
O diretor John Cameron Mitchell opta por iniciar sua narrativa após o incidente, desprezando a “vida feliz” da família antes da tragédia. Assim, abre-se as cortinas e o espectador é arremessado diretamente no olho do furacão, imerso em um turbilhão de sentimentos - todos altamente expressados em desempenhos viscerais do casal protagonista. O destaque é para Kidman, que mais uma vez encara uma personagem de maneira intensa, expondo gradativamente a complexidade de Becca.
No mais, “Reencontrando a Felicidade” (tradução desprezível) é uma história linear, sem surpresas, com uma abordagem sensível que dá razão para as atitudes de quem foi abalado por uma perda. O impacto da trama vem ao final, quando percebe-se que o tom de tristeza sem fim realmente não irá acabar.
O inusitado do projeto é o envolvimento de um diretor tão irreverente como Mitchell (“Hedwig”, “Shortbus”) realizando um drama convencional. O cara se saiu bem.
Nota: 7,9