Crítica: Mulheres do Século 20

Santa Bárbara, 1979. O mundo vive um período de transformações sociais que atingem a relação entre uma mãe solteira e seu filho adolescente, na famosa praia da Califórnia. "Mulheres do Século 20" é um filme de personagens - e também mais um projeto irregular do diretor Mike Mills, conhecido pelos dramas indie "Impulsividade" e "Toda Forma de Amor".

No papel de Dorothea Fields, a veterana Annette Bening é a força motriz da produção. Sua escolha foi fundamental para transparecer a montanha-russa emocional da mãe e proprietária de uma casa em constante reforma. Simbolismos aí? Talvez.

Ao longo da trama, a protagonista apresenta atitudes contraditórias, sejam elas curiosas, castradoras e até modernas e libertárias. Desta forma, Dorothea simboliza a mulher em transição dos anos 1970, que tenta acompanhar as mudanças atravessadas pelas décadas.  

Em sua casa, ela abriga duas jovens: Abbie (Greta Gerwig), uma fotógrafa que deixou a família para alugar um espaço para si, e Julie (Elle Faning), amiga e interesse amoroso de seu filho que passa as noites escondidas no quarto dele. Apesar de coadjuvantes, ambas apresentam-se como as figuras mais interessantes da história.

Como é um filme de personas excêntricas, as atuações ganham força na tela e fazem valer o ingresso. A exceção é o novato Lucas Jade Zumann, que não sustenta a força do filho rebelde na fase em que os jovens se afastam dos pais.

Além do elenco, destacam-se também a fotografia, com cores quentes muitas vezes desbotadas, como num filtro poético do Instagram, e a direção de arte, rica em composições visuais impactantes com os objetos de época. A edição também aposta numa pegada artística, com narrações e montagens fotográficas, tratando o filme como uma verdadeira obra de arte.

No geral, o longa-metragem é cheio de momentos inspirados, mas o principal problema é o encadeamento dessas sequências no conjunto total. Apesar de ter sido indicado ao Oscar 2017 na categoria de Roteiro Original, "Mulheres do Século 20" parece uma colcha de retalhos, totalmente inconstante, que funciona melhor no trailer do que na exibição completa.

É bastante semelhante aos filmes anteriores do diretor - o que faz pleno sentido, pois suas criações falam de tudo um pouco, sem ter foco ou oferecer profundidade sobre os assuntos. Para completar, desta vez, Mills comete um pecado maior: utiliza um título pretensioso no momento que quer definir e apresentar as gerações das mulheres do século 20 através de um olhar superficial das mesmas.

Nota: 6,0

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