
A narrativa se passa em apenas uma locação: o apartamento de Penelope (Jodie Foster) e Michael (John C. Reilly), cujo filho brigou com um colega de classe e teve dois dentes quebrados. Os pais do agressor, Nancy (Kate Winslet) e Alan (Christoph Waltz), encontram-se com os pais da "vítima" para conversar sobre como lidar com a situação. A reunião aos poucos foge do controle, transitando do civilizado para a baixaria.
Os personagens passam por uma catarse durante o processo, revelando suas intimidades e visões de mundo. Os posicionamentos ganham mais intensidade pelo elenco afiadíssimo, com atuações no timing perfeito do time feminino, principalmente, de Jodie Foster. Aliás, as duas protagonistas foram indicadas ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz - Comédia ou Musical.
O estilo e até mesmo o desenrolar da história, construído praticamente no diálogo, assemelha-se muito ao clássico "Quem Tem Medo de Virginia Wolf?" (1966), de Mike Nichols. Porém, Polanski imprime uma identidade própria ao seu projeto, através de tons mais urbanos e realistas, com uma crítica à sociedade norte-americana (país que baniu sua entrada) e também fazendo com que o público possa rir de si mesmo. O diretor apenas não conseguiu fugir da estrutura teatral - o que seria muito difícil nesta adaptação da peça de Yasmina Reza, mas mesmo assim saiu-se muito bem em mais um gênero cinematográfico.
Nota: 8