Wall-E


Os críticos não pouparam elogios para essa nova animação da Pixar em parceria com a Disney. É praticamente garantido o prêmio na devida categoria no Oscar, sendo até mesmo cogitado para concorrer nas demais. Tanta paixão conferida à Wall-E só pode ser explicada porque esse é o “desenho” mais adulto lançado nos últimos anos.

Má notícia para a criançada! Com poucos diálogos, narrativa lenta com tom poético e ainda trazendo uma crítica à sociedade americana, o filme não será tão apreciado pelos baixinhos. A atenção deles será voltada somente no personagem título, onde suas características prometem encantar o público. O caso de amor do personagem é outro fator que desperta o interesse infantil.

Ao contrário do planejado pelos estúdios, Wall-E revela-se um robô mais que atrapalhado, ele é idiota mesmo. As atitudes e o jeito pateta incomodam, não despertando o carisma irresistível pretendido. O personagem ainda repete milhares de vezes seu nome, ao ponto de tornar a palavra insuportável. Essa repetição constante desse e de outros elementos massacram a inteligência do público.

Um fato curioso é que no início da produção os humanos são apresentados com atores reais e quando chega ao meio do projeto, tornam-se animados. Escolha sem explicação! Como é uma animação, poderia ser inteiramente nesse formato ao invés de trocar no decorrer do filme.

Quando ameaça entregar um final ousado e condizente com o roteiro e lógica universal, o filme não vai fundo na idéia e termina com o clássico final feliz. Claro, não estamos assistindo um filme para adultos! Esse é o seu principal problema. A falta de um público alvo torna-o tão abrangente que não é uma experiência completa nem para as crianças nem para os mais velhos. Wall-E renderia mais como um curta ou média-metragem, dessa vez, direcionado para quem saberia apreciá-lo melhor.

Nota: 6,0

Banquete do Amor


Esquecido entre os grandes lançamentos do cinema, Banquete do Amor passou batido entre o público brasileiro. A falta de barulho em torno da produção é justificada pelo fato de que apesar do elenco conhecido, o filme é totalemente dispensável. O moralismo do projeto impede sua receptividade como um drama adulto sobre relacionamentos humanos.

Na colcha de retalhos, temos o amor na terceira idade, o amor adolescente, o amor proibido, o amor homossexual (dessa vez entre mulheres) e aqueles que ainda não encontraram essa plenitude.

O personagem de Morgan Freeman é o símbolo do moralismo, como se fosse a consciência do filme, dando conselhos aos demais personagens e pregando o bom mocismo. A falta de recursos narrativos investe em elementos bobos como uma vidente e questionamentos religiosos.

O único alívio é a presença soberba de Radha Michell. A atriz não aparecia nos cinemas nacionais desde o problemático Terror em Silent Hill e permanece com sua competência e elengância em cena. O restante do filme é composto de situações piegas e cuja sem gracisse fazem os clichês ficarem ainda mais evidentes. Diálogos lamentáveis são pronunciados aos montes, como esse aqui: “Deus não nos odeia. Se ele odiasse, não teria feito nossos corações tão valentes!” Por favor né!

Nota: 4,0

Na Mira do Chefe

Ao ler qualquer sinopse básica da produção, certamente, você terá algumas de suas surpresas reveladas. Como assim? É com mais de uma hora de duração que a trama principal se torna visível. O título nacional também já denuncia um dos fatos determinantes. Portanto, não vou entregar absolutamente nada sobre a história.

Na Mira do Chefe é uma divertida comédia de humor negro, com ação, drama e jogadas espertas, mas infelizmente, passou batido nos cinemas dos Estados Unidos. O ritmo desacelerado e a utilização de locações inteiramente européias, acabou por descaracterizá-lo como um típico produto norte-americano. Esse estilo incomum garantiu a vaga no Festival de Sundance 2008 e inaugurou a mostra.

Colin Farrell encaixa-se bem como o assassino suicida e facilmente vai do drama à comédia. Com essa versatilidade, relembra que, apesar de alguns deslizes na carreira, é um ótimo ator. Na Mira do Chefe é o segundo longa-metragem do diretor Martin McDonagh, que antes realizou o filme “Six Shotter”, classificado como uma comédia irlandesa sangrenta e de humor negro. Exatamente os mesmos elementos desse novo projeto.

A nota para a produção só não é maior devido a um problema: a motivação do personagem de Ralph Fiennes não é explicada. O motivo é esclarecido em uma cena que ficou de fora do corte final. No spoiler abaixo, conto o que acontece nessa cena.

Fora isso, o filme é um respiro de personalidade dentro da indústria formulaica.

Nota: 7,6

SPOILER >>> A cena cortada é a seguinte: Harry foi abusado quando criança e não foi por um padre, foi pelo próprio pai. Ray acha que o padre era pedófilo mas Ken explica que ele apenas fazia parte de um comitê contra os projetos de construção do Harry.

Bill


Bill está crise de identidade. Aos 40 anos, ele descobre que sua esposa tem um caso com o apresentador do tele-jornal local. A traição desencadeia uma revolta contra si mesmo, uma avaliação de como se tornou um ser patético. A sinopse bem que poderia render uma produção como O Sol de Cada Manhã, mas o resultado está bem longe disso.

A história de superação é tão batida que em nenhum instante chega a empolgar. Bill é estúpido demais e, ao invés de causar identifiacação com o personagem, o público se sente incomodado com sua presença. Mesmo com um bom elenco, não há atuação de destaque. O alívio vem com Lornam Lerman, que interpreta o garoto sob tutela de Bill, ele é o único a movimentar a trama. Quem sabe seu personagem não renderia um filme melhor, já que conhecer Bill é uma chatice.

Nota: 3,0

Um Amigo Meu


Este belo drama de origem alemã ganha apreço do público ao apresentar nenhum tipo de pretensão. Quem o assiste não possui alta expectativa. O único destaque é a presença de Daniel Bruhl, ator conhecido por Adeus Lênin, Edukators e O Violinista que Veio do Mar.

A amizade inesperada entre Karl e Hans motiva essa identificação. Os dois são como água e fogo, e nessa oposição gigante, eles se entendem e criam um laço bastante forte. A trama simplista é digna dos filmes europeus, com ritmo lento e valorização de planos e atuação. Os personagens e suas angústias parecem suficientemente verdadeiros.

Um Amigo Meu não tem um final onde tudo se encaixa. Sua narrativa de tão comum pode não ser levada a sério. Sensível, real, romântico e com boas atuações da dupla de “amigos”, é um filme onde o espectador reflete sobre esse intenso sentimento que une as pessoas. A escolha por se deixar levar é sua.


Nota: 7,5

Control


Não resta dúvida de que Ian Curtis foi um sujeito infeliz. Para quem é pouco entendido de música, o cara liderou uma das bandas mais importantes do punk rock, a Joy Division. Casou-se cedo, teve uma filha, trabalhava durante o dia e viajava para fazer shows nos finais de semana. Nada disso lhe trouxe resquício algum de felicidade. Ele se suicidou em 18 de maio de 1980 aos 23 anos.

A curta jornada de Ian nesse mundo foi melancólica ao extremo, pelo menos é isso que Control, sua biografia cinematográfica, demonstra. O novato Sam Riley representa o vocalista problemático com uma fidelidade absurda. Até mesmo o olhar olhar delirante na performance de palco e os trejeitos dançantes são de uma semelhança assustadora.

O universo cinzento de Curtis é retratado pela belíssima fotografia em preto e branco. Um dos maiores acertos da produção! O diretor de videoclipes, Anton Corbijn, estréia atrás das câmeras potencializando os relatos do livro da viúva do cantor e realizando um panorama honesto sobre os principais tormentos de Ian: dividido entre a esposa e a amante, pressionado pela carreira em ascenção e sofrendo de constantes ataques de epilepsia.

Control dá enfoque maior para sua vida emocional do que para a carreira à frente da Joy Division. Ainda assim, o filme aborda sem pressa e atropelamentos as passagens mais importantes da vida do cantor. Ao final, a impressão é de que Ian não fazia tanta questão de ser feliz. Até mesmo com Anika, sua amante, ele não demonstra-se satisfeito. Pois é, o mundo da música não é tão glamuroso assim.

Nota: 7,2

Uma História de Amor


Não é de hoje que Billy Crudup é subestimado. Em 13 anos de carreira dividiu a tela com vários astros e fez pontas em filmes como Sleepers, Todos Dizem Eu Te Amo e Peixe Grande. O maior destaque foi como o guitarrista Russell Hammond em Quase Famosos, que sem dúvida é o seu melhor filme. O motivo dessa falta de reconhecimento talvez seja porque seu nome dificilmente está associado a filmes de qualidade. Fora essas produções citadas, o restante de sua filmografia não empolga.

Dedication ou Uma História de Amor é mais um desses filmes a somar na lista. Contando com o desempenho brilhante do ator, o longa-metragem não foge de ser previsível e monótono. Na trama, Crudup é um escritor de histórias infantis que perde o ilustrador de seus livros, e também, melhor amigo. Em seguida, essa vaga é preenchida por uma nova cartunista. A relação delicada mistura auto-conhecimento e amor.

No papel romântico, Mandy Moore, pela primeira vez, não desafina na atuação. Mas, como o esperado, o personagem de Billy domina a cena. Hiperativo, nervoso e sem medo de falar o que pensa, o tal escritor é uma profusão de sensações simultâneas. A construção por parte do ator responde ao que o roteiro pede e são esses momentos que salvam a produção do total fracasso.

Infelizmente, a interpretação de Crudup é diluida no contexto e assim, permanece deixando o ator osfuscado nas sombras da indústria hollywoodiana. Quem sabe ele aparece com mais impacto na superprodução Watchmen?.

Nota: 4,5

Jogo de Amor em Las Vegas


Alguém duvida da força desse filme em território nacional? As comédias românticas possuem um histórico de sucesso no Brasil e essa aqui deve ser mais uma delas. O principal atrativo é a união de dois astros do humor pastelão: Cameron Diaz (Tudo Para Ficar com Ele) e Ashton Kutcher (Recém-Casados).

Na trama, essa dupla acorda casada após uma noite de loucura em Las Vegas. A decisão pelo divórcio é de ambas as partes. Porém, no dia seguinte ele ganha 3 milhões de dólares no cassino do hotel. Para ficarem com o dinheiro, o juiz determina que deverão manter uma relação estável por seis meses.

Começa então uma briga de marido e mulher. Alguém lembra de “Guerra dos Roses”? Vivendo sob o mesmo teto, cada um vai aprontar para o outro e assim, ver quem desiste primeiro. Todos elementos característicos do gênero estão no conjunto, como a participação dosamigos engraçadinhos dos protagonistas.

Pensando em desistir de comprar o ingresso? Nem pensar. Jogo de Amor em Las Vegas é sim puro clichê: os dois se odeiam no início para no fim se apaixonarem. Mas, não é só isso. O carisma dos atores principais garante a sessão. Pisando em terreno que conhecem muito bem, Diaz e Kutcher encantam a platéia e não tem quem resista ao charme da dupla. Além disso tudo, cenas realmente engraçadas entrelaçam a guerra e a paz.

É um dos poucos filmes em que tanto a comédia quanto o romance funcionam bem. Não é recomendado para quem tem aversão ao gênero, do contrário, é diversão na certa!

Nota: 7,8

Não Quero Ser Grande


Beirando os 30 anos, Jeffrey ainda vive com a mãe (Diane Keaton). Essa mordomia ameaça acabar quando ela se apaixona por um palestrante motivacional (Jeff Daniels) e pretende que ele venha morar na casa.

Não Quero Ser Grande é uma comédia sem graça, sustentada apenas pelos bons atores. John Heder de Napoleon Dynamite permanece com sua galeria de personagens esquisitos, a medida que Diane Keaton repete seu papel de Minha Mãe Quer Que Eu Case. Jeff Daniels e Anna Ferris saem ganhando por fora com personagens coadjuvantes bem mais interessantes.

Coincidência ou não, Mama´s Boy apresenta praticamente a mesma trama de outro recente longa-metragem, Em Pé de Guerra. Na luta, o segundo sai vencendo. Esse aqui é uma perda de tempo. O roteiro sem novidades e entulhado de estereótipos já explorados aos montes no cinema não chegam a conseguir nem um sorriso amarelo.

Faltou comentar: QUE TÍTULO INFELIZ!

Nota: 3,5

Mais do que Você Imagina


Meg Ryan, a rainha das comédias românticas nos anos 80 e 90, não conseguiu fugir do gênero que lhe trouxe fama e reconhecimento. Depois de investidas sem sucesso em dramas, suspenses e aventuras, como Prova de Vida, Em Carne Viva, Contra Tudo e Contra Todas e por fim, Eu e as Mulheres, Meg Ryan retorna ao que é seu ponto forte: as comédias românticas.

Na trama, Meg apaixona-se por um ladrão de relíquias (Banderas) - fato que ela desconhece. O seu filho, um agente federal, tem a missão secreta de espionar o bandido e assim, presencia intimamente a relação de sua mãe com o mau caráter. As situações cômicas partem principalmente desse pressuposto e promovem boas risadas.

O conteúdo pouco inspirado e relativamente superficial é só fachada para uma produção engraçada e de cenas divertidas. De semelhanças com Sr. e Sra. Smith, a produção não é um romance açucarado, e também não investe nas cenas de ação. Afirma-se mesmo na comédia. Apesar de apresentarem atuações básicas, o casal central desenvolve uma química bem ativa. Mais do que Você Imagina é bem tolo, mas isso não impede de ser agradável.

Nota: 7,0

Número 9


Número 9 é aquele tipo de filme que ninguém entende. Entretanto, todos que assistiram não abrem mão de expressar a sua teoria. No final, nenhuma dessas versões responde as infinitas perguntas levantadas. O filme é, na verdade, uma confusão só. Confesso que procurei ajuda na internet, e não encontrei consenso algum sobre o que seria a explicação das várias linhas narrativas do projeto.

O longa-metragem é a segunda experiência de John August na direção. Ele escreveu os ótimos roteiros de Peixe Grande, A Noiva Cadáver e A Fantástica Fábrica de Chocolate. Essa parceria incrível com Tim Burton rendeu essas obras-primas citadas. É uma pena que o roteiro de Número 9 deixe a desejar.

De qualquer maneira, o filme é bastante interessante e prende o espectador do início ao fim. A trama super curiosa é responsável por isso. Porém, suas explicações variam e confundem na elaboração de uma justificativa final. Número 9 parece uma tentativa frustrada de ser um Donnie Darko. Olhando pelo lado bom, o filme pelo menos não tenta imitar o horroroso Número 23.

Faltou comentar que Ryan Reynalds como protagonista de um filme mais sério está bem, o que já é a sua melhor atuação até agora.

Nota: 6,0

Vestida para Casar


Katherine Hegel ficou conhecida através do sucesso Ligeiramente Grávidos. Em Vestida para Casar, ela não tem o ótimo Seth Rogen para ofuscar suas cenas. Nessa comédia romântica, a atriz é o carro chefe do desfile, o que não impede de dividir a tela com outros bons atores, como Edward Burns, James Marsden e Malin Akerman.

No filme, Hegel é uma mulher que já foi dama de honra 27 vezes. Apaixonada por seu chefe, ela acredita que chegou a sua vez de subir no altar. Os planos vão por água abaixo quando sua irmã chega de viagem e “rouba” a sua paixão.

É a clássica fórmula de filme para o público feminino. Final feliz? Óbvio. Até mesmo a seqüência musical não falta! E pode-se dizer que é uma das melhores cenas, ainda porque Bennie and the Jets de Elton John ajuda bastante. O nome da roteirista de O Diabo Veste Prada pode chamar a atenção no cartaz, mas as produções não são nada parecidas. O filme com Meryl Streep é excelente, este é bom.

Pronto, falei. Vestida para Casar é aquele filme bobinho que conquista. É difícil não gostar. Voltamos então para aquela velha história de que cinema é entretenimento, e exatamente por isso que o filme cumpre seu papel.

Nota: 7,4

Rocket Science


Os norte-americanos são obcecados por pessoas esquisitas. Basta assistir os inúmeros longas-metragens produzidos anualmente sobre seres desajustados. Será que todos que vivem no subúrbio são tão estranhos assim? Pois é, volta e meia encontra-se nas premiações filmes como esse, principalmente no Sundance – o festival alternativo mais conhecido. Rocket Science foi um dos vencedores desse festival no ano passado na categoria de melhor direção dramática.

O freak da vez é Hal Hefner, um garoto gago que vez de permanecer excluído em seu casulo decide dar a cara a tapa e participar de um concurso de debates na escola. O filme dialoga sobre o problema de fala e aborda como agir nas situações constrangedoras.

O diretor Jeffrey Blitz também escreveu e produziu o projeto. Ele sofre de gagueira e sua principal fonte para o roteiro foram as experiências de quando era adolescente. A escolha do até então desconhecido Reece Thompson para viver o protagonista não podia ser melhor. O jovem ator interpreta um papel difícil e por meio deste brilha do início ao fim, fixando a atenção para si e tomando conta da tela.

Rocket Science não apresenta muitas novidades. Além da gagueira, é basicamente um filme alternativo comum. Entre seus méritos, um deles é não abusar da esquisitice. Mas, o filme ganha mesmo é em carisma. A sensação que se tem é de que Hal faz amizade com a platéia e, através de belas tomadas, sem negar sua origem cult, o filme despreocupadamente cativa o público-alvo.

Nota: 7,5: Sem previsão de estréia nos cinemas brasileiros.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal


Só foi eu que percebi? Nas primeiras cenas de ação, Harrison Ford faz um esforço tremendo para convencer como um Indiana Jones sessentão. Bem que ele tenta ser ágil, a edição também procura dar aquela mascarada, mas não adianta, a lentidão predomina. E assim começa essa duvidosa experiência do retorno de um dos heróis icônicos do cinema.

O projeto não tem o melhor dos prólogos. A demora para esclarecer a sinopse principal deixa o público um pouco perdido. É com quase uma hora de duração que se tem uma visão geral sobre o que o filme trata. O lance das caveiras de cristal é bastante interessante, porém acaba saindo fora dos trilhos quando revela ser uma história de (pasmem!) alienígenas.

Bom, se você perdoar isso, continuamos nossa avaliação. Depois das cenas inicias em que Ford sai no braço com os bandidos, o personagem aparece raras vezes em perigo. As demais seqüências exigem pouco esforço físico do herói e o roteiro opta por dar espaço ao provável substituto de Harrison Ford: o atual queridinho da América, Shia LeBouf.

É dele a cena de maior adrenalina de toda aventura: seu personagem luta contra Cate Blanchett em cima de um jipe em movimento. Se por um lado LeBouf não compromete, o personagem de John Hurt é tão irritante que dá vontade que no meio daquela Amazônia surja uma Anaconda gigante para devorá-lo de uma vez!

Homenageando os originais, a belíssima fotografia envelhece a película e dá o clima dos filmes clássicos da década de 80. O que a produção não poupa são os efeitos especiais! A profusão digital é tanta que dificilmente você vai lembrar de alguma seqüência de ação do qual não foi preciso o uso de computação gráfica. Por mais bem feitos que sejam, esses artifícios ressaltam a pirotecnia e quebram o mergulho do espectador na magia do cinema. Algumas vezes são realmente incríveis, já outras são bastante artificiais.

Chegando agora ao grande vilão do filme: o roteiro. Não adianta que a maior falha do longa-metragem é a trama absurda e sem pé nem cabeça. O amontoado de recursos para entreter o público chega ao exagero. São formigas carnívoras, tribos escondidas em lugares secretos, travessias em cachoeiras, areias movediças, bombas atômicas (!), naves espaciais e por aí vai.

Se o filme vale o renascimento do herói? Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal não deixa de ser divertido. Faltou mesmo uma boa história. Da próxima vez também seria bom diminuir na dose de sensacionalismo. Já o crédito à Harrison Ford pode ser considerado garantido, porque quando a inconfundível trilha de John Williams ecoa na sala de exibição não tem como imaginar outro em seu lugar.

Nota: 6,8

Em Pé de Guerra


Quando a idéia é fraca, não adianta forçar a barra com uma longa duração. Em Pé de Guerra sabe que não é um Ligeiramente Grávidos e, exatamente por isso, aproveita para condensar o que a trama tem de melhor nos seus 80 minutos.

John Farley (Seann William Scott) é um bem-sucedido escritor de auto-ajuda. Entretanto ele levou um bom tempo para superar os abusos sofridos na época de colégio pelo professor Woodcock (Billy Bob Thornton). Ao visitar sua cidade-natal John descobre que sua mãe (Susan Sarandon) está prestes a se casar com Woodcock.

Tudo bem que a trama é uma bobagem: imediatamente após descobrir o caso da mãe, Farley parte para desmascarar o seu futuro padrasto. Você já deve imaginar as várias gafes pelas quais o personagem irá passar e, óbvio, ele vai se dar mal até conseguir provar que estava certo. Isso só no final.

Construído em cima de clichês, essa comédia só se salva pela presença dos três atores principais. É o tipo de filme para alugar quando não resta opção melhor. De qualquer maneira, dá para assistir sem se sentir ofendido.

Nota: 6,5

Jumper


É triste, mas Jumper morreu na praia. A ficção científica de Doug Liman nunca vai ser um filme memorável. Parece que o diretor deixou a preguiça tomar conta e entregou a obra de qualquer jeito. Cuida só a ótima premissa: jovem consegue se teletransportar para qualquer ponto do planeta. Ele passa a ser perseguido por uma organização secreta destinada a matá-lo.

A direção pura adrenalina empolga no início por conta das belas imagens, ótimos efeitos e um estilo videoclipe, o mesmo que deu certo em A Identidade Bourne e Sr. e Sra. Smith, outros títulos de Liman. Porém, o filme não consegue sustentar esse clima de aventura até o fim. Logo, a trama se perde.

Jumper resulta em um projeto perdido nas intenções. Até mesmo os bons atores são mal aproveitados. Faltou desenvolver o roteiro do segundo para o terceiro ato, percebe-se uma pressa imensa de terminar o projeto. Com menos de duas horas, os créditos sobem e a boa idéia fica pelo caminho.

Nota: 6,0

À Prova de Morte


O projeto Grindhouse da dupla Rodriguez e Tarantino não tinha como ser um sucesso. Os filmes são os menos populares de toda a carreira dos diretores. A homenagem à podreira saiu melhor no sensacional Planeta Terror, mas À Prova de Morte também possui seus atrativos.

O cultuado Quentin Tarantino apresenta seu quinto longa-metragem saboreando o máximo da cultura pop. Os diálogos aparentemente superficiais são recheados de referências ao universo singular do diretor. Outro elemento em cena bastante explorado são as mulheres, cuja sensualidade é vista em vários takes que valorizam as curvas das beldades.

Inevitavelmente, duas cenas destacam-se pela apresentação na tela: o acidente fatal na primeira hora do filme é tão cruel e impactante a ponto de deixar o público chocado. De forma inteligente, a cena repete quatro vezes para mostrar o destino de cada personagem. A segunda sequência memorável é a perseguição de pura adrenalina já perto do final, quando Tarantino reproduz uma cena do filme Vanishing Point.

À Prova de Morte é formado por várias outras cenas deliciosas, principalmente para quem entende de cinema. Os requebrados das atrizes, o culto à bebida, o personagem canastrão de Kurt Russell, a morte violenta de Rose McGowan, a participação especial do próprio diretor e a fotografia de cores vibrantes contribuem para a elobaração de uma película única. O que prejudica a obra é o excesso de diálogos. Apesar de alguns serem verdadeiras pérolas, outros são fúteis e descartáveis. Com um pacote mais enxuto, o produto seria um deleite para os fãs do diretor.

Ainda assim, Tarantino é Tarantino e a sessão de qualquer filme dele é praticamente um orgasmo.

Nota: 8,0

O Homem de Ferro


Quanto mais exploram os personagens da Marvel, mais escassa fica a fonte. Dela já saíram super-heróis como Homem-Aranha, X-Men, Hulk, Quarteto Fantástico e Motoqueiro Fantasma. O Homem de Ferro não é um dos mais populares, mas também não é desconhecido.

Ao iniciar a produção do que seria o primeiro grande filme da Marvel como estúdio independente, surgiu a óbvia questão sobre quem iria vestir a armadura do herói. Provavelmente os fãs não imaginaram Robert Downey Jr nesse papel. A inusitada aposta do estúdio revelou-se uma excelente escolha. O ator agarra com unhas e dentes o personagem e convence como o milionário Tony Stark. Aliás, Downey Jr retornou às produções cinematográficas melhor do que nunca. Depois de antecedentes com drogas, o astro deu a volta por cima e emplacou ótimas produções: Beijos e Tiros e Zodíaco – além dos anteriores Garotos Incríveis e Crimes de Um Detetive.

Os méritos de Homem de Ferro vão igualmente para o diretor Jon Favreau (Zathura). O cineasta dá o tom de realismo imprescindível para o projeto, dosando também a parte trágica da história com as cenas de ação.

O Homem de Ferro é um personagem por demais interessante. Tanto por ser um inventor de engenhocas e um playboy, como também pela sua trajetória de renascimento. Realmente, ninguém melhor para o papel do que Robert Downey Jr.

Não vou discutir a questão se a adaptação é fiel ao original porque nunca fui fã do personagem e não saberia identificar esses detalhes. Quanto ao elenco de apoio, Terrence Howard, Gwyneth Paltrow e Jeff Bridges mostram-se bem na tela, principalmente esse último. O vilão de Bridges é muito bem interpretado, pena que o roteiro não sabe trabalhar corretamente com a figura do Monge de Ferro.

Já que estamos falando do que deu errado, o desfecho da produção é atropelado, destoando do início cuja a narrativa é lenta. Os motivos do vilão tornam-se sem sentido e as cenas de ação com perfeitos efeitos visuais não conseguem o impacto pretendido. Em contrapartida, os segundos finais deixam o público mais que ansioso para a próxima aventura do herói. No total, é mais um ponto positivo para a Marvel. Uma provável série de filmes do Homem de Ferro há por vir.

Nota: 7,5

Maratona do Amor


Comédia romântica inglesa alavancada pela presença de Simon Pegg - a nova fábrica de risos inglesa. O ator descoberto em Todo Mundo Quase Morto, ainda participou de Planeta Terror, Missão Impossível 3, Terra dos Mortos e Chumbo Grosso para conseguir protagonizar este filme em que é o grande astro. A direção ficou a cargo do ex-Friend David Schwimmer.

Pegg interpreta Dennis, um cara gorducho que abandona a noiva grávida no dia do casamento. Cinco anos depois, ele tem certeza que aquela era a mulher da sua vida. Para reconquistá-la, ele quer vencer sua primeira maratona e com isso provar que o novo namorado da amada é o homem errado para ela.

Simpático e divertido, Maratona do Amor é uma comédia leve que agrada o público, mas não o leva à gargalhadas. O humor britânico presente do início ao fim passa por situações constrangedoras, o que é praticamente inevitável. Mesmo sendo um passatempo agradável, essa comédia não traz nada de novo, por isso, segundos depois você já esqueceu que o assistiu.

Nota: 6,8

Coisas que Perdemos Pelo Caminho


Halle Berry e Benicio del Toro estrelam esse longa-metragem que sequer foi lançado no circuito nacional. A produção do ano passado chegou direto em dvd sem causar nenhum barulho. Coisas que Perdemos pelo Caminho é o primeiro filme em solo norte-americano da dinamarquesa Susanne Bier (Brothers e Depois do Casamento).

O drama mostra como Audrey, mãe de dois filhos pequenos que tem o marido assassinado, procura superar a tragédia. Ela passa a dividir a casa com o melhor amigo do falecido e o ajuda no vício com as drogas. A convivência acaba sendo benéfica para ambos na hora em que enfrentam momentos difíceis.

Com essa trama previsível, o único alento é a atuação de Benecio del Toro. O estilo do ator cai como uma luva no personagem desajustado, na medida que ele parece ser exatamente igual na vida real. Já a vencedora do Oscar Halle Berry não compromete. Mesmo beirando o melodrama, a produção segura atenção e mascara suas fragilidades. Não chega a ter o caráter cult ou alternativo que as vezes ameaça tentar. O resultado é morno.

Nota: 7,0