humor exato da produção, além de resultarem em uma jogada esperta, que dispensa a apresentação dos personagens.

Ben Stiler, Jack Black e Robert Downey Jr interpretam na tela astros de cinema! Só isso já torna o filme muito divertido! Na trama, os três são atores milionários com egos super inchados e que não se acertam de jeito nenhum nas gravações da produção que promete ser ‘o maior filme de guerra de todos os tempos’!

Para tentar controlar sua equipe e evitar o fracasso do seu projeto, o diretor leva os atores para o meio da floresta com a intenção de obter o ar de realidade imprescíndivel para as filmagens. Porém, os perigos se tornam mais reais do que todos imaginam.

Para variar, o show é de Robert Downey Jr! Desde seu retorno em 2005, com Beijos e Tiros, que o ator marca um sucesso atrás do outro e demonstra ser um dos melhores de sua geração! Aqui, o sujeito é o responsável pelas melhores cenas e está impagável como o astro bem conceituado que se submete à tudo pelo personagem.

Quem mal aparece é Jack Black, ofuscado pelos demais protagonistas. O único momento em que faz rir é durante o trailer de “The Fatties”. Uma surpresa é a atuação de Tom Cruise como o dono do estúdio Les Grossman. O ator está irreconhecível sob muita maquiagem e falas grotescas.

Misturando ação com comédia, o filme não foge de sua proposta e, quando as piadas ameaçam acabar para dar espaço à cenas de guerra, chega logo o final. Assim, Trovão Tropical resulta em uma comédia bacana, que brinca com Hollywood e seus estrelismos, mas que além de tudo, faz o público rolar de rir. Até mesmo a história meio furada funciona na tela. O que nós resta é aproveitar a sessão!

Nota: 8,0

Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

O Amor Não Tem Regras


Já é a terceira vez que George Clooney comanda a direção de um longa-metragem: Confissões de Uma Mente Perigosa, de 2002, recebeu boas críticas e reservou lugar no ramo alternativo, Boa Noite e Boa Sorte, de 2005, ganhou vários prêmios e teve indicações ao Oscar, e agora, O Amor Não Tem Regras, de 2007, foi completamente esquecido.

O filme não levou praticamente ninguém aos cinemas norte-americanos e nem chamou a atenção da crítica. Para tentar alavancar o filme no Brasil, a distribuidora optou por um título de comédia romântica – o que certamente deixará os espectadores desavisados bem pouco satisfeitos.

Na verdade, é um filme que se passa na década de 20, sobre esporte, mais especificamente futebol americano. O galã Clooney é Dodge Conolly, um veterano treinador que tenta salvar seu fracassado time ao contratar um jogador promissor. Renné Zellweger interpreta a repórter que deve desmascarar o astro profissional e serve como a ponta do triângulo amoroso.

O terceiro projeto de Clooney na direção é um filme sem personalidade, tipicamente comum e com raros atrativos, entre essa minoria pode-se citar o visual retrô e o humor pastelão simpático. O casal protagonista não consegue a química pretendida, fazendo com que o jogo sujo praticado por ambos soe ainda mais prejudicial para a apreciação da obra. Dessa vez, o esquecimento foi merecido.

Nota: 4,8

Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Mamma Mia


Entre os clássicos musicais da Broadway está Mamma Mia, um novelão recheado de canções do grupo ABBA. Na onda de transpor para o cinema as peças teatrais da famosa avenida de Nova York, chegou a vez desse espetáculo de visual kitsch e números musicias ainda mais brega, e olha que isso não é uma crítica negativa.

Sem comparar as duas versões, vamos nos concentrar apenas no filme. O roteiro apoia-se na história de uma garota que possui três pais! Isso mesmo, a sua mãe não sabe qual deles foi o responsável por sua gravidez. Inseridas no meio desse fiapo de história as músicas contagiantes do ABBA encontram o lugar certo na trama. Aliás, são esses momentos que dão vida ao projeto.

À frente do elenco, a consagrada Meryl Streep esforça-se para encantar o público – o que nem sempre é garantido. O argumento fraco é um acúmulo de clichês e por isso, totalmente previsível. Boa parte das coreografias são exageradas, requisitando um elenco de apoio que surge do nada e não traz novidades. Muitas danças chegam a ser constrangedoras, sem falar no histerismo das personagens femininas, principalmente Julie Walters. Quem não suporta musicais, deve fugir de "Mamma Mia" e assim evitar que pegue ainda mais nojo! Somente os fãs do gênero sem grandes pretensões consiguirão aproveitar alguns momentos dessa desiquilibrada montagem.


Nota: 6,5