
A terceira adaptação do clássico da ficção científica, Eu Sou a Lenda, chegou aos cinemas fazendo o maior barulho e recheado os bolsos dos produtores. Mais um estrondoso sucesso de Will Smith, que se fixa como o rei dos blockbusters. Toda a sensação em torno do filme é justificada com a presença do carismático ator. Na seqüência de A Procura da Felicidade, Smith entrega sua segunda melhor atuação.
Caso tivessem escolhido outro ator para encabeçar a produção, provavelmente o longa-metragem não conseguiria tanto destaque. Se fosse alguém como Christian Slater, um bom ator porém não tão conhecido do grande público, o julgamento do projeto seria outro. Will Smith é a força do filme e é ele que garante todo o interesse do público na trama, junto, é claro, com a cadela Samantha.
Até os 25 minutos iniciais não há o que reclamar. A visão de uma Nova York apocalíptica é fantástica e os métodos utilizados pelo “último homem na Terra” são inteligentes e justificáveis. Sem falar na maneira que explicam a transformação do planeta naquele estado: uma das mais plausíveis do cinema. EH a partir daí, que o conjunto começa a desmoronar. Surgem os monstros.
Em tempos que a tecnologia é tão avançada e dá vida a inúmeras criaturas que parecem realmente existir, os seres de Eu Sou a Lenda não funcionam dentro do filme. Os zumbis/vampiros são mal feitos, totalmente computadorizados e falsos. Chegam a ser semelhantes aos monstros de A Múmia, longa de 1999. Ou seja, parece que de lá pra cá, em 9 anos, os efeitos visuais da indústria cinematográfica não evoluíram. Olha que o orçamento da produção foram astronômicos 150 milhões de dólares.
Outra barbada de se notar, é a semelhança com o filme Extermínio (2002), de Danny Boyle. Logo no início, a superprodução procura imitar a seqüência incrível do longa-metragem inglês que mostrava uma Londres deserta, devastada pelo vírus. Além dessa analogia ou cópia, é fácil identificar muitas outras.
Eu Sou a Lenda resulta em um projeto que deixa a desejar, uma tentativa frustrada de realizar uma produção superior a Extermínio. Possui vários pontos positivos e muitos negativos. A balança ficou mais para o lado positivo, só que tinha potencial para ser avanço no gênero. Até agora não entendo como criaram vilões tão podres e diálogos imbecis sobre Bob Marley. O final com referencias a Deus, apesar de bobo é aceitável. Para finalizar, aqui vai outra mancada: poderiam ter dado um final contrário ao personagem de Smith, já que sua atitude era desnecessária.
Nota: 6
Obs: A presença da brasileira Alice Braga gera uma quebra de tensão no projeto. Seu personagem não chega a ser um problema, mas enfraquece o terceiro ato. A atriz surpreende por estar A vontade com a língua inglesa, porém não apresenta as expressões de angústia necessárias para a personagem.
Para quem acha que o texto massacrou o filme, aqui vão alguns motivos para assistir Eu Sou a Lenda:
1)Will Smith
2) Cadela Sam
3) Para os fãs de ficcao cientifica
3) Nova York apocalíptica
4) Seqüência de Smith procurando a cadela no escuro
5) Produção tensa e envolvente