Desejo e Reparação


Depois de adaptar brilhantemente Orgulho e Preconceito, Joe Wright assina a direção deste drama de época impecável. Mais uma vez, Wright transporta para a linguagem cinematográfica uma obra literária, no caso, o romance Reparação, de Ian McEwan.

A musa do diretor, Keira Knightley, retoma a parceria e faz par romântico com James McAvoy (O Último Rei da Escócio). No filme, a relação dos dois é posta em risco quando uma carta é enviada por engano e com ela, uma série de fatos mal explicados terminam contribuindo para que a desgraça do casal.

O novo trabalho do diretor consegue ser superior ao de sua estréia - o que transforma Desejo e Reparação em um dos filmes obrigatórios de 2007. O longa-metragem venceu o Globo de Ouro como Melhor Filme Drama e foi indicado a 7 Oscars.

Fora a badalação em volta do projeto, a produção conduz o espectador pelo universo de McEwan numa mistura de emoções, passando por várias décadas e linhas narrativas. Conta ainda com desempenhos super-competentes da nova geração de atores (Kiera, James McAvoy e da mocinha Saoirse Ronan) e uma fotografia e direção de arte deslumbrantes, ressaltadas cores intensas.

Desejo e Reparação é um passatempo de luxo e o mérito é todo de Joe Wright! Ele consegue construir um filme de época moderno, fazendo com que a trama situada na Inglaterra de 1935 seja atemporal. O tema pesado sobre culpa e arrependimento ganha fácil identificação e aposta em um desfecho coerente ao demonstrar que a redenção nem sempre é possível.

Nota: 9

Capítulo 27


Capítulo 27 é baseado em fatos reais e revela três dias determinantes na vida de Mark Chapman, o homem que assassinou o ícone dos Beatles, John Lennon. Para viver o protagonista, Jared Leto ganhou 32 quilos e adquiriu uma fisionomia idêntica ao do assassino. A dedicação ao papel pode ser identificada nas alterações de estado de espírito, no olhar psicótico e principalmente na voz fina e ameaçadora.

O projeto desde o início foi polêmico, a começar pelo tema. Um site de fãs do cantor tentou impedir o término das filmagens, alegando que a produção procurava amenizar a culpa de Chapman. Agora, após assistir o longa, pode-se dizer que o filme não julga os personagens, apenas faz um relato dos acontecimentos.

Infelizmente a abordagem sobre o criminoso não chega a lugar nenhum. O roteiro poderia ser resumido em uma linha: o cara acreditava estar possuído por Holden Caulfield, personagem de J.D.Sallinger em seu livro O Apanhador No Campo de Centeio. A partir daí, a minúscula trama vai sendo estendida ao máximo. Nada acontece, são diálogos sofríveis, nenhum clímax e para completar, Lindsay Lohan perdida em um papel inútil. Resultado: os 80 minutos parecem 2 horas de enfado.

Nota: 4

Obs: O título do longa faz uma alusão ao livro de J.D. Salinger, que possui 26 capítulos. O vigésimo-sétimo seria a história do atormentado assassino do ex-beatle.

Na Natureza Selvagem


A história real de Chris McCandless é retratada pelo olhar sensível de Sean Penn em Na Natureza Selvagem. O jovem de 23 anos interpretado por Emile Hirsh (ótimo) abandona a família e a sua boa condição social para viver como um andarilho, desprendendo-se do materialismo e com o objetivo de chegar ao Alaska. A viagem de Chris não inclui nada além de sua mochila, e assim ele vai pedindo carona, conseguindo uns bicos de trabalho e conhecendo pessoas pelo caminho.

Essa fantástica aventura serve como um alerta para a nossa sociedade consumista. Claro que Chris entrou de cabeça nessa idéia e passou dos limites. Porém, ele era um cara inteligente e determinado. Tudo o que ele passou certamente foi uma experiência incrível e é isso o que presenciamos durante o filme.

Sean Penn, pela quarta vez assumindo a direção de um longa-metragem, dá ritmo a narrativa que tinha tudo para ser uma monotonia. A direção equilibrada, com uma edição moderna, tanto de estilo como também nas idas e vindas no tempo, deixam o projeto bem redondo. A trilha sonora de extremo bom gosto encaixa-se perfeitamente com o contexto e foi escrita especialmente para o drama pelo vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder. Na Natureza Selvagem é emocionante, intenso, reflexivo e, como cinema, é tão completo como a trajetória de Chris.

Nota: 8

O Sobrevivente


O diretor alemão das obras-primas “Fitzcarraldo” e “O Enigma de Kaspar Hauser”, Werner Herzog, realiza seu primeiro filme hollywoodiano. O Sobrevivente é a história real sobre um piloto de guerra que em seu primeiro vôo cai em Laos durante a Guerra do Vietnã. Ele é capturado pelos inimigos, torturado e enviado para um campo de priosioneiros. Junto com os companheiros de “cela”, ele passa a planejar a sua fuga.

Christian Bale mais uma vez mergulha de cabeça ao interpretar um personagem. A entrega do ator chegou ao limite: ficou exposto à sanguessugas, comeu vermes e perdeu vários quilos. O cineasta não poupou Bale das piores cenas e, assim apresenta uma visão bastante real sobre o fato. As chocantes cenas de violência aumentam a tensão e proporcionam um thriller de guerra visceral.

Ironicamente, as duas horas que relatam meses de sofrimento do protagonista passam num instante e o filme faz seu registro sobre a luta pela sobrevivência com muita habilidade e força.

Nota: 8,0

Medo da Verdade


Ben Affleck não aparece na frente das câmeras em Medo da Verdade. O ator estréia na direção com essa adapatação do romance de Dennis Lehane, o mesmo que escreveu Sobre Meninos e Lobos. O trabalho de Aflleck é de um profissionalismo impecável, muito semelhante a direção segura de Clint Eastwood na outra adpatação do autor.

O protagonista do projeto é o irmão de Ben, o caçula Cassey Affleck, que já havia se destacado em O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford. Aqui, Cassey é um detetive particular que está investigando, junto com sua parceira e amante, o desaparecimento de uma criança.

O jovem ator não decepciona e mostra-se competente para segurar o projeto, mas quem se sobressai é Ed Harris. Com um estilo parecido com o de Viggo Mortensen em Senhores do Crime, o veterano esculpe um personagem singular, favorecido pela interpretação pontual. Outra atuação também vale o destaque: Amy Ryan apesar de aparecer pouco em cena, está realmente excelente como a mãe drogada da menina desaparecida e sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante é mais do que merecida. Para completar o elenco, Morgan Freeman em uma ponta de luxo.

Quanto ao mistério do sumiço da garotinha, o roteiro não perde o fôlego até a última cena quando é revelada a verdade. Consegue ainda aplicar reviravoltas e mudanças de percepção sem ofender o espectador. A trama interessante garante a atenção do público o tempo inteiro e Medo da Verdade revela-se um bom filme policial contemporrêneo.

Nota: 7,4

No Vale das Sombras


Após vencer o Oscar por Crash – No Limite, o diretor Paul Haggis decidiu tocar em um dos pontos fracos dos norte-americanos: a guerra no Iraque. Apesar de ser baseado em fatos reais, o roteiro de sua autoria valoriza os personagens, dando a amplidão adequada para cada um dos envolvidos no desaparecimento de um soldado que recém retornou aos Estados Unidos.

Tommy Lee Jones, indicado ao prêmio da Acadêmia esse ano, realiza um exercício de atuação com profundidade, equilibrando a amargura e a determinação incessante de esclarecer o caso. Dividindo a tela com ele, Charlize Theron surge um pouco apagada, mas ainda assim competente. O elenco de apoio conta com Susan Sarandon, James Franco e Josh Brolin.

O andamento calmo não cansa o espectador, só faz com que a produção adquira a densidade que a trama precisa, uma vez que o realismo e a honestidade são presentes durante toda investigação. A crítica fica por conta de uma cena com a bandeira dos Estados Unidos, onde cabe assistir o filme para descobrir. Bom entretenimento, bem realizado e com conteúdo.


(spoiler) O roteiro acaba indo além de apenas julgar o papel dos EUA na guerra, o projeto mostra como os soldados que voltaram do conflito chegam em seu país. O exército transforma as criaturas em monstros, destruindo seu psicológico através da crueldade e frieza pelo qual passam. Esse é um ponto muito interessante abordado em No Vale das Sombras. As feridas ficam abertas por mais tempo do que se imagina.

Nota: 7,5

Antes Só Do Que Mal Casado


Os diretores de Quem Vai Ficar com Mary? retomam a parceria com Ben Stiler nessa comédiia cujo próposito é apenas render boas risadas. Para variar um pouco, o astro interpreta um coitado azarado que não se dá bem com mulheres após o rompimento com sua noiva. Justamente no dia dos namorados, o cara encontra a garota perfeita e estando apaixonados, casam em seguida. Na lua-de-mel, Stiler descobre que a moça é bem diferente daquilo que ele imaginava.

Até aí, os irmãos Farrelly sabem desenvolver o filme de forma engraçada e com bom humor. Mesmo quando as piadas não tem graça, passam sem comprometer. Porém, na metade da sessão, com o personagem principal ainda na viagem de núpicias, ele acha aquela que seria a garota de seus sonhos. Então, a mulher infernal a qual ele se casou é deixada de lado, e com ela toda diversão. Começa outra parte, um romance bobinho que só é interessante nas cenas com a família da nova garota.

Antes Só Do Que Mal Casado diverte a platéia e esse é o seu objetivo. Quem mais aproveita o projeto é Ben Stiller que comprova seu carisma e talento. Assim, o filme garante algumas risadas e apesar de inconstante, é válido.


Nota: 7,0

O Orfanato


Assim como em A Espinha do Diabo e O Labirinto de Fauno, O Orfanato é uma espécie de conto de fadas para adultos, onde crianças inocentes são protagonistas de uma história de terror. Coincidência ou não, Guillermo del Toro produziu esse último filme e foi diretor dos dois inicialmente citados.

Para não estragar as surpresas, o que dá para saber da história é que Laura, junto com o marido, mudou-se para um casarão onde antigamente funcionava um orfanato - lugar este em que ela passou parte de sua infância, até ser adotada. Na nova casa, o filho do casal faz amigos imaginários, que estranhamente possuem os mesmos nomes dos amigos de Laura da época em que ela era criança e viveu na mansão.

Começa aí esse longa-metragem poderoso, no qual J.A Bayona estréia na direção com uma estrutura narrativa rara. O filme é um suspense à moda antiga, cujo ritmo lento ajuda a envolver o espectador e o deixa cada vez mais angustiado com o enredo.

Parecidíssimo com Os Outros tanto na forma em que é conduzido como também no roteiro centrado em uma figura feminina, a produção certamente vai agradar os fãs de mistério. O Orfanto é um conto macabro de trama inteligente e fascinante. Tomara que ele revitalize o gênero através da valorização das boas histórias de terror, sem apelar para mutilações e sustos fáceis.

Nota: 8,4

Jogos do Poder


Nas mãos de Mike Nichols (Closer), essa produção que poderia ser uma chatice torna-se um longa-metragem bem amarrado e interessante. Tom Hanks é um congressista “boa vida”, que só se mexe para estar acompanhado de mulheres bonitas e de um bom uísque. Junto com sua amante, uma socialite de Houston, e mais um agente da CIA, ele vai contribuir para a queda da União Soviética e o fim da Guerra Fria.

Esse não é um filme de heróis. Até porque a produção não julga os personagens, apenas tenta provar que não é tão difícil mudar o curso da História. O feito das três figuras centrais vai determinar, futuramente, a criação de grupos como o Taliban e Al-Qaeda, gerando o arrasador movimento terrorista.

Inspirado em uma história real, Jogos do Poder é bem contado, prende a atenção e discute fatos políticos que aconteceram e agora parecem esquecidos. É um resgate na história para entender como originou a guerra que hoje é praticada. As boas atuações do invejável elenco só tornam o projeto ainda melhor.

Nota: 8,0

Um Plano Brilhante

Essa produção modesta de suspense traz como atrativo os nomes de Michel Caine e Demi Moore no elenco. No filme, os dois são responsáveis por um engenhoso roubo de diamantes, que pretende não deixar pistas. Será que isso é possível?

A história passada em Londres, na década de 60, inicia quando um zelador e uma executiva injustiçada decidem “fazer a limpa” no cofre da empresa em que trabalham, a London Diamond Corporation. O plano simples reserva surpresas e envolve o público com uma trama curiosa.

O filme se assemelha à produções clássicas do gênero policial, principalmente pela reconstituição da época, que impossibilita o uso da avançada tecnologia atual. O roteiro é livremente inspirado em uma história real. Demi Moore sabe criar uma funcionária amargurada, contida e muito elegante, ao passo que Michael Caine discretamente valoriza seu personagem nos detalhes.

Um Plano Brilhante é entretenimento garantido que não requer reviravoltas e truques para torná-lo melhor.

Nota: 7,8

A Garota Ideal


Uma das melhores surpresas de 2007, Lars and the Real Girl é uma comédia dramática encantadora sobre um cara que se apaixona por uma boneca inflável. Sem cair no riso escrachado, o tema é tratado com seriedade, fortalecido pela atuação sensível do cada vez melhor Ryan Goslin.

O Lars do título não se recuperou de uma forte desilusão na adolescência, e por isso, vive isolado na garagem do irmão mais velho. O absurdo chega ao extremo no momento em que Lars confessa que quando alguém o toca é como sentisse uma dor profunda. A solução para seu caráter antisocial surge na forma de uma “companheira” por encomenda. Deixando de lado apologias sexuais, o filme não julga o protagonista, apenas deixa que ele acredite que Bianca, a boneca, é real.

O texto, indicado ao Oscar desse ano por Melhor Roteiro Original, é de uma vivacidade singular, trabalhando com questões inteligentes possibilitadas pela diferente idéia. A trama assinada por Nancy Oliver, que era do time de Alan Ball em Six Feet Under, cria uma trama de humor negro rica em analogias. O curioso é que a cidade inteira começa a tratar o estranho casal com normalidade.

Criativo e acima de tudo humano, Lars and the Real Girl faz o espectador acreditar nesse amor impossível. Uma fita fora do comum que funciona.


Nota: 8,4

Onde os Fracos Não Tem Vez


Não adianta que o meu gosto não bate com o dos irmãos Coen. Suas obras, na maioria, soam estranhas para mim. Isso aconteceu até mesmo com os cultuados Gosto de Sangue e Fargo. Já outros filmes como Ei, meu irmão, cadê você? e Matadores de Velhinhas não me convenceram do talento da dupla. O Amor Custa Caro é simpático, mas com doses de bizarrice e Barton Fink consegue enlouquecer o espectador. Não que sejam filmes ruins, nenhum deles é, mas após assisti-los não se sabe se o que foi visto é realmente bom.

Novamente, a sensação de desconforto paira ao final do maior sucesso, e provavelmente o melhor filme dos diretores, Onde os Fracos Não tem Vez. A caçada do assassino indestrutível pelo caubói que acha uma maleta de dinheiro é tensa e emocionante. A direção impecável sabe contar a trama pesada com a densidade exata para o contexto, aproveitando para realizar tomadas sem pressa que valorizam as emoções e a interpretação dos atores.


Tão bem construída quanto a premiada personificação de Javier Barden, a atuação de Josh Brolin é de igual impacto, rivalizando com o seu antagonista sem medo. A força desses dois homens na tela é tanta que seguram sufocantemente o longa-metragem até o desfecho. Barden, em uma atuação poderosa, representa o mal enraizado na nossa sociedade. E é essa a idéia principal, tanto do texto original baseado no livro de Comarc McCarthy como do longa-metragem: uma análise sobre a violência contemporânea. Por isso, aquele final em aberto que deixa claro a proposta do projeto.

Foi aí a falha dos Coen, que preocupados demais na recuperação da maleta cheia da grana, esqueceram de desenvolver nas duas horas de filme a crítica social que querem que o espectador engula na última cena. Assim, o público se sente traído com o corte na narrativa linear e o estrago feito na conclusão.

Onde os Fracos Não Tem Vez não quer ser apenas um filme de ação, ele quer que o espectador questione - apesar de não explicar o suficiente e deixar elementos vagos.

Nota: 7,6

Across the Universe

Tudo indica que os musicais voltaram para ficar. Depois da retomada com Moulin Rouge, o gênero ganhou um novo fôlego, e ano passado chegaram três longas imperdíveis que não abrem mão da cantoria: Hairspray, Sweeney Todd e este Across the Universe.

Falando desse último, o projeto é uma grande homenagem aos Beatles, já que todas as músicas interpretadas pelos atores são do grupo de rock britânico. Imagine declararações de amor ao som de Something? Protestos de guerra com Let it Be? Psicodelia com I Am The Walrus? Simplesmente incrível.

Para dar vida a um projeto bem especial, a produção focou a história nos 60 e 70, com a explosão da guerra do Vietnã e a força do movimento hippie, aproveitando também para contextualizar a época em que as canções foram criadas e faziam efeito. Não é por coincidência que que os protagonistas se chamam Jude e Lucy.

Como entretenimento, o filme possui altos e baixos. A diretora Julie Taymor utiliza em várias ocasiões elementos multicoloridos, quase alucinógenos, criando videoclipes de cada canção. Ao ser um furação de imagens, a excitação presente durante toda exibição é extremamente prazerosa.

Uma pena é o índice relevante de sequencias desnecessárias. São cenas sem propósito ou estensas demais, que se tornam cansativas para o público, dando a impressão que foram desculpas só para acrescentar tal música ao filme.

De qualquer maneira, vale deixar de lado esse pequeno incômodo e relaxar junto com Across the Universe. Para compravar como todos se renderam ao encanto do longa, Paul McCartney ao final da sessão declarou: “O que há para não se gostar?”. Se é ele que tá falando, quem sou eu para discordar. Imprescindível.


Nota: 8,0

Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada

Dan Burns é um viúvo com três filhas. Há quatro anos, desde o acontecimento trágico com sua esposa, ele não demonstra interesse por mulheres, até o momento que uma estranha o aborda em uma livraria. Parece paixão à primeira vista. Os dois possuem uma química imediata e prometem manter contato. Quando chega em casa, descobre que a primeira pessoa que despertou o seu interesse depois de todo esse tempo é a namorada de seu irmão.

Assim começa “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada”, a mais recente comédia de Steve Carrell, astro de O Virgem de 40 Anos. O título cômico engana os afobados porque o longa-metragem está mais para comédia dramática do que aquela estilo “pastelão”. São poucos momentos engraçados e quando surgem tornam a sessão bem mais leve.

Ironicamente, a produção transmite uma melancolia incomum para esse tipo de filme, o que deixa ainda mais interessante a maneira como Dan lida com esse primeiro amor após trauma. O cara permanece amargurado, procurando evitar até mesmo que suas filhas se apaixonem. Porém quando Juliette Binoche aparece em sua vida, é como se uma paixão louca nascesse repentinamente e ele não pudesse externá-la.

O projeto não foge da tradicional história do amor proibido e talvez isso transpareça uma sensação de realidade. Bons desempenhos da dupla principal fortalecem o todo e o filme termina como um passatempo bastante agradável.

Nota: 7,5

Nova crítica de Sweeney Todd

Decidi redigir outra crítica para o filme "Sweeney Todd”, já que assisti outra vez o longa-metragem. Na segunda sessão, com o intervalo de 3 dias da primeira, mudei minha opinião. Sabia que no primeiro momento, tinha assistido o projeto em uma situação desconfortável, por isso resolvi testar o filme novamente.

O resultado foi como eu esperava: achei muito melhor. Até porque já estava familiarizado com as músicas (algo que contruibui bastante). Pude apreciar mais as interpretações e a direção de arte. Até saber o final surpreeendente não diminuiu o choque.

Algo que não falei na crítica e vale comentar, foi a péssima escolha do casal jovem da produção. Os dois atores dos quais não sei o nome não apresentam emoção alguma, prejudicando que o público se envolva e torça pelos personagens.

Para ler a crítica reformulada desça a barra de rolagem ou vá no banco de críticas.


OBS: O texto antigo foi apagado.

Garçonete

É um prazer assistir filmes como Garçonete - comédia dramática que foge dos padrões. No filme, Jenna (Keri Russell) é uma garota bonita e inteligente, porém perdeu todo seu ânimo ao viver infurnada em uma lanchonete de beira de estrada e sufocada pela presença do marido Earl, possessivo e dominador. Logo no início do filme, ela descobre que está grávida, e essa criança significa mudança em sua vida: quer largar o marido e abrir seu próprio estabelecimento, onde poderá produzir as suas deliciosas tortas.

Com uma leve raiz nas produções alternativas, o filme não tenta a sorte em uma narrativa simples. O roteiro é mais profundo do que aparenta, sabendo equilibrar ironia e charme. A estréia de Adrienne Shelly na direção é um achado (pena que ela morreu antes da estréia do projeto). Seu texto divertido e esperto dá um dinamismo incomum: Jenna dá nomes bizarros para cada torta que inventa, como: “Eu não quero o bebê do Earl”!

Mais que um passatempo descartável, Garçonete conversa com o espectador sobre a importância do ser humano ter força de vontade e critica o comodismo cada vez mais frequente na sociedade. O longa-metragem, além de hiper simpático, é um programa com um sabor diferente e com uma linda lição ao final. Sem muita atenção, é um filme que pode passar despercebido na hora de escolher entre os inúmeros títulos na prateleira da locadora. Se não criar muita expectativa, vale a pena experimentar.

Nota: 8,2

Um Beijo Roubado

O título original desse longa-metragem é mais coerente do que o lugar-comum Um Beijo Roubado. Para quem não sabe o que é blueberry, a palavra significa mirtilo. Piorou? Mirtilo é uma fruta originária da América do Norte, menor que uma uva e parecida com o acará. No filme, a personagem de Norah Jones saboreia as tortas de mirtilo que ninguém pede no café que Jude Law possui.

Os dois se conhecem por acaso, nesse estabelicimento, quando ela descobre a traição do namorado e precisa de alguém para conversar. Em seguida, empanturrada de torta, ela adormece. No dia seguinte, decide mudar de vida e parte em uma jornada para o interior dos Estados Unidos, fugindo de Nova York. Pelo caminho, ela escreve cartas para o “amigo” do bar e encontra pessoas que também estão perdidas.

Escrito e dirigido pelo chinês do momento, Wong Kar-Wai (Amor à Flor da Pele), o projeto criou uma expectativa imensa tanto pelo nome do diretor quanto pelo elenco. O argumento interessante acaba naufragando em uma trama irregular, que favorece as histórias secundárias e diminui a principal. Falta impacto e sentimento na tela. A tão comentada atuação de Norah Jones deixa a desejar. Sua interpretação sem verve é prejudicada pela personagem de intensidade fraca.

O filme abriu o Festival de Cannes no ano passado e não empolgou. Ao todo, não é uma obra sofrível. A maravilhosa fotografia e o time de apoio com Jude Law, Natalie Portman, Rachel Weiz e David Strathairn ajudam a melhorar o resultado. Porém, ainda assim, Um Beijo Roubado é decepcionante.


Nota: 5,0

O Diário de Uma Babá

Scarlett Johansson não tira folga entre um projeto e outro. Em seis anos, após o seu estrelato em 2003 com Encontros e Desencontros, a atriz não parou um segundo: são doze filmes de lá pra cá, ou seja, dois por ano. Em seu mais recente longa-metragem, ela interpreta uma babá e, como você pode estar pensado, e até um dos personagens diz no filme, “Isso não é meio pornô?”. De imediato pode até parecer: a gatíssima atriz vestida naqueles uniformes justinhos e... pode parando por aí. O Diário de Uma Babá é sessão da tarde, classificação livre. Portanto, nada disso.

No filme, Annie (Johansson) recém se formou em antropologia e decide mudar-se de Nova Jersey para a cidade grande, Nova York. Sem saber o que quer da vida, ela aceita a primeira oportunidade que bate a sua porta, a da de trabalhar como babá do filho pequeno de uma socialite. Claro que a garota se encanta com a criança, porém não será fácil lidar com a megera patroa. Ainda na mistura, soma-se o pai ausente e infiel e um estudante de Direito cheio da grana apaixonado pela protagonista. Annie vai passar por vários dilemas e assim, tentar descobrir quem ela é e o quer fazer da vida.

Bem bonitinho, o filme é a clássica comédia romântica que ainda funciona. Scarlett tem carisma e Laura Linney dá um show como a perua insensível. Vale descartar as metáforas bobas que Annie faz com antropologia. Do resto, se você procura um filme com final feliz, já achou. Tem vezes que o público não está com vontade de assistir um longa pesado e procura uma diversão tranqüila. O Diário de Uma Babá é ideal para esses dias.


Nota: 7,0

Juno


Diablo Cody está em alta após o fenômeno inesperado de Juno (mais ainda com o Oscar de Melhor Roteiro Original). Porém, é inegável que o sucesso do filme deve-se muito ao seu brilhante roteiro. A realidade nunca foi tão bem retratada em uma comédia adolescente, se bem que não é tão adolescente assim.

Juno é uma garota de 16 anos que fica grávida na primeira transa - logo de seu melhor amigo. Sem desespero e choradeira, ela trata de resolver a situação conseguindo um casal para adoção do bebê. É essa a sinopse do projeto. Simples assim, e é exatamente por ser uma história tão batida, que o filme merece o reconhecimento que teve. Cody conseguiu segurar o longa-metragem em um fiapo de trama e dar originalidade a algo tão clichê.

O melhor de Juno são os diálogos, construídos com perfeição para os carismáticos e atípicos personagens. O pai de Juno e sua madrasta tratam com certa naturalidade a situação, enquanto o amigo e pai da criança é um nerd desajustado que não sabe o que fazer após receber a notícia. Até mesmo a protagonista não é certinha e digna de pena. É alguém que parece real, que oscila de personalidade porque ainda não descobriu que tipo de pessoa é.

O painel das relações humanas do filme é riquíssimo. Além de Juno e seu “ficante”, os pais adotivos vividos por Jason Bateman e Jennifer Garner são figuras muito interessantes, tratadas com sensibilidade, e que sabem lidar com seus desejos fugindo do óbvio.

Apesar do tema universal, o diretor Jason Reitman dá um caráter indie e classifica a produção no estilo alternativo. Em qual filme você vê uma grávida chamando seu filho de “coisa” e querendo se livrar dele? São nas sutilezas do texto e nas interpretações fantásticas de todo elenco, principalmente Ellen Page no papel título, que fazem desse filme um passatempo obrigatório.

Nota: 8,5

O Clube de Leitura de Jane Austen


Jane Austen é tão moderna assim? Essa é a primeira pergunta que vem a mente quando se assiste O Clube de Leitura de Jane Austen. O filme procura provar que os livros da autora, lançados em 1800, tratam sobre as mesmas complicações vividas hoje nos relacionamentos amorosos.

A roteirista Robin Swicord estréia na direção em um filme com elenco repleto de atores conhecidos do púbico. São eles: Kathy Baker, Maria Bello, Emily Blunt, Maggie Grace e Kevin Zegers. O centro da história é o tal “clube”, onde cinco mulheres e um homem se reúnem para discutir as obras da clássica escritora. Cada um dos participantes passa a refletir sobre as histórias dos livros e assim, conseguem solucionar problemas através dessas lições.

Para quem não leu nada de Jane Austen provavelmente perderá boa parte dos diálogos. Durante as reuniões, os protagonistas discutem sobre as decisões dos personagens dos livros, o que acaba dificultando um aproveitamento completo para os espectadores alheios ao assunto. Claro que isso não impede a compreensão do importante da trama.

As pequenas histórias individuais dos integrantes do “clube” são prejudicadas pelo grande número de personagens, tornando-as superficiais. Na maioria, são clichês e previsíveis. Esse não é um projeto com muito a acrescentar. Será mais um filme passageiro que amanhã você já esqueceu, o que pode torná-lo especial é se você posteriormente decidir ler um dos livros de Jane Austen. Vontade dá. Já é alguma coisa.

Nota: 6,0